Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
A apresentar mensagens correspondentes à consulta maldição da tabuada ( ) ordenadas por data. Ordenar por relevância Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta maldição da tabuada ( ) ordenadas por data. Ordenar por relevância Mostrar todas as mensagens

30/06/2026

Crónica da passagem de um governo (56b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 56a)

Os malefícios da falta de concorrência

Uma da maiores falhas na construção do mercado único europeu é o sector de serviços onde está quase tudo inalterado, com excepção do tímido passo da Directiva FOS (Livre Prestação de Serviços). Uma das consequências práticas é que não há um mercado único de serviços, há 27 mercados nacionais num sector em que os obstáculos à concorrência são grandes, mesmo dentro do mesmo mercado nacional, devido à limitação pela dimensão e à granulosidade que impede a comparação entre serviços (exemplo entre muitos outros: na advocacia a diversidade dos quadros legais e regulamentares e das práticas jurídicas impedem praticamente a concorrência entre profissionais de países diferentes). Essa fragmentação dos mercados de serviços tem várias consequências, como seja a dificuldade dos operadores ganharem dimensão e melhorarem a qualidade dos serviços e a sua produtividade e a falta de concorrência com efeitos directos no nível dos preços.


O diagrama acima, extraído do relatório do FMI sobre Portugal, mostra bem como o impacto do aumento do preço dos serviços em Portugal é o factor determinante na inflação subjacente (core inflation).

A maldição da tabuada

Repetindo-me, a dificuldade com os números é uma realidade recorrente no Portugal dos Pequeninos, em geral, e em particular nos “gestores” (vejam-se numerosos exemplos na etiqueta “a tabuada faz muita falta”). No caso dos políticos, com poucas excepções, da teoria dos números só conhecem os imaginários. No caso das instituições, um exemplo recente é o de uma instituição cujo propósito é, precisamente, lidar com os números do Portugal dos Pequeninos, incluindo as Estatísticas Demográficas cuja edição de 2024 o INE ainda não publicou por ainda não ter todos os dados demográficos, nomeadamente os da Agência para a Integração, Migrações e Asilo.

Finalmente com atraso de anos, o INE informou-nos do resultado da irresponsabilidade da política socialista de imigração, nos anos dos governos do Dr. Costa em que o expediente da “manifestação de interesse” permitiu uma entrada descontrolada de imigrantes que encontraram emprego, como aqui já escrevemos várias vezes, nos sectores com menor valor acrescentado, principalmente agricultura e turismo onde os imigrantes representam quase metade da mão-de-obra.

E, de repente, o elefante entrou na sala

Toda a gente deveria saber que a riqueza de um país resulta principalmente da produtividade dos seus trabalhadores, que esta não se altera aumentando os salários e que a produtividade do trabalho depende do valor dos bens produzidos, do número de trabalhadores envolvidos e do tempo de trabalho. Por isso, se a produção se mantém e o número de trabalhadores e/ou o tempo de trabalho aumentam, a produtividade desce e o país fica mais pobre.

Como há anos se vem escrevendo nesta oficina, a baixa produtividade tem sido o calcanhar de Aquiles do Portugal dos Pequeninos. Ainda há dias nestas crónicas se constatava a diferença de 14,6 pontos percentuais entre a produtividade portuguesa de 66,8% da média da UE e o salário médio que representa 81,4% dessa média.

mais liberdade

Pois bem, agora que são conhecidos os números da população residente corrigidos pela emigração, descobrimos que, em vez dos 10,7 milhões, somos 11,4 milhões, o resultado é que o PIB per capita PPP foi corrigido e Portugal caiu quatro lugares no ranking da UE, ou mais exactamente os portugueses perceberam que o seu país afinal era mais pobre o que imaginavam.

30/12/2025

Crónica da passagem de um governo (30)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Boa Nova

Em linha com as previsões do OE 2026, o Banco de Portugal reviu as previsões de crescimento do PIB para 2% este ano e 2,3% em 2026, crescimento à custa do aumento da despesa pública, da redução das taxas do BCE e da entrada dos dinheiros do PRR (a bazuca do Dr. Costa). Tudo isso e mais o turismo estão a dar pasto às vacas gordas.

Choque da realidade com a Boa Nova

Em Maio do ano passado, o governo anunciou o plano “Construir Portugal: uma Nova Estratégia para a Habitação” com 30 medidas para enfrentar a crise na habitação. Decorridos 20 meses, os preços de venda aumentaram cerca de 27% e o preço médio está perto de 250 mil euros.

Enquanto esperamos que o Portugal dos Pequeninos tenha «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não…

… colocar a funcionar a app gov.pt que se destinaria a substituir os documentos pessoais (cartão de cidadão, carta de condução, etc.), a qual, de cada vez que se acede, pede para se aceitar uma vez mais os “Termos e Condições” e, a maioria das vezes, fica a moer uns minutos e acaba no ecrã “Página Web não disponível”?

A maldição da tabuada

A dificuldade com os números é uma realidade recorrente no Portugal dos Pequeninos, em geral, e em particular nos “gestores” (vejam-se numerosos exemplos na etiqueta “a tabuada faz muita falta”). No caso dos políticos, com poucas excepções, da teoria dos números só conhecem os imaginários. No caso das instituições, um exemplo recente é o de uma instituição cujo propósito é, precisamente, lidar com os números do Portugal dos Pequeninos, incluindo as Estatísticas Demográficas cuja edição de 2024 o INE ainda não publicou por ainda não ter todos os dados demográficos, nomeadamente os da Agência para a Integração, Migrações e Asilo.

