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06/06/2005

BREIQUINGUE NIUZ: mais vale nunca do que tarde

O que terá levado o engenheiro Sócrates a anunciar, no estádio dos lampiões, que «os funcionários públicos e os titulares dos cargos políticos vão deixar de poder acumular vencimentos e pensões de reforma na íntegra»? (Público)

Só agora, três meses depois? Não cheira um bocado a cedência à gritaria nos média (e na Bloguilha)? Não faz lembrar o consolado do engenheiro Guterres?

A acumulação é ilegal? Não parece. É eticamente reprovável? Depende dos pontos de vista, mas porque precisou o primeiro-ministro de 3 meses para concluir isso?

Na minha modesta opinião, o que está em causa não é essencialmente uma questão ética, mas uma questão política. O governo, ou uma qualquer luminária assessora, tinha obrigação de saber que tomou posse no país mais colectivista e num dos países mais femininos da Europa. Um país onde a pertença a um grupo (família, classe social, partido, clube) é mais importante do que o indivíduo, e um país onde o ciúme, a inveja, o gosto pelo desgraçadinho, o ódio ao bem sucedido, são os paradigmas nacionais.

É por isso que, não em nome duma discutível ética, mas em nome do mais elementar pragmatismo e eficácia políticas, os ministros em causa deviam ter deixado cair as «pensões» ou os vencimentos de ministro. Não o fizeram na altura própria e isso forneceu o combustível para a fornalha onde os lóbis os tentam torrar, apesar modéstia das medidas de contenção da dieta da vaca marsupial pública.

Tenho dúvidas que consigam recuperar das dentadas cruzadas dos lóbis e da esquerdalhada?

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