Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

20/06/2004

ESTÓRIA E MORAL: Depois do quadrado de Aljubarrota, o rectângulo de Alvalade

Estória

Em 1384, estando iminente a transferência dos centros de decisão de Lisboa para Castela, o Mestre de Avis, Dom João, filho bastardo de Dom Pedro, encabeçou a revolta contra Leonor Teles e o seu amante galego, por um lado, e contra Dom João I de Castela e sua mulher Dona Beatriz, filha de Dom Fernando, por outro.

Depois da morte do Conde de Andeiro às mãos do Mestre de Avis, da fuga de Leonor Teles para Castela, e após várias escaramuças, tem lugar a batalha decisiva de Aljubarrota. Em Aljubarrota, Nuno Álvares Pereira (outro bastardo), com a célebra táctica do quadrado, mais tarde copiada por Bonaparte (Napoleão), diz-se, e a ajuda de arqueiros ingleses, derrotou as tropas castelhanas invasoras.

620 anos depois, estando iminente, outra vez, a transferência dos centros de decisão de Lisboa para Madrid, Barcelona, etc., temos, no lugar da Leonor Teles, o engenheiro Guterres, que fugiu do pântano para o limbo da política. Os seus vários condes de Andeiro estão a fazer de mortos, à espera da ressureição em 2006. O Mestre de Avis foi substituído pela dupla Cherne/doutor Sampaio. No lugar de Nuno Álvares, passámos a ter o brasileiro Luís Felipe Scolari. Trocámos o quadrado de Aljubarrota pelo rectângulo de Alvalade.

Estamos obviamente em pior situação, mas o que mais me preocupa é a falta dos arqueiros ingleses.

Moral

«Hegel observa em uma de suas obras que todos os factos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa.»
[O 18 Brumário de Luís Bonaparte, Karl Marx]



[Esboços de Scolari, encontrados nos seus aposentos, no coio dos lagartos, em Alcochete]

Sem comentários: