«É por isso que quando ouvimos pessoas como Jorge Coelho pedirem a demissão de Carlos Costa então temos a certeza de que o governador pisou os calos de muita gente em Portugal. Gente essa que agora se está a vingar. Jorge Coelho é o representante máximo de uma classe empresarial que viveu ancorada num sistema podre que misturou banca, empresa e políticos. A Mota-Engil, empresa que liderava, era a maior cliente do Banco Espírito, chegando a ter uma dívida de 760 milhões de euros. É preciso dizer mais?
No caso dos lesados, o Governo, ao transformar um problema judicial numa questão política, está a passar a fatura aos contribuintes. Não se iluda. Serão os seus impostos, direta ou indiretamente, a pagar a fatura. E se eu até admito que o Estado possa contribuir para quem investiu o pouco que tinha recuperar alguma coisa, não aceito a ideia de suportar especuladores ou quem apostou vários milhões de euros em dívida de uma empresa privada. E muito menos que para garantir o apoio dos partidos da esquerda radical se coloquem em causa instituições que são o suporte da nossa sociedade.»
João Vieira Pereira, no Expresso
Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
21/02/2016
20/02/2016
BREIQUINGUE NIUZ: The British exception
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| Financial Times |
A British exception consiste essencialmente em três garantias que os outros 27 lhe deram: isenção do compromisso de construção de uma «união cada vez mais estreita»; não discriminação pelos países da Zona Euro e limitação dos benefícios sociais dos emigrantes.
Se os 27 tivessem juízo ter-se-iam concedido a si próprios as mesmas garantias e começariam gradualmente a involuir para uma zona de livre circulação de capitais, bens, serviços e pessoas.
19/02/2016
CAMINHO PARA A SERVIDÃO: Para quando a regulamentação do direito a engravidar?
Ato da Série I
Assembleia da República
Defende a regulamentação do direito de acompanhamento da mulher grávida durante todas as fases do trabalho de parto
ACREDITE SE QUISER: A metamorfose de um socialite em socialista
A pessoa que em entrevista à Visão, a propósito das rotas canceladas da TAP no Porto, disse
«Como portuense não estou muito preocupado, a TAP há muito que abandonou o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, que hoje não é tão importante como foi. (...) A TAP não é estrutural para o Aeroporto Francisco Sá Carneiro nem para a região, nem a região parece ser estrutural para a TAP, não dramatizo essa situação, é um problema do Governo, não é um problema nosso»
Registe-se que a TAP pesa apenas 20% dos passageiros do aeroporto do Porto, que a TAP se comprometeu a fazer voos horários Lisboa-Porto e vice-versa durante o dia e várias companhias low cost já fazem voo de e para o Porto.
«causarei o maior dano possível para que a TAP mude de opinião»,é a mesma pessoa que em Abril do ano passado disse
«Como portuense não estou muito preocupado, a TAP há muito que abandonou o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, que hoje não é tão importante como foi. (...) A TAP não é estrutural para o Aeroporto Francisco Sá Carneiro nem para a região, nem a região parece ser estrutural para a TAP, não dramatizo essa situação, é um problema do Governo, não é um problema nosso»
Registe-se que a TAP pesa apenas 20% dos passageiros do aeroporto do Porto, que a TAP se comprometeu a fazer voos horários Lisboa-Porto e vice-versa durante o dia e várias companhias low cost já fazem voo de e para o Porto.
TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: «Costa, os lesados do BES e Costa»
«Penso que já aqui disse nunca ter entendido, claramente, a razão de os lesados do BES protestarem com agentes do Estado, nomeadamente com o Governo. Os lesados do BES são... lesados do BES, não são lesados do Estado nem de decisões essenciais do Estado.
São lesados os que compraram, aparentemente, gato por lebre. Ou seja, o que pensavam serem aplicações do tipo de depósitos a prazo, sem risco, revelou-se ser papel comercial cheio de risco. Qual a ação do Governo anterior e do Banco de Portugal (BdP) nisto? A forma como resolveu a questão. Pode ter sido má, não contesto. Mas, tal como no caso BPN (nacionalização), cuja resolução foi consabidamente má, não toma o Governo de Sócrates e o então regulador, Vítor Constâncio, principais responsáveis pelas malfeitorias que os dirigentes do banco de Oliveira Costa andaram a fazer, é perigoso, populista e com consequências imprevisíveis ver um chefe do Governo apontar o dedo, não a Ricardo Salgado e a quem no BES enganou os clientes, mas ao Governador do BdP.
São lesados os que compraram, aparentemente, gato por lebre. Ou seja, o que pensavam serem aplicações do tipo de depósitos a prazo, sem risco, revelou-se ser papel comercial cheio de risco. Qual a ação do Governo anterior e do Banco de Portugal (BdP) nisto? A forma como resolveu a questão. Pode ter sido má, não contesto. Mas, tal como no caso BPN (nacionalização), cuja resolução foi consabidamente má, não toma o Governo de Sócrates e o então regulador, Vítor Constâncio, principais responsáveis pelas malfeitorias que os dirigentes do banco de Oliveira Costa andaram a fazer, é perigoso, populista e com consequências imprevisíveis ver um chefe do Governo apontar o dedo, não a Ricardo Salgado e a quem no BES enganou os clientes, mas ao Governador do BdP.
18/02/2016
Lost in translation (264) – Os lamentos de Costa em português coloquial
«Tenho de lamentar a forma como o Banco de Portugal tem vindo a arrastar uma decisão sobre esta matéria, a impedir que rapidamente esta solução proposta pelo Governo e aceite pela maioria dos lesados do BES pudesse estar implementada. E tenho esperança que tão rapidamente quanto possível, o BdP assuma a postura responsável que todas as entidades públicas, como o Estado e a CMVM, ou privadas como o BES ou Novo Banco estão disponíveis para assumir», disse António Costa em Aveiro.
Tradução em português coloquial:
Estou muito satisfeito por poder fazer de Carlos Costa um bode expiatório, com duas vantagens: (1) não o podendo demitir, tenho esperança que ele se demita e deixe o lugar vago para um sucedâneo do Vítor que agora está em Frankfurt; (2) enquanto ele empalear a coisa mais se queima e vai-se adiando o pagamento da factura que no fim do dia vai ser cobrada aos mesmos (espero que alguns deles votem em mim na próximas eleições).
Comentário:
O que Costa está a fazer com o Banco de Portugal, uma instituição cuja credibilidade é indispensável para a confiança no sistema bancário, confiança já abaladissíssima, e que, por isso, deveria estar fora da luta política, mostra sua total irresponsabilidade e, se já seria difícil aceitar de um chefe de facção, é inaceitável de um primeiro-ministro.
Tradução em português coloquial:
Estou muito satisfeito por poder fazer de Carlos Costa um bode expiatório, com duas vantagens: (1) não o podendo demitir, tenho esperança que ele se demita e deixe o lugar vago para um sucedâneo do Vítor que agora está em Frankfurt; (2) enquanto ele empalear a coisa mais se queima e vai-se adiando o pagamento da factura que no fim do dia vai ser cobrada aos mesmos (espero que alguns deles votem em mim na próximas eleições).
Comentário:
O que Costa está a fazer com o Banco de Portugal, uma instituição cuja credibilidade é indispensável para a confiança no sistema bancário, confiança já abaladissíssima, e que, por isso, deveria estar fora da luta política, mostra sua total irresponsabilidade e, se já seria difícil aceitar de um chefe de facção, é inaceitável de um primeiro-ministro.
CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: O caminho fez-se e faz-se caminhando (5)
[Retomando uma série interrompida: (1), (2), (3) e (4)]
Os custos do trabalho, que se tinham reduzido -3,4% em 2014, aumentaram 1,8% em 2015, ano de eleições. Será desnecessário lembrar que a produtividade ficou como estava.
Pela primeira vez desde 2011 o número de funcionários públicos aumentou 0,4% em 2015 (ano de eleições) para 658.565 postos (tem piada os seiscentos mil … e cinco!, quando se sabe que os governos nunca sabem quantos são exactamente os utentes da vaca marsupial pública).
Entretanto há dias, Passos Coelho, o responsável pelas realizações anteriores, disse, e bem, que «se no rescaldo da crise, a crescer 1,5%, nós conseguimos criar mais emprego do que o atual Governo está a pensar que a economia possa gerar em 2016 com políticas que supostamente são muito mais amigas do crescimento, [então] alguma coisa está errada». Acrescentou que «a receita que este Governo está a assumir já foi testada e já falhou». Tem toda a razão. Faltou acrescentar que a receita do seu governo também não se pode dizer que tenha sido um sucesso depois da troika se ter posto ao fresco e as eleições se aproximaram.
Mesmo com a troika por cá, passaram-se coisas (à volta de Efisa) que nunca se deveriam ter passado com pessoas (como Relvas, Arnaut e Dias Loureiro) que nunca deveriam estar metidas nessas coisas (leiam-se aqui os detalhes).
Mais ou menos por essa altura, em Fevereiro de 2011, também se passaram coisas com o governo de Sócrates, para além das muitas que já se sabiam e culminaram com a bancarrota, que ficaram na penumbra, como a última emissão para tentar adiar o resgate de 3,5 mil milhões de OT a 10 anos à taxa média de 6,4%. Os juros de 5 anos atingiram a bonita soma de 1,12 mil milhões de euros, ou seja aproximadamente mais 500 milhões do que nos teria custado um empréstimo ao abrigo do PAEF.
Os custos do trabalho, que se tinham reduzido -3,4% em 2014, aumentaram 1,8% em 2015, ano de eleições. Será desnecessário lembrar que a produtividade ficou como estava.
Pela primeira vez desde 2011 o número de funcionários públicos aumentou 0,4% em 2015 (ano de eleições) para 658.565 postos (tem piada os seiscentos mil … e cinco!, quando se sabe que os governos nunca sabem quantos são exactamente os utentes da vaca marsupial pública).
Entretanto há dias, Passos Coelho, o responsável pelas realizações anteriores, disse, e bem, que «se no rescaldo da crise, a crescer 1,5%, nós conseguimos criar mais emprego do que o atual Governo está a pensar que a economia possa gerar em 2016 com políticas que supostamente são muito mais amigas do crescimento, [então] alguma coisa está errada». Acrescentou que «a receita que este Governo está a assumir já foi testada e já falhou». Tem toda a razão. Faltou acrescentar que a receita do seu governo também não se pode dizer que tenha sido um sucesso depois da troika se ter posto ao fresco e as eleições se aproximaram.
Mesmo com a troika por cá, passaram-se coisas (à volta de Efisa) que nunca se deveriam ter passado com pessoas (como Relvas, Arnaut e Dias Loureiro) que nunca deveriam estar metidas nessas coisas (leiam-se aqui os detalhes).
Mais ou menos por essa altura, em Fevereiro de 2011, também se passaram coisas com o governo de Sócrates, para além das muitas que já se sabiam e culminaram com a bancarrota, que ficaram na penumbra, como a última emissão para tentar adiar o resgate de 3,5 mil milhões de OT a 10 anos à taxa média de 6,4%. Os juros de 5 anos atingiram a bonita soma de 1,12 mil milhões de euros, ou seja aproximadamente mais 500 milhões do que nos teria custado um empréstimo ao abrigo do PAEF.
Pro memoria (296) - As contas paródia do Twitter e o caminho para uma sociedade socialista
As contas paródia do Twitter, tal como os parodiados, são todas iguais mas há umas mais iguais do que outras. Isto não carece de demonstração, é uma verdade universal entendida por toda a gente. Bom, infelizmente nem todos, como Maria João Marques que escreve no seu artigo «O socialismo ama de amor perdido a liberdade de expressão» no Observador a seguinte prosa provocatória (e, por essa e outras razões, quando o caminho constitucional para a sociedade socialista chegar ao seu destino terá que ser reeducada):
«Posto isto, devo congratular o twitter por ter suspenso a conta que parodiava Sua Excelência o primeiro-ministro, Dr. António Costa. E os cidadãos conscientes que, presume-se, denunciaram a indecência de haver quem ousasse fazer humor com Sua Excelência o primeiro-pinistro, Dr. António Costa. Bravo, são uns heróis. De facto, os governos com pendor esquerdista radical, como o da geringonça, só se aguentam muito tempo nos casos em que se podem calar os opositores políticos e, preferencialmente, enviá-los para a prisão. Folgo em ver que há quem na nossa boa esquerda não esqueceu a primeira parte desta boa lição.
(Atenção: a conta paródia a Passos Coelho sobreviveu toda a anterior legislatura sem qualquer beliscão. Isto está muito bem, porque se à esquerda se deve reverência agradecida, à direita só se oferece escárnio e ridículo. É a ordem natural das coisas. E, além do mais, as pessoas de direita são umas rústicas que levam a sério a balela da liberdade de expressão e, pobres almas, porventura até acreditam que ridicularizar políticos é uma boa dose de humildade que lhes é servida.)»
«Posto isto, devo congratular o twitter por ter suspenso a conta que parodiava Sua Excelência o primeiro-ministro, Dr. António Costa. E os cidadãos conscientes que, presume-se, denunciaram a indecência de haver quem ousasse fazer humor com Sua Excelência o primeiro-pinistro, Dr. António Costa. Bravo, são uns heróis. De facto, os governos com pendor esquerdista radical, como o da geringonça, só se aguentam muito tempo nos casos em que se podem calar os opositores políticos e, preferencialmente, enviá-los para a prisão. Folgo em ver que há quem na nossa boa esquerda não esqueceu a primeira parte desta boa lição.
(Atenção: a conta paródia a Passos Coelho sobreviveu toda a anterior legislatura sem qualquer beliscão. Isto está muito bem, porque se à esquerda se deve reverência agradecida, à direita só se oferece escárnio e ridículo. É a ordem natural das coisas. E, além do mais, as pessoas de direita são umas rústicas que levam a sério a balela da liberdade de expressão e, pobres almas, porventura até acreditam que ridicularizar políticos é uma boa dose de humildade que lhes é servida.)»
17/02/2016
QUEM SÓ TEM UM MARTELO VÊ TODOS OS PROBLEMAS COMO PREGOS: O alívio quantitativo aliviará? (38) – Aliviar, alivia, de momento alivia o crescimento no Japão (VII)
Outras marteladas. Continuação de (I), (II), (III), (IV), (V) e (VI)
Sabeis o que me faz lembrar o quantitative easing (QE) em geral, e em particular o QE integrado na Abenomics de Shinzo Abe para reviver uma economia dum país envelhecido com a população a diminuir, com um PIB per capita PPP de USD 38,2 mil (Portugal USD 27,8) e um desemprego de 3,3%? As danças dos índios, perdão, povos nativos, a pedir chuva a Manitu.
A diferença é que por vezes a chuva coincidia com as danças dos povos nativos enquanto as taxas de juro negativas do BoJ (actualmente -0,1%) e a impressora a fazer horas extraordinárias não fizeram mais no 4.º trimestre de 2015 do que contrair a economia em -1,4% em termos anuais, principalmente devido à queda do consumo das famílias.
Entretanto, segundo The Economist Espresso, «negative rates could cut big banks’ profits by 8% and regional lenders’ by 15%, says Standard & Poor’s, a credit-rating agency. The BoJ’s unprecedented monetary easing has so far chiefly hit government-bond traders, who saw volumes in their market dwindle; now other financial firms will pay a price, especially if the central bank goes deeper into negative territory.»
Sabeis o que me faz lembrar o quantitative easing (QE) em geral, e em particular o QE integrado na Abenomics de Shinzo Abe para reviver uma economia dum país envelhecido com a população a diminuir, com um PIB per capita PPP de USD 38,2 mil (Portugal USD 27,8) e um desemprego de 3,3%? As danças dos índios, perdão, povos nativos, a pedir chuva a Manitu.
A diferença é que por vezes a chuva coincidia com as danças dos povos nativos enquanto as taxas de juro negativas do BoJ (actualmente -0,1%) e a impressora a fazer horas extraordinárias não fizeram mais no 4.º trimestre de 2015 do que contrair a economia em -1,4% em termos anuais, principalmente devido à queda do consumo das famílias.
Entretanto, segundo The Economist Espresso, «negative rates could cut big banks’ profits by 8% and regional lenders’ by 15%, says Standard & Poor’s, a credit-rating agency. The BoJ’s unprecedented monetary easing has so far chiefly hit government-bond traders, who saw volumes in their market dwindle; now other financial firms will pay a price, especially if the central bank goes deeper into negative territory.»
A mentira como política oficial (13) – Costa e o poeta Aleixo
Para a mentira ser segura
E atingir profundidade,
Tem que trazer à mistura
Qualquer coisa de verdade.
António Aleixo
António Costa adoptou-a e começou a aviar vídeos explicando as políticas da geringonça com a eficácia a que nos habituou ao transformar derrotas em vitórias, mostrando assim dispor de abundantes dotes comuns à maioria dos políticos da 4.ª República: elevada capacidade de mentir (à mistura com tão pouca verdade que lhe retira alcance e profundidade, como sabiamente percebeu o poeta Aleixo) e descaramento.
Como exemplos, vejam-se os vídeos #1 e #2 e leia-se neste post do Insurgente o desmacarar das tretas de Costa, com destaque para o «nós diminuímos o IRS para 99,7% dos portugueses». Jorge Costa no seu post desmonta a coisa lembrando que «52,6% dos portugueses está isento de IRS» e eu acrescento a constatação, conforme aqui se mostra, do saldo das medidas orçamentais (devoluções de salários + reduções de impostos – aumentos de impostos) ser negativo para o 3.º escalão dos agregados familiares que representam mais de 40% do total de agregados. Dito de outra maneira, os 99,7% que Costa diz que desagravou reduzem-se a bem menos de dez por cento.
Costa só não maltratou a verdade porque esteve demasiado afastado para lhe infligir danos. Tal não significa, porém, que a sua manipulação não seja eficaz e o seu descaramento não seja compensador, como se viu com o seu antecessor José Sócrates que, já sem crédito dos credores, depois de ter esvaziado os cofres e à beira de fugir para Paris, ainda desfrutava de crédito junto da opinião pública, crédito dado pela imensa legião de crédulos que povoam o país.
Por falar em Costa e mentiras, vale a pena registar mais uma em entrevista ao Expresso: «os accionistas privados (da TAP) viram-se envolvidos numa aventura irresponsável do Governo anterior, que assinou um contrato já depois de demitido», disse, como se as negociações e o acordo não tivessem sido feitos dispondo o governo de plenos poderes e como se o governo tivesse sido demitido (não foi, terminou o seu mandato e depois das eleições teve os poderes de gestão corrente, onde se enquadra a assinatura de um contrato que fora negociado e aprovado antes das eleições) e como se a venda da TAP não estivesse prevista no Memorando de Entendimento que o governo do PS assinou com a troika, onde se escreveu:
«3.30. The Government will accelerate its privatisation programme. The existing plan, elaborated through 2013, covers transport (Aeroportos de Portugal, TAP, and freight branch of CP), … and is hopeful that market conditions will permit sale of these two companies, as well as of TAP, by the end of the 2011.»
16/02/2016
LASCIATE OGNI SPERANZA, VOI CH'ENTRATE: É mais fácil encontrar um lince na Serra da Malcata do que um liberal num país pendurado no Estado (3)
Eu diria mesmo mais:
«... em vez de se aventurarem num processo de recolha de alguns milhares de assinaturas para remeter ao Tribunal Constitucional, os liberais deveriam preocupar-se em ganhar influência e prestígio...» (Blasfémias)
«... os (poucos) liberais que por cá temos e se querem dedicar à vida partidária, em vez de pensarem em lançar uma empresa para a qual não dispõem de suficientes meios financeiros e humanos, se deveriam, antes, dedicar ao CDS e ao PSD. ...» (Blasfémias)
Declaração de interesse: subscrevo com reservas esta segunda medicina no que respeita ao CDS que se tem mostrado até agora um alfobre socialista. Exemplos mais notórios: Freitas do Amaral, Basílio Horta, Adriano Moreira. Vejamos o que nos traz a líder in the making.
«... em vez de se aventurarem num processo de recolha de alguns milhares de assinaturas para remeter ao Tribunal Constitucional, os liberais deveriam preocupar-se em ganhar influência e prestígio...» (Blasfémias)
«... os (poucos) liberais que por cá temos e se querem dedicar à vida partidária, em vez de pensarem em lançar uma empresa para a qual não dispõem de suficientes meios financeiros e humanos, se deveriam, antes, dedicar ao CDS e ao PSD. ...» (Blasfémias)
Declaração de interesse: subscrevo com reservas esta segunda medicina no que respeita ao CDS que se tem mostrado até agora um alfobre socialista. Exemplos mais notórios: Freitas do Amaral, Basílio Horta, Adriano Moreira. Vejamos o que nos traz a líder in the making.
CONDIÇÃO MASCULINA: Precisamos de homens. Não precisamos de criaturas efeminadas com pénis
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| Ver aqui o vídeo |
O tigre celta e o tareco lusitano (6) – «Horrendo», disse o Taoiseach do tigre referindo-se ao estado do tareco
[Sequela de (1), por sua vez sequela de O rugido do tigre vs o miado do gato, de (2), de (3), de (4) e de (5)]
Parece que anda por aí mais uma revoada de indignações (incluindo de Nicolau Santos, o nosso pastorinho da economia dos amanhãs que ele acredita piamente que voltem a cantar) a propósito das comparações que o primeiro-ministro irlandês Enda Kenny fez com o Portugal da geringonça, chamando a atenção para os riscos do tigre celta se transmutar em tareco lusitano.
A Bloomberg sintetizou a coisa assim: «Portugal is paying a “horrendous” price for political instability, Irish Prime Minister Enda Kenny said, as he tried to arrest a slide in his coalition’s popularity before an election.»
Francamente, ainda que ache o horrendous price um «poucochinho» exagerado, a verdade é que não consta que as almas sensíveis agora indignadas se tivessem indignado quando Cavaco, Sócrates e Teixeira dos Santos disseram o que disseram em Novembro de 2010 a respeito da Irlanda. Sendo certo que nem Enda Kenny nem o Fine Gael deram sinais de sequer ter ouvido essas aleivosias.
Parece que anda por aí mais uma revoada de indignações (incluindo de Nicolau Santos, o nosso pastorinho da economia dos amanhãs que ele acredita piamente que voltem a cantar) a propósito das comparações que o primeiro-ministro irlandês Enda Kenny fez com o Portugal da geringonça, chamando a atenção para os riscos do tigre celta se transmutar em tareco lusitano.
A Bloomberg sintetizou a coisa assim: «Portugal is paying a “horrendous” price for political instability, Irish Prime Minister Enda Kenny said, as he tried to arrest a slide in his coalition’s popularity before an election.»
Francamente, ainda que ache o horrendous price um «poucochinho» exagerado, a verdade é que não consta que as almas sensíveis agora indignadas se tivessem indignado quando Cavaco, Sócrates e Teixeira dos Santos disseram o que disseram em Novembro de 2010 a respeito da Irlanda. Sendo certo que nem Enda Kenny nem o Fine Gael deram sinais de sequer ter ouvido essas aleivosias.
15/02/2016
CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (L) – «A mesma linha»? Não, fim da linha
Outros purgatórios a caminho dos infernos.
Sob a batuta do Syriza há poucas novidades na Grécia. Os agricultores terminaram as manifestações de fim-de-semana em frente do parlamento grego e voltaram ao bloqueio das auto-estradas por toda a Grécia.
Entretanto, um grupo de trabalho do grupo parlamentar europeu do PPE de visita à Grécia concluiu que a segurança social grega gasta 4 vezes mais em pensões do que os outros países da EU. Compreende-se por isso que os gregos se manifestem e até lancem uns quantos cocktails Molotov tentando que os contribuintes europeus continuem a financiar as suas reformas.
