Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

30/11/2010

Estado empreendedor (37) – os pilares do aeroporto de Beja estão todos rachados

Em 2001 foi lançado o projecto do aeroporto de Beja assente «em cinco pilares, lembra o TC: captação de voos charter/low cost, tráfego de carga, manutenção e estacionamento de aeronaves e desenvolvimento de negócios não-aviação - como o aluguer de carros». O aeroporto de Beja iria constituir uma «plataforma logística para a carga a receber e a expedir de/para a América e África, incluído o transporte de peixe, utilizando aviões de grande porte e executando em Beja o transhipment para aviões menores para a ligação com os aeroportos europeus» e seria um «entreposto para a carga recebida no porto de Sines, passível de ser transportada por meios aéreos, frescos agrícolas produzidos na zona de regadio do Alqueva e Andaluzia». Foi o que escreveu no estudo «Plano Regional de Inovação do Alentejo» Augusto Mateus, a luminária ministro do governo Guterres que inventou o plano com o seu nome para recuperar empresas irrecuperáveis.

Até agora já foram torrados 34 milhões e, segundo a estimativa actual (que será como de costume um alvo em movimento) a coisa vai atingir mais do dobro. Metade das empreitadas foram adjudicadas sem concurso.

[Para mais pormenores ver aqui, aqui e aqui]

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: amestrados, distraídos e crédulos

«O pai, o modelo-pai, o pai-chefe, desapareceu. Isto tem sido celebrado por significar o fim da opressão machista e autoritária. Ocupemo-nos, para já, desta.
A autoridade paterna oferecia um bem sem preço: o treino para a luta. Aprendia-se, com tempo e em segurança, a nobre arte da rebelião. E aprendia-se outra coisa: o mundo tem lugares marcados.
Hoje, livres de tão ingentes grilhetas, seria de esperar gerações inteiras de inconformados libertários. Infelizmente, encontramos gerações inteiras amestradas, distraídas do seu futuro e crédulas. Fabulosamente crédulas.»


[FNV no Mar Salgado]

28/11/2010

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: A fábula do surto inventivo que nos assola (REPUBLICAÇÃO)

Mariano Gago disse ao Expresso que o crescimento dos indicadores da ciência em Portugal «é o maior da Europa» e cita o investimento em I&D que mais que duplicou entre 2005 e 2009, a despesa das empresas que triplicou (com o investimento em I&D do BCP e da EDP?), etc. Até pode ser tudo isso, mas quando se olha para os resultados não se nota. Por isso, mantém-se actual o meu  post de 8 de Agosto, a seguir transcrito, onde a propósito de um artigo também do Expresso, descrevi as conclusões da minha «investigação» sobre a investigação de Mariano Gago.
Se há coisa que me faz urticária é a tendência doméstica para o auto-contentamento, especialmente notória no jornalismo apologético. Um exemplo deste fim-de-semana é a peça publicada pelo Expresso sobre o suposto surto inventivo que assola os portugueses. O facto que suporta o título «Portugueses criam duas invenções por dia» deveria ser suficiente para desencorajar o jornalista de escrever a peça naquele tom encomiástico, se a criatura se tivesse dado ao incómodo de olhar para as estatísticas do European Patent Office (EPO). Não o fez e escreveu coisas como «os investigadores portugueses estão cada vez mais a dar cartas no mercado global», escreveu, citando o presidente do INPI ou «ao nível da ciência, já temos um desempenho comparável aos dos países mais desenvolvidos da Europa e até do mundo», citando o presidente do IST. O resto da narrativa é no mesmo tom de fábula.

Infelizmente tanto encómio não resiste aos factos. Já o ano passado aqui se desmontou uma outra peça de jornalismo apologético de Nicolau Santos sobre o surto de I&D que, segundo ele, o país estaria a atravessar. Desta vez é mais do mesmo oferecido pelo Expresso para nos animar. Vejamos, pois, os factos, sempre desagradáveis.

Em primeiro lugar, as 723 patentes com pedido de registo em 2009 no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) são patentes «domésticas». A maioria delas não chegará ao crivo do EPO, a começar pelo facto do pedido de registo no EPO custar 20.000 euros e o do INPI custar 100 euros, donde qualquer luso inventor vá a correr a INPI pedir o registo duma ideia que lhe veio ao bestunto numa noite de insónia na cama pelo preço duma noite de insónia nas docas.

Quando comparamos os pedidos de registo em 2009 no EPO, verificamos que Portugal pediu o registo de 107 patentes (compare-se com os 723 pedidos ao INPI) e dos 36 países considerados só há 13 com menos pedidos. Em número de pedidos por milhão de habitantes, desses 36 países só há 9 com menos do que os 10,1 por milhão de Portugal: Bulgária, Grécia, Croácia, Lituânia, Macedónia, Polónia, Roménia, Eslováquia e Turquia. A nossa vizinha Espanha, por exemplo, registou 12 vezes mais patentes e não consta esteja a celebrar nenhum surto inventivo.


Vejamos o que se passa com os pedidos de patente no USPTO (United States Patent and Trademark Office) onde são registados todas as invenções que interessam. O que se observa no «Patent Counts by Country/State and Year – All Patent Types» é arrasador. Portugal registou menos patentes em 2009 (19) do que em 2008 (31) e desde 1977 apenas registou 291 patentes. Do total registado em 2009 no USPTO (191.933 ou 29 patentes por milhão de habitante, considerando um total de 6.900 milhões), as 19 patentes portuguesas representam uma percentagem infinitesimal e correspondem a menos de 2 patentes por milhão de habitantes (compara com a média mundial de 29).

Porquê a minha urticária com estas efabulações? Porque ninguém sai de um atoleiro onde se meteu ou foi metido se não perceber que está nele.

ESTADO DE SÍTIO: a privatização do chefe dos espiões

Quais as qualificações mais adequadas a um chefe de espiões? Ora que pergunta! Evidentemente experiência numa organização secreta, por exemplo a loja maçónica Mozart da Grande Loja Regular de Portugal. Qual o momento mais oportuno para o chefe dos espiões anunciar a sua demissão? Sem dúvida, nas vésperas duma cimeira da NATO na capital do país em causa. Para onde deve ir um chefe demissionário dos espiões usar as competências adquiridas como chefe dos espiões? Obviamente para o complexo político-empresarial socialista, por exemplo a banca do regime (BES ou Millenium bcp, que o disputam) ou, melhor ainda, para um dos apêndices da banca do regime (Ongoing) dirigido por um correlegionário da mesma loja (Nuno Vasconcelos).

Nem um protesto, nem uma indignação, apenas o reconhecimento do ex-ministro da Defesa Paulo Portas da necessidade de «reflexão». Quereis melhor prova de maturidade da nossa democracia?

[Estória contada pelo Expresso a propósito da saída anunciada de Jorge Silva Carvalho do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa]

Os pulgões do Estado Sucial

Com a mesma à vontade com que escreve livros desancando no candidato de cuja comissão de honra faz parte, Júdice, é mais um dos advogados-pulgões praticando activamente o parasitismo do Estado Sucial facturando serviços imaginários ou serviços reais por preços imaginários. No último exemplo divulgado pelo Sol, a sua sociedade PLMJ faz o pleno e factura serviços imaginários (ou, para ser rigoroso, serviços imaginados) por preços imaginários. Pela mão de Rui Pedro Soares, ele próprio um homem de mão de José Sócrates, a PLMJ facturou à Taguspark 229 mil euros sem uma adjudicação, sem um contrato, por serviços relacionados com «estudos relativos ao lote 31», que afinal eram estudos relativos à compra da TVI. A PLMJ facturou ainda 500 mil euros por uma auditoria (?) ao que parece encomendada por Isaltino de Morais, envolvendo «1.935 horas de trabalho por parte de 32 advogados».

Tudo isto não parece incomodar a nomenclatura socialista que através do Estado e das empresas públicas sustenta o escritório, como não parece incomodar Cavaco Silva, que também levou tempo a incomodar-se com as ligações perigosas de Dias Loureiro ao BPN, e muito menos parece incomodar o próprio Júdice que é bem capaz de mostrar a sua «independência» mordendo a mão que o afaga e cuspindo no prato que o alimenta.

DIÁRIO DE BORDO: Fractais da natureza (3)

Floco de neve com padrões que reproduzem a curva de Koch

27/11/2010

A maldição da tabuada (5) – operações com números imaginários

Vejamos como evoluiu a poupança resultante das energias renováveis, ao longo do ano:
  • Em Abril eram 500 milhões, segundo Zorrinho;
  • Em Setembro eram 100 milhões, segundo Sócrates;
  • No mês seguinte, em Outubro, já eram 700 milhões, segundo o mesmo Sócrates;
  • Em Novembro, segundo o mesmo Zorrinho, subiram para 800 milhões.
Será o mesmo Sócrates? Será o mesmo Zorrinho? Terá Zorrinho adicionado as poupanças de Sócrates? Serão as mesmas energias renováveis?

[Lido aqui e aqui]

DIÁRIO DE BORDO: Imagens da NASA (1)

Anéis de Saturno

26/11/2010

Pro memoria (13) – casos de sucesso do complexo político-empresarial socialista

Microfil a empresa tecnológica de sucesso, relacionada com 46 mil cartas de condução desaparecidas, «apadrinhada» pelo saudoso ministro Pinho, «à beira da falência está nas mãos da banca».

É o acontece quando os políticos de meia-tijela se arvoram em aprendizes de feiticeiros do mercado com a pretensão de elegerem as empresas de sucesso.

Ainda haverá esperança para a PT?

Com o fim da golden share e a subida para 10% da posição dos fundos geridos pelo Capital Research and Management, que passará a ser o maior accionista, ficará mais limitado o campo de manobra do complexo político-empresarial socialista corporizado neste caso pela coligação espírita e representado pela dupla Granadeiro-Bava. Para começo de conversa, adivinham-se mais dificuldades no cambalacho da transferência do fundo de pensões para a segurança social.

