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14/02/2016

ARTIGO DEFUNTO: Se eles ao menos lessem os jornais onde escrevem (6)

Outros que não lêem os jornais onde escrevem.

Se perguntarmos aos porta-vozes da geringonça quem ganha e quem perde com OE 2016, responderão, conforme a peça da geringonça de que fazem parte: ganham todos ou ganham os mais pobres e perdem os mais ricos. Seria difícil esperar outra coisa, seja por falta de inteligência, de informação ou de vergonha, ou uma combinação destas faltas.

Se perguntarmos a um jornalista de causas, a resposta dependerá das causas. Se perguntarmos a um jornalista que não saibamos se pertence à classe das causas, poderemos ter surpresas, como neste caso em que o jornalista responde logo no título «Orçamento distribui mais dinheiro a quem ganha mais».

E se perguntarmos a jornalistas de um jornal de referência, como o Expresso? Vejamos o que responderam no jornal de ontem:
  • «… os méritos deste Orçamento (sendo o maior deles o combate à pobreza) …», Pedro Santos Guerreiro (pág. 4 do caderno principal) 
  • «… os cidadãos vão ter mais ou menos rendimento disponível? Pela primeira vez em cinco anos, terão mais. Os mais pobres muito mais…», Daniel Oliveira (pág. 35 do caderno principal)
Passemos agora ao caderno de Economia onde encontramos na página 8 o artigo «Com que famílias vai o orçamento gastar mais?» de onde reproduzo para memória futura o seguinte diagrama:


Uma simples olhadela permite confirmar o que no artigo se conclui: «acabam por ser os terceiro e quarto escalões – entre os €20 mil e €40 mil e entre os €40 mil e €80 mil – que mais dinheiro vão receber do pacote orçamental do governo». Pois é, e convirá acrescentar que estes dois escalões que mais ganham representam apenas um quarto dos agregados familiares e levam praticamente todo o saldo positivo.

A conclusões semelhantes e muito bem fundamentadas já tinha chegado Pedro Romano no Desvio Colossal num post de leitura recomendável: «... o OE é altamente regressivo. As principais medidas de estímulo beneficiam sobretudo o último quintil. As medidas compensatórias são neutras do ponto de vista distributivo.»

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