O governo Syriza-Anel extrema-esquerda/extrema-direita está assim num dilema. Bail-out ou bail-in? Pergunta-se o ekathimerini, e explica que «o governo está sob pressão de grupos com interesses especiais, como os agricultores, para sucumbir às suas exigências, por um lado, e dos credores do país para chegar a um acordo global sobre as questões orçamentais e a reforma das pensões, por outro. No entanto, o clima económico em deterioração e a falta de progresso significativo na luta contra o crédito malparado aponta para uma escolha mais difícil: depositantes ou devedores?»
Por isso não admira que o Bloco de Esquerda, o Syriza que temos de gramar, se distancie e tente fazer esquecer os arroubos de paixão (partilhados com Costa, recorde-se). Alguns, como Fernando Rosas concedem que «Syriza foi uma derrota séria da esquerda europeia».
Sob a batuta do Syriza há poucas novidades na Grécia. Os agricultores terminaram as manifestações de fim-de-semana em frente do parlamento grego e voltaram ao bloqueio das auto-estradas por toda a Grécia.
| Fonte: ekathimerini |
O governo Syriza-Anel extrema-esquerda/extrema-direita está assim num dilema. Bail-out ou bail-in? Pergunta-se o ekathimerini, e explica que «o governo está sob pressão de grupos com interesses especiais, como os agricultores, para sucumbir às suas exigências, por um lado, e dos credores do país para chegar a um acordo global sobre as questões orçamentais e a reforma das pensões, por outro. No entanto, o clima económico em deterioração e a falta de progresso significativo na luta contra o crédito malparado aponta para uma escolha mais difícil: depositantes ou devedores?»
Por isso não admira que o Bloco de Esquerda, o Syriza que temos de gramar, se distancie e tente fazer esquecer os arroubos de paixão (partilhados com Costa, recorde-se). Alguns, como Fernando Rosas concedem que «Syriza foi uma derrota séria da esquerda europeia».
Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (19)
Outras avarias da geringonça.
A semana que passou foi a da alucinação orçamental. Exagero? Talvez não. Para começar, o que dizer de um orçamento da geringonça cujo relatório tem 215 páginas e precisou de uma errata de 46 páginas distribuída na 6.ª Feira?
Para continuar, o que dizer de um orçamento em que o órgão de apoio ao parlamento que o aprova (UTAO - Unidade Técnica de Apoio Orçamental) diz que os números não batem certo ou que há aumento das despesas sem explicação? Ou que regressa irreconhecível da ida a Bruxelas, anunciada como pacífica?
A semana que passou foi a da alucinação orçamental. Exagero? Talvez não. Para começar, o que dizer de um orçamento da geringonça cujo relatório tem 215 páginas e precisou de uma errata de 46 páginas distribuída na 6.ª Feira?
Para continuar, o que dizer de um orçamento em que o órgão de apoio ao parlamento que o aprova (UTAO - Unidade Técnica de Apoio Orçamental) diz que os números não batem certo ou que há aumento das despesas sem explicação? Ou que regressa irreconhecível da ida a Bruxelas, anunciada como pacífica?
14/02/2016
ARTIGO DEFUNTO: Se eles ao menos lessem os jornais onde escrevem (6)
Outros que não lêem os jornais onde escrevem.
Se perguntarmos aos porta-vozes da geringonça quem ganha e quem perde com OE 2016, responderão, conforme a peça da geringonça de que fazem parte: ganham todos ou ganham os mais pobres e perdem os mais ricos. Seria difícil esperar outra coisa, seja por falta de inteligência, de informação ou de vergonha, ou uma combinação destas faltas.
Se perguntarmos a um jornalista de causas, a resposta dependerá das causas. Se perguntarmos a um jornalista que não saibamos se pertence à classe das causas, poderemos ter surpresas, como neste caso em que o jornalista responde logo no título «Orçamento distribui mais dinheiro a quem ganha mais».
E se perguntarmos a jornalistas de um jornal de referência, como o Expresso? Vejamos o que responderam no jornal de ontem:
Uma simples olhadela permite confirmar o que no artigo se conclui: «acabam por ser os terceiro e quarto escalões – entre os €20 mil e €40 mil e entre os €40 mil e €80 mil – que mais dinheiro vão receber do pacote orçamental do governo». Pois é, e convirá acrescentar que estes dois escalões que mais ganham representam apenas um quarto dos agregados familiares e levam praticamente todo o saldo positivo.
A conclusões semelhantes e muito bem fundamentadas já tinha chegado Pedro Romano no Desvio Colossal num post de leitura recomendável: «... o OE é altamente regressivo. As principais medidas de estímulo beneficiam sobretudo o último quintil. As medidas compensatórias são neutras do ponto de vista distributivo.»
Se perguntarmos aos porta-vozes da geringonça quem ganha e quem perde com OE 2016, responderão, conforme a peça da geringonça de que fazem parte: ganham todos ou ganham os mais pobres e perdem os mais ricos. Seria difícil esperar outra coisa, seja por falta de inteligência, de informação ou de vergonha, ou uma combinação destas faltas.
Se perguntarmos a um jornalista de causas, a resposta dependerá das causas. Se perguntarmos a um jornalista que não saibamos se pertence à classe das causas, poderemos ter surpresas, como neste caso em que o jornalista responde logo no título «Orçamento distribui mais dinheiro a quem ganha mais».
E se perguntarmos a jornalistas de um jornal de referência, como o Expresso? Vejamos o que responderam no jornal de ontem:
- «… os méritos deste Orçamento (sendo o maior deles o combate à pobreza) …», Pedro Santos Guerreiro (pág. 4 do caderno principal)
- «… os cidadãos vão ter mais ou menos rendimento disponível? Pela primeira vez em cinco anos, terão mais. Os mais pobres muito mais…», Daniel Oliveira (pág. 35 do caderno principal)
Uma simples olhadela permite confirmar o que no artigo se conclui: «acabam por ser os terceiro e quarto escalões – entre os €20 mil e €40 mil e entre os €40 mil e €80 mil – que mais dinheiro vão receber do pacote orçamental do governo». Pois é, e convirá acrescentar que estes dois escalões que mais ganham representam apenas um quarto dos agregados familiares e levam praticamente todo o saldo positivo.
A conclusões semelhantes e muito bem fundamentadas já tinha chegado Pedro Romano no Desvio Colossal num post de leitura recomendável: «... o OE é altamente regressivo. As principais medidas de estímulo beneficiam sobretudo o último quintil. As medidas compensatórias são neutras do ponto de vista distributivo.»
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jornalismo de causas
CASE STUDY: Centeno e o princípio de Kahn
Não vou escrever sobre a frase fatal de Mário Centeno em entrevista ao Diário de Notícias («quem tem 2000 euros de rendimento tem uma posição privilegiada») que indignou as hostes da indignação. Não escrevo por várias razões, a começar porque é verdade: nove em cada dez agregados familiares têm menos de 27.500 euros de rendimento anual (Pordata) - agregados familiares que, note-se, na maioria dos casos, têm duas pessoas com rendimentos do trabalho.
Em vez disso, escrevo sobre a preferência que Centeno confessou explicitamente ter por «restrição» em vez austeridade. Exemplos: «o objetivo é conseguir uma redução gradual dentro daquilo que a restrição orçamental nos permite»; «essa restrição orçamental teve de ser ainda mais ajustada atendendo àquilo que foram medidas tomadas em 2015, com incidência em 2016, que obrigaram o governo a definir mais medidas de incidência fiscal».
O que me fez lembrar Alfred Kahn, um dos assessores económicos do presidente Carter, que foi por este repreendido ao referir-se publicamente em 1978 a uma possível depressão da economia americana. Na sua intervenção seguinte, Alfred Kahn disse «we're in danger of having the worst banana in 45 years». Centeno evocou-me Kahn por más razões: num insólito desdobramento de personalidades desempenhou simultaneamente o papel de Carter e de Kahn fazendo-se a si próprio de idiota útil.
Em vez disso, escrevo sobre a preferência que Centeno confessou explicitamente ter por «restrição» em vez austeridade. Exemplos: «o objetivo é conseguir uma redução gradual dentro daquilo que a restrição orçamental nos permite»; «essa restrição orçamental teve de ser ainda mais ajustada atendendo àquilo que foram medidas tomadas em 2015, com incidência em 2016, que obrigaram o governo a definir mais medidas de incidência fiscal».
O que me fez lembrar Alfred Kahn, um dos assessores económicos do presidente Carter, que foi por este repreendido ao referir-se publicamente em 1978 a uma possível depressão da economia americana. Na sua intervenção seguinte, Alfred Kahn disse «we're in danger of having the worst banana in 45 years». Centeno evocou-me Kahn por más razões: num insólito desdobramento de personalidades desempenhou simultaneamente o papel de Carter e de Kahn fazendo-se a si próprio de idiota útil.
Lost in tranlation (264) – After all we’re all from Africa originally
«There is a core of humanity that travels right through every culture, and after all we’re all from Africa originally. Berliners, we’re all Africans really».
Merril Streep numa conferência de imprensa no Festival de Berlim respondendo com elegância e inteligência àquelas perguntas indutoras de respostas, típicas da agenda do politicamente correcto, sobre a representação de minorias no cinema.
Um dia chegará em que veremos um filme de James Bond dirigido por uma lésbica muçulmana, protagonizado por um James transexual do Soweto, um gay asiático como Bond girl e uma gueisha bissexual como Dr. No. E, para equilibrar as coisas, teremos na ópera um baixo maori a interpretar a Cio-cio-san da Madama Butterfly e um índio navajo no papel de Mr Pinkerton.
Por falar em politicamente correcto, veja os exemplos terminais da estupidez intrínseca dessa doutrina que o Insurgente publicou.
Merril Streep numa conferência de imprensa no Festival de Berlim respondendo com elegância e inteligência àquelas perguntas indutoras de respostas, típicas da agenda do politicamente correcto, sobre a representação de minorias no cinema.
Um dia chegará em que veremos um filme de James Bond dirigido por uma lésbica muçulmana, protagonizado por um James transexual do Soweto, um gay asiático como Bond girl e uma gueisha bissexual como Dr. No. E, para equilibrar as coisas, teremos na ópera um baixo maori a interpretar a Cio-cio-san da Madama Butterfly e um índio navajo no papel de Mr Pinkerton.
Por falar em politicamente correcto, veja os exemplos terminais da estupidez intrínseca dessa doutrina que o Insurgente publicou.
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ser singular é cada vez mais plural
13/02/2016
ACREDITE SE QUISER: Arte avant garde kindergarten
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(Enviado por JARF)
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Ridendo castigat mores,
se non è vero
ACREDITE SE QUISER: Foi encontrado o nucleótido da liberdade no ADN da TAP (2)
Depois de re-verter a venda da TAP, a geringonça decidiu re-baptizar o Aeroporto da Portela dando-lhe o nome de Humberto Delgado, o «General Sem Medo». Vem por isso a propósito re-publicar parcialmente o post que escrevi faz um ano acerca da notícia «TAP: Nascida há 70 anos com liberdade no ADN».
Tudo o que temos pensado e escrito aqui no (Im)pertinências sobre a «companhia de bandeira» fica posto em causa porque, afinal, o ácido desoxirribonucleico da TAP tem lá uns nucleótidos de Humberto Delgado. Fica-nos a dúvida se na altura da criação da TAP nos idos de 1945 o «General Sem Medo» já teria expurgado todos os nucleótidos do fascismo até então predominantes, desde 1926 quando participou no golpe de 28 de Maio e em 1941 quando publicou artigos na revista «Ar» de grande simpatia para com o nazismo em que escreveu sobre Hitler
É claro que pelo meio, em 1945 e 1946, Delgado criou a TAP e lá deixou nucleótidos não fascistas que trazia escondidos no seu ADN. Nucleótidos que passaram despercebidos até ao atento PCP, quando em 1958 Delgado se candidatou a PR, e, talvez por isso, começou por apoiar o anticomunista Cunha Leal, uma relíquia da I República, para finalmente apoiar o compagnon de route Arlindo Vicente e praticamente só depois do assassinato de Delgado, numa manobra típica do tacticismo de Cunhal, o recuperou para o património antifascista.
