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12/06/2004

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (5º capítulo).

Os cadernos de saúde dos semanários são uma fonte inesgotável para o conhecimento das doenças dos portugueses. A eles tenho recorrido intensamente, como aqui, aqui, aqui e aqui.

O ponto de situação: 4 milhões hipertensos, 38% com reumatismo ou artrite, 15 a 20.000 com parkinsonismo, 130 mil homens com cancro na próstata, 200.000 fibromiálgicos e milhão e duzentos mil com fadiga crónica (estimativa do Impertinências), 4.000 electricistas com doenças profissionais, 30.000 portugueses que sofrem dos intestinos, 14 milhões de dias de baixa por ano devido a problemas respiratórios.

A estes números podemos acrescentar esta semana 15 a 20% da população com prurido, vermelhidão e lacrimejo na primavera, 4.000 (1 em cada 2.500 pessoas) que sofrem duma das mais de 40 doenças neuromusculares e 1.500 crianças com doenças reumáticas de causa desconhecida.

Algumas profissões, como os já citados electricistas, parecem mais vulneráveis à doença. É o caso das 2.621 almas policiais e administrativas que se encontram inscritas na folha de pagamentos da Judite, que têm por ano 44.000 dias de falta por doença (15 dias por ano e alma). Saber que o director da PJ já anunciou um gabinete de apoio psicológico para é uma boa notícia - mens sano in corpore sano.

Quando escrevo estes posts dedicados à doença, lembro-me do doi-me +, que depois duma crise de flatulência foi internado numa clínica psiquiátrica. Desejo-lhe um rápido restabelecimento.

Lembro-me também do Movimento pelo Doente e da sábia pergunta que se pode encontrar no seu site: «o Sistema Nacional de Saúde em Portugal enferma de graves deficiências?» Sem dúvida, respondo. O SNS está gravemente doente.

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