O governo AD também circula na autoestrada mexicana do investimento

O conceito de auto-estrada mexicana está aqui enunciado e a estória do investimento público como campo das manobras orçamentais do PS está aqui contada. O governo AD orçamentou um crescimento da ordem dos 30% e até ao final do 3.º trimestre o crescimento foi apenas 17%, executou apenas metade do investimento previsto. Está assim a garantir que continuamos a circular na mesma autoestrada.

O superavit deveria ser usado para reduzir a dívida pública

Na antevéspera do Natal o governo anunciou que o Pai Natal - ou seja, os contribuintes - lhe ofereceu um «excedente de cerca de 3 000 milhões de euros (3,8% do PIB) no 3º Trimestre» e que estava «confiante de que país terá um superavit no final deste ano de, pelo menos, 0,3% do PIB».

É claro que, com as vacas voadoras do Dr. Costa aterradas há mais de um ano, faria todo o sentido usar o superavit para reduzir a dívida pública antes da irremediável chegada das vacas magras. Faria, se o humilde superavit de 0,3% não viesse a ser conseguido à custa de uma execução do investimento público inferior ao orçamentado.

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS». A pulseira dourada e a IA

Até agora os “utentes” urgentes do SNS eram sujeitos a uma triagem por cores (Vermelho, Laranja, Amarelo, Verde, Azul) baseada na gravidade aparente dos sintomas, inspirada no Protocolo de Manchester. O governo iniciou agora um projecto-piloto no Hospital Amadora-Sintra para permitir reclassificar os “utentes” azuis, verdes e amarelos com um questionário que será analisado por um sistema de IA que preparará um plano de tratamento, permitindo reduzir de uma hora o tempo de espera médio de mais de 15 horas. Será o princípio da realização da profecia do ministro da Reforma do Estado, Dr. Matias, de que Portugal virá a ser «um líder mundial na IA»?

20/10/2025

Crónica da passagem de um governo (20)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos

O Conselho das Finanças Públicas (CFP) não partilha do optimismo do governo e prevê um crescimento do PIB em 2026 de 1,8% em vez de 2,3% e um défice de 0,6% em que o governo projecta um excedente de 0,1%. O FMI também não tem a fé do governo no crescimento e prevê 1,9% para 2025 e 2,1% para 2026, quando o governo prevê 2% e 2,3%, respectivamente. Eu apostaria nas previsões do CFP que não tem de ganhar eleições.

Vem a propósito acrescentar que os excedentes orçamentais se têm devido exclusivamente aos excedentes da Segurança Social (que na verdade não são excedentes, são apenas acréscimos das reservas para pagar as pensões no futuro) e estes excedentes em boa medida resultam das contribuições dos imigrantes. Sem a Segurança Social os défices do OE seriam sempre superiores a 2%.

E, por falar em Segurança Social, a CGA – o sistema de pensões da vaca marsupial pública –tem um buraco crescente que ano passado se pode estimar numa insuficiência de contribuições de 7 mil milhões de euros que tiveram de ser financiados pelo Estado.

Depois da engorda efectiva a dieta anunciada

Depois de ter atingido no 2.º trimestre 760,7 mil funcionários públicos, acrescentando mais 20 mil à abundante herança do Dr. Costa que em 8 anos aumentou em 85 mil, o governo prometeu no OE2026 congelar o número.

Boa Nova

O governo garante que o programa ‘Construir Portugal’ apresentado em maio de 2024 irá disponibilizar 145 mil casas até 2029.

Choque da realidade com a Boa Nova

Em matéria de investimento na habitação, que estava orçamentado em 1.299 milhões e apenas foram executados 868 milhões, por isso, ao governo AD também é aplicável do paradigma da auto-estrada mexicana. Foi mais um prego para o caixão da habitação, cujos preços estarão sobreavaliados em 35% segundo a CE (apud).

E eu a pensar que as reformas permitiriam reduzir a despesa pública…

O governo propõe-se gastar 1,6 mil milhões na reforma do Estado sucial até 2029, dos quais cerca de 80% até 2027. Quais serão os resultados desses milhões entornados em cima da gigantesca máquina burocrática ninguém sabe.

As reformas inadiáveis são as que visam aumentar o bem-estar dos funcionários

Por exemplo “repondo” (um verbo tipicamente socialista que significa voltar a conceder uma mordomia que o estado do Estado sucial não permitiria) três dias de férias que o programa de recuperação assinado pelo Eng. Sócrates para a troika emprestar dinheiro obrigou o governo PSD-CDS a suprimir.

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

A única certeza dos novos centros de elevado desempenho (CED) do SNS é que os obstetras e ginecologistas irão ganhar até mais 50% da remuneração-base. Quanto ao elevado desempenho, depois logo se vê.

Juízes em causa própria

Eu pensava que o papel do Tribunal de Contas seria fiscalizar a contabilidade pública, nomeadamente a realização da despesa pública e não o de ser mais uma instância hierárquica de decisão a somar às já existentes. Por isso, o plano do governo de limitar o papel do TdC à fiscalização parece-me ter sentido e, também por isso, a intenção soprada para os jornais do «Plenário do Tribunal de Contas aprovar na próxima quinta-feira um aviso sério ao Governo» por considerar que essa reforma seria um «retrocesso substancial nos mecanismos preventivos de combate à corrupção», parece relevar muito de luta pelo poder e pouco de combate à corrupção.

Além de outras infecções, a AIMA também sofre da maldição da tabuada

É certo que o governo socialista deixou um caos administrativo, ainda assim, é difícil perceber que a AIMA só em Abril conseguiu estimar em cerca de 1,6 milhões o número de imigrantes registados em Portugal no final de 2024 e seis meses depois concluiu afinal eram 1.543.697.

02/12/2024

Crónica de um Governo de Passagem (29)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
«You can’t manage what you can’t measure». A maldição da tabuada

Quem quer que tenha dito o aforismo citado, não foi escutado pelos governantes deste jardim à beira-mar plantado nem, ouso dizer, pela maioria dos seus habitantes, a começar pelos funcionários públicos, como no caso dos instalados no aparelho do ministério da Educação, que, disse o respectivo ministro, não foram capazes de contar os alunos sem aulas, fenómeno que os jornalistas de causas relataram como mea culpa do ministro que, pelos vistos, segundo eles, deveria ter circulado pelas mais de 4.500 escolas públicas básicas e secundárias para os contar.

Boa Nova?

Parece que o governo do Dr. Montenegro percebeu que a chamada crise da habitação não se resolve pelo lado dos subsídios e da procura, mas pelo lado da oferta e desse lado é crucial a disponibilidade de solos para construção e daí o sentido de alterar a chamada Lei dos Solos, o que o governo fez a semana passada. Falta saber se o fez bem e, sobretudo, se a implementará bem,

Quem te avisa teu amigo é

A Comissão Europeia olhou para o Draft Budgetary Plan for 2025 apresentado pelo governo português e fez umas quantas considerações e recomendações, nomeadamente para limitar o crescimento da despesa líquida, reduzir o endividamento, substituir as reduções de impostos sobre os combustíveis por apoios aos mais desfavorecidos, considerou o orçamento como expansionista, a política fiscal insuficientemente detalhada e assinalou a ausência de medidas para a sustentabilidade das segurança social. Mais do que o explícito, importa ter em conta o implícito que são os riscos resultantes das vulnerabilidades da economia portuguesa não resistirem aos tempos de vacas magras que se desenham no horizonte da UE com a Casa Branca ocupada por uma criatura instável.

Há quem diga que está em curso a vingança dos "PIGS". Porém, o "I" nunca saiu dos "PIGS" e os outros poderão voltar em breve

A propósito do estado das grandes economias europeias, da Alemanha em risco de recessão e da França à beira de uma crise orçamental e da dívida (a Itália continua encalhada no mesmo sítio há várias décadas), há umas almas que não disfarçam uma espécie de schadenfreude por, pensam essas almas, a situação se ter invertido e hoje estão entalados os que ontem olhavam com arrogância os "PIGS". É um grande engano por muitas razões e em especial duas: as economias de uns e de outros são bastante diferentes e com o nível de integração da UE as desgraças das maiores economias não tardarão a ser desgraças das outras. Por exemplo, a França e a Alemanha representam um quarto das exportações portuguesas, e o arrefecimento dessas economias já se faz sentir em Portugal em que só consumo interno está a aguentar o medíocre crescimento de 0,2% no 3.º trimestre que algumas outras almas celebram porque Portugal «está com as contas certas, está a crescer mais do que a média europeia» - recorde-se que as previsões de crescimento do PIB em 2024 são 0,9 % na UE e 0,8 % na área do euro.

04/08/2023

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (59) - Já não somos campeões da síndrome de Peter Pan (III)

Outros portugueses no topo do mundo. Sequela de Campeões da síndrome de Peter Pan (I) e (II

Um estudo da Pordata divulgado há dias concluiu que o ano passado 95% (o quarto valor mais elevado da UE) dos jovens entre os 15 e os 24 viviam com os pais, contra 86% em 2004. (fonte)

Por falar nisso, aproveitei para actualizar no quadro seguinte os valores do estudo do Eurostat que já tinha citado aqui.
Comparativamente com 2021, a percentagem de Peter Pans baixou de 33,6% para 29,7%, valor mais próximo dos valores de antes da pandemia que situaram ao redor do 29%. Talvez o valor discrepante de 2021 fosse resultante de um erro estatístico, o que no Portugal dos Pequeninos se pode considerar normal (afinal sofremos da maldição da tabuada). Seja como for, já não somos os campeões, o que neste caso devemos celebrar.

16/07/2023

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (74a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

O governo do Dr. Costa é o pior governo desde Dona Maria II…

… com a possível excepção dos governos da I República, nomeadamente do Partido Democrata, o proto-partido Socialista. É o veredicto impertinente.

Finalmente percebi o que significa «ética republicana». Parte 1 - «Rei, Capitão, Soldado, Ladrão»

O Dr. Capitão, o Secretário de Estado, agora demitido por ter contratado um ASPON fantasma e à época na comissão liquidatária da Empordef, foi questionado por um general que colocou reservas às contas da OGMA. Na falta de orientações do Dr. Capitão, o general abordou o Dr. Cravinho, o ministro da Defesa de então, que em resposta o demitiu sem mais delongas.

Finalmente percebi o que significa «ética republicana». Parte 2 - A família socialista é muito unida

Segundo o Expresso, geralmente uma fonte confiável para as intrigas da corte socialista, o substituto do Dr. Capitão será um sobrinho da ex-ministra e actual eurodeputada socialista Dr. Leitão Marques.

O Dr. Adão tem razão, malgré lui

O Dr. Adão, ministro da Cultura, que secretamente parece aspirar a ministro da Propaganda, escandalizou a oposição pelos comentários que fez à CPI da TAP. Com pouca razão. Sem ser exaustivo, eis alguns juízos com os quais é difícil não concordar: «há coisas que vi nesta comissão de inquérito que me inquietam como cidadão», «há uma interação entre a cobertura noticiosa da atividade política e o comentário político», «o que vejo é no PS é um conjunto de dirigentes e quadros de excelência que me faz dizer que a sucessão no PS não é um problema» (interpreto que ele queria dizer que o Dr. Costa pode ir embora descansado porque no PS há lá mais do mesmo).