E assim assistimos, 5 décadas depois, a propósito da «resistência» à privatização da TAP, ao reescrever da história pelo jornalismo de causas em cujo ADN encontramos mais facilmente os nucleótidos do PCP do que os nucleótidos da liberdade.
Tudo o que temos pensado e escrito aqui no (Im)pertinências sobre a «companhia de bandeira» fica posto em causa porque, afinal, o ácido desoxirribonucleico da TAP tem lá uns nucleótidos de Humberto Delgado. Fica-nos a dúvida se na altura da criação da TAP nos idos de 1945 o «General Sem Medo» já teria expurgado todos os nucleótidos do fascismo até então predominantes, desde 1926 quando participou no golpe de 28 de Maio e em 1941 quando publicou artigos na revista «Ar» de grande simpatia para com o nazismo em que escreveu sobre Hitler
«O ex-cabo, ex-pintor, o homem que não nasceu em leito de renda amolecedor, passará à História como uma revelação genial das possibilidades humanas no campo político, diplomático, social, civil e militar, quando à vontade de um ideal se junta a audácia, a valentia, a virilidade numa palavra.»Ou quando foi nomeado em 1944 pelo governo de Salazar Director do Secretariado da Aeronáutica Civil, ou em 1951 e 1952 quando foi procurador à Câmara Corporativa ou quando foi nomeado em 1952 adido militar na embaixada em Washington onde viveu durante cinco anos. É nesse período que a lenda situa a sua conversão à liberdade, a caminho dos 50 anos e após 3 décadas de situacionista emérito - dizem os detractores que a conversão se deve mais a vaidades e ambições insatisfeitas do que a convicções.
É claro que pelo meio, em 1945 e 1946, Delgado criou a TAP e lá deixou nucleótidos não fascistas que trazia escondidos no seu ADN. Nucleótidos que passaram despercebidos até ao atento PCP, quando em 1958 Delgado se candidatou a PR, e, talvez por isso, começou por apoiar o anticomunista Cunha Leal, uma relíquia da I República, para finalmente apoiar o compagnon de route Arlindo Vicente e praticamente só depois do assassinato de Delgado, numa manobra típica do tacticismo de Cunhal, o recuperou para o património antifascista.
E assim assistimos, 5 décadas depois, a propósito da «resistência» à privatização da TAP, ao reescrever da história pelo jornalismo de causas em cujo ADN encontramos mais facilmente os nucleótidos do PCP do que os nucleótidos da liberdade.
LASCIATE OGNI SPERANZA, VOI CH'ENTRATE: É mais fácil encontrar um lince na Serra da Malcata do que um liberal num país pendurado no Estado (2)
Uma continuação deste post com excertos de textos de duas das mentes deste país obnubilado, pasto de charlatães, que guardam uma lucidez e uma integridade que os distingue dos «intelectuais escorregadios» produtores de neblina mediática.
«Donde vem a disposição da sociedade portuguesa para preferir a distribuição da pobreza pelo Estado, à produção de riqueza pelos cidadãos? Talvez neste país seja mais fácil aos demagogos populistas fazer de conta que os impostos são pagos pelos outros, uma vez que mais de metade das famílias não paga IRS, e só um terço das empresas paga IRC. Ou talvez o medo da mudança (o “liberalismo”) seja maior numa população envelhecida e dependente, a quem os reformistas ainda não conseguiram persuadir de que o “empobrecimento” não deriva da reforma, mas do imobilismo. Mas nada talvez explique tanto como a possibilidade de as coisas serem assim. E essa possibilidade tem dois nomes: o BCE e a OPEC, isto é, os juros baixos e a energia barata. Quando isso mudar, mudaremos. Antes, como já se viu, não.»
Excerto de «O PROC: processo orçamental em curso», Rui Ramos no Observador
«O PS vive hoje na incompreensível ilusão de que é, ou se prepara para ser, um partido radical. O PSD, segundo Passos Coelho, é um partido social-democrata, apenas desviado provisoriamente do seu caminho pela maldade do mundo. Suponhamos que existia um método qualquer, com certeza esotérico, para separar estas magníficas visões da humanidade, a oposição entre elas não justificava com certeza as questiúnculas com que a televisão e a imprensa nos moem o juízo. E a prova está em que acabou por ser preciso arranjar umas tantas querelas dúbias como a TAP ou a eutanásia, para tapar os buracos que a política começava a abrir. Se o PS e o PSD alternassem pacificamente no poder, a pobreza da Pátria não os deixaria fazer muito mal, nem muito bem. E o PCP que lá se divertisse com as suas Câmaras do Alentejo e os seus sindicatos, na paz que se deve à velhice.»
Excerto de «Uma proposta», Vasco Pulido Valente no Público
«Donde vem a disposição da sociedade portuguesa para preferir a distribuição da pobreza pelo Estado, à produção de riqueza pelos cidadãos? Talvez neste país seja mais fácil aos demagogos populistas fazer de conta que os impostos são pagos pelos outros, uma vez que mais de metade das famílias não paga IRS, e só um terço das empresas paga IRC. Ou talvez o medo da mudança (o “liberalismo”) seja maior numa população envelhecida e dependente, a quem os reformistas ainda não conseguiram persuadir de que o “empobrecimento” não deriva da reforma, mas do imobilismo. Mas nada talvez explique tanto como a possibilidade de as coisas serem assim. E essa possibilidade tem dois nomes: o BCE e a OPEC, isto é, os juros baixos e a energia barata. Quando isso mudar, mudaremos. Antes, como já se viu, não.»
Excerto de «O PROC: processo orçamental em curso», Rui Ramos no Observador
«O PS vive hoje na incompreensível ilusão de que é, ou se prepara para ser, um partido radical. O PSD, segundo Passos Coelho, é um partido social-democrata, apenas desviado provisoriamente do seu caminho pela maldade do mundo. Suponhamos que existia um método qualquer, com certeza esotérico, para separar estas magníficas visões da humanidade, a oposição entre elas não justificava com certeza as questiúnculas com que a televisão e a imprensa nos moem o juízo. E a prova está em que acabou por ser preciso arranjar umas tantas querelas dúbias como a TAP ou a eutanásia, para tapar os buracos que a política começava a abrir. Se o PS e o PSD alternassem pacificamente no poder, a pobreza da Pátria não os deixaria fazer muito mal, nem muito bem. E o PCP que lá se divertisse com as suas Câmaras do Alentejo e os seus sindicatos, na paz que se deve à velhice.»
Excerto de «Uma proposta», Vasco Pulido Valente no Público
12/02/2016
SERVIÇO PÚBLICO: o défice de memória (17)
(Uma espécie de continuação da saga de Teixeira dos Santos)
«Em 2004... o último ano em que a dívida pública portuguesa esteve abaixo dos 60% do PIB. Pelo menos nos livros. Na altura o Estado entretinha-se a esconder o que devia nos mais variados cantos. Todos os orga1úsmos ou empresas públicas eram usados como saco para colocar mais uma despesa. Dívida essa que teve de ser reconhecida anos mais tarde o que, aliada a um Estado intrinsecamente esbanjador e a um desempenho económico dececionante lançou os níveis de endividamento público para valores perto dos 130% do PIB.
(…)
As contas são do atual Governo que estima que a dívida pública chegue finalmente aos 60% do PIB em 2054 (página 65 do relatório do Orçamento do Estado para 2016). Para que isso seja possível é ainda necessário que três fenómenos se conjuguem na perfeição. O PIB tem de crescer em média a uma taxa nominal de 3,06%, a taxa de juro nominal terá de ficar nos 3,7%, e tem que haver um excedente primário de 2,3% do PIB. Isto durante 40 anos.»
João Vieira Pereira no Expresso Diário
Este é mais um milagre anunciado à distância de 50-anos-50 por um governo que ainda não conseguiu acertar no défice do primeiro ano e que teve como antecessores nos últimos 40-anos-40 outros governos que falharam sistematicamente todas as metas e previsões, com um especial destaque para o governo socialista do ministro das Finanças Teixeira dos Santos que nos idos de 2009 começou por um défice de 2,2% para acabarem 9,1% em 10,0%.
«Em 2004... o último ano em que a dívida pública portuguesa esteve abaixo dos 60% do PIB. Pelo menos nos livros. Na altura o Estado entretinha-se a esconder o que devia nos mais variados cantos. Todos os orga1úsmos ou empresas públicas eram usados como saco para colocar mais uma despesa. Dívida essa que teve de ser reconhecida anos mais tarde o que, aliada a um Estado intrinsecamente esbanjador e a um desempenho económico dececionante lançou os níveis de endividamento público para valores perto dos 130% do PIB.
(…)
As contas são do atual Governo que estima que a dívida pública chegue finalmente aos 60% do PIB em 2054 (página 65 do relatório do Orçamento do Estado para 2016). Para que isso seja possível é ainda necessário que três fenómenos se conjuguem na perfeição. O PIB tem de crescer em média a uma taxa nominal de 3,06%, a taxa de juro nominal terá de ficar nos 3,7%, e tem que haver um excedente primário de 2,3% do PIB. Isto durante 40 anos.»
João Vieira Pereira no Expresso Diário
Este é mais um milagre anunciado à distância de 50-anos-50 por um governo que ainda não conseguiu acertar no défice do primeiro ano e que teve como antecessores nos últimos 40-anos-40 outros governos que falharam sistematicamente todas as metas e previsões, com um especial destaque para o governo socialista do ministro das Finanças Teixeira dos Santos que nos idos de 2009 começou por um défice de 2,2% para acabar
BREQUINGUE NIUZ: O ruído da gravidade
Se fosse hoje, com os vagares de quem pouco tinha para fazer, outro no lugar de Einstein dedicaria o seu ócio a navegar na web, talvez a escrever posts para um blogue.
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| Simulação dos preliminares entre dois buracos negros (NYT: Simulating eXtreme Spacetimes) |
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o saber ocupa lugar
11/02/2016
SERVIÇO PÚBLICO: O efeito geringonça (2)
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| Yield das OT a 10 anos (Fonte:Bloomberg) |
Centeno: “Não serão necessárias mais medidas”. Eurogrupo: “Portugal vai tomar mais medidas se necessário”
LASCIATE OGNI SPERANZA, VOI CH'ENTRATE: É mais fácil encontrar um lince na Serra da Malcata do que um liberal num país pendurado no Estado
«Pedro Passos Coelho apresentou a sua recandidatura a líder do PSD e atrelado veio um novo (no sentido de velho) slogan de campanha: “Social-democracia sempre!” Assim mesmo, com ponto de exclamação e tudo. Como seria de esperar, o slogan foi intensamente parodiado – e bem.
(...)
É deprimente esta atitude de Passos, quase a pedir desculpa por desejar um país menos dependente do Estado e onde a liberdade de cada indivíduo seja valorizada como merece. Infelizmente, a direita parece ter assimilado a patranha do “terrível neoliberalismo”, e engolir tal tese significa ter vergonha de lutar por um Estado menor e mais eficiente, que não seja o alfa e o ómega da pátria. Mais do que isso, significa continuar a alimentar aquilo a que Charles J. Sykes chamou “uma nação de vítimas”, onde o discurso da vitimização perpétua se transforma numa segunda pele. Este país precisa cada vez mais de um partido liberal, que não peça desculpa pelo que é e que assuma orgulhosamente aquilo que deseja.»
«Arranjem-me um partido liberal, sff», João Miguel Tavares no Público
Também acho ridícula a súbita conversão de Passos Coelho a «um caminho (que) consiste em fazer pagar o consumo nacional pelo capitalismo internacional por meio de empréstimos», como o descreveu António José Saraiva. Caminho que desde há 30 anos significa para os portugueses uma justificação moral para tentar extorquir os contribuintes europeus depois de esgotada a extorsão aos sujeitos passivos locais.
Não obstante, se o slogan “Social-democracia sempre!” é ridículo, o slogan "Liberalismo sempre!", ou parecido, seria fatal para Passos Coelho e deixaria o PSD eleitoralmente irrelevante. Sendo a política a arte do possível, como o velho Otto descobriu, o silêncio teria sido preferível.
(...)
É deprimente esta atitude de Passos, quase a pedir desculpa por desejar um país menos dependente do Estado e onde a liberdade de cada indivíduo seja valorizada como merece. Infelizmente, a direita parece ter assimilado a patranha do “terrível neoliberalismo”, e engolir tal tese significa ter vergonha de lutar por um Estado menor e mais eficiente, que não seja o alfa e o ómega da pátria. Mais do que isso, significa continuar a alimentar aquilo a que Charles J. Sykes chamou “uma nação de vítimas”, onde o discurso da vitimização perpétua se transforma numa segunda pele. Este país precisa cada vez mais de um partido liberal, que não peça desculpa pelo que é e que assuma orgulhosamente aquilo que deseja.»
«Arranjem-me um partido liberal, sff», João Miguel Tavares no Público
Também acho ridícula a súbita conversão de Passos Coelho a «um caminho (que) consiste em fazer pagar o consumo nacional pelo capitalismo internacional por meio de empréstimos», como o descreveu António José Saraiva. Caminho que desde há 30 anos significa para os portugueses uma justificação moral para tentar extorquir os contribuintes europeus depois de esgotada a extorsão aos sujeitos passivos locais.
Não obstante, se o slogan “Social-democracia sempre!” é ridículo, o slogan "Liberalismo sempre!", ou parecido, seria fatal para Passos Coelho e deixaria o PSD eleitoralmente irrelevante. Sendo a política a arte do possível, como o velho Otto descobriu, o silêncio teria sido preferível.
De boas intenções está o inferno cheio (43) – A religião é a política por outros meios? (XVI)
Outros posts sobre a religião como a política por outros meios.
Não sei se a deriva do Papa Francisco para a Realpolitik explicará a orientação do novo guia do Vaticano que dispensa os bispos de denunciar às autoridades padres suspeitos de abusos a crianças e considera competir apenas às vítimas ou suas famílias decidir a denúncia do abuso à polícia.
Pôncio Pilatos não faria melhor.
Não sei se a deriva do Papa Francisco para a Realpolitik explicará a orientação do novo guia do Vaticano que dispensa os bispos de denunciar às autoridades padres suspeitos de abusos a crianças e considera competir apenas às vítimas ou suas famílias decidir a denúncia do abuso à polícia.
Pôncio Pilatos não faria melhor.
SERVIÇO PÚBLICO: o défice de memória (16)
(Uma espécie de continuação da saga de Teixeira dos Santos)
Registemos, desde já, que se Centeno durasse quatro anos e transportasse o ritmo de «rascunhos do orçamento» para orçamentos aprovados teria não oito mas umas dúzias. Aqui fica outra vez o diagrama das suas previsões.
Registemos para memória futura esta boutade e esperemos para ver se Mário Centeno vai ser um Campos e Cunha e se demite ao fim de quatro meses (confessando em entrevista nove anos depois que, sendo um «socialista sem partido» estava completamente cercado e manietado) ou se será um Teixeira dos Santos que chama a troika quando já não tinha tesouraria para pagar os salários do mês seguinte.
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| Fonte: Expresso Diário |
Registemos para memória futura esta boutade e esperemos para ver se Mário Centeno vai ser um Campos e Cunha e se demite ao fim de quatro meses (confessando em entrevista nove anos depois que, sendo um «socialista sem partido» estava completamente cercado e manietado) ou se será um Teixeira dos Santos que chama a troika quando já não tinha tesouraria para pagar os salários do mês seguinte.
10/02/2016
De boas intenções está o inferno cheio (42) – A religião é a política por outros meios? (XV)
Outros posts sobre a religião como a política por outros meios.
Admito que o jornalismo de causas do Público possa ter ajeitado os factos às suas causas – uma vez mais. Tenho até esperança que o ajeitamento tenha sido feito no artigo em que se relatam mais umas quantas declarações do Papa Francisco. Vou respigar algumas passagens desse artigo de causas.
«Poucos dias antes do encontro histórico com o Patriarca russo Kirill, no dia 12, o Papa Francisco deu uma entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera onde reconhece algumas “convergências” entre o Vaticano e Moscovo sobre os conflitos no mundo árabe. “A Rússia pode oferecer muito” em termos da paz mundial”».
«O encontro – o primeiro entre o chefe da Igreja Católica e o líder da maior e mais influente das Igrejas Ortodoxas desde o grande cisma de 1054 – realizar-se-á em Cuba.»
“Nas Primaveras Árabes e no Iraque, podíamos adivinhar o que se ia passar. E em parte houve uma convergência de análises entre a Santa Sé e a Rússia» disse o Papa em entrevista ao Asia Times acrescentando «Mas se se pensa na Líbia antes e depois da intervenção militar contra o regime do coronel Muammar Kadhafi – antes era só um, agora são 50. Não se pode deixar de pensar, com uma ponta de apreensão, no que poderá acontecer se os EUA e a Europa resolverem atacar de novo o território da Líbia, lacerado pelo tribalismo e terrorismo islâmico».
Confesso que o Papa Francisco me surpreende. Tão depressa faz juízos e proclamações ingénuas e irrealistas inspiradas por uma espécie de Teologia da Libertação ressuscitada, como faz agora inesperadas proclamações inspiradas numa Realpolitik que Henry Kissinger não desdenharia e com as quais tenho de confessar o meu alinhamento - com reservas.
Admito que o jornalismo de causas do Público possa ter ajeitado os factos às suas causas – uma vez mais. Tenho até esperança que o ajeitamento tenha sido feito no artigo em que se relatam mais umas quantas declarações do Papa Francisco. Vou respigar algumas passagens desse artigo de causas.
«Poucos dias antes do encontro histórico com o Patriarca russo Kirill, no dia 12, o Papa Francisco deu uma entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera onde reconhece algumas “convergências” entre o Vaticano e Moscovo sobre os conflitos no mundo árabe. “A Rússia pode oferecer muito” em termos da paz mundial”».
«O encontro – o primeiro entre o chefe da Igreja Católica e o líder da maior e mais influente das Igrejas Ortodoxas desde o grande cisma de 1054 – realizar-se-á em Cuba.»
“Nas Primaveras Árabes e no Iraque, podíamos adivinhar o que se ia passar. E em parte houve uma convergência de análises entre a Santa Sé e a Rússia» disse o Papa em entrevista ao Asia Times acrescentando «Mas se se pensa na Líbia antes e depois da intervenção militar contra o regime do coronel Muammar Kadhafi – antes era só um, agora são 50. Não se pode deixar de pensar, com uma ponta de apreensão, no que poderá acontecer se os EUA e a Europa resolverem atacar de novo o território da Líbia, lacerado pelo tribalismo e terrorismo islâmico».
Confesso que o Papa Francisco me surpreende. Tão depressa faz juízos e proclamações ingénuas e irrealistas inspiradas por uma espécie de Teologia da Libertação ressuscitada, como faz agora inesperadas proclamações inspiradas numa Realpolitik que Henry Kissinger não desdenharia e com as quais tenho de confessar o meu alinhamento - com reservas.
ACREDITE SE QUISER: Os pensadores da Mouse School of Economics ainda podem ganhar um Nobel (2)
O primeiro episódio desta série foi dedicado a Joseph Stiglitz. Antes que me acusem de abandalhamento por dedicar o segundo episódio ao pensamento de João Galamba, outro emérito membro da Mouse School of Economics, lembro o aforismo popular: quem não tem cão, caça com gato, a que acrescento, quem não tem gato, caça com rato.
Vem isto a propósito das declarações indignadas de João Galamba – para quem não saiba, o porta-voz do PS que «frequentou um doutoramento em Filosofia Política na London School of Economics» -, que passo a citar:
Vem isto a propósito das declarações indignadas de João Galamba – para quem não saiba, o porta-voz do PS que «frequentou um doutoramento em Filosofia Política na London School of Economics» -, que passo a citar:
«Temos assistido, nos últimos dias, por parte de PSD e CDS, a uma campanha de intoxicação da opinião pública e de tentativa de transformar o orçamento numa coisa que não é. Têm dito que penaliza fortemente as famílias. Ainda hoje, o PSD disse que é o orçamento do 'toma lá dá cá'. É de facto, toma lá 1.400 milhões de euros e dá cá apenas 290 milhões».Infelizmente, o quase Doutor Galamba não explica por que diacho o PS não multiplicou o toma lá e em vez de 1.400 milhões não nos ofereceu 14 mil milhões em troca de um dá cá apenas 2,9 mil milhões.
09/02/2016
DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Cada eleitorado tem o governo que pode
Quereis um indicador recente do grau de infantilidade e inimputabilidade do eleitorado português? Vou dar dois.
O primeiro é a votação do «intelectual escorregadio» logo à primeira volta. Na segunda volta, contra qualquer um dos outros, excepto talvez Henrique Nogueira, seria outra estória – também teria engolido o sapo.
O segundo indicador da infantilidade e inimputabilidade resulta do barómetro da Aximage. E não, não são os 34,8% de intenções de voto no PS. Afinal de contas só os funcionários públicos, a maior parte dos reformados e outras corporações representadas pelo PS seriam suficientes para o justificar. O segundo indicador não resulta do cálculo político que reflectiria a preferência crua pela defesa do interesse da corporação. Em vez disso, reflecte um juízo de valor: depois de quinze meses de golpadas, mentiras e meias-verdades como líder do PS e de dois meses como primeiro-ministro no mesmo estilo, 48,1% dos portugueses confiam em Costa como primeiro-ministro.
Em contrapartida apenas 41,9% dos portugueses confiam em Passos Coelho. Curiosamente, há quase 6 anos apenas 39,1% dos portugueses confiariam a chave da sua casa a Passos Coelho, contra apenas um pouco menos (33,6%) a José Sócrates – o maior aldrabão que passou por S. Bento desde as invasões francesas. Percebo os 39,1% - também hesitaria a emprestar a chave à criatura – mas não percebo os 33,6% de Sócrates, como não percebo os 48,1% de Costa – a um e a outro os portugueses se tivessem juízo trancar-se-iam logo que avistados tais figurões no bairro, ainda que votassem no PS como o partido mais bem colocado para lhes defender os direitos adquiridos, mesmo à custa de levar o país à bancarrota.
O primeiro é a votação do «intelectual escorregadio» logo à primeira volta. Na segunda volta, contra qualquer um dos outros, excepto talvez Henrique Nogueira, seria outra estória – também teria engolido o sapo.
O segundo indicador da infantilidade e inimputabilidade resulta do barómetro da Aximage. E não, não são os 34,8% de intenções de voto no PS. Afinal de contas só os funcionários públicos, a maior parte dos reformados e outras corporações representadas pelo PS seriam suficientes para o justificar. O segundo indicador não resulta do cálculo político que reflectiria a preferência crua pela defesa do interesse da corporação. Em vez disso, reflecte um juízo de valor: depois de quinze meses de golpadas, mentiras e meias-verdades como líder do PS e de dois meses como primeiro-ministro no mesmo estilo, 48,1% dos portugueses confiam em Costa como primeiro-ministro.
Em contrapartida apenas 41,9% dos portugueses confiam em Passos Coelho. Curiosamente, há quase 6 anos apenas 39,1% dos portugueses confiariam a chave da sua casa a Passos Coelho, contra apenas um pouco menos (33,6%) a José Sócrates – o maior aldrabão que passou por S. Bento desde as invasões francesas. Percebo os 39,1% - também hesitaria a emprestar a chave à criatura – mas não percebo os 33,6% de Sócrates, como não percebo os 48,1% de Costa – a um e a outro os portugueses se tivessem juízo trancar-se-iam logo que avistados tais figurões no bairro, ainda que votassem no PS como o partido mais bem colocado para lhes defender os direitos adquiridos, mesmo à custa de levar o país à bancarrota.
08/02/2016
Dúvidas (145) - O que é a austeridade de esquerda?
«Austeridade de esquerda? Além da responsabilização da Comissão Europeia, o Governo e os partidos que o suportam (PS, BE e PCP) têm sublinhado que esta é uma austeridade diferente – temos ouvido a expressão “austeridade de esquerda” ou “austeridade boa”. A ideia é de que o Orçamento defende “os de sempre” – pobres e classe média/baixa – e vai buscar o dinheiro a outros lados, da banca à classe média/alta. Quando se olha para o Orçamento como um todo, contudo, este argumento perde força. Medidas directamente para os mais pobres (RSI, actualização de pensões baixas, etc.) valem menos de 15% do bolo dedicado à “promoção do rendimento, equidade e crescimento”. Funcionários públicos (sobretudo os de salários mais altos), proprietários de restaurantes, pensionistas mais ricos (que pagavam a CES), famílias com rendimentos acima de 40 mil euros/ano (por via da redução da sobretaxa) representam 56% desse bolo de 1,4 mil milhões de euros. Mesmo as medidas para os que têm menos, como a eliminação maior da sobretaxa de IRS nos escalões mais baixos, arriscam serem absorvidas em parte pelo aumento (politicamente mais indolor) da subida dos impostos indirectos (a classe média/baixa também fuma e até anda de carro!). Mais do que distinguir entre classes de rendimento – e beneficiar de forma significativa as mais baixas – o Orçamento distingue entre grupos específicos (com a função pública à cabeça), à medida dos partidos que o vão aprovar.»
Bruno Faria Lopes no Negócios
Bruno Faria Lopes no Negócios
CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Unintended consequences
Nota informativa desta manhã da ASF:
A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) informa que foram estabelecidos entre a Apollo Global Management e os acionistas da Açoreana Seguros, S.A., os termos de um pré-acordo de venda e capitalização da Açoreana Seguros, S.A.
Tal como o gay não relaciona o AIDS que lhe foi diagnosticado com os anos em que teve relações sexuais sem preservativo com parceiros contaminados, também muitos portugueses não relacionam os anos em que vivemos com um défice de 5 a 10% nas contas externas, endividando-nos cada vez mais ao exterior, com a «fatalidade» de ter de vender as empresas e o imobiliário a estrangeiros. O gay amaldiçoa a sua «pouca sorte» e muitos portugueses amaldiçoam as agências de rating, o capitalismo de casino, a Alemanha and all that jazz.
A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) informa que foram estabelecidos entre a Apollo Global Management e os acionistas da Açoreana Seguros, S.A., os termos de um pré-acordo de venda e capitalização da Açoreana Seguros, S.A.
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| Fonte: Trading Economics |
Tal como o gay não relaciona o AIDS que lhe foi diagnosticado com os anos em que teve relações sexuais sem preservativo com parceiros contaminados, também muitos portugueses não relacionam os anos em que vivemos com um défice de 5 a 10% nas contas externas, endividando-nos cada vez mais ao exterior, com a «fatalidade» de ter de vender as empresas e o imobiliário a estrangeiros. O gay amaldiçoa a sua «pouca sorte» e muitos portugueses amaldiçoam as agências de rating, o capitalismo de casino, a Alemanha and all that jazz.
Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (18)
Outras avarias da geringonça.
Esta foi uma semana dominada pelos sound bites orçamentais de que já tratámos bastamente no (Im)pertinências e, entre eles, algumas mentiras de Costa (ver por exemplo esta sobre as famílias beneficiadas pela redução da sobretaxa).
Destaque para a fumaça produzida pela geringonça para obscurecer o facto de ter considerado no rascunho de orçamento para Bruxelas que a reposição dos cortes dos funcionários públicos era uma medida one-off (ver aqui a hermenêutica das questões políticas e técnicas).
Destaque também para o «alvo em movimento» das projecções do crescimento do PIB a descerem e as do défice a comprimirem-se em resultado das pressões de Bruxelas.
Confirma-se que Centeno não passa de um verbo-de-encher, todos os dias ultrapassado por Costa, e não terá qualquer ascendente para limitar a voracidade dos ministros pendurados na toalha da mesa do orçamento. Percebe-se cada vez melhor que Costa o tenha colocado em quarto lugar na hierarquia do governo.
Esta foi uma semana dominada pelos sound bites orçamentais de que já tratámos bastamente no (Im)pertinências e, entre eles, algumas mentiras de Costa (ver por exemplo esta sobre as famílias beneficiadas pela redução da sobretaxa).
Destaque para a fumaça produzida pela geringonça para obscurecer o facto de ter considerado no rascunho de orçamento para Bruxelas que a reposição dos cortes dos funcionários públicos era uma medida one-off (ver aqui a hermenêutica das questões políticas e técnicas).
Destaque também para o «alvo em movimento» das projecções do crescimento do PIB a descerem e as do défice a comprimirem-se em resultado das pressões de Bruxelas.
Confirma-se que Centeno não passa de um verbo-de-encher, todos os dias ultrapassado por Costa, e não terá qualquer ascendente para limitar a voracidade dos ministros pendurados na toalha da mesa do orçamento. Percebe-se cada vez melhor que Costa o tenha colocado em quarto lugar na hierarquia do governo.
07/02/2016
Dúvidas (144) - Qual é a diferença entre uma «interpretação inteligente e flexível» e uma interpretação estúpida e rígida? Ou entre a austeridade liberal e a socialista?
O «segundo partido mais votado nas legislativas de 4 de Outubro» foi o partido derrotado nas eleições que formou com o apoio de comunistas e bloquistas o governo da geringonça e virou a página da austeridade liberal para a página da austeridade socialista.
TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: «Intelectual escorregadio»
«Não aprecio particularmente Marcelo Rebelo de Sousa nem do ponto de vista intelectual nem político. Pessoalmente é encantador. Representa um tipo de académico muito português para quem a forma é tudo, desde que articulada com brilhantismo, mesmo quando despida de conteúdo. Um intelectual escorregadio que dificilmente vai contra a corrente. Um político que, como Henrique Neto acusou, faz parte do grupo daqueles que ao longo de anos, do PDS ao PS, conduziu o País onde está.»
José Ferreira Machado no SOL
Entre as muitas ocasiões em que o catavento MRS se nos revelou como «intelectual escorregadio» recordo esta e termino com o mesmo lema que que terminei então: os cidadãos deste país não devem ter memória curta e deixar branquear as responsabilidades destas elites merdosas que nos têm desgovernado e pretendem ressuscitar purificadas das suas asneiras, incompetências e cobardias.
José Ferreira Machado no SOL
Entre as muitas ocasiões em que o catavento MRS se nos revelou como «intelectual escorregadio» recordo esta e termino com o mesmo lema que que terminei então: os cidadãos deste país não devem ter memória curta e deixar branquear as responsabilidades destas elites merdosas que nos têm desgovernado e pretendem ressuscitar purificadas das suas asneiras, incompetências e cobardias.
06/02/2016
Lost in translation (263) – Herr Costa tende juízo
Angela Merkel para António Costa no final do encontro em Berlim
CASE STUDY: A situação portuguesa é diferente da irlandesa, mas nem sempre para melhor (8)
Outros episódios da mesma série.
Por alturas de Novembro de 2010 publiquei o primeiro post desta série onde comecei por citar três luminárias agora retiradas ou em vias de se retiraram. Vou citá-las de novo para ficar patente porquê nós estamos onde estamos, tratados com a medicina que estas e outras luminárias que as seguiram aplicaram, e a Irlanda está onde está:
É claro que por detrás destes resultados houve alguma sorte no passado - eles são irlandeses e não foram governados pelo PSD-CDS – e muito mais sorte para o futuro – eles continuam a ser irlandeses e não têm o par Costa- Centeno e, principalmente, não têm uma gerigonça, so far.
Por alturas de Novembro de 2010 publiquei o primeiro post desta série onde comecei por citar três luminárias agora retiradas ou em vias de se retiraram. Vou citá-las de novo para ficar patente porquê nós estamos onde estamos, tratados com a medicina que estas e outras luminárias que as seguiram aplicaram, e a Irlanda está onde está:
- Cavaco - «Há muito tempo que eu afirmei que o problema da Irlanda era muitíssimo mais grave que o português»;
- Sócrates - «Quem acompanha esses mercados sabe que hoje subiram os juros da Irlanda, que bateram novo recorde – e nós já descolámos da Irlanda nesse domínio»;
- Teixeira dos Santos - «Portugal é diferente da Irlanda e que traçou um caminho de consolidação e de políticas de reformas».
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| Fonte:Trading Economics (Clicar para ampliar) |
É claro que por detrás destes resultados houve alguma sorte no passado - eles são irlandeses e não foram governados pelo PSD-CDS – e muito mais sorte para o futuro – eles continuam a ser irlandeses e não têm o par Costa- Centeno e, principalmente, não têm uma gerigonça, so far.
05/02/2016
ESTÓRIA E MORAL: A outra «história a não perder»
Estória
Ontem foi a estória dos Alkhamis «felizes e integrados». Hoje é a história dos «pelo menos 27 refugiados menores de idade (que) desapareceram em Portugal em 2015. Segundo o SEF, alguns casos podem estar relacionados com tráfico humano e exploração sexual. Estavam no centro de acolhimento para crianças refugiadas, em Lisboa.»
Moral
No Portugal dos Pequeninos tão depressa se manda uma caravana e uma jornalista para trazer um sírio como se deixam umas dezenas de crianças à mercê de traficantes e pedófilos.
Ontem foi a estória dos Alkhamis «felizes e integrados». Hoje é a história dos «pelo menos 27 refugiados menores de idade (que) desapareceram em Portugal em 2015. Segundo o SEF, alguns casos podem estar relacionados com tráfico humano e exploração sexual. Estavam no centro de acolhimento para crianças refugiadas, em Lisboa.»
Moral
No Portugal dos Pequeninos tão depressa se manda uma caravana e uma jornalista para trazer um sírio como se deixam umas dezenas de crianças à mercê de traficantes e pedófilos.
TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: «Eles não estão malucos»
«Não, eles não estão malucos.
Maluco estava quem acreditou que o PS sofria apenas do mal da oposição, mas que lhe bastaria chegar ao governo para sentir outra vez a responsabilidade, compreender os limites, reconhecer os constrangimentos. Doce ilusão. Durante quatro anos, os líderes do PS renegaram o memorando que o seu próprio governo negociou, atribuíram todas as dificuldades do país a uma conspiração “neo-liberal”, e cultivaram com esmero um ódio teológico à “direita”. Talvez não tenha chegado para convencer o eleitorado, mas chegou para se convencerem a si próprios de que valia tudo para afastar a maioria PSD-CDS, e que inverter as suas políticas era necessário, mesmo que não fosse realista. Que poderia um líder do PS fazer, depois de quatro anos de anti-austeridade?
Não, eles não estão malucos.
Maluco estava quem pensou que o apoio do PCP e do BE não teria consequências, nem custos. Era apenas o “alargamento da democracia”, iria finalmente comprometer comunistas e radicais na governação e iniciá-los na responsabilidade e na sensatez. Pouca gente quis admitir que o PCP e o BE não chegaram ao poder por terem mudado de ideias ou de métodos, mas unicamente porque um líder do PS derrotado nas eleições precisou dos seus votos para ganhar no parlamento. Se alguém teve de mudar até agora, foi o PS, como se viu no caso da educação, onde já quase renegou todo o seu passado governativo. É óbvio que conservar o braço sindical do PCP tem um preço, e é óbvio que o BE precisa de uma guerra com a “Europa”, até para justificar algumas votações. Mas que alternativa tem António Costa, depois de perder as eleições?»
Excerto de «Eles não estão malucos», Rui Ramos no Observador
Maluco estava quem acreditou que o PS sofria apenas do mal da oposição, mas que lhe bastaria chegar ao governo para sentir outra vez a responsabilidade, compreender os limites, reconhecer os constrangimentos. Doce ilusão. Durante quatro anos, os líderes do PS renegaram o memorando que o seu próprio governo negociou, atribuíram todas as dificuldades do país a uma conspiração “neo-liberal”, e cultivaram com esmero um ódio teológico à “direita”. Talvez não tenha chegado para convencer o eleitorado, mas chegou para se convencerem a si próprios de que valia tudo para afastar a maioria PSD-CDS, e que inverter as suas políticas era necessário, mesmo que não fosse realista. Que poderia um líder do PS fazer, depois de quatro anos de anti-austeridade?