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: PBREC (processo de branqueamento do regime em curso)

«Por mais responsabilidades e culpas que tenha o actual primeiro-ministro (e são imensas) no desastre económico e financeiro, na ausência de reformas estruturais, na manutenção do corporativismo que infesta o Estado português, nas ligações perigosas e perversas entre o mundo político e o mundo empresarial, Portugal só pode em sonhar sair do buracão em que está metido depois de uma profunda reforma do regime político e uma importante regeneração da nomenclatura partidária. E não falo apenas dos "boys" e das "girls" (que continuam em grande mesmo depois de todos os PEC, como é amplamente anunciado cada dia pela comunicação social) e dos "apparatchiks" que esperam a saída de Sócrates para encontrar outro menino de ouro que faz bem a Portugal. Falo das elites económicas que vão a Belém cada vez que as coisas correm mal e querem outro governo para não atrapalhar os negócios que endividaram o País. Falo das dezenas de comentadores e fazedores de opinião, sempre os mesmos, que andaram anos a defender um modelo que só podia conduzir a este desastre, os que falam do optimismo saudável contra os malvados Velhos do Restelo, os que usavam e abusavam da propaganda para descobrir sempre a dura realidade depois dela já ser evidente. Ainda que muitas vezes discordando da substância da análise dos economistas heterodoxos, não tenho dúvida em achar que estão cobertos de razão ao denunciar a falta de pluralismo em Portugal, onde os mesmos que durante vinte anos defenderam as políticas desastrosas (sempre no intervalo das sinecuras do regime que foram acumulando) continuam a pontificar nos jornais e nas televisões como se não fosse com eles.

A nova versão do regime para explicar o atoleiro português é culpar a senhora Merkel.
»

[«A sobrevivência do regime e o eleitorado alemão», de Nuno Garoupa no Negócios]

CASE STUDY: A situação portuguesa é diferente da irlandesa, mas nem sempre para melhor (2)

Pelas razões que tentei expor no post anterior, o tele-evangelista Louçã está, infelizmente, completamente equivocado no seu «já se vê para onde vamos, vamos a caminho da desgraça irlandesa». O equívoco é tão evidente que confrontado com o trilema de Žižek sou forçado a considerar o professor de economia Louçã desonesto ou burro, isto é desonesto se inteligente e burro se honesto.

Ao elenco das diferenças entre Portugal e Irlanda, a cujo propósito remeto para este artigo de Miguel Frasquilho (espero que os Espíritos seus patrões não lhe puxem as orelhas por escrever heresias),  ainda acrescento as seguintes:
  • À dívida pública portuguesa é preciso adicionar pelo menos 30 mil milhões de dívidas das empresas públicas e 50 mil milhões de compromissos com as PPP, tudo por junto 50% do PIB;
  • O salário mínimo irlandês será reduzido de 12%, e ainda assim ficará a valer 2,7 vezes o salário mínimo português;
  • Em vez de engenharias orçamentais para reduzir o défice comprometendo a sustentabilidade da segurança social (transferência do fundo de pensões da PT), o governo irlandês apresenta ao parlamento medidas que envolvem cortes efectivos e significativos da despesa (despedimento de 25 mil funcionários públicos e 3 mil milhões de benefícios sociais a menos); e last but not least
  • «Portugal is the victim of an orchestrated calumny intended to divert attention from a bankrupt Britain, or America. The rating agencies are deemed agents of Anglo-Saxon hegemony
Em desespero de causa, para melhor percebermos a diferença entre a Irlanda e Portugal, ajudará recordar a profundidade da crise financeira de 1997 na Coreia do Sul, a sua rápida recuperação nos anos seguintes e o vigor actual da sua economia. Ao fazê-lo, cedendo à facilidade em benefício dos distraídos, poderíamos caricaturar a comparação e fazer equivaler a Irlanda de 2010 à Coreia do Sul de 1997, o Portugal de 2010 à Coreia do Norte de 1997, ou qualquer outro ano, e José Sócrates ao querido líder Kim Jong-Il.

Moral da estória das diferenças: a desgraça irlandesa faria a nossa felicidade.

Adivinhe quem escreveu

Cavaco Silva transformou o PSD num partido «feito à sua imagem e semelhança: um partido tecnocrático, um catch all party, ou seja, um partido sem fronteiras, onde todos poderiam vir plantar a sua tenda, desde que aceitassem a liderança indiscutida do então primeiro-ministro, e assim ajudassem a conquistar votos e a manter suseranias».

Este juízo sobre o papel de Cavaco Silva poderia ter sido escrito por muita gente. Salvo, evidentemente, por um apoiante da candidatura do homem que «se apresentou como um líder autoritário, não permitindo a libertação da sociedade civil, como Sá Carneiro sempre defendera». E muito menos um membro da comissão de honra da candidatura. Ou estarei enganado?

25/11/2010

Portugal vai ser um dos maiores países islâmicos do mundo

6 milhões de mouros estão quase a deixar de acreditar em Jesus!


[Autor desconhecido, provavelmente um tripeiro]

Alguém pode explicar-me

Segundo um estudo do Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, numa lista das 100 empresas que mais investiram em Investigação & Desenvolvimento em 2008 (esta gente não consegue usar dados com menos de 2 anos de atraso?) os primeiros 5 lugares são ocupados pela PT, BCP, EDP, BIAL e ISBAN.

Alguém pode explicar-me que Investigação & Desenvolvimento fizeram em 2008 o BCP e a EDP, para não ir mais longe?

DIÁRIO DE BORDO: O microcosmos da Nikon (4) – mosca-de-água

Garras posteriores de larva da Trichoptera Hydropsyche angustipennis
[Fabrice Parais, Caen - França]

24/11/2010

NÓS VISTOS POR ELES: 25 anos a beber imoderamente não fazem uma bebedeira mas dão ressaca

«C'est la crise sans les bulles, une épouvantable gueule de bois sans s'être vraiment enivré. Le Portugal s'enfonce dans une profonde atonie économique sans avoir connu les délires bancaires de Irlande, les folies immobilières de l’Espagne ou même les colères de la rue grecque. De tous les surendettés de Union Européenne (UE), c’est le pays qui a le plus de mal il compenser par des ' points forts" les ' points faibles' recensés par les analystes. Il n'est pas forcément menacé d'une banqueroute immédiate, mais comme dépourvu de perspectives d'amélioration.

La crise économique est en effet intimement liée à l'agonie d'une pratique du pouvoir rejetée par beaucoup de Portugais. Le premier ministre, José Socrátes (PS), avec une majorité relative, ne gouverne que par défaut. Aux législatives de 20OEl, il s'est sauvé en octroyant aux fonctionnaires une augmentation qu'il leur reprend aujourd'hui. Leur sentiment de trahison est accru par sa sous-estimation de la situation pendant le premier semestre de cette année. Mensonge ou incompétence? Quels que soient ses torts, le gouvernement ne risque pas de sanction des urnes avant l'élection présidentielle du printemps 2011.»

[Chômage, récession, rigueur: le Portugal glisse inexorablement vers la pauvreté, de Jérôme Fenoglio, enviado especial a Lisboa de Le Monde] 

António Costa, o aprendiz de feiticeiro em estágio na CML

Várias vezes foi denunciada no (Im)pertinências a prática do governo do engenheiro orçamental José Sócrates de ajeitar as contas com a venda de imóveis do estado a empresas públicas. António Costa, na câmara municipal de Lisboa, vai-se preparando para o lugar ensaiando truques semelhantes. Perante a situação caótica da câmara com o inchaço dos passivos que atingem cerca de 2 mil milhões, as receitas no orçamento de 2011 vão crescer 30% à custa da criação do fundo imobiliário que comprará à câmara imóveis no valor de 218 milhões e da venda de parte da rede de esgotos à EPAL por 100 milhões.

NOTA: Depois da publicação deste artigo, o Público diz que errou. O que escrevi neste post não foi afectado pelo esclarecimento de António Costa.

23/11/2010

Alguém deu por isso?

Desde o princípio do ano os sindicatos da função pública apresentaram 75 pré-avisos de greve correspondentes a 99 dias de greve. Há ainda 23 pré-avisos de greve na administração local. Se a administração pública prestasse serviços de qualidade utilizando eficientemente os recursos humanos de que dispõe, a coisa teria sido um caos. Não foi, ou antes foi o costume. Podemos assim concluir que uma fracção significativa dos funcionários é redundante.

Bons exemplos (5)

Se ao menos os nossos empresários, os nossos políticos e, já agora, os nossos intelectuais, seguissem os exemplos de José Mourinho, Cristiano Ronaldo e da equipa da novela «Meu Amor» que vai hoje trazer para casa um Emmy.

[Não cito os casos de Saramago e Horta Osório (ambos «amigos dos espanhóis») nem de muitos outros portugueses internacionalmente reconhecidos com profissões apreciadas pelo bem-pensantismo. Apesar de ser apenas um espectador ocasional e distraído do futebol e não ser sequer um espectador de novelas, cito aqueles exemplos porque acredito não haver boas ou más profissões - há apenas bons e maus profissionais.]

CASE STUDY: Robin dos Bosques, frei Tuck e o xerife de Nottingham trocam de papéis e confundem toda a gente (EPÍLOGO – so much ado for nothing)

Lembram-se da taxa Robin dos Bosques? A estória está sumariamente contada aqui. A ideia era um imposto justiceiro que antecipava a tributação tributava as mais-valias dos stocks de ramas que era fiscalmente neutro penalizava as petrolíferas, que Bruxelas estava contra não comentava. Qual foi o resultado desta agitação mediática, tão ao gosto da central socrática de manipulação? Em 2008 ainda deu alguma coisa, mas em 2009 e 2010 foi zero, nada, niente, nihil, nothing, rien, nichts.

Lulismo, uma espécie de subperonismo

«Na América do Sul, governos que se qualificam de esquerdistas usam o Estado como instrumento de dominação e procuram consolidar o populismo autoritário, constatou Fernando Henrique Cardoso no terceiro e último bloco da entrevista concedida a VEJA.com. Uma semana depois, no artigo publicado pelo Estadão com o título Para onde vamos?, o ex-presidente se apoiaria nessa frase para desenvolver a tese segundo a qual a democracia brasileira se arrisca a desembocar num "subperonismo"

[Augusto Nunes, da Veja, numa introdução à longa entrevista a Fernando Henrique Cardoso]

22/11/2010

CASE STUDY: A situação portuguesa é diferente da irlandesa, mas nem sempre para melhor

Os nossos políticos esfalfaram-se a sublinhar as diferenças entre a situação portuguesa e a grega. Esfalfam-se agora ainda mais a fazer o mesmo com a Irlanda. Alguns exemplos:
  • Cavaco - «Há muito tempo que eu afirmei que o problema da Irlanda era muitíssimo mais grave que o português»;
  • Sócrates - «Quem acompanha esses mercados sabe que hoje subiram os juros da Irlanda, que bateram novo recorde – e nós já descolámos da Irlanda nesse domínio»;
  • Teixeira dos Santos - «Portugal é diferente da Irlanda e que traçou um caminho de consolidação e de políticas de reformas».
Não posso estar mais de acordo com estas luminárias quanto à existência de profundas diferenças. Só estarei em desacordo quanto à putativa vantagem portuguesa. Vejamos algumas das diferenças que os sábios domésticos ignoram ou fazem por ignorar:
  • A primeira grande diferença é o PIB, praticamente igual nos dois países para uma população inferior a metade da portuguesa, donde resulta um PIB per capital duplo do português – os irlandeses têm muito por onde apertar o cinto até chegar à cinturinha de vespa portuguesa;
  • No caso português temos décadas a viver acima das posses com um défice do comércio externo ao redor de 10% do PIB; no caso irlandês só nos últimos anos o défice do comércio externo aumentou para 1/3 ou menos do português;
  • A dívida pública portuguesa era no final do ano passado superior à da Irlanda (77% do PIB contra 65%); no final deste ano a dívida irlandesa não será muito superior à portuguesa, mesmo depois dum défice ultrapassando 30% em 2010, resultante da injecção de capital no sistema bancário; ainda assim a Irlanda dispõe de uma almofada de 20 mil milhões de reservas suficiente até meados do próximo ano;
  • A Irlanda tem uma margem enorme para aumentar os impostos sobre lucros, actualmente 12,5%;
  • O investimento directo estrangeiro em 2010 na Irlanda é o maior dos últimos 7 anos; o IDE em Portugal não para de diminuir;
  • As políticas laborais e as regras de arrendamento são muito mais flexíveis na Irlanda - as rendas estão a descer mais rapidamente do que os salários; apesar da taxa de desemprego ser uns 3 pontos superior à portuguesa, o aumento do desemprego desde 2007 resulta em grande parte da crise da construção civil depois de rebentar a bolha;
  • A mão-de-obra irlandesa é mais jovem e está muito melhor preparada do que a portuguesa; uma parte importante dos imigrantes está a regressar aos seus países de origem aliviando a pressão sobre o subsídio de desemprego;
  • No que respeita ao sistema público de segurança social, o nosso fundo de estabilização (FESS) atinge a modesta cifra de 9,5 mil milhões para uma população de 10,6 milhões, correspondente a um valor per capita de 900 euros, que compara com uma cifra bem mais robusta de 24,1 mil milhões do National Pensions Reserve Fund para uma população de 4,6 milhões, correspondente a um valor per capita de 5.200 euros, ou seja 5,8 vezes o valor per capita português (ver este post).
O grande problema irlandês, que não tem expressão comparável em Portugal, é o sistema bancário descapitalizado depois de registar as imparidades resultantes da exposição ao crédito subprime americano e do incumprimento massivo do crédito à habitação doméstico. É um problema grave? É sim senhor, mas na casa das máquinas os motores continuam a girar. Em menos de 5 anos a economia irlandesa estará em velocidade de cruzeiro e a economia portuguesa terá mais ou menos os problemas que tem hoje – mais, se o povo continuar a tentar pendurar-se no estado socialista falido e as elites portuguesas continuarem a vegetar na mediocridade ou menos, no caso contrário.

[Artigos recentes que abordam este tema: Threadbare e Saving the euro, na Economist, After Ireland, spotlight on Portugal, Spain no Marketwatch]

21/11/2010

DIÁRIO DE BORDO: Fractais da natureza (2) – a arte imita a vida

Amonita, molusco cefalópode fóssil extinto há 65 milhões de anos, com concha em espiral logarítmica de Fibonacci e catedral gótica de Barcelona com o mesmo padrão [Flickr/Didier.bier e Flickr/Edgley Cesar]

20/11/2010

CASE STUDY: A escola caviar, a imobilidade social e o recrutamento da PT – a diferença da partícula

Há dois meses publiquei este post a propósito de um artigo de artigo de Henrique Raposo atribuindo à escola caviar a destruição do futuro dos filhos dos mais pobres e responsabilizando por tal obra a esquerda caviar ou o radical chic e a sua doutrina educativa. Nesse post dava o exemplo dos 100 «novos colaboradores, jovens recém-licenciados que foram seleccionados e formados através do programa Trainees PT em 2010» cujos nomes, especulava eu, indiciavam uma origem social bastante diferente da que presumivelmente aparentaria uma pauta da escola C+S da Brandoa.

Alguns detractores amigos ou simples leitores comentaram que era uma ideia classista sem fundamento porque se havia coisa mais neutral seriam os nomes. Argumentei sem sucesso que as classes sociais, em todo o lado e mais intensamente num país com fraca mobilidade social que dá grande importância ao status, distinguem-se em tudo: vestuário (desde as peúgas até às gravatas ou sutiãs, passando pelas cuecas ou calcinhas), discurso, carro, casa, gostos, etc., e também os nomes.

Por falta de tempo, só agora consegui fazer uma análise comparativa dos 100 nomes dos jovens recém-licenciados da PT com um número aproximado (97) de nomes de adolescentes do 5.º ano duma escola da periferia que uma mão amiga me fez chegar. Eis os resultados, que falam por si sobre os sinais que os nomes emitem.


Apesar de os resultados falarem por si, eis alguns sublinhados em intenção de algum duro de ouvido transitando por aqui:
  • A discriminação do sexo não parece poupar as meninas da PT;
  • Algo surpreendentemente há uma grande coincidência entre os nomes próprios mais frequentes, apesar duma diferença de idades de cerca de 10 anos [hipótese: as classes baixas escolhem os nomes da geração anterior das classes altas];
  • Os nomes próprios estrangeirados, ou não tradicionalmente portugueses, são muito mais frequentes na amostra de alunos do 5.º [em parte explicado por um certo número de alunos brasileiros: Déboras, Vinicius, Jessicas, etc.];
  • Ao contrário, os apelidos estrangeirados são um pouco mais frequentes nos jovens PT, mas enquanto os dos alunos do 5.º evocam terceiro-mundismo de emigrantes, os jovens PT exalam status e patina [ver a lista no post anterior];
  • O número de apelidos aparece claramente como um factor distintivo muito forte: quase metade dos jovens PT têm 3 ou mais apelidos contra menos de 1/7 dos adolescentes periféricos;
  • O que verdadeiramente distingue uns dos doutros são as partículas (da, de, do, dos, e): mais de metade dos jovens PT apresenta uma ou mais partículas no nomes e não se encontra um única na amostra dos adolescentes periféricos.
Qed?

Lost in translation (71) – Rigor? Já fizemos engenharia orçamental no passado. Voltaremos a fazê-lo no futuro, queria ele dizer (XIV)

Na continuidade do fim do milagre da redução dos juros nos 4 primeiros meses do ano, aqui referido, o crescimento até Outubro já vai praticamente em 5% (Quarta República). Chega uma altura em que o lixo varrido para baixo do tapete começa a ser impossível de esconder.

Nota: Este é o 14.º post da série «Já fizemos engenharia orçamental no passado». No primeiro citei o ministro Silva Pereira «já o fizemos (reduzir o défice) uma vez, como é sabido, em muito pouco tempo, com o Governo anterior».

19/11/2010

Curtas e grossas (6)

«Com uma direita que vive mais ou menos sob o estigma de não ser de esquerda e a ter de provar todos os dias que, apesar desse defeito genético, tem propostas que não representam um atentado aos trabalhadores, reformados, artistas, activistas, à sociedade em geral e à cultura em particular, o PS ocupa o centro – o tal que dá as vitórias eleitorais em Portugal. E ocupa-o com desenvoltura. Porque é de esquerda, o PS relaciona-se sem complexos com o capital e, porque é de esquerda, impõe aos sindicatos medidas que o PSD nem ousa equacionar. »

[Helena Matos, no Blasfémias]

SERVIÇO PÚBLICO: as notícias sobre o crescimento da economia portuguesa são grandemente exageradas

Quem esteja desatento poderá ter ficado iludido pelo coro liderado por José Sócrates cantando outra vez a boa nova do crescimento. Infelizmente os factos não confirmam a boa nova. Compare-se a variação homóloga do PIB e da produção industrial da economia portuguesa com a média EU27, respectivamente 1,5% e -2,4% contra 2,1% e 5,2%.

[Quadro extraído de «As duas reformas», Avelino de Jesus no Negócios]

18/11/2010

Curtas e grossas (5)

«Exumaram Keynes para o mortificar!»

