(Continuação de 39a)
Infantilização e tiro no pé
As medidas que o governo está a adoptar para “ajudar” as famílias em matéria de habitação tudo indica tenham efeitos perversos que acabem a anular os seus efeitos potencialmente positivos. Quanto a obrigar os bancos a renegociar as condições dos créditos, o que a APB classificou como «paternalista», já na semana passada assinalei o perigo de se criar uma bolha imobiliária semelhante à que esteve na origem da crise de 2008.
Do lado do arrendamento, a limitação de 2% à actualização das rendas (o índice real é 5,43%) parece estar a desencadear uma vaga de despejos com os senhorios a tentarem novos contratos para fintarem a fixação administrativa da actualização. Afinal não seria novidade, a história está cheia de exemplos das consequências indesejadas da intervenção dos governos no mecanismo dos preços.
Por falar em habitação, mais uma Boa Nova
Depois de vários programas de habitação lançados nos últimos 6 anos pelo Dr. Pedro Nuno em concorrência com o Dr. Medina, à época presidente da câmara de Lisboa, todos eles falhados, o governo pela boca do Dr. Pedro Nuno anunciou que vai apresentar ao parlamento um Programa Nacional de Habitação, com 22 medidas e um investimento de 2,377 mil milhões de euros a partir de 2023 até 2026. Auguro-lhe o mesmo destino dos anteriores, de quem de resto já ninguém se lembra.
A família socialista é muito unida
Não obstante o SE adjunto do Dr. Costa ser arguido como autarca de Caminha não de um mas de dois processos (um deles aqui descrito por JMT no Público) o Dr. Costa mantém a confiança política no Dr. Miguel Alves.
O dinheiro não é tudo. O sexo também é importante
A confirmar que o SEF é uma verdadeira escola de virtudes, como já se suspeitava com o caso do ucraniano assassinado, um apparatchik do SEF foi aliciado com favores sexuais por comerciante chinês para facilitar autorizações de residência a compatriotas seus.
«Pagar a dívida é ideia de criança»
A dívida pública lá vai subindo regularmente, desta vez mais 1,6 mil milhões para 280 mil milhões em Setembro. Graças à inflação, cujas consequências o Dr. Costa gostaria de limitar aos efeitos sobre o rácio dívida/PIB, este diminuiu 2,9 pontos percentuais.
Boa Nova
«Portugal lidera crescimento na UE no 3.º trimestre», escreveu entusiasmado o semanário de reverência, para celebrar um resultado que só acontece porque o PIB do 3.º trimestre de 2021, com a qual a comparação é feita, ainda estava abaixo do seu valor de 2019.
Já é o mafarrico e já se sente o cheiro das brasas
Apesar da Boa Nova, até o próprio Expresso admite uma recessão em 2023, e é acompanhado pelo Fórum para a Competitividade que prevê uma variação entre -2% e 1%.
As taxas de juro continuam a aumentar e a Euribor a 6 meses (a mais usada no crédito à habitação) aumentou de -0,539% em Janeiro para 2,278% no passado dia 4, próximo dos valores de 2009. (fonte) Sabendo-se que 68% dos créditos à habitação em Portugal estão a taxa variável, é fácil antecipar efeitos dramáticos sobre as famílias portuguesas em cima de uma inflação próxima dos dois dígitos.