O Dr. Costa puxa do seu diploma Summa cum laude da Mouse School of Economics e corrige Mme Lagarde (continuação)

Ontem mesmo, o outro contribuinte do (Im)pertinências deu mais um contributo par afundar a tese do Dr. Costa (e do Dr. Marcelo e do Dr. Montenegro) sobre o papel nos lucros como motor da inflação.

A maldição da tabuada

Depois de dois anos suspensos, os resultados do exame de Matemática do 9.º ano são os piores desde 2013 e mostram quase 60% de notas negativas e 20% tiveram a nota mínima.

De volta ao velho normal

O dinheiro de helicóptero da bazuca está a ser uma grande ajuda para a venda de automóveis topo de gama. No primeiro semestre as vendas da Porsche em Portugal aumentaram 34% e no segundo trimestre as da Tesla aumentaram mais de 80% e num país que representa menos de 1,5% do PIB da UE representam 4% do total europeu.

As bazucas estão entupidas. Devemos dar graças ao Senhor

O PT2020 ainda dura e foi prorrogado até ao fim de 2023. A execução do PT2030 é pior de sempre. Ainda bem porque já temos muitos Porsches e Teslas e se a grana fluísse mais rapidamente só iria incendiar a inflação com poucos benefícios para o investimento produtivo.

Choque da realidade com a Boa Nova

A linha circular do Metro de Lisboa que deveria estar terminada em 2024 tem um atraso de 30 meses.

Ferrovia 2020 está com atraso total em todos os troços de 27.355 dias.

O Vórtex é um paradigma do Bloco Central dos Golpes & Esquemas

Da operação Vórtex (mais um belo nome prantado pelo DIAP) saiu a acusação do Dr. Pinto Moreira, deputado do PSD (que cobrava 25 mil euros por «démarche») e o Dr. Miguel Reis do PS, ex-presidente da Câmara de Espinho, por 14 crimes.

(Continua)

12/09/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (31)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

O pacote do Dr. Costa seria um insulto à inteligência dos eleitores se…

… se eles percebessem que

(1) do aumento este ano de 7 mil milhões da carga fiscal que o Dr. Costa subtrairá a mais aos contribuintes, vai gastar 1,4 mil milhões ou 20% para “ajudar as famílias”;

(2) os 2,4 mil milhões do pacote de resposta à inflação (uma inflação que há três meses, segundo do Dr. Costa, não teria continuidade) são o equivalente ao dinheiro torrado para manter a TAP a voar;

(3) proporcionalmente à população dos respectivos países, esse pacote de 2,4 mil milhões é o equivalente a pouco mais de um quarto do grego, menos de um terço do espanhol e cerca de um terço do alemão;

(4) com a não actualização em 2024 com base nas pensões que resultariam da lei, o meio mês de pensão oferecido pelo governo em Outubro significa um corte permanente equivalente nas pensões futuras de 600 euros ou mais por ano.

«Empresa Financeiramente Apoiada Continuamente (pelo) Estado Central»

A EFACEC, nacionalizada por um governo do PS que sucedeu a outro governo do PS que havia facilitado a entrada de Isabel dos Santos, depois de inúmeros anúncios pelo Dr. Siza Vieira foi finalmente vendida em Abril ao grupo DST que «açambarca 1/4 do PRR para as empresas». Desde então, a operação está a ser avaliada pela DGComp que percebeu tratar-se não de um negócio de venda da EFACEC, mas de um auxílio do Estado à DST. De vez em quando, como agora, o governo anuncia que a coisa será resolvida «nas próximas semanas» .

Take Another Plan

E não é que o governo mudou mesmo de plano? Depois de ter renacionalizado a TAP comprando a participação dos “privados” e enterrado mais de dois mil milhões de euro no elefante branco, o governo diz que afinal querer vender a maioria do capital aos “privados”. E quem são os “privados”? Os spin doctors sopram para a imprensa amiga que poderá ser a Lufthansa ou a Air France/KLM, de modo que se inicia assim mais uma saga de spinning e anúncios que durará mais do que a vida deste governo.

«A educação é a nossa paixão». A falta transforma-se em fartura e vice-versa

Por um lado, faltam professores («havia cerca de 2500 turmas com pelo menos um professor por atribuir»), por outro sobram («mais de 500 professores do quadro sem turmas a uma semana do início das aulas», ou vice-versa.

O que me fez lembrar uma velha estória que já em tempos contei e agora recordo: era uma vez um responsável pelo plano quinquenal soviético que numa visita a Londres nos anos 30 se manifestou surpreendido pelo facto das padarias londrinas não parecerem ter dificuldade em abastecer de pão os londrinos e estes não pareciam ter dificuldades em abastecer-se, e quis conhecer o departamento do planeamento inglês que fazia um trabalho tão bom.

Choque da realidade com a Boa Nova

Após os incêndios de Outubro de 2017 foi anunciado com grande fanfarra a recuperação nos quatro anos seguintes dos 9 mil hectares do Pinhal de Leiria que arderam. Cinco anos depois há «um descampado gigante» e «mato seco que cresce desgovernado» (Público).

Com aliados destes, os países membros da NATO não precisam de inimigos

O governo português foi informado pela embaixada americana que estão «à venda na darkweb centenas de documentos enviados pela NATO a Portugal, classificados como Secretos e Confidenciais».

Nunca se fica a saber se é a maldição da tabuada ou o multiplicador socialista ou simplesmente a trafulhice

Em Setembro de 2021, o Dr. Leão estimou o custo até então das medidas de resposta à pandemia em 30 mil milhões de euros. Em Março deste ano Conselho das Finanças Públicas (CFP) estimou o custo dessas medidas no equivalente a 4% do PIB em dois anos ou seja menos de 8 mil milhões de euros, o que tornou o governo do Dr. Costa o que menos gastou no apoio a economia. No relatório de Maio, o mesmo CFP reavaliou para 5,13 mil milhões o total dessas despesas em 2020 e 2021, ou seja, cerca de um sexto do montante propagandeado pelo Dr. Leão.

De volta ao velho normal

Nos três meses terminados em Julho, as exportações aumentaram 35,3% e as importações 38,5%, relativamente ao período homólogo de 2021. Em consequência, o défice da balança comercial de bens aumentou 504 milhões de euros e não, não se deve exclusivamente ao aumento dos combustíveis porque sem eles o défice agravou-se 87 milhões.

28/02/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (4)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

Estão em marcha as obras de ampliação do edifício decrépito do Estado sucial

Com a aparente cooperação do Dr. Rio, que só quer ir embora depois de ajudar o Dr. Costa a acrescentar mais um andar ao edifício do Estado sucial, e o implícito beneplácito do Dr. Marcelo, estão em curso pela voz da Dr.ª Luísa Salgueiro, presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, as manobras para aprovar sem dor a "regionalização", que é o nome dado à criação de mais uns milhares de tenças para "regionalizar" um país que tem menos de metade da população média das dez maiores cidades do mundo. A inventiva manobra passa por um "ajuste" da Constituição - não confundir com revisão - para permitir que o referendo seja aprovado com menos de metade dos eleitores, referendo que à cautela deve omitir o mapa das regiões porque já está tudo "consolidado".

«Empresa Financeiramente Apoiada Continuamente (pelo) Estado Central»

Depois de um ano e meio, o Dr. Siza Vieira impingiu à DST a EFACEC, o zombie estatal a trabalhar a metade da sua capacidade, com as encomendas de 2019 e 2020 ainda não entregues, sem mercado, sem capital e com uma dívida pantagruélica. Por prudência, o Dr. Siza ainda reservou para os contribuintes uma participação de 25% que lhes permitirá continuar a torrar dinheiro no zombie. O Expresso questionou-se sobre o que poderá ter sido oferecido à DST para "facilitar" o acordo e parece sugerir subliminarmente: o concurso de 819 milhões de automotoras para o outro zombie.

Trocando hardware por software

O governo lançou um concurso para comprar helicópteros usados com o máximo de 35 anos (médios) ou de 5 anos (ligeiros) para o combate aos incêndios florestais. Logo os críticos maldosos baptizaram o concurso de "Sucata". A verdade é que, ainda assim, estão previstos quase 70 milhões para a sucata. Se fossem helicópteros novos custariam 250 milhões, admitamos. Ora com a poupança de 180 milhões será possível pagar durante um ano (depois logo se vê) vários milhares de funcionários para engrossar a freguesia eleitoral.

18/01/2022

TRIVIALIDADES: A socorrer as vítimas de acidentes, como no resto, o Estado sucial é ineficiente (e provavelmente ineficaz)

Uma vez outra, reparo que nas notícias sobre acidentes são mencionados sempre "operacionais" e viaturas que "estiveram no local". A olho, os números de uns e outros sempre me pareceram excessivos mas, desta vez, resolvi tirar as coisas a limpo e, para os leitores do (Im)pertinências não pensaram que aqui também se pratica o palpite e se sofre da maldição da tabuada, fiz a pesquisa «feridos acidente operacionais viaturas site:pt» e encontrei na última semana os seguintes acidentes:

Nestas matérias, como em todas as outras, os apparatchiks que pululam no Estado sucial queixam-se sempre de "falta de recursos". Feitas as contas, em 13 acidentes com 37 vítimas "estiveram no local" 185 "operacionais" e 76 viaturas, a uma média de 5 "operacionais" e 2 viaturas por vítima.

17/01/2022

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (120) - A Passarola Afundada (XII)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

O Dr. Costa não ofende a verdade porque não se aproxima dela o suficiente para lhe causar danos

Por falta de espaço, não é costume nestas crónicas tratar das mentiras que a classe política avia a um eleitorado ignaro e distraído. Abro uma excepção e cito duas do Dr. Costa no debate com o Dr. Rio: ter baixado o peso dos impostos no PIB, afirmação que até o Avante da Sonae desmentiu, e ter nacionalizado a TAP para evitar a sua falência porque a Azul do accionista David Neeleman estava falida, o que é falso.

Take Another Plan

Nos tempos do governo do Sr. Eng. Sócrates, o amigo do Dr. Costa Dr. Lacerda Machado, na qualidade de administrador da Geocapital intermediou a compra em 2005 no Brasil da Varig Engenharia e Manutenção, hoje uma empresa participada da TAP que a Comissão Europeia obrigou a vender.

É um mono que segundo o Dr. Pedro Nuno Santos terá custado até agora quase mil milhões de euros à TAP, e que se estima irá ainda custar mais 110 milhões, milhões que o mesmo Dr. Pedro Nuno classifica de «uma brutalidade». Perguntarão, como assim? quase mil milhões em 16 anos? então o Dr. Santos não torrou na TAP mais de dois mil milhões em apenas um ano e meio e já prometeu continuar com 1.200 milhões? Pois foi, mas ele é uma pessoa modesta e prefere salientar obra dos seus antecessores.

