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01/06/2005

SERVIÇO PÚBLICO: «fiquei aterrado», disse ele

Por vezes, eu próprio tenho dúvidas sobre a sanidade da minha aversão ao estado napoleónico-estalinista. Admito-o. Mas a dúvida é passageira. A coisa nunca é tão má à primeira vista que não possa ainda piorar à segunda.

Como agora com as «linhas orientadoras da Educação Sexual em Meio Escolar» contra as quais tentei convocar uma insurreição, sem sucesso.

Sem sucesso, por várias razões: o fim do Ramadão de 11 anos dos lampiões, que tornou inúteis para qualquer propósito sério 6 milhões de portugueses, pelo menos até ao final da próxima época; o desgosto inconsolável dos dragões; a depressão acomodada dos lagartos; a alegria dos sadinos que já não molhavam a sopa há décadas; o fim de semana prolongado - uma espécie de Xanax para esquecer o fim da prosperidade anunciado pelo engenheiro Sócrates.

Já depois de constatar o falhanço da convocação, li na página 6 do primeiro dos inúmeros cadernos do Expresso uma «carta aberta aos pais portugueses» (*) de William Coulson, um emplastro arrependido que participou na fabricação da técnica da «clarificação de valores» com que um equipa de lunáticos do politicamente correcto avant la lettre arruinou a saúde mental de centenas de jovens e adultos.

Segundo o próprio Coulson nos informa, «em novembro de 2004 estive em Portugal a estudar os materiais de educação sexual enviados para as escolas em 2000. Fiquei aterrado. Talvez não haja em todo o mundo um currículo mais influenciado pelas ideias que eu e Carl Rogers testámos nos anos 60

Se ele ficou aterrado, como devemos ficar nós?

ESCLARECIMENTO
Apesar do tom apologético e de pouca seriedade científica da carta de William Coulson, o relato das experiências mengelianas em que participou é suficientemente preocupante para se ficar arrepiado ao pensar no que seria esse modelo aplicado pelos nossos analfabetos doutores mengeles nas escolas desse país.

(*) Link não disponível; ver outra referência aqui

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