[Lido no Quarta República]

DIÁRIO DE BORDO: O microcosmos da Nikon (3)

Estrela do mar adolescente [Bruno Vellutini - Centro de Biologia Marinha, Universidade de São Paulo]

17/11/2010

«Este homem já merece que o tratem por Professor, Professor Bento»

Uma justa conclusão de Carlos Vaz Marques. Tal como no resto, é (também) um problema de liderança.


Só para exemplificar

SERVIÇO PÚBLICO: o Adhemar de Oeiras

Como munícipe acidental e distraído, conhecendo embora a reputação de Isaltino de Morais e os seus problemas com a justiça, confesso que fiquei embasbacado com os casos referidos pelo Insurgente que são apenas alguns exemplos dos ajustes directos da câmara de Oeiras. Só para acrescentar mais um (pequeníssimo) exemplo, veja-se a «Aquisição de serviços de execução de um retrato a óleo do Presidente da Câmara» adjudicada pela módica quantia de 8.800 € ao emérito pintor João António Marques da Cruz Rosa.

Levando em conta a sua «obra» longa de vários mandatos, o presidente da câmara de Oeiras poderia ser nosso Adhemar de Barros, governador de S. Paulo - "roubo, mas faço" disse orgulhoso nos idos dos anos sessenta.

Dêem-nos dinheiro em vez de conselhos

Segundo a Reuters, citada pelo Diário Económico, Barack Obama «vai discutir com os líderes nacionais a situação económica de Portugal, enquanto estiver em Lisboa». Não será isto uma intrusão nos negócios internos portugueses? Discutir? O governo não precisa de discussões. O governo precisa é de dinheiro. Sócrates e Cavaco deveriam ser francos com Obama e dizer-lhes: em vez de nos darem conselhos, sigam o exemplo do governo amigo chinês e dêem-nos dinheiro.

16/11/2010

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: a extinção anunciada da ADSE

Diferentemente do SNS, a ADSE proporciona aos funcionários públicos a livre escolha do médico ou outro prestador privado ou público de cuidados de saúde desde que convencionado. Funciona como um seguro de saúde de reembolso em que o beneficiário comparticipa com uma percentagem variável. Tem a vantagem de evitar os tempos de espera do SNS, sobretudo nas especialidades, e introduzir um elemento de concorrência entre os prestadores de serviços. O resultado é uma maior qualidade e satisfação do beneficiário.

A liberdade de escolha não implica um aumento do custo por beneficiário da ADSE que tem sido inferior ao do SNS: 780 contra 938 euros em 2007 - em 2009 o custo unitário da ADSE reduziu-se para 776 euros. Evidentemente há razões para isso, como seja a comparticipação mais elevada e o facto de o beneficiário ter que pagar primeiro para depois ser reembolsado, tendendo a reflectir melhor as suas prioridades e introduzindo uma certa racionalidade na utilização, diferentemente do recurso ao SNS.

Não obstante estas vantagens, sugerindo que o SNS evoluísse no sentido da ADSE e não o contrário, deduz-se da proposta de OE apresentada pelo governo, e neste particular aceite sem reservas pelo PSD, que parece estar a caminho a extinção da ADSE. É mais uma pedra no caminho do colectivismo e da estatização.

[Para uma análise do tema por um especialista, ver no Negócios «ADSE em iminente perigo de extinção» por José Mendes Ribeiro, antigo presidente da Unidade de Missão Hospitais SA, entre muitas outras funções ligadas à saúde]

BREIQUINGUE NIUZ: o ministro anexo faz auto-crítica?

«O papel do sector de banca estrangeiro em países [do centro, oeste e sudoeste da Europa], … podem ter contribuído para aumentar os desequilíbrios internos em alguns países» disse Vítor Constâncio, vice-presidente do (BCE) e ex-ministro anexo em serviço no BdP, numa conferência em Viena. Supondo que na geografia do ex-ministro anexo o sudoeste da Europa é a parte sul do lado oeste, podemos considerar que este seu deslize é um reconhecimento da sua inacção e negligência enquanto presidente do BdP?

15/11/2010

A maior miséria é quando os pobres nos oferecem esmolas

Ramos-Horta, o presidente de Timor-Leste, ofereceu-se para o Fundo Petrolífero timorense comprar dívida pública portuguesa «se Portugal estiver interessado nisso» - é claro que Portugal Sócrates está interessado nisso, pois se até aos chineses foi oferecer participações e dívida. Se o Botas ressuscitasse, morreria de vergonha uns segundos depois.

NÓS VISTOS POR ELES: Usar o sol para corar as políticas

Falando de energias renováveis, Olivier Drücke, presidente da Federação Europeia da Indústria Solar Térmica, diz que «Portugal não está a fazer mais do que outros países, usando o calor das renováveis para lavar as suas políticas … é um país cheio de sol, mas não tem uma estratégia sistemática de como entrar na era solar».

Não bastam as multidões de comentadores e de blogueiros queirosianos, também estes estrangeiros nos apontam o dedo, em vez de darem brilho ao ego lusitano e assim melhorar a nossa auto-estima.

[Corar a roupa foi uma operação corrente no tempo em que se lavava a roupa suja nos ribeiros, sem usar lixívia, e consistia em branqueá-la ao sol depois de devidamente esfregada com sabão azul e batida nas pedras.
Como todos sabemos, na raiz do processo de subdesenvolvimento em curso (PSEC) está o défice de auto-estima.]  

SERVIÇO PÚBLICO: Défice cognitivo

O Expresso publicou esta semana alguns exemplos dos resultados das provas de aferição do 6.º ano de Matemática e do 4.º e 6.º anos de Português. Aqui vão eles.


O défice cognitivo que esses exemplos mostram é muito mais grave do que o défice orçamental. Se começássemos a trabalhar hoje para o corrigir precisaríamos de uma ou duas gerações.

14/11/2010

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (31) – a cloaca inesgotável

É difícil imaginar uma criatura militante com um módico de integridade conseguir ler cada 6.ª Feira o rosário de alegadas golpadas envolvendo gente graúda do PS que o Sol publica regularmente. Desta vez são ainda as sequelas da operação Furacão, que passados tantos anos já deve ter virado brisa. São revelados pagamentos de 6 milhões de euros a quatro almas penadas (os Xis de 1 a 4) para olear a adjudicação da SCUT do Grande Porto à Mota-Engil (onde recorde-se presta serviços o antigo estradista Coelho) por um preço 40% superior ao da Ferrovial. O essencial da manobra passou-se nos tempos do governo Guterres I e derramou-se para os governos Guterres II e Barroso envolvendo possivelmente também gente do PSD.

E são também as sequelas da operação Face Oculta onde se conclui terem ocorrido manobras envolvendo Armando Vara, sempre ele, relacionadas com compras e permutas com uma engenharia tão sofisticada que eu confesso ter perdido a pachorra para a acompanhar.

Vou esperar mais algum tempo antes de me declarar admirador de António Mexia (2)

Escrevi aqui que, antes de me declarar admirador de Mexia, esperaria pela realização de um certo número de condições. Uma delas está a caminho de ser cumprida: Mexia ser presidente duma empresa sem golden share. Faltam as restantes: uma empresa sem o Estado como accionista, actuando num mercado concorrencial de bens ou serviços transaccionáveis, sem subsídios, uma empresa que não seja um quase monopólio.

Como o próprio Mexia em entrevista ao Sol reconheceu distraidamente, puxando a brasa à sardinha dos pontos fortes da EDP, esta tem «um perfil de resultados operacionais 80% regulados ou contratados a longo prazo, incluindo as renováveis», Reconheceu igualmente o colo do Estado cuja presença «tem sido positiva para a nossa capacidade de desenvolvimento». Em vão li avidamente até ao fim a entrevista esperando encontrar uma declaração de renúncia a 80% da sua remuneração por dispor de condições que põem a gestão da EDP ao alcance dum gestor apenas mediano.

13/11/2010

Pobres e mal agradecidos

Vão-se ouvindo umas vozes e vão-se vendo uns dedos apontando a Alemanha como a causa das nossas desgraças financeiras, a acrescentar aos especuladores, às agências de rating e a essa coisa tenebrosa dos mercados. Para além de toda a patetice subjacente, de uma enorme inconsciência e da incapacidade de assumir a responsabilidade pelas nossas acções e o nosso destino como povo que essa culpabilização demonstra, no caso da Alemanha, o maior contribuinte líquido da União Europeia e por isso o maior contribuinte para os milhares de milhões de euros que nos últimos 25 anos desbaratamos, mostra ainda uma ingratidão de adolescentes retardados que esperam que os pais lhes continuem a pagar a mesada até aos 30 anos.

DIÁRIO DE BORDO: Fractais da natureza (1)

Couve-flor romana, um vegetal fractal com um padrão que representa a espiral logarítmica de Fibonacci

Espanha retribui cortesia portuguesa à Grécia

«Ministra espanhola diz que Espanha está em muito melhor situação que Portugal». Este é o título do i online. A ministra Elena Salgado talvez não tenha sido tão explícita. Talvez só tenha dito o que El País lhe atribui: «frente a los serios problemas en Irlanda, Grecia y Portugal, Italia y España están sufriendo mucho menos». Seja como for, está apenas a tentar descolar da jangada de pedra que se afunda e, do mesmo passo, a retribuir, em nome dos gregos, a descolagem que o governo e as autoridades financeiras portuguesas fizeram em relação à situação da Grécia.

12/11/2010

Estado empreendedor (37) – a aterragem da Groundforce em Faro

A Groundforce, uma subsidiária da TAP, teve 12,2 milhões de prejuízos só no 1.º semestre no aeroporto de Faro, e vai agora encerrar a operação, despedindo mais de 300 empregados e pagando indemnizações estimadas em 11 milhões de euros.

Como é que se chegou a tantos milhões? Resposta: milhão a milhão, perante a inépcia da gestão pública.


Porquê encerrar a operação em Faro que impulsionada pela Ryanair cresceu 7% até Outubro? Resposta: «com a tendência das low cost para dominarem o tráfego em Faro, uma companhia como a Groundforce fica sem espaço». Porque fica sem espaço? Resposta: «uma vez que a contratação de handling por essas companhias envolve mais critérios que os da mera operação de assistência em terra a passageiros e aviões».

Para que serve a Groundforce? Resposta: «os contratos da Groundforce deverão passar para as mãos da Portway, empresa de assistência a bagagens detida pela ANA».

Qual é o contributo de um Estado que administra as suas empresas com esta incúria para modernizar a economia, estimular o crescimento, e todo o bla bla da narrativa socialista?

ESTADO DE SÍTIO: os parceiros de negócio do estado socialista (actualização)

Primeiro foi «Espanha, Espanha, Espanha». Depois foi Rússia e fez-se de Portugal a casa Venezuela. Seguiu-se Angola, mais recentemente Líbia, a seguir o Irão e por último a China que se espera empreste dinheiro ao Estado «social» falido, equilibre as relações comerciais, nos monte às cavalitas para entrar nos PALOP (onde já está há muito - seria preferível aproveitar a boleia deles), coopere com a banca, meta dinheiro no buraco do Millenium bcp e na EDP. Fazendo juz à sua energizante gestão, o energizante Mexia já mandou adaptar a bandeirinha da EDP.


É caso para gritar: fora o FMI, venha o PCC!  E a Coreia do Norte? Quando vamos ter os dois queridos líderes a confraternizar?

[Diferentemente do que se passou com as outras aproximações ao mundo totalitário, aparentemente quase só as empresas do complexo político-empresarial socialista se excitaram com as tretas socráticas. Será mais um sinal?]

11/11/2010

Lost in translation (70) – porque as nossas elites são incompetentes, negligentes e frequentemente corruptas, para sermos rigorosos

«Chamar o FMI é como dizer: Temos de chamar os inteligentes porque nós somos burros», disse o inefável espírito José Maria Ricciardi aos jornalistas. É certo que os portugueses são burros. Contudo, em rigor, é necessário explicar porque somos burros. Somos burros porque elegemos políticos e toleramos empresários e dirigentes incompetentes, negligentes e frequentemente corruptos. Somos tão burros que até consideramos (pelo menos alguns de nós consideram) como la crème de la crème empresarial quem mata o mensageiro por não gostar da mensagem. Ficamos a aguardar que, quando chegar a altura dos outros mensageiros trazerem a má nova, o BES os mate também.

[A degradação do rating do BES talvez resulte da Fitch ter olhado para o peso crescente da dívida pública portuguesa nos activos do BES e ter reparado no mismatch entre activos de médio e longo prazo e passivos (empréstimos do BCE) de curtíssimo prazo. Isto sou eu a especular.]

O (IM)PERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: O novo patrocinador dos lampiões


[Enviado por AB]

10/11/2010

CASE STUDY: Les Tea-partiers et the petits-enfants des soixante-huitards

«IT IS not hard, if you really try, to find good things to say about America’s tea-partiers. They are not French, for a start. France’s new revolutionaries, those who have been raising Cain over Nicolas Sarkozy’s modest proposal to raise the age of retirement by two years, appear to believe that public money is printed in heaven and will rain down for ever like manna to pay for pensions, welfare, medical care and impenetrable avant-garde movies. America’s tea-partiers are the opposite: they exhale fiscal probity through every pore. In their waking hours, and in bed at night, they are wracked by anxiety. How is a profligate America to cut borrowing, balance the budget and ensure that its billowing deficit will not place an unbearable burden on future generations?

The tea-partiers do not just have less selfish motives than the pampered French. They also have better manners. Let the French block roads and set things on fire: among tea-partiers it is a point of pride that their large but orderly rallies leave barely a crumpled candy wrapper behind them. Though some wear tricorn hats, and the movement takes its name from the Boston Tea Party, tea-partiers are peaceful folk. They take the view that one revolution was enough, and that the one America had in the 18th century established a constitution and form of democracy so near to perfect that they can get what they want without taking to the streets and just by working within the rules.
...
Not French, not fabricated and not as flaky as their detractors aver: these are the positives. Another one: in how many other countries would a powerful populist movement demand less of government, rather than endlessly and expensively more? Much of what is exceptional about America is its ideology of small government, free enterprise and self reliance. If that is what the tea-party movement is for, more power to its elbow.»

[Ler o resto aqui]

Lost in translation (69) – o BES tem condições para emprestar ao Estado acima dos 7%

Com a yield da dívida pública portuguesa a passar os 7%, limiar que Teixeira dos Santos recentemente considerou como o máximo admissível antes de chamar os bombeiros, o inefável espírito José Maria Ricciardi apressou-se a garantir que «Portugal tem condições para se financiar a 7%». Pelo menos enquanto o BCE aceitar como colateral as OT portuguesas e nos emprestar a 1%, esqueceu-se ele de acrescentar.

Por falar nisso, dando de barato a bondade da narrativa do bem-pensantismo nacional, porque não se dispõe o BES a emprestar dinheiro a 10 anos ao governo às taxas que paga ao BCE com um spread igual ao do crédito à habitação a 30 anos? O que seria um bom negócio e talvez lhes permitisse escapar ao labéu «abutres especuladores» de Miguel Sousa Tavares.

09/11/2010

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (30) – Puro prazer

Paulo Campos, secretário de estado adjunto das Obras Públicas, nomeou em 2005 e mais recentemente em 2009 dois dos seus amigos para a administração dos CTT e empresas participadas. Os três haviam sido gerentes da empresa produtora de espectáculos «Puro Prazer».

Este paradigma do novo situacionismo (*) corresponde a práticas que nos países democráticos, ainda que não expressamente proibidas por lei, são consideradas contaminadas pelo conflito de interesses e por isso condenáveis. E daí? Os fins prosseguidos por este social-situacionismo são apenas a procura do bem-estar dos seus membros.

(*) Esta expressão é um pouco ofensiva para os situacionistas do salazarismo onde estas situações ocorriam com menor frequência e sobretudo, ocorrendo, com muito maior pudor.

De boas más intenções está o inferno cheio (2)

Já era difícil perceber porque aumentaram as importações de electricidade 10 vezes nos últimos 8 anos depois de se torrar investimento em energias renováveis com subsídios que chegam a atingir 2 vezes o custo por unidade das energias convencionais. Fica ainda mais difícil entender como foi isto possível sabendo-se que as centrais térmicas a carvão e gás estão subutilizadas e que a sua produção caiu 30% nos primeiros 9 meses do ano, queda que vai ser custar aos consumidores com uma compensação de 305 milhões de euros aos produtores.

ESTADO DE SÍTIO: o governo tem RH negativo

Afinal as asneiras na preparação da proposta de OE devem-se a falta de quadros qualificados na direcção-geral do Orçamento que terá perdido nos últimos 5 anos 40% dos seus efectivos.

Seja. Nesse caso, o que se pode esperar duma organização que contrata milhares de incapazes nas listas de espera da agência de empregos socialista enquanto perde o seu pessoal técnico essencial? Espera-se que seja ela o motor do investimento, o catalisador da recuperação económica, o fermento da inovação? 

DIÁRIO DE BORDO: George W.

Depois de dois anos de um estilo frio e postiço de um político com pretensões intelectuais, muitos americanos já devem sentir a falta do homem que não é nem estúpido, como os democratas pintaram (já tinha feito o mesmo com Reagan), nem postiço, reconhece alguns erros e até poupa o seu sucessor que está em maus lençóis: «President Obama has plenty of critics and I'm just not going to be one».

08/11/2010

Mitos (23) – quem lucra com o aumento das taxas da dívida pública portuguesa são os especuladores

«É evidente que os celebérrimos “mercados” são apenas um bando de abutres especuladores, contra o euro ou contra países vulneráveis escolhidos a dedo que tiram todo o partido que podem da situação». Escrito assim (no Expresso) por Miguel Sousa Tavares, ou de forma parecida por outro, exprime um lugar-comum do bem-pensantismo nacional que não resiste cinco minutos a uma análise minimamente objectiva e se enreda numa insuperável contradição: porquê os «mercados» são agora um «bando de abutres especuladores» depois de terem sido durante anos um bando de pacíficas pombas que nos emprestarem dinheiro a juros de ocasião?

Seja como for, dando de barato a tese de MST e de muitos outros, perguntemos: e no caso português quem são concretamente esses abutres especuladores? Sabendo-se que faz meses que a banca internacional praticamente deserta os leilões da dívida pública, quem compra é essencialmente a banca portuguesa a quem o Estado pagará os juros às taxas que resultarem dos leilões. Banca portuguesa que se apressará a oferecer como colateral os títulos acabados de comprar para obter financiamento do BCE a taxas que são uma fracção das taxas que o Estado lhes pagará com o dinheiro dos sujeitos passivos. Moral da história, se uma história destas pudesse ter moral: os mais importantes abutres especuladores são os bancos portugueses.

CASE STUDY: Filho de peixe, peixinho é

Se é um facto estabelecido que a personalidade resulta da interacção do património genético e do ambiente (incluindo o ambiente uterino!) seria inconcebível que orientação sexual não fosse ela também resultante dessa interacção e, sendo-o, seria igualmente inconcebível que a orientação sexual dos pais adoptivos não influenciasse a orientação sexual dos filhos adoptivos. Inconcebível mas não impossível de ser adoptado como axioma pelos movimentos LBGT para conseguirem fazer passar a tese da adopção por casais homossexuais.

E no entanto, a investigação parece confirmar a simples dedução a partir dos mecanismos de formação da personalidade. Por exemplo este estudo (cheguei lá via blogue perspectivas) conclui que a probabilidade de crianças educadas por pais homossexuais serem também elas homossexuais é muito maior do que no caso de crianças educadas por heterossexuais, reduzindo esta tese homo a mais um axioma politicamente correcto – neste caso uma espécie de inversão dos postulados do biólogo oficial de Estaline Trofim Lysenko, mas igualmente no mesmo domínio da ciência de causas. Axioma muito conveniente para tentar justificar a aceitação da normalidade da homossexualidade e do casal homo e, talvez principalmente, para garantir a multiplicação da comunidade gay e o abastecimento de parceiros sexuais.

07/11/2010

SERVIÇO PÚBLICO: Entre os piores dos melhores

A juntar às más notícias da semana sobre a situação financeira e económica, com a publicação do relatório da ONU sobre o Desenvolvimento Humano ficámos a saber que descemos 6 lugares para o 40.º e antepenúltimo lugar do grupo de países com elevado desenvolvimento humano, atrás de quase todos os países da UE, à excepção de 4 países do falecido império soviético. É interessante verificar que perdemos 6 lugares apesar de o valor do IDH de Portugal ter subido em 2010 de 0,791 para 0,795. Num mundo global competitivo não melhorar o suficiente é piorar porque os outros países não ficam parados.

A decomposição do IDH em relação a Portugal evidencia a influência dos factores desigualdade na educação e desigualdade no rendimento – os valores ajustados do IDH são respectivamente 0,670 e 0,575, muito inferiores ao valor não ajustado (0,795). Em contrapartida estamos (em 2008) em 21.º no ranking no que respeita à desigualdade entre sexos, apesar das queixas dos soldados da batalha dos géneros sexos, sempre insatisfeitos.

Teria sido uma consolação para o colapso do estado social na sua versão socrática Portugal ter subido no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU. Falido o governo, insolventes muitas empresas e famílias, ajoujado o país sob o peso da imensa dívida contabilizada e suspeitada, não temos sequer o álibi da melhoria de qualidade de vida.

[Fonte: Human development statistical tables - Human Development Report 2010]

06/11/2010

De boas más intenções está o inferno cheio

Depois de 10 anos de investimento em energias renováveis com subsídios que chegam a atingir 2 vezes o custo por unidade das energias convencionais, alguém pode explicar-me porque aumentaram as importações de electricidade 10-dez-10 vezes nos últimos 8 anos?

LA DONNA E UN ANIMALE STRAVAGANTE / CONDIÇÃO MASCULINA: Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Há 50 anos a maior parte das mulheres era doméstica e não usava a pílula. Faziam-se «desmanchos» e quem tinha posses ia Londres. Uma pequeníssima minoria frequentava a universidade. Faltavam uns 14 anos para as Novas Cartas Portuguesas serem publicadas e Maria Teresa Horta ainda não tinha queimado o sutiã. Segundo a narrativa feminista as mulheres não tinham os mesmos direitos dos homens (confirmo) e eram geralmente infelizes (as opiniões dividem-se). Havia 2 divórcios em média por dia.

Hoje apenas uma pequena minoria de mulheres é doméstica (agora chamam-se dondocas e têm um estatuto privilegiado) e podem tomar as pílulas ex ante e ex post que lhes aprouver. O SNS oferece abortos grátis com o dinheiro dos sujeitos passivos. As mulheres frequentam a universidade quase em igual número dos homens e constituem a maioria dos graduados. As Novas Cartas Portuguesas são literatura para a terceira idade e vários canais de televisão mostram sexo explícito a horas em que os infantes estão agarrados à PS3 (supõe-se). Segundo a narrativa feminista as mulheres ainda não têm os mesmos direitos dos homens (as opiniões dividem-se) e ainda são frequentemente infelizes (confirmo). Hoje há 72 divórcios em média por dia (segundo uma amiga que sabe destas coisas, por vezes a coisa não aguenta até à chegada das fotos ou até ao regresso da viagem de núpcias).

[Dados citados aqui]

Sinais de decomposição (ou dissolução pela benzina de Eça?)

Governo engana-se em 830 milhões de euros

Autarquias camuflam prejuízos de mil milhões das empresas municipais

«Teixeira dos Santos: "PT está a querer fugir aos impostos"»

«Campos e Cunha: Teixeira dos Santos ou mentiu ou foi incompetente»

«Como Teixeira dos Santos cometeu "uma ilegalidade" em Novembro, segundo ele próprio em Setembro» (a respeito da PT)

«Governo erra na CGA, Segurança Social e EU»

«Saúde diz que pagamento da ADSE explica buraco de 500 milhões. Ministra deixa deputados sem saber o défice, a dívida e os planos de corte no SNS.»

«Já não há bancos estrangeiros nos leilões de dívida portuguesa »

«Manuela Arcanjo diz que no lugar de Teixeira dos Santos já se tinha demitido»

«Não tenho nada contra José Sócrates. Se ele se limitasse a ser um vendedor de automóveis. Mas ele é primeiro-ministro e está a dar cabo do meu país. »(Entrevista a Henrique Neto no JN)

05/11/2010

O advogado do regime. Evidentemente

«"Evidentemente que [António Mota] teria de ser constituído arguido para poder prestar declarações em representação da empresa no processo [Operação Furacão], que está no fim e é para ser encerrado", afirmou Daniel Proença de Carvalho, à saída do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), em Lisboa.» [DN]

Evidentemente. Evidentemente o advogado do  construtor do regime teria que ser o advogado do regime.

Bons exemplos (4)

Apesar do défice previsto para 2010 ser (apenas) 5,3%, o governo da República Checa parece estar mais para o lado de matar o touro antes da tourada, não seguindo o exemplo da Espanha que mata o touro durante a tourada e muito menos o de Portugal que mata o touro depois da tourada, isto para usar o exemplo tauromáquico da Economist comparando a lide orçamental de Zapatero com a de Sócrates. Na 3.ª feira o parlamento checo aprovou um conjunto de medidas de consolidação orçamental que inclui cortes em benefícios fiscais e ajudas sócias e a redução de 10% dos salários da função pública.

Outro bom exemplo é o dos governos inglês e francês que decidiram poupar recursos e dinheiro constituindo uma força militar conjunta de 5.000 homens (e mulheres, supõe-se) de cada país, partilhar porta-aviões adaptados para usarem aviões dos dois países e cooperar em vários outros domínios de segurança e armas nucleares. Aqui fica a ideia para o senhor engenheiro usar a sua alegada intimidade com o senhor Zapatero para combinar usar e pagar os submarinos em conjunto.

Esclarecimento em intenção de algum esquerdalho perdido que passe por aqui:
No (Im)pertinências não ficamos excitados com as dietas de emagrecimento. Ficámos excitados com a incompetência, incúria, desleixo e, nalguns casos, corrupção de alguns governos europeus, e em particular o de José Sócrates, que durante a última década engordaram o Estado, os burocratas, os aparelhistas e os empresários amigos comprometendo o futuro dos respectivos países.

O (IM)PERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: Inglês técnico

Berlusconi, Sarkozy and Sócrates were told to compose a sentence with the words GREEN, PINK, and YELLOW.

Berlusconi: “I wake up, see the YELLOW sun, see the GREEN grass, and I think to myself: I hope it will be a PINK Day.”

Sarkozy: “I wake up, eat a YELLOW banana, a GREEN pepper, and I watch the PINK panther on TV.”; and, finally Sócrates:

“I wake up, I hear the phone GREEN GREEN GREEN, I PINK up the phone and I say: YELLOW!”
[Enviada por AB]

04/11/2010

BREIQUINGUE NIUZ: Here we go, again

Portugal Yields Spike, Spain Bond Sale Goes Well

BREIQUINGUE NIUZ: Alegre faz campanha por Cavaco

«O candidato à Presidência da República Manuel Alegre considerou hoje que Cavaco Silva afinal “não é um político e não gosta da política”, acusando-o de, através do Facebook, ter atacado a classe “mais uma vez”.» (Público)

A diferença entre ser bom e vender-se bem (2)

António Horta Osório não é apenas provavelmente o gestor português mais capaz e com maior notoriedade internacional, o que já é imenso. António Horta Osório, tudo indica, tem igualmente uma qualidade pouco abundante nos meios domésticos da alta gestão: integridade. Foi isso que mostrou durante os seus anos em Portugal ao manter-se à distância da partidocracia e desse pequeno círculo de vaidades e mediocridade das luminárias locais de gestão. Ao aceitar trocar a posição segura que tem num banco, que é uma sua criação em Inglaterra, pela responsabilidade dum banco com problemas sérios que assustariam 99 em cada 100 gestores domésticos e ao aceitar fazê-lo com um «corte substancial» na remuneração, mostra uma qualidade invulgar: o gosto pelo risco. Uma qualidade num país em que 999 em cada 1.000 gestores têm uma profunda aversão ao risco e se pelam por saltar para o colo do governo, para o colo de um grupo que está ao colo ou dá colo ao governo.

Declaração de desinteresse:
Não conheço António Horta Osório. Uma única vez, partilhei o mesmo voo Madrid-Lisboa e tomei nota que se encontrava sozinho carregando a própria pasta e, salvo erro, viajando na classe económica. No mesmo voo, uns quantos gestores inchados com a sua própria vacuidade viajaram em executiva com um ou dois acólitos para lhe levarem os papéis.

Apesar de ser uma nódoa, cairá fragorosamente. Só não se sabe quando

Há um aspecto curioso na entrevista de João Marcelino a Medina Carreira, citada aqui. É a mudança de posição do director do DN, até recentemente um incondicional de Sócrates (não esquecer que o JM trabalha para o amigo António Oliveira). Esta entrevista, ainda para mais feita por ele próprio, seria impensável há uns meses. É mais um sintoma da queda iminente de JS. Será um processo uniformemente acelerado - à medida que as luminárias percebem que a coisa não tem salvação ganham coragem e fazem declarações criando distâncias ou, os mais afoitos, caiem em cima de JS, na esperança de apanharem o próximo comboio ou pelo menos mudar para outra carruagem do mesmo comboio. Nessa altura a populaça, perdão os eleitores, espicaçados pela fome (em muitos casos apenas a falta de grana para comprar um plasma maior) manifesta-se ruidosamente e o edifício JS, ainda há pouco aparentemente tão robusto, ruirá estrondosamente. Devia sair com benzina, como explicou Eça, mas o homem vai dar luta.

SERVIÇO PÚBLICO: A governação socialista vista por quem não tem papas na língua

Excerto da entrevista a Medina Carreira ontem no DN

"(...) O primeiro-ministro não tem estratégia nenhuma na cabeça senão andar a fazer espectáculo e ir conciliando as circunstâncias para ver se vai durando. Aliás, este primeiro-ministro foi realmente uma desgraça para o País: nem tocou nos aspectos financeiros, nem tocou nos aspectos económicos (...)"


"(...) A chamada consolidação de que o ministro Teixeira dos Santos e o primeiro-ministro falam - "já fizemos uma, podemos fazer duas ou três" - não tem assento nenhum na realidade (...)"


"(...) Havendo menos rendimento, porque os salários baixam e os impostos aumentam, a população vai consumir menos. É a evolução natural (...)"


"(...) Quando chegarmos a 2013, saem as Scut e começam a entrar as parcerias público-privadas no Orçamento. Mil milhões, mil e seiscentos milhões, mil e quinhentos milhões todos os anos! Depois de termos isto arrumado, aparece a desarrumação. Nessa altura, é quase com certeza necessário outras medidas (...)"


"(...) O real problema é a economia. Não temos justiça que funcione, a nossa educação é uma miséria, a burocracia é um inferno, a corrupção (...)"


"(...) O Simplex foi importante, mas o meu amigo faz uma sociedade em 50 minutos e depois espera seis meses para lhe darem uma autorização para pôr um toldo ou para abrir a porta. Não há uma visão global. Este Governo é um Governo de fogachos. O Simplex é muito bom. E o resto?! (...)"


"(...) O mapa autárquico de mil oitocentos e tal não presta. Temos 30% de municípios com menos de dez mil habitantes... O que pagam de impostos não dá para o presidente da câmara, o chauffeur e a secretária! (...)"


"(...) 4500 freguesias é um disparate! E, no mapa autárquico, sabe porque não se mexe? Porque há presidentes de câmara que têm de ir tratar da vida para outro sítio. Não se faz nada que mexa em interesses! Empresas municipais - suprimir aí a eito (...)"


"(...) Não preconizo que se mexa no Estado Social, em pessoas com 300 euros de reforma, que já são uma desgraça. Mas é acabar com as despesas inúteis todas... Há coisas que deve ser o ministro das Finanças a autorizar. Os carros devem ser modelo médio para ministros, e têm de durar cinco ou seis anos. Quando fui ministro, tinha um carro recuperado da sucata da alfândega de Lisboa (...)"


"(...) O Ministério das Finanças não merece crédito! E o Ministério das Finanças era das coisas rigorosas que havia no País. Aquilo já é considerado uma barraca de farturas (...)"


"(...) Tenho muitas dúvidas sobre os governos dos dois partidos que podem governar Portugal... Estes governos foram tomados de assalto por gente sem vida profissional, que vai para ali só para andar atrás nos carros ou para arranjar negócios. Não quer dizer que não haja pessoas capazes, mas três capazes no meio de dez incapazes assusta-me (...)"


"(...) As pessoas dos partidos políticos vão para o topo para tratar da sua vida. Quando fui para o Estado, não fui para tratar da minha vida, porque perdi dinheiro durante vários anos! Ganhava cem contos por mês no meu escritório. E quando fui ministro ganhava trinta, três anos depois (...)"


"(...) Alegre diz que o Presidente não devia ter dito não sei o quê, porque estas campanhas são só de conversa, nunca se trata de nada de essencial! Se perguntar a Alegre como é que ele mantém o Estado social, não faz ideia nenhuma, como é óbvio. São campanhas só para cumprir prazo e formalidade legal; isto não presta para nada (...)"


"(...) Não me calo, fale quem falar! Estou ao serviço do País, e, portanto, não me calo de jeito nenhum, façam o que fizerem! O próprio primeiro-ministro queria também que eu e o Mário Crespo fôssemos "resolvidos" (...)"


"(...) Só vi José Sócrates uma vez na vida. Foi em casa de António Guterres há 20 anos. Não tenho nada contra ele, tenho-o como homem de Estado que é muito mais dado à forma do que à substância, muito mais dado à aparência do que à realidade. Ele julga que os problemas se resolvem por vontade. É um homem que deveria ser um bom treinador de futebol, um homem que diz "é preciso coragem, determinação e tal". O que é preciso é competência, ponderação, ser capaz de ouvir e de assumir - isso é que é um homem de Estado. Ele não é um homem de Estado! Ele está em trânsito numa função para a qual não tem nenhuma virtude desejável no nosso país.

03/11/2010

A diferença entre ser bom e vender-se bem

António Horta Osório actual presidente executivo do Santander em Inglaterra vai ser nomeado presidente do Lloyds Bank, que atravessa uma grave crise. É provavelmente o gestor português mais capaz e com maior notoriedade internacional que lhe advém dos resultados conseguidos em Portugal e, sobretudo, em Inglaterra. Tem sido uma pessoa discreta e durante o seu tempo como presidente executivo do Santander em Portugal a sua aparição na média era esporádica e nunca parece ter tido spin doctors a tratar-lhe da imagem.

Admito que António Mexia, um dos gestores mais venerados na média doméstica, poderia um dia chegar perto dos calcanhares de Horta Osório, caso fosse capaz de dedicar às empresas por onde tem passado o talento que despende com a gestão da sua imagem e o tempo que despende com a sua corte mediática, a cortejar os Espíritos e a conspirar com os poderes fácticos.

BREIQUINGUE NIUZ: Here we go, again

É possível enganar toda a gente durante algum tempo, é possível enganar alguns (os que confiariam a chave da casa a José Sócrates) toda a vida, não é possível enganar todos toda a vida. Um orçamento aprovado não chega. Será preciso muito mais do que isso: um PEC IV, …

DIÁRIO DE BORDO: Será Dilma o Dmitry de Lula?

Não quero insinuar que Dilma Rousseff é igual a Dmitry Medvedev e muito menos que Lula da Silva é igual a Vladimir Putin. Quero apenas admitir que Lula da Silva pode ter dito a Dilma Rousseff o mesmo que Vladimir Putin terá dito a Dmitry Medvedev: guarda-me aí o lugar que eu já volto.

DIÁRIO DE BORDO: O benefício da dúvida é mais difícil do que o prejuízo da certeza

Segundo uma sondagem da Aximage, 61% dos portugueses não confiaria a chave de casa a José Sócrates e só 39% a confiariam a Passos Coelho. Se há sondagens que dizem muito sobre os portugueses, esta é uma delas.

Vejamos a coisa de outro ângulo. Depois de 5 anos de meias verdades, mentiras, promessas não cumpridas, fortíssimos indícios de corrupção, indignidades várias e, sobretudo, de uma gestão desastrosa da coisa pública, ainda há 34% dos portugueses que confiaria a chave de casa ao primeiro-ministro. Sem carregar ainda o peso da governação, nem ter assumido responsabilidades governativas nem se lhe conhecerem indignidades comparáveis, já metade dos portugueses não a confiaria a Passos Coelho.

O que podemos concluir? Várias coisas e uma delas que para os portugueses o benefício da dúvida é mais difícil do que o prejuízo da certeza.

02/11/2010

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: Lesa-pátria

Convocados a semana passada para uma reunião com o CEO, cuja agenda ignoravam, os sindicalistas da TAP admitiram o «cenário terrível», o «crime de lesa-pátria», de lhes ser anunciada a privatização duma transportadora aérea que já custou aos contribuintes milhares de milhões de euros e cujo único valor acrescentado é manter empregos redundantes e excessivamente bem pagos.

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (29) – O trilema dos socialistas

Não deverá ser surpresa para ninguém o nome de José Sócrates ser referido 5 vezes no processo Face Oculta, mesmo depois de um conveniente expurgo - «o Ministério Público optou por não colocar no despacho final» outras referências.

Também não deverá ser surpresa para ninguém o convívio pacífico dos socialistas de todas as tendências com o estado de putrefacção em que se encontram as práticas do PS. O que me fez lembrar o trilema de Žižek, aqui citado pelo Impertinente, que neste caso se representaria assim:

01/11/2010

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Política energética hiperventilada

Secção Universos paralelos

O ministro da Economia afirmou na conferência da associação das energias renováveis que «não poderemos dar uma resposta sólida e sustentável ao problema do endividamento da nossa economia que não passe pela resolução do défice da nossa balança de produtos energéticos.» Para tal, será necessário «o reforço da produção energética de matriz renovável».

Imaginemos por um momento que Portugal deixava de importar combustíveis reduzindo em consequência, segundo os seus cálculos, o défice da balança comercial entre 2,5% e 5% do PIB e que, por um qualquer milagre, seria tecnicamente possível substituí-los por energias renováveis. Admitindo que esse incremento seria conseguido à custa da energia eólica, imagine-se o que seria o governo subsidiar o custo do kW/h num valor duplo do preço da energia eléctrica convencional, como o faz actualmente, para produzir uma quantidade suficiente para substituir os 40% de energia eléctrica com origem em gás natural e carvão e, já agora, para produzir a energia eléctrica adicional para carregar as baterias dos veículos eléctricos que, entretanto por qualquer outro milagre, substituiriam os veículos com motor convencional.