Recorde-se que depois do dinheiro que lá enterrou, o Dr. Pedro Nuno anunciou sem se rir que no futuro a TAP deve integrar-se num grande grupo de aviação e, também sem se rir, o Dr. Costa no debate com o Dr. Rio prometeu vender 50% do capital.

Ex-ministro absolvido por ser um «cidadão médio normal»

Se a incompetência, a desfaçatez ou o ridículo fossem mortais o Dr. Azeredo Lopes teria falecido logo no dia da sua entrada como ministro da Defesa numa instalação militar, entrada que aconteceu pela primeira vez por ter sido dispensado do Serviço Militar Obrigatório (pé chato?). Como sobreviveu à comédia de Tancos, poderia ao menos ter sido condenado pelas acusações que o MP lhe fez sobre o papel que lá desempenhou. Não foi por várias razões, incluindo por ter lido mas não ter entendido um memorando e uma "fita do tempo" que o tribunal considerou ser difícil de entender para um «cidadão médio normal».

Ex-ministro reconhece que governo de Sócrates deu uma «resposta insuficiente» à crise

O ex-ministro em causa é o Dr. Teixeira dos Santos que numa entrevista à RTP3 reconheceu mais de 10 anos depois que o governo do qual foi ministro das Finanças deu uma «resposta insuficiente» à crise e agora acha «que o país ficou mais robusto após a troika».

09/01/2022

A maldição da tabuada (58) - É um completo desaforo, mas também podem ser dificuldades com a aritmética

Outras botas para descalçar

«… o PS acaba de prometer fazer "crescer (o PIB) por ano, em média, ( ... ) um ponto percentual acima da média da zona euro (19 Estados- membros)". Mas também promete "reduzir, no mínimo, até 2026, o peso da dívida pública no PIB para valores inferiores 110%”. Imagine-se que os 19 Estados-membros crescem 1%. Nesse caso o PIB português deveria crescer 2%. Se a taxa de inflação média no período for de 2% a taxa nominal do PIB será de 4%. Mas para limitar a dívida a 110% do PIB o défice acumulado de quatro anos não pode ser superior a 1%! Sabem o que isso significa? Significa que temos de reduzir o défice quase imediatamente a zero logo em 2022! E para isso, o que vão fazer? Com promessas de despesa crescente o que nos vão rapar em impostos? Se prometem reduzir os impostos diretos e querem reduzir o consumo de combustíveis onde nos vão sugar os nossos rendimentos? Na eletricidade que carregam os automóveis elétricos? Nos consumos caseiros? Como? Como? Como?» 

«Como?», pergunta-se o prof João Duque na sua coluna habitual do Expresso

03/01/2022

A maldição da tabuada (57) - Mais um socialista que só conhece os números imaginários

DISCLAIMER: Não frequento o Twitter e não costumo ler o que escreve o Dr. Galamba. Um amigo enviou-me uma imagem com a bacorada original da luminária que «frequentou um doutoramento em Filosofia Política na London School of Economics» e que da teoria dos números só conhece os números imaginários. O original foi apagado, mas, pelos vistos, pôde ser recuperado.

01/05/2021

Maldição da tabuada (56) - Falta de patriotismo. Portugal já esteve no topo do mundo e não a Índia

«Índia ultrapassa 400 mil casos de coronavírus num só dia, um novo recorde mundial» titula o Observador. Ainda pensei que o título catastrofista se devesse à ignorância do número de habitantes da Índia. Não deve, porque logo de seguida se escreve que «O país de 1,3 mil milhões de habitantes está a braços com um surto devastador, com novos máximos diários de infetados e mortos há vários dias.» É certo que a população da Índia tem mais quatro portugais do que o número indicado, mas para o caso é igual ao litro.

Não se devendo o título catastrofista à ignorância demográfica, resta a ignorância aritmética que passa ao lado de os 400 mil casos num dia na Índia serem equivalentes a pouco mais de 3 mil em Portugal, ou seja menos de um terço da média portuguesa em Janeiro (quase dez mil casos por dia).

16/12/2020

Pro memoria (408) – a nacionalização do BPN não custou nada e o nada vai já em ? mil milhões (XIV)

Posts anteriores (I), (II), (III), (IV), (V), (VI), (VII), (VIII), (IX), (X), (XI), (XII) e (XIII)

Em retrospectiva: Teixeira dos Santos, co-autor com José Sócrates do desastre da nacionalização de um banco que valia 2% do mercado, ainda em 2012, decorridos 4 anos da sua decisão fatídica, justificava a inevitabilidade da decisão porque não custaria nada e a falência do BNP, segundo ele, levaria à quebra do PIB em 4%.

Recordemos ainda que a nacionalização do BPN foi entusiasticamente apoiada pelo Berloque na pessoa do seu Querido Líder Louçã, agora semi-aposentado, o que não impediu sete anos depois a sua sucessora Querida Líder Catarina Martins dizer com grande descaro que o Novo Banco «é cada vez mais o novo buraco (...) e cada vez lembra mais o BPN».

De vez em quando, são tornadas públicas estimativas de quanto já custou e de quanto ainda vai custar a nacionalização do BPN. Nesta altura, estou a imaginar-vos a perguntar: quanto já custou? estimativas? Então as contas não são do passado e as estimativas para futuro? Sim, respondo, num país normal; num país que não sofresse da maldição da tabuada. Em Portugal fazem-se estimativas para o passado e palpites para o futuro.

Fast forward: segundo a aritmética do Tribunal de Contas no parecer à Conta Geral do Estado, o BPN custou aos contribuintes «4,9 mil milhões de euros entre 2011 e 2018» e no final deste último ano «as garantias prestadas pelo Estado às sociedades veículo do ex-BPN totalizavam 1.377 milhões», significando 6,2 mil milhões de euros de perdas estão garantidas.

