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24/08/2018

CASE STUDY: Um imenso Portugal (39) - Um Lula mefistofélico

[Outros imensos Portugais]

«Lula é como o Fausto, de Goethe, que fez um pacto com o Diabo, na forma de Mefistóteles. Graças a esse pacto chegou ao auge do poder, da popularidade, do prestígio; hoje, sofre as consequências da imprudente amizade.

No passado, os "golpistas", como ele lhes chama hoje, foram parceiros de governo e de distribuição de dinheiros públicos no mensalão e no petrolão para ir facilitando a aprovação de projetos, oleando as campanhas de todos e garantindo a preservação dos mesmos no poder.

De terríveis e infames corruptos, quando o PT ainda era oposição, Michel Temer, Renan Calheiros, Romero Jucá ou Eunício de Oliveira, alguns caciques do MDB, ainda a mais fiel representação do Mefistóteles do Fausto na política brasileira, passaram a ser destinatários de palmadinhas nas costas, abraços e afagos de Lula e companhia. Até Paulo Maluf, veterano vigarista procurado pela Interpol, mereceu visita do chefe do PT aos jardins da sua mansão para selar acordo com vista à eleição para a prefeitura de São Paulo de Fernando Haddad, em 2012.

Argumenta o PT que sem esses acordos não teriam existido Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Prouni e tantos outros programas que, pela primeira vez na história, visaram diminuir a desigualdade do terceiro país mais desigual do mundo.

"É a realpolitik, estúpido", dizem os militantes do partido. "No Brasil, Jesus se coligaria até com Judas", resumiu um dia o próprio Lula.

No dia em que o dinheiro se retraiu como nunca, já sob Dilma Rousseff, uma presidente medíocre na economia, por um lado, e que nunca teve estômago para palmadinhas nas costas, abraços e afagos a quem desprezava, por outro, o preço a pagar pela aliança diabólica chegou em forma de impeachment. O resto já se sabe.

Mas será que o PT, com resultados catastróficos nas últimas eleições municipais, e Lula, entretanto preso em Curitiba, aprenderam a lição? Não: enquanto os seus militantes, no Brasil e além-mar, perdem os amigos e a saúde a chamar "golpistas" aos que derrubaram Dilma, o partido já se coligou com os partidos do "golpe" em 15 das 27 unidades federativas do país. A tal realpolitik.»

O PT golpeia-se, João Almeida Moreira no DN

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