Se o ministro Vieira da Silva quer mesmo utilizar a política energética para reduzir o endividamento seria melhor propor a substituição das energias renováveis fortemente subsidiadas por energias de fontes convencionais. Por se arriscar a matar a saudade que nos vem moendo do seu antecessor Manuel Pinho, leva o ministro cinco chateaubriands por este refinado exercício de hiperventilação.

NÓS VISTOS POR ELES: A verdade sobre Portugal segundo a Pravda

Se não é de Portugal, então deve ser da União Europeia

«Foram tomadas medidas draconianas esta semana em Portugal pelo Governo "socialista" (só em nome) de José Sócrates, um caso de um outro governo de centro-direita/direita pedindo ao povo Português a fazer sacrifícios, um apelo repetido vezes sem fim a esta nação trabalhadora, sofredora, historicamente deslizando cada vez mais no atoleiro da miséria.
E não é porque eles são portugueses. Vá ao Luxemburgo, que lidera todos os indicadores sócio-econômicos, e você vai descobrir que doze por cento da população é português, o povo que construiu um império que se estendia por quatro continentes e que controlava o litoral desde Ceuta, na costa atlântica, tornando a costa africana até ao Cabo da Boa Esperança, a costa oriental da África, no Oceano Índico, o Mar Arábico, o Golfo da Pérsia, a costa ocidental da Índia e Sri Lanka. E foi o primeiro povo europeu a chegar ao Japão….e Austrália.
Esta semana, o Primeiro Ministro José Sócrates lançou uma nova onda dos seus pacotes de austeridade, corte de salários e aumento do IVA, mais medidas cosméticas tomadas num clima de política de laboratório por acadêmicos arrogantes e altivos desprovidos de qualquer contato com o mundo real, um esteio na classe política elitista Português no PSD/PS, gangorras de má gestão política que têm assolado o país desde a Revolução de Abril de 1974.
O objectivo? Para reduzir o défice. Por quê? Porque a União Europeia assim o diz. Mas é só a UE?
Não, não é. O maravilhoso sistema em que a União Europeia deixou-se a ser sugado é aquele em que as agências de Ratings, Fitch, Moody's e Standard and Poor's, baseadas nos EUA (onde havia de ser?) virtual e fisicamente controlam as políticas fiscais, económicas e sociais dos Estados-Membros da União Europeia através da atribuição das notações de crédito.
Com amigos como estes organismos, e Bruxelas, quem precisa de inimigos?
Sejamos honestos. A União Europeia é o resultado de um pacto forjado por uma França tremente e com medo, apavorada com a Alemanha depois que suas tropas invadiram seu território três vezes em setenta anos, tomando Paris com facilidade, não só uma vez mas duas vezes, e por uma astuta Alemanha ansiosa para se reinventar após os anos de pesadelo de Hitler. França tem a agricultura, a Alemanha ficou com os mercados para sua indústria.
E Portugal? Olhe para as marcas de automóveis novos conduzidos por motoristas particulares para transportar exércitos de "assessores" (estes parecem ser imunes a cortes de gastos) e adivinhem de qual país eles vêm? Não, eles não são Peugeot e Citroen ou Renault. Eles são Mercedes e BMWs. Topo-de-gama, é claro.
Os sucessivos governos formados pelos dois principais partidos, PSD (Partido Social Democrata, direita) e PS (Socialista, de centro-direita), têm sistematicamente jogado os interesses de Portugal e dos portugueses pelo esgoto abaixo, destruindo sua agricultura (agricultores portugueses são pagos para não produzir) e sua indústria (desapareceu) e sua pesca (arrastões espanhóis em águas lusas), a troco de quê? O quê é que as contra-partidas renderam, a não ser a aniquilação total de qualquer possibilidade de criar emprego e riqueza em uma base sustentável?
Aníbal Silva, agora Presidente, mas primeiro-ministro durante uma década, entre 1985 e 1995, anos em que estavam despejando bilhões através das suas mãos a partir dos fundos estruturais e do desenvolvimento da UE, é um excelente exemplo de um dos melhores políticos de Portugal. Eleito fundamentalmente porque ele é considerado "sério" e "honesto" (em terra de cegos, quem vê é rei), como se isso fosse um motivo para eleger um líder (que só em Portugal, é) e como se a maioria dos restantes políticos (PSD/PS) fossem um bando de sanguessugas e parasitas inúteis (que são), ele é o pai do défice público em Portugal e o campeão de gastos públicos.
Sua “política de betão” foi bem concebida, mas como sempre, mal planejada, o resultado de uma inepta, descoordenada e, às vezes inexistente localização no modelo governativo do departamento do Ordenamento do Território, vergado, como habitualmente, a interesses investidos que sugam o país e seu povo. Uma grande parte dos fundos da UE foram canalizadas para a construção de pontes e auto-estradas para abrir o país a Lisboa, facilitando o transporte interno e fomentando a construção de parques industriais nas cidades do interior para atrair a grande parte da população que assentava no litoral.
O resultado, concreto, foi que as pessoas agora tinham os meios para fugirem do interior e chegar ao litoral ainda mais rápido. Os parques industriais nunca ficaram repletos e as indústrias que foram criadas, em muitos casos já fecharam.
Uma grande percentagem do dinheiro dos contribuintes da UE vaporizou em empresas e esquemas fantasmas. Foram comprados Ferraris. Foram encomendados Lamborghini. Mazerati. Foram organizadas c açadas de javalí em Espanha. Foram remodeladas casas particulares. O Governo e Aníbal Silva ficou a observar, no seu primeiro mandato, enquanto o dinheiro foi desperdiçado. No seu segundo mandato, Aníbal Silva ficou a observar os membros do seu governo a perderem o controle e a participarem. Então, ele tentou desesperadamente distanciar-se do seu próprio partido político.
E ele é um dos melhores.
Depois de Aníbal Silva veio o bem-intencionado e humanitário, António Guterres (PS), um excelente Alto Comissariado para os Refugiados e um candidato perfeito para o Secretário-Geral da ONU, mas um buraco negro em termos de (má) gestão financeira. Ele foi seguido pelo diplomata excelente, mas abominável primeiro-ministro José Barroso (PSD) (agora Presidente da Comissão da EU, “Eu vou ser primeiro-ministro, só que não sei quando”) que criou mais problemas com seu discurso do que ele resolveu, passou a batata quente para Pedro Lopes (PSD), que nunca tinha qualquer hipótese de governar (não viu a armadilha), resultando no horror de dois mandatos do José Sócrates, um Ministro do Ambiente competente mas ...
As medidas de austeridade apresentado por este…senhor...são o resultado da sua própria inépcia como primeiro-ministro no período que antecedeu a última crise mundial do capitalismo (aquela em que os líderes financeiros do mundo foram buscar três triliões de dólares de um dia para o outro para salvar uma mão cheia de banqueiros irresponsáveis, enquanto nada foi produzido para pagar pensões dignas, programas de saúde ou projetos de educação).
E, assim como seus antecessores, José Sócrates demonstra uma falta de inteligência emocional, permitindo que os seus ministros pratiquem e implementem políticas de laboratório, que obviamente serão contra-producentes. Pravda.Ru entrevistou 100 funcionários, cujos salários vão ser reduzidos. Aqui estão os resultados:


  • Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou trabalhar menos (94%)
  • Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou fazer o meu melhor para me aposentar cedo, mudar de emprego ou abandonar o país (5%)
  • Concordo com o sacrifício (1%)
Um por cento. Quanto ao aumento dos impostos, a reação imediata será que a economia encolhe ainda mais enquanto as pessoas começam a fazer reduções simbólicas, que multiplicado pela população de Portugal, 10 milhões, afetará a criação de postos de trabalho, implicando a obrigatoriedade do Estado a intervir e evidentemente enviará a economia para uma segunda (e no caso de Portugal, contínua) recessão. Não é preciso ser cientista de física quântica para perceber isso. O idiota e avançado mental que sonhou com esses esquemas, tem resultados num pedaço de papel, onde eles vão ficar. É verdade, as medidas são um sinal claro para as agências de ratings que o Governo de Portugal está disposto a tomar medidas fortes, mas à custa, como sempre, do povo português.
Quanto ao futuro, as pesquisas de opinião providenciam uma previsão de um retorno para o PSD, enquanto os partidos de esquerda (Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português) não conseguem convencer o eleitorado a votar em excelentes ideias e propostas concretas. No caso do PCP, é melhores salários, maior produção, a diversificação da economia e, basicamente, o respeito pelas pessoas que têm apoiado essa absurda e demente governação PSD/PS durante décadas. PCP: Um excelente produto sem um departamento de vendas capaz.
Só em Portugal, a classe elitista dos políticos PSD/PS seria capaz de punir o povo por se atrever a ser independente. Essa classe, traidora, enviou os interesses de Portugal no ralo, pediu sacrifícios ao longo de décadas, não produziu nada e continuou a massacrar o povo com mais castigos. Esses traidores estão levando cada vez mais portugueses a questionarem se deveriam ter sido assimilados há séculos, pela Espanha.
Que nojento e ao mesmo tempo, que convidativo, o ditado português “Quem não está bem, que se mude”. Certo, bem longe de Portugal, como todos os que possam, estão fazendo. Bons estudantes a jorrarem pelas fronteiras fora. Que comentário lamentável para um país maravilhoso, um povo fantástico, e uma classe política abominável (do centro, à direita). Quanto à esquerda, ainda existe a divisão, e a falta de marketing

Timothy Bancroft-Hinchey
Pravda.Ru