| Financial Times |
Tem de se concordar que, para um Portugal dos Pequeninos representando 0,13% da população e 0,28% do PIB nominal mundial, não é coisa pouca ter 5 mestrados em gestão entre os 100 melhores.
| Financial Times |
Outros portugueses no topo do mundo.
Sucumbindo ao complexo de Eduardo Lourenço (*) , o Expresso, aka semanário de reverência, descreveu tão entusiasticamente a colocação em órbita de quatro satélites portugueses (+) Camões, Agustina, Pessoa e Saramago «que reforçam a chamada constelação Lusíada» e mais dois «um da Força Aérea e outro do Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CEiiA), ambos pertencem à constelação do Atlântico» que dois dias depois deixou a missão Artemis II da NASA ao nível da travessia do Tejo por um dos novos cacilheiros eléctricos (-).
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(*) Em homenagem ao escritor e filósofo português que identificou o «sentimento de fragilidade íntima inconsciente e a correspondente vontade de a compensar com o desejo de fazer boa figura, a título pessoal ou colectivo»,
(+) Os seis luso-satélites correspondem a 0,044% dos 13.700 satélites que se estima já tenham sido lançados, ou menos de 1/3 dos 18 satélites que competeriam aos 0,125% da quota mundial de tugas.
(-) Quem já esteja esquecido, pode ler aqui um resumo da saga dos cacilheiros eléctricos, saga que, em boa verdade, é um feito mais notável do que a colocação em órbita pelo Falcon 9 do Dr. Musk dos seis satelitezitos.
| Utilizadores mensais de IA, em percentagem da população em idade activa Fonte: Global AI Adoption in 2025—A Widening Digital Divide |
| mais liberdade |
Outros portugueses no topo do mundo.
O nosso Portugal dos Pequeninos não terá «as condições para se tornar um líder mundial na IA», como garantiu o Dr. Matias, ministro da Reforma do Estado, excitado pela numerosa plateia internacional que o escutava na Web Summit, mas ninguém lhe tira o lugar no topo do despercício alimentar, segundo os dados do Eurostat citados pelo Expresso.
| The Pravda Ecosystem: Publications Analysis Dashboard, Dec 2024-Mar 2025 |
| Semanário de reverência |
| Jornal Económico |
Não faço ideia o que significa estar no top para o jornalista em causa, mas o certo que a European Patent Organisation (EPO) tem 39 membros, 27 da União Europeia e 12 outros (RU, Suíça, Turquia, Estados bálticos, etc.) e estar no 20.º lugar em 39 é estar no meio da tabela. Seja como for, no texto do artigo escreve-se que está no «19.º lugar quanto ao número de patentes tecnológicas relacionadas com oncologia na Europa»
Para compor o ramalhete, o artigo do JE cita que «a iLoF Intelligent Lab on Fiber (iLoF), startup de combate ao cancro orientada para a fotónica e a IA, registou três pedidos de patentes». A iLoF é um dos quatro case studies do estudo New frontiers in oncology: an evolving innovation ecosystem da EPO, e apesar de ter entre os fundadores investigadores portugueses e um escritório no Porto, é tão portuguesa como era a Farfetch, e tem as instalações principais em Londres e Nova Iorque.
De modo que, lá temos de recorrer, uma vez mais, ao velho Eduardo Lourenço para entendermos o «sentimento de fragilidade íntima inconsciente e a correspondente vontade de a compensar com o desejo de fazer boa figura, a título pessoal ou colectivo» .
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Este post também poderia ser publicado na série ARTIGO DEFUNTO.
Cruzei-me acidentalmente com este vídeo de Mark Manson, uma criatura que os produz com regularidade sobre os temas mais variados, alguns deles, como este, sobre certas características dos nacionais de alguns países. No caso do Portugal dos Pequeninos sobre a ansiedade - o título do vídeo publicado em Novembro de 2024 é «Understanding the Most Anxious Country in the World» - uma emoção exacerbada - um transtorno - que segundo as estatísticas assalta os locais muito mais intensamente do que em qualquer outro país do mundo.
Mark Manson, um observador perspicaz, ficou tão intrigado com a prevalência da ansiedade entre nós que visitou Portugal e falou com um certo número de pessoas e concluiu que na génese do fenómeno se encontra a selecção resultante da saída maciça a partir do século XV dos mais afoitos, ambiciosos e inconformados deixando para trás os conformados e o seu receio patológico das mudanças e a baixa tolerância ao risco.
Concordo, isso mesmo venho escrevendo há duas décadas (por exemplo neste post de 2006 precisamente sobre a aversão ao risco) baseado nos estudos e no modelo de Geert Hofstede, desenvolvido nos princípio da década de 70, e em particular num post desta série onde escrevi sobre o «processo de selecção social dos últimos cinco séculos que fez sair os inconformados de Portugal nos Descobrimentos e os fez e faz sair pela emigração».
O que se pode dizer de uma bolsa como a de Lisboa cujo índice PSI 20 está hoje limitado a 15 (ALTRI, BCP, Corticeira Amorim, CTT, EDP, EDP Renováveis, Galp Energia, Ibersol, Jerónimo Martins, Mota-Engil. NOS, REN, SEMAPA, SONAE e Navigator), com um número total de empresas cotadas ao longo dos anos que de 150 caiu para 48 e com uma evolução compararativa nos últimos 25 anos como a mostrada no gráfico seguinte (CAC40 Paris ; ISEQ All Share Dublin)?
| Euronext |
Já que estou com o Portugal dos Pequeninos no divã, cito mais um exemplo do mesmo sentimento expresso por um professor da UAL que considerou o nosso torrãozinho natal como «um importante player internacional na conectividade global» porque a fatalidade da geografia fez desaguar cabos submarinos na costa portuguesa.
Ficámos a saber pelo patriótico semanário de reverência, que o nosso Portugal dos Pequeninos (PP) «dá cartas em 18 áreas de especialização registando vantagens tecnológicas e de mercado acima de outros países». Pode parecer um exagero, mas tudo depende de quais sejam os outros países. Por exemplo estou certo que o nosso PP está provavelmente acima do Burundi em todas essas 18 áreas.
Infelizmente o semanário não nos nos dá detalhes sobre o estudo encomendado pela Agência Nacional de Inovação, realizado pelo Instituto para as Políticas Públicas e Sociais do ISCTE, uma universidade a quem os detractores chamam madrassa do PS, estudo coordenado pelo Dr. Pais Mamede, comentador do jornal Público e do canal público RTP3 e insigne representante do pensamento da Mouse School of Economics. Ficamos no entanto a saber que o estudo, que, especulo, ainda foi encomendado pelo anterior governo, se destina a escolher as áreas de especialização (18 em 192 áreas potenciais de aplicação de tecnologias) onde o Estado sucial deverá torrar o dinheiro dos impostos dos contribuintes portugueses e europeus, com o sucesso habitual. Especulo também que o estudo do Dr. Pais Mamede responde ao pensamento e ao apelo do Dr. Pedro Nuno que «defende ser crucial fazer boas escolhas ao nível da governação, percebendo que o Estado não é um empecilho ao desenvolvimento, mas antes um dos principais instrumentos de transformação económica.»
| Truth Social |
| 1.ª página do Caderno de Economia do semanário de referência |
Outros portugueses no topo do mundo.
| Sítio da Marinha |
Por alguma vergonhosa e inexplicável razão, só ontem me dei conta da chegada do submarino português NRP Arpão à Gronelândia onde «foi recebido por algumas dezenas de pessoas em Nuuk», feito histórico que já data do dia do quinquagésimo aniversário da libertação do regime fássista e mostra os portugueses «dando novos mundos ao mundo», outra vez.