Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

30/05/2009

A via rápida de bestial para besta (3)

Aparte as particularidades domésticas, os casos de Rendeiro & Loureiro, no que respeita ao trânsito do Olimpo mediático para o reino de Hades da comunicação social, são relativamente vulgares no mundo dos negócios da política e da política dos negócios. O que nos distingue é mais a pequenez dos casos, a sanha invejosa e a ausência de consequências penais, quando estão em causa comportamentos ilícitos, substituídas pela condenação na praça pública.

Sem me esforçar muito, lembro-me de vários casos globais, por assim dizer. Dos menos recentes, entre os muitos possíveis aqui listados pelo (Im)pertinências, cito Kenneth Lay, Chairman e CEO da Enron, preso depois de ter sido considera durante anos um modelo de homem de negócios. Dos mais recentes, Madoff reverenciado durante décadas como um guru das finanças; Ken Lewis, CEO do BofA, caído em desgraça no ano seguinte a ter sido eleito o banqueiro do ano; Angelo Mozilo do Countrywide, banco de crédito imobiliário falido, vilipendiado pouco depois de ter recebido o prémio «lifetime of achievement».

Entre os casos mais notáveis, encontra-se a Société Génerale, o gigante financeiro francês, durante décadas apontado como um modelo de risk management até receber 11 mil milhões de dólares de CDS pagos pelos contribuintes americanos via bailout da AIG.