Não falando do Animal Feroz que é um caso patológico, se Teixeira dos Santos tivesse um pingo de vergonha, por esta e por muitas outras razões, teria recusado ser condecorado em 2015 ou, pelo menos, deveria fazer como o conde do poema de O'Neill «que cora ao ser condecorado».

Actualização:

«Tribunal de Contas estima em 6.200 milhões de euros o custo do BPN para o Estado desde que o banco foi nacionalizado em 2008. A conta ainda não está fechada, mas já dá uma ideia do valor final.» (Observador)

Sendo o PIB de 2009, ano em que foi nacionalizado o BPN, de 175 mil milhões (base 2016) os 4% que segundo Teixeira dos Santos custaria a falência corresponderiam a 7 mil milhões. Ora como o custo da nacionalização já vai em 6,2 mil milhões and counting, poderemos dizer que a nacionalização é uma espécie de falência que nunca acaba.    

Moral da estória que não tem moral, como diz o lema de estimação do (Im)pertinências: O socialismo não acaba enquanto não acabar o dinheiro dos contribuintes dos países frugais.

09/12/2020

Maldição da tabuada (55) - Ele diz que é culpa do governo PSD. Não é, mas percebe-se. Ele não sabe fazer contas

Citando Filipe Oliveira

«O TIMSS (Trends in International Mathematics and Science Study) é uma avaliação internacional organizada de quatro em quatro anos pela International Association for the Evaluation of Educational Achievement, IEA. A aplicação de testes estandardizados – com conteúdos e graus de complexidade e de dificuldade equivalentes entre as diferentes edições – permite comparar o desempenho dos alunos portugueses com o dos alunos oriundos dos outros países participantes. Permite igualmente, a nível nacional, seguir a evolução da qualidade da aprendizagem e, de forma mais lata, do sistema educativo nacional. Os testes são concebidos após uma análise detalhada dos currículos do 4.º ano dos diferentes países, centrando-se nos conteúdos comuns previstos para esse ano de escolaridade. Os resultados agora alcançados pelos alunos portugueses no TIMSS 2019 evidenciam um enorme retrocesso relativamente a 2015.
 
(...) será seguro afirmar que estes dois grupos de alunos, avaliados no seu 4.º ano pelo TIMSS 2015 e pelo TIMSS 2019, fizeram percursos escolares totalmente distintos, nunca se tendo verificado em Portugal uma rutura tão drástica e radical do nosso sistema educativo como no período que separou estas duas edições. Na verdade, mais do que os alunos, foram avaliadas duas conceções inconciliáveis de Currículo e de Escola.»

Sabendo-se que:
  • O governo do Dr. Costa apoiado pela geringonça tomou posse em 26 de Novembro de 2015;
  • Os deputados da geringonça aprovaram no dia seguinte o projecto de lei do BE que suprimiu os exames finais dos 1.º e 2.º ciclos;
  • Desde então foram introduzidas várias outras alterações visando fazer os professores e os alunos felizes; 
  • Ao governo do Dr. Costa sucedeu-lhe outro em 26 de Outubro de 2019, apoiado pelo BE e do PCP;
  • A avaliação do TIMSS 2019 foi dos alunos que frequentaram o 1.º ciclo do ensino básico nos anos lectivos de 2016-17 a 2019-20 durante os governos do Dr. Costa;
  • Os resultados da avaliação do TIMSS 2019 pioraram em relação ao TIMSS 2015.  
Pergunta-se: de quem é a responsabilidade pela degradação dos resultados entre 2015 e 2019? 

Resposta do SE Adjunto e da Educação do Dr. Costa: a responsabilidade é das políticas educativas aplicadas pelo ex-ministro Nuno Crato do governo PSD-CDS.

Conclusão: o SE Adjunto é mais uma vítima da maldição da tabuada.

18/09/2020

Maldição da tabuada (54) - Sair do armário não é desculpa para não saber fazer contas

Em entrevista ao semanário de reverência na sua edição diária, Bruno Bimbi, que foi o «principal assessor político do deputado federal Jean Wyllys, único parlamentar brasileiro assumidamente homossexual», argentino naturalizado brasileiro para escrever «O fim do armário», justifica o seu auto-exílio em Barcelona (onde, diz, encontrou muitas almas gémeas) com a vitória de Bolsonaro nas eleições presidenciais. Bolsonaro que, segundo Bimbi, «já matou mais de 130 mil pessoas na pandemia».

Se Bolsonaro já matou 635 pessoas por milhão de habitantes, poderemos dizer que o governo espanhol já matou 652 pessoas por milhão de habitantes e o governo belga (cujo anterior primeiro-ministro era gay) já matou 857 pessoas por milhão de habitantes?

08/06/2020

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (36) - Em tempo de vírus (XIII)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Para um primeiro-ministro normal ter um paraministro seria paranormal

«Não é admissível que uma pessoa seja ministro para todos os efeitos menos para o estatuto constringente da função ministerial. É um escândalo aceitar, e escrever-se olimpicamente, que Fulano é o n.º ministro.».

Quem disse isso? António Costa, há 9 anos no Quadratura do Círculo, um programa em que se promoveu pela mão do comentador do regime Pacheco Pereira. E disse-o a respeito de António Borges, um consultor a quem Passos Coelho nunca encomendou fazer um plano em dois dias para os próximos dez anos nem negociar com ministros e a quem nunca foram ouvidas palavras como «nós, pura e simplesmente, decidimos não investir mais em Portugal, não vale a pena» ditas por António Costa e Silva há dois anos.

Aparte a duplicidade de critérios, que faz parte da natureza dos Drs. Costa e Costa e Silva, imaginar que uma luminária rabisca um documento em dois dias e o milagre da recuperação económica acontece, faria do Dr. Costa um vidente pela segunda vez em cinco anos. A primeira vez foi quando encarregou o Dr. Centeno na companhia de uma dúzia de luminárias de produzir umas dúzias de páginas de um plano para dez anos a que chamaram Uma Década para Portugal (que autopsiámos no Impertinências em sete posts) de que ninguém, incluindo ele próprio, se lembra hoje. É claro que o Dr. Costa é tudo menos um pateta que acredite nestas coisas e, por isso, temos de concluir que é mais uma manifestação do seu conhecido talento para o ilusionismo.

A solução dos socialistas para as falhas do socialismo é mais socialismo e mais Estado Sucial

Não sei se o Dr. Costa e Silva é filiado no PS. Se não for, deveriam oferecer-lhe o cartão logo após a sua declaração de fé no Estado português como salvador da economia, que sem ele «entra em estado de coma». É muita ousadia sua atribuir tais propriedades a um Estado que com o PS no governo deixou por três vezes a economia nos cuidados intensivos enquanto era intervencionado pelo FMI e pela troika.

A regionalização como desígnio do Dr. Costa

Se podemos considerar o semanário de reverência cada vez o jornal oficial onde o governo anuncia na primeira página as suas próximas grandes medidas, então o Expresso de sábado passado com o seu título «Costa acelera regionalização» diz-nos que, depois de ter cultivado a sua freguesia eleitoral de funcionários públicos durante cinco anos (agora isentados do lay-off), o Dr. Costa pretende agora premiar uns milhares de apparatchiks que se acotovelam no aparelho socialista. Para um Portugal dos Pequeninos com uma população que se fosse uma cidade com o Dr. Costa como presidente da câmara seria apenas a 14.ª cidade do mundo, inventar uma nova camada de burocratas a pretexto da criação de governos regionais só pode ter esse propósito.

Todos são iguais perante a lei, mas há uns mais iguais do que outros

Entre os menos iguais encontramos os foliões dos Santos Populares, os participantes no 10 de Junho e a populaça em geral. Entre o grupo selecto dos mais iguais podemos encontrar o Dr. Ferro Rodrigues e os seus convidados, os comunistas da CGTP que fizeram comícios na Alameda, os comunistas do PCP que fazem comícios no parque Eduardo VII e festas no Seixal, e o comediante do regime Bruno Nogueira que realizou dois espectáculos no Campo Pequeno com a presença do Dr. Costa e de S. Ex.ª.

03/05/2020

A maldição da tabuada (52) - O número de infectados pode diminuir. A incompetência só pode aumentar

Quando ontem fui actualizar os meus dados do Covid-19 constatei no site da DGS que o número de infectados tinha diminuído e estranhamente os dados detalhados não estavam disponíveis. Pensei ter visto mal e fui consultar no worldometers a posição de Portugal. Encontrei esta nota que deixaria os portugueses envergonhados se ainda lhes restasse alguma vergonha depois de assistirem sem um sobressalto a um governo a exigir a caridade da Óropa:

21/12/2019

Pro memoria (397) – a nacionalização do BPN não custou nada e o nada vai já em ? mil milhões (XIII)

Posts anteriores (I), (II), (III), (IV), (V), (VI), (VII), (VIII), (IX), (X), (XI) e (XII)

Em retrospectiva: Teixeira dos Santos, co-autor com José Sócrates do desastre da nacionalização de um banco que valia 2% do mercado, ainda em 2012, decorridos 4 anos da sua decisão fatídica, justificava a inevitabilidade da sua decisão porque não custaria nada e a falência do BNP, segundo ele, levaria à quebra do PIB em 4%.

Recordemos ainda que a nacionalização do BPN foi entusiasticamente apoiada pelo Berloque na pessoa do seu Querido Líder Louçã, agora semi-aposentado, o que não impediu sete anos depois a sua sucessora Querida Líder Catarina Martins dizer com grande descaro que o Novo Banco «é cada vez mais o novo buraco (...) e cada vez lembra mais o BPN».

De vez em quando, são tornadas públicas estimativas de quanto já custou e de quanto ainda vai custar a nacionalização do BPN. Nesta altura, estou a imaginar-vos a perguntar: quanto já custou? estimativas? Então as contas não são do passado e as estimativas para futuro? Sim, respondo, num país normal; num país que não sofresse da maldição da tabuada. Em Portugal fazem-se estimativas para o passado e palpites para o futuro.

Fast forward: segundo a aritmética do Tribunal de Contas no parecer à Conta Geral do Estado, o BPN custou aos contribuintes «4,9 mil milhões de euros entre 2011 e 2018» e no final este último ano «as garantias prestadas pelo Estado às sociedades veículo do ex-BPN totalizavam 1.377 milhões», significando 6,2 mil milhões de euros de perdas estão garantidas.

Não falando do Animal Feroz que é um caso patológico, se Teixeira dos Santos tivesse um pingo de vergonha, por esta e por muitas outras razões, teria recusado ser condecorado em 2015 ou, pelo menos, deveria fazer como o conde do poema de O'Neill «que cora ao ser condecorado».

Moral da estória que não tem moral, como diz o lema de estimação do (Im)pertinências:
Os cidadãos deste país não devem ter memória curta e deixar branquear as responsabilidades destas elites merdosas que nos têm desgovernado e pretendem ressuscitar purificadas das suas asneiras, incompetências e cobardias.