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20/02/2011

De boas intenções está o inferno cheio (4)

Maria João Rodrigues, antiga ministra do Emprego de Guterres, actualmente eurocrata, mostrou-se muito preocupada pelo risco para Portugal «de mais disciplina orçamental e liberalizar os mercados de trabalho para conseguir travar salários e levar a que as pessoas emigrem dos sítios em que há desemprego para aqueles em que há falta de trabalho». Dito de outro modo, a eurocrata preocupa-se por Portugal equilibrar as contas públicas e emagrecer o pantagruélico Estado, pela economia ser mais competitiva e pela Alemanha oferecer oportunidades de trabalho aos nossos jovens desempregados que sabem fazer alguma coisa.

A receita dela passa por tornar a economia mais competitiva com «produtos e serviços com mais valor acrescentado» (onde estão eles?) tirando partido de «termos hoje uma população mais qualificada» (qualificada para quê?) e, claro, Eurobonds e juros iguais aos da Alemanha e, pelo sim, pelo não, um fundo de bailout. Dito de outro modo, a eurocrata prescreve mais Estado e a transferência do risco de insolvência dos PIGS para os países solventes. Da primeira prescrição já tivemos que chegasse com os resultados que se conhecem. Da segunda, seria uma óptima receita se não deparasse com a resistência dos que poupam e não querem ter as suas poupanças delapidadas pelo liberalismo dos pródigos.

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