Não, eles não estão malucos.
Maluco estava quem pensou que o apoio do PCP e do BE não teria consequências, nem custos. Era apenas o “alargamento da democracia”, iria finalmente comprometer comunistas e radicais na governação e iniciá-los na responsabilidade e na sensatez. Pouca gente quis admitir que o PCP e o BE não chegaram ao poder por terem mudado de ideias ou de métodos, mas unicamente porque um líder do PS derrotado nas eleições precisou dos seus votos para ganhar no parlamento. Se alguém teve de mudar até agora, foi o PS, como se viu no caso da educação, onde já quase renegou todo o seu passado governativo. É óbvio que conservar o braço sindical do PCP tem um preço, e é óbvio que o BE precisa de uma guerra com a “Europa”, até para justificar algumas votações. Mas que alternativa tem António Costa, depois de perder as eleições?»
Excerto de «Eles não estão malucos», Rui Ramos no Observador
Lost in translation (262) – Questões técnicas e questões políticas
Este é o meu contributo para esclarecer algumas dificuldades linguísticas à volta da discussão do OE 2016.
- Questão técnica: é uma questão de aritmética elementar, salvo se for uma questão política; exemplo: se a despesa aumenta 2 e a receita diminui 1, o défice aumenta 3, salvo se o aumento da despesa for considerado one-off.
- Questão política: é uma questão para os políticos discutirem; exemplo: despesa recorrente é uma despesa que se repete todos os anos mas que no quadro de uma discussão política pode ser considerada one-off, isto é uma despesa irrepetível que se repete todos os anos.
«Há, assim, um claro desfasamento entre as críticas técnicas – muito duras – e algum otimismo político, que parece estranho e ainda é pouco tangível neste contexto.
Embora a negociação seja eminentemente técnica, há questões sobre a forma de contabilizar certas operações que só podem ser desbloqueadas politicamente. E parece ser aí que o executivo socialista está a apostar todas as fichas.»
CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (XLIX) – «A mesma linha»
Outros purgatórios a caminho dos infernos.
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| Greek Reporter |
António Costa. "Vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha" (Fonte)
04/02/2016
ESTÓRIA E MORAL: «Felizes e integrados» no nosso jardinzinho à beira-mar prantado
Estória
«Outra história a não perder esta semana é a de Ali Alkhamis, o sírio trazido para Portugal em dezembro pelo grupo Famílias como as Nossas. A jornalista Rosa Ruela, que acompanhou a caravana que transportou a família, foi ver como estão instalados e adaptados nas suas novas vidas em Ovar. “Connosco está tudo bem”, traz Ali escrito num papel para começo de conversa. Tem emprego numa fábrica de confeções, recebe apoio de um grupo de voluntários e as meninas até já arranham o português. Regressar à Síria é cada vez menos uma hipótese.»
(«Felizes e integrados» na anteVisão da Revista Visão)
Moral
Vós, ó boches arrogantes, podeis ter centenas de milhar de refugiados ou imigrantes, sejam lá o que forem, mas nós temos os Alkhamis a quem fomos buscar com uma caravana e que estão felizes e integrados neste nosso Portugal dos Pequeninos.
«Outra história a não perder esta semana é a de Ali Alkhamis, o sírio trazido para Portugal em dezembro pelo grupo Famílias como as Nossas. A jornalista Rosa Ruela, que acompanhou a caravana que transportou a família, foi ver como estão instalados e adaptados nas suas novas vidas em Ovar. “Connosco está tudo bem”, traz Ali escrito num papel para começo de conversa. Tem emprego numa fábrica de confeções, recebe apoio de um grupo de voluntários e as meninas até já arranham o português. Regressar à Síria é cada vez menos uma hipótese.»
(«Felizes e integrados» na anteVisão da Revista Visão)
Moral
Vós, ó boches arrogantes, podeis ter centenas de milhar de refugiados ou imigrantes, sejam lá o que forem, mas nós temos os Alkhamis a quem fomos buscar com uma caravana e que estão felizes e integrados neste nosso Portugal dos Pequeninos.
Etiquetas:
delírios pontuais,
Lunatismo,
Ridendo castigat mores
Mitos (220) – Os chineses só investem em países endividados (3)
Outros mitos da mesma família: (1) e (2)
Relembrando o mito: os chineses só investem em países endividados, aproveitando os saldos e com o propósito de controlarem essas economias vulneráveis. É um mito cultivado pela esquerdalhada doméstica em geral (que, como se sabe, cultiva 99% dos mitos inventariados), pelo PS (enquanto está na oposição) e até por alguns empresários que não gostam dos chineses (por exemplo Soares dos Santos).
Continuando as aquisições chinesas na Europa, a China National Chemical Corp, uma empresa do Estado chinês, gerida por membros do Partido Comunista, anunciou a compra por USD 43 mil milhões de uma participação dominante na Syngenta, uma empresa suíça de sementes e pesticidas. Ironicamente, a Syngenta recusou várias vezes propostas da Monsanto, uma empresa americana e a maior do mundo nesta área, em parte por recear a não aprovação pelas autoridades suíças da concorrência.
Relembrando o mito: os chineses só investem em países endividados, aproveitando os saldos e com o propósito de controlarem essas economias vulneráveis. É um mito cultivado pela esquerdalhada doméstica em geral (que, como se sabe, cultiva 99% dos mitos inventariados), pelo PS (enquanto está na oposição) e até por alguns empresários que não gostam dos chineses (por exemplo Soares dos Santos).
Continuando as aquisições chinesas na Europa, a China National Chemical Corp, uma empresa do Estado chinês, gerida por membros do Partido Comunista, anunciou a compra por USD 43 mil milhões de uma participação dominante na Syngenta, uma empresa suíça de sementes e pesticidas. Ironicamente, a Syngenta recusou várias vezes propostas da Monsanto, uma empresa americana e a maior do mundo nesta área, em parte por recear a não aprovação pelas autoridades suíças da concorrência.
03/02/2016
ACREDITE SE QUISER: Um dos poucos exemplos restantes de indefectibilidade
Neste post de ontem referi Nicolau Santos como um dos poucos exemplos restantes de indefectibilidade à geringonça. Como se houvesse dúvidas, o nosso pastorinho da economia dos amanhãs que cantam favorito escreveu também no Expresso Curto desta manhã esta bela peça de retórica laudatória e imagética patriótica:
«Dos mangas de alpaca que emigraram todos para Bruxelas. Dos contabilistas que ficaram por cá. Dos que pensam que um orçamento não é mais do que duas colunas de números e não um documento que expressa opções políticas.
A elaboração e apresentação do Orçamento do Estado para 2016 está em contagem decrescente. Ontem houve ping-pong entre Bruxelas e Lisboa, com propostas e contrapropostas para lá e para cá. Há quem entenda que os lusitanos estão a ser vergados. Mas o certo é que se começa a vislumbrar a possibilidade da Comissão Europeia dar o seu aval aos novos esforços que o Governo liderado por António Costa colocou em cima da mesa para se aproximar do que lhe é exigido. E o que se percebe é que o caminho está a ser feito dos dois lados e não apenas de um. Cabe por isso perguntar: queres ver que o dr. Costa vai conseguir provar que não existe apenas a TINA (There Is No Alternative)? Queres ver que o dr. Costa vai conseguir a quadratura do círculo: repor salários e pensões, reduzir a carga fiscal, ter mais investimento e mais crescimento, e ao mesmo tempo manter a tendência da descida do défice orçamental (agora para 2,4%) e do défice estrutural (agora reduzido em 0,4 pontos)? Queres ver que o dr. Costa consegue agradar aos gregos (sem ofensa para os gregos!) de Bruxelas e aos troianos de Bloco de Esquerda e do PCP?»
Enquanto houver jornalistas de causas como Nicolau e pensadores como Artur Baptista da Silva, a Lusitânia não soçobrará aos ditames dos mangas de alpaca e dos contabilistas que nos querem impor a aritmética mais rasteira e destruir os nossos sonhos dos multiplicadores de Costa-Centeno.
«Dos mangas de alpaca que emigraram todos para Bruxelas. Dos contabilistas que ficaram por cá. Dos que pensam que um orçamento não é mais do que duas colunas de números e não um documento que expressa opções políticas.A elaboração e apresentação do Orçamento do Estado para 2016 está em contagem decrescente. Ontem houve ping-pong entre Bruxelas e Lisboa, com propostas e contrapropostas para lá e para cá. Há quem entenda que os lusitanos estão a ser vergados. Mas o certo é que se começa a vislumbrar a possibilidade da Comissão Europeia dar o seu aval aos novos esforços que o Governo liderado por António Costa colocou em cima da mesa para se aproximar do que lhe é exigido. E o que se percebe é que o caminho está a ser feito dos dois lados e não apenas de um. Cabe por isso perguntar: queres ver que o dr. Costa vai conseguir provar que não existe apenas a TINA (There Is No Alternative)? Queres ver que o dr. Costa vai conseguir a quadratura do círculo: repor salários e pensões, reduzir a carga fiscal, ter mais investimento e mais crescimento, e ao mesmo tempo manter a tendência da descida do défice orçamental (agora para 2,4%) e do défice estrutural (agora reduzido em 0,4 pontos)? Queres ver que o dr. Costa consegue agradar aos gregos (sem ofensa para os gregos!) de Bruxelas e aos troianos de Bloco de Esquerda e do PCP?»
Enquanto houver jornalistas de causas como Nicolau e pensadores como Artur Baptista da Silva, a Lusitânia não soçobrará aos ditames dos mangas de alpaca e dos contabilistas que nos querem impor a aritmética mais rasteira e destruir os nossos sonhos dos multiplicadores de Costa-Centeno.
Pro memoria (295) – A Terceira Via do PS português (3/3)
DIÁRIO DE BORDO: A vingança de Plutão
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| Plutão despromovido |
Nove anos mais tarde, o mesmo Dr. Michael Brown acolitado por um tal Konstantin Batygin concluiu, por razões difíceis de compreender pelas criaturas menos dotadas, que com uma elevada probabilidade pode existir um planeta excêntrico que, existindo, seria o 9.º em substituição do Plutão despromovido.
Plutão também era um planeta excêntrico mas no sentido de «extravagante» que continua a ser - esta ninguém lhe tira. O novo planeta, existindo, será excêntrico no sentido de longe do centro, já que a sua órbita será muitíssimo mais afastada do Sol do que a de Plutão.
Pois será mais «excêntrico» e terá uma massa muito maior (várias vezes superior à da Terra, assim do tamanho de Neptuno ou mais), mas para mim nunca substituirá Plutão.
Etiquetas:
delírios pontuais,
o saber ocupa lugar
02/02/2016
CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (XLVIII) – «A mesma linha»
Outros purgatórios a caminho dos infernos.
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| Greek Reporter |
António Costa. "Vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha" (Fonte)
AVALIAÇÃO CONTÍNUA: «Centeno ou sem tino?» O período de graça mais curto desde Dona Maria II
Secção Entradas de leão e saídas de sendeiro
Não foram precisos mais de 2 meses desde a tomada de posse para ver este governo pelas ruas da amargura com a «boa imprensa» de que Costa dispôs durante 2 anos desaparecida em combate. É hoje difícil encontrar um plumitivo com uma apreciação positiva da governação de Costa e, em particular, do desempenho do seu ministro das Finanças. Difícil mas não impossível: Nicolau Santos, o nosso pastorinho da economia dos amanhãs que cantam favorito, é um dos poucos exemplos restantes de indefectibilidade.
Alguém imaginaria que neste curto período, durante o qual Costa e Centeno só têm anunciado o maná celestial, um jornalista pudesse fazer um título como «Centeno ou sem tino?» e escrever no Expresso Curto «em poucas semanas Mário Centeno passou de herói do cenário macroeconómico a mago da contabilidade criativa»? É certo que João Vieira Pereira não é um jornalista de causas, mas ainda assim.
