Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

11/04/2012

CASE STUDY: Finalmente um invento de interesse patriótico

Uma equipa da Universidade de Aveiro patrocinada pela Bial parece ter inventado um algoritmo para ser usado num polígrafo, isto é um detector de mentiras, com uma margem de erro inferior a 20%.

Considerando a propensão comprovada para a mentira entre os nossos políticos de todos os quadrantes, este algoritmo poderia ser uma ferramenta eficaz a que qualquer político se deveria submeter depois de ter feito declarações públicas. Vou até mais longe, há razões de Estado para emendar a Constituição e acrescentar aos 296-artigos-296 o ducentésimo nonagésimo sétimo estipulando essa obrigação.

Pode-se questionar a asserção de os políticos mentirosos serem maioritários em todos os quadrantes, baseado no facto de só os políticos dos partidos do poder serem regularmente confrontados com os seus atentados, por vezes mortais, à verdade. Pode-se, mas não se deve, porque os oposicionistas profissionais mentem tanto ou mais do que os outros políticos, apenas porque não chegam ao poder não são confrontados com as mirabolantes mentiras com que nos bombardeiam todos os dias, às quais costumamos chamar demagogia.

A propósito de detectores de mentiras, na minha modesta opinião, baseada na minha vasta experiência (*) de lidar com gente sem carácter, uma invenção tão ou mais importante quanto o detector de mentiras, seria um detector de omissão de verdades.

(*) À primeira vista, parece haver uma contradição entre o «modesta» e o «vasta». À segunda vista, percebe-se que o «modesta» resulta de uma questão de princípio e o «vasta» de uma constatação de facto: o conhecimento de centenas de ronhas, songamongas ou simplesmente mentirosos sem coragem nem ousadia que praticam intensamente a modalidade.

Sem comentários: