Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

24/04/2012

A democracia dos proprietários do 25 de Abril não é para todos

À primeira vista parece um paradoxo.

Um coronel, em nome de uma associação de militares, cuja maioria há 3 décadas preconizou uma «democracia» terceiro-mundista tutelada pela tropa, sentenciou que «a linha política seguida pelo actual poder político deixou de reflectir o regime democrático herdeiro do 25 de Abril» e por isso a tropa não iria comparecer às comemorações oficiais.

Mário Soares e Manuel Alegre há 3 décadas opuseram-se com sucesso à tropa que pretendia perpetuar a tutela. Mais recentemente foram cúmplices pelas palavras e pelo silêncio com as políticas que ao arruinaram do país lhe fizeram perder a soberania para a troika governar em nome do eixo Paris-Bruxelas-Berlim. Agora, solidarizaram-se com a tropa decretando que o «governo não está em linha com os ideais do 25 de Abril», governo que como se sabe saiu de eleições livres.

À segunda vista, tudo faz sentido. Uns e outros consideram-se proprietários do 25 de Abril. São os novos situacionistas.

Sem comentários: