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22/05/2005

DIÁRIO DE BORDO: o ruído do silêncio

Se o governo do doutor Lopes se dissolveu na sopa da sua incompetência, cozinhada no lume brando do presidente da República e na fogueira dos média, o governo do engenheiro Sócrates, levado ao colo pelo mesmo PR e incensado pelos mesmos média, vai-se dissolvendo no seu próprio suco gástrico.

Ele é o ministro da Saúde que é desmentido, pelo próprio chefe. Ele é o secretário de estado que contradiz o seu ministro sobre as SCUTS. Ele é o chefe no grupo parlamentar que diz que não está lá para aumentar impostos, que toda a gente sabe que só podem ser aumentados (read my lips). Ele é o ministro das Finanças que manda recados na primeira página do Expresso a ameaçar dar o fora se. Ele é a pescadinha de rabo na boca do governador do BdeP que está a consultar os astros para saber o défice que resultaria do que até ao fim do ano o governo faria (que ainda não sabe o que seja), enquanto o governo espera para saber o que há-de fazer até ao final do ano depois de saber ao certo quanto seria o défice se não fizesse o que ainda não sabe que fará (dilema hamletiano 6,9% ou 7,1%?).

Já que falo do governo levado ao colo, felicito os lampiões que, diz quem sabe, também parece terem sido levados ao colo. A felicidade dos alegados 6 milhões de adeptos (contando com criancinhas de colo, cujos os pais já os destinaram a sócios do glorioso) é tão grande, e o prémio de consolação dos dragões tão inesperado, que só os lagartos irão reparar que a medicina que o governo vai aplicar será pior do que perder 3 jogos decisivos numa semana.

Contribuintes festejando o aumento do IVA para 21%

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