Por estas e por outras já abundantemente autopsiadas no (Im)pertinências, atribuo cinco chateaubriands a Costa, por ter confundido as suas larachas com soluções para o país e quatro a Centeno por ter confundido os multiplicadores nas suas folhas Excel com a economia mais carecida de iniciativa a norte do paralelo 37. Atribuo ainda cinco ignóbeis a Costa, por razões que não carecem de explicação, e quatro urracas a Centeno, por ainda não ter seguido o exemplo de Campos e Cunha que deixou Sócrates a falar sozinho.
Não foram precisos mais de 2 meses desde a tomada de posse para ver este governo pelas ruas da amargura com a «boa imprensa» de que Costa dispôs durante 2 anos desaparecida em combate. É hoje difícil encontrar um plumitivo com uma apreciação positiva da governação de Costa e, em particular, do desempenho do seu ministro das Finanças. Difícil mas não impossível: Nicolau Santos, o nosso pastorinho da economia dos amanhãs que cantam favorito, é um dos poucos exemplos restantes de indefectibilidade.
Alguém imaginaria que neste curto período, durante o qual Costa e Centeno só têm anunciado o maná celestial, um jornalista pudesse fazer um título como «Centeno ou sem tino?» e escrever no Expresso Curto «em poucas semanas Mário Centeno passou de herói do cenário macroeconómico a mago da contabilidade criativa»? É certo que João Vieira Pereira não é um jornalista de causas, mas ainda assim.
Por estas e por outras já abundantemente autopsiadas no (Im)pertinências, atribuo cinco chateaubriands a Costa, por ter confundido as suas larachas com soluções para o país e quatro a Centeno por ter confundido os multiplicadores nas suas folhas Excel com a economia mais carecida de iniciativa a norte do paralelo 37. Atribuo ainda cinco ignóbeis a Costa, por razões que não carecem de explicação, e quatro urracas a Centeno, por ainda não ter seguido o exemplo de Campos e Cunha que deixou Sócrates a falar sozinho.
Pro memoria (294) – A Terceira Via do PS português (2/3)
[Continuação de (1)]
«No segundo caminho, a acumulação do capital pelo Estado não se pode obter pelo estímulo da concorrência, mas só por uma disciplina rigidamente imposta com a ajuda de um aparelho policial eficiente. Obrigam-se os trabalhadores a produzir mais e a consumir menos, aniquilam-se os obstáculos a esta disciplina militar, a começar pelas liberdades públicas. Teoricamente é um caminho, na prática é duvidoso que ele leve ao resultado procurado. Os resultados da economia de Estado na Rússia, apesar da faraónica repressão estalinista, deixam muito a desejar quando comparados com os da Norte-América, os da Suécia, os da Alemanha, os do Japão. No mesmo período de tempo, Cuba, que aliás antes de Fidel Castro não tinha propriamente um sistema capitalista nacional, não conseguiu realizar, sob a ditadura castrista, grandes progressos económicos; basta dizer que neste país se mantém há muitos anos o racionamento, e que ele não conseguiu arrancar-se ao atoleiro da monocultura do açúcar, característica de países colonizados. E não falamos já dos países chamados do Terceiro Mundo que adoptaram o modelo da economia de Estado sem daí retirarem qualquer benefício económico, a não ser o que lhes advém do crescimento do mercado mundial capitalista.
«No segundo caminho, a acumulação do capital pelo Estado não se pode obter pelo estímulo da concorrência, mas só por uma disciplina rigidamente imposta com a ajuda de um aparelho policial eficiente. Obrigam-se os trabalhadores a produzir mais e a consumir menos, aniquilam-se os obstáculos a esta disciplina militar, a começar pelas liberdades públicas. Teoricamente é um caminho, na prática é duvidoso que ele leve ao resultado procurado. Os resultados da economia de Estado na Rússia, apesar da faraónica repressão estalinista, deixam muito a desejar quando comparados com os da Norte-América, os da Suécia, os da Alemanha, os do Japão. No mesmo período de tempo, Cuba, que aliás antes de Fidel Castro não tinha propriamente um sistema capitalista nacional, não conseguiu realizar, sob a ditadura castrista, grandes progressos económicos; basta dizer que neste país se mantém há muitos anos o racionamento, e que ele não conseguiu arrancar-se ao atoleiro da monocultura do açúcar, característica de países colonizados. E não falamos já dos países chamados do Terceiro Mundo que adoptaram o modelo da economia de Estado sem daí retirarem qualquer benefício económico, a não ser o que lhes advém do crescimento do mercado mundial capitalista.
DIÁLOGOS DE PLUTÃO: Há uns insultos melhores do que outros
ELE: De onde é?
ELA: Diamond Escorts. (*)
ELE: Não, refiro-me à língua. É português, não é?
ELA: Temos insultos melhores.
Diálogo entre um polícia chamado a intervir num episódio de violência doméstica, que afinal era uma briga entre uma prostituta brasileira e o seu chulo a quem acabara de chamar «filho da p*t@)» (sic), do episódio 3 da temporada 1 de «Shades of Blue», uma série que decorre no meio policial de NY,
(*) Uma agência de call girls.
ELA: Diamond Escorts. (*)
ELE: Não, refiro-me à língua. É português, não é?
ELA: Temos insultos melhores.
Diálogo entre um polícia chamado a intervir num episódio de violência doméstica, que afinal era uma briga entre uma prostituta brasileira e o seu chulo a quem acabara de chamar «filho da p*t@)» (sic), do episódio 3 da temporada 1 de «Shades of Blue», uma série que decorre no meio policial de NY,
(*) Uma agência de call girls.
01/02/2016
O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (130) – UE, uma URSS sem KGB, segundo o Dr. Silva
«Nós corremos o risco de que a União Europeia se transforme numa União Soviética sem KGB» disse o filósofo Porfírio Silva, conselheiro de António Costa, em entrevista ao ionline, porque, explica, a UE «acaba na prática a ser gerida por uma ideologia dominante que não aceita alternativas e mesmo por uma espécie de novo partido dominante.»
O risco que nós corremos é sermos insultados pelo filósofo, que à época do colapso da URSS já tinha idade para ter juízo, de quem não são conhecidos estados de alma a respeito daquele paraíso socialista, nem protestos quando uma outra ideologia dominante de uma espécie de outro partido dominante dominava a política europeia, com a mesma legitimidade do novo partido dominante.
Aditamento (uma dúvida impertinente):
Terá a sanha anti União Europeia do filósofo sido desencadeada pelo processo disciplinar que foi movido o ano passado pelos soviéticos de Bruxelas à sua esposa Dr.ª Margarida Marques?
O risco que nós corremos é sermos insultados pelo filósofo, que à época do colapso da URSS já tinha idade para ter juízo, de quem não são conhecidos estados de alma a respeito daquele paraíso socialista, nem protestos quando uma outra ideologia dominante de uma espécie de outro partido dominante dominava a política europeia, com a mesma legitimidade do novo partido dominante.
Aditamento (uma dúvida impertinente):
Terá a sanha anti União Europeia do filósofo sido desencadeada pelo processo disciplinar que foi movido o ano passado pelos soviéticos de Bruxelas à sua esposa Dr.ª Margarida Marques?
Pro memoria (293) – A Terceira Via do PS português (1/3)
Com o conjunto de 3 posts, que com este se inicia, de textos de António José Saraiva sobre as vias alternativas que então, como agora, se nos colocam, termino a série que dediquei aos «Filhos de Saturno», uma colectânea inspirada no Portugal dos anos 70 cuja herança ainda hoje pesa sobre nós.
«Há dias, numa emissão televisiva, o jornalista resumia mais ou menos nestes termos o problema do Orçamento: «Resta saber se é preferível ter défice ou ter as contas equilibradas com o sacrifício e a fome do povo português.»
Custa a crer como num órgão tão importante para a opinião portuguesa passam «opiniões» tão infantis. O jornalista parece julgar que o equilíbrio entre o que se gasta e o que se ganha é uma etiqueta mundana e que uma pessoa tem o direito a exigir o que lhe apetece sem dar em troca o equivalente a esse consumo. Infelizmente, a infantilidade está muito generalizada neste país, e sobretudo nos intelectuais que se habituaram a ser sustentados pelos papás ou a viver de expedientes, mas que realmente nunca trabalharam com o suor do seu rosto. Parece que os nossos jornalistas têm todos quintas no Alentejo e vivem do rendimento da cortiça regada com a chuva que cai do céu. Quando o que é preciso é explicar a todo o nosso povo que quanto maior for o nosso défice tanto maiores serão os sacrifícios por que passaremos.
«Há dias, numa emissão televisiva, o jornalista resumia mais ou menos nestes termos o problema do Orçamento: «Resta saber se é preferível ter défice ou ter as contas equilibradas com o sacrifício e a fome do povo português.»
Custa a crer como num órgão tão importante para a opinião portuguesa passam «opiniões» tão infantis. O jornalista parece julgar que o equilíbrio entre o que se gasta e o que se ganha é uma etiqueta mundana e que uma pessoa tem o direito a exigir o que lhe apetece sem dar em troca o equivalente a esse consumo. Infelizmente, a infantilidade está muito generalizada neste país, e sobretudo nos intelectuais que se habituaram a ser sustentados pelos papás ou a viver de expedientes, mas que realmente nunca trabalharam com o suor do seu rosto. Parece que os nossos jornalistas têm todos quintas no Alentejo e vivem do rendimento da cortiça regada com a chuva que cai do céu. Quando o que é preciso é explicar a todo o nosso povo que quanto maior for o nosso défice tanto maiores serão os sacrifícios por que passaremos.
ACREDITE SE QUISER: Quando o que subiu desce, o que desceu pode não subir e o que não desceu pode subir
Recordemos que quando o governo PSD-CDS aumentou o IVA da restauração de 13% para 23% a oposição antecipou uma onda de falências e despedimentos e prometeu desde logo a «reversão» avant la lettre dessa medida. Para uma retrospectiva das habituais confusões ligada às dificuldades com a tabuada, recomenda-se este post da época.
Quase quatro anos depois, a geringonça volta a ter problemas com a tabuada e difere a «reversão» e reduz o seu âmbito, por ter constatado que afinal a coisa tem «custos "muito superiores" à previsão inicial do Governo [PS], de 350 milhões de euros».
Constatação tardia que se segue às conclusões de um grupo de economistas do PS a trabalhar com uma «ferramenta analítica» que lhe permitiu avaliar que a descida do IVA da restauração de 23% para 13% «pode tonificar o PIB em mais 0,2%». A avaliar pelas encrencas orçamentais em curso, a única certeza é a redução do IVA «muito superior», mas quanto ao tónico nem FMI, nem a OCDE, nem o BCE, nem o Banco de Portugal, nem Comissão Europeia, nem a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), nem o Conselho de Finanças Públicas, parecem acreditar.
Depois de um inquérito a meia dúzia de tascas, o Expresso concluiu que da «descida no IVA na restauração (resultará) que «os preços não descem, emprego talvez aumente». O «talvez» exige muita fé porque se os preços não descem a procura não vai subir. Se a procura não sobe não há razão para o emprego subir, a não ser que a restauração resolva fazer filantropia. Por isso, se o IVA desce e os preços se mantêm, a única coisa que acontece é aumentarem as margens de lucro.
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| A ferramenta analítica do PS |
Constatação tardia que se segue às conclusões de um grupo de economistas do PS a trabalhar com uma «ferramenta analítica» que lhe permitiu avaliar que a descida do IVA da restauração de 23% para 13% «pode tonificar o PIB em mais 0,2%». A avaliar pelas encrencas orçamentais em curso, a única certeza é a redução do IVA «muito superior», mas quanto ao tónico nem FMI, nem a OCDE, nem o BCE, nem o Banco de Portugal, nem Comissão Europeia, nem a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), nem o Conselho de Finanças Públicas, parecem acreditar.
Depois de um inquérito a meia dúzia de tascas, o Expresso concluiu que da «descida no IVA na restauração (resultará) que «os preços não descem, emprego talvez aumente». O «talvez» exige muita fé porque se os preços não descem a procura não vai subir. Se a procura não sobe não há razão para o emprego subir, a não ser que a restauração resolva fazer filantropia. Por isso, se o IVA desce e os preços se mantêm, a única coisa que acontece é aumentarem as margens de lucro.
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