Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

24/05/2005

CASE STUDY: é a cultura, estúpido

O pingue-pongue dos polícias e dos magistrados nos casos de corrupção, saltitando alternadamente do pessoal do PSD ou CDS para o PS e vice-versa, tem o mérito de mostrar o grau de corrupção de tais polícias e magistrados. Mais nada. É um pingue (caso dos sobreiros para o lado do CDS)-pongue (caso A. Santos para o lado do PS) que termina sempre empatado. É um jogo de soma zero. É perda de tempo.

"Nós vivemos num ambiente de lassitude moral que se estende a todas as camadas da sociedade. Esse negócio de dizer que as elites são corruptas mas o povo é honesto é conversa fiada. Nós somos um povo de comportamento desonesto de maneira geral, ou pelo menos um comportamento pouco recomendável" (João Ubaldo Ribeiro na «Veja», a propósito do Brasil - citado aqui pelo Mar Salgado).

Pois. Esse negócio de dizer que o povo é corrupto de uma maneira geral mas as elites são honestas duma maneira particular, também seria conversa fiada. Talvez o povo seja desonesto de maneira geral e as elites sejam corruptas em particular.

É o colectivismo e a aversão ao risco (os maiores scores europeus [*], medidos pelo incontornável Geert Hofstede).

É a cultura, estúpido.

[*] Portugal deixou de figurar desde há alguns anos nas análises de Geert Hofstede; os últimos dados que tenho são de 1995.

Sem comentários: