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22/08/2014

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio a resvalar para o princípio do fim

Durante mais de dois anos publiquei a série de 31 posts «O princípio do princípio», o último dos quais em Fevereiro passado, salientando os sinais positivos da economia em resposta às medidas que o governo PSD-CDS foi forçado a tomar pelo Memorando de Entendimento. A insuficiência das reformas, o gradual esgotamento do fraco ímpeto reformista do governo, o fim do PAEF e a aproximação das eleições e do seu apelo à demagogia e irresponsabilidade estão a comprometer os progressos feitos. Alguns sinais de fumo:

Se é certo que a economia voltou a crescer anemicamente 0,6% no 2.º trimestre, é igualmente certo que a produção industrial desceu em Junho 1,2% com ajustamento sazonal. (*)

O défice comercial do 1.º semestre teve o maior aumento desde 2008. Até Maio o défice comercial português foi o 5.º mais elevado da UE em percentagem do PIB.

A taxa de poupança das famílias decresceu no 4.º trimestre de 2013 e no 1.º trimestre de 2014 devido principalmente ao aumento do consumo.

Os custos do trabalho aumentaram 3,1% no 2.º trimestre devido ao aumento dos custos salariais de 2,6% e de 4,9% dos outros custos.

No que respeita ao OE, no primeiro semestre as despesas correntes aumentaram mil milhões de euros, incluindo, por incrível que pareça dada redução dos efectivos, as despesas com o pessoal que aumentaram meio milhão de euros e o aumento foi em todas as funções, e nomeadamente no Ensino Básico e Secundário que aumentou 231 milhões, desmentido a lengalenga da FENPROF. Assim, apesar do aumento de 825 milhões dos impostos, o défice corrente aumentou de 318 milhões. Só o saldo primário (sem juros) melhorou de 176 milhões devido ao aumento dos impostos ter superado o aumento dos juros.

Se é certo que as emissões de BT desta semana a 3 e 12 meses se fizeram a taxas médias historicamente mais baixas (menos de 0,1% e 0,2%, respectivamente) e os yields nos mercados secundários em todos os prazos estão a descer, não é menos certo que isso se deve menos à consolidação orçamental do que à maior tolerância ao risco dos mercados de que têm beneficiado todos os PIGS.

Como seria de esperar, no final do 1.º semestre a dívida pública atingiu 134% do PIB e ainda que se considere a dívida líquida do saldo de caixa de 17,9 mil milhões de euros (um confortável colchão quando comparado com o saldo deixado por Sócrates e Teixeira dos Santos no final do 1.º trimestre de 2011 que dava para 5 dias de despesa), ultrapassa 120% ou seja o dobro do limite máximo.

O que é preocupante pode passar a ameaçador se a venda do Novo Banco não permitir recuperar a totalidade do reforço do Fundo de Resolução.

Enquanto isso, o governo PSD-CDS felicita-se contentinho pelos modestos resultados e no PS disputa-se qual dos dois candidatos a candidatos a primeiro-ministro diz mais vacuidades acerca do milagre do crescimento que espera os portugueses e fazem-se promessas irrealistas e irresponsáveis, enquanto se lavam as mãos do desastre que o seu partido infligiu ao país nos anos de governação de José Sócrates.

(*) Já depois deste post ter sido publicado, o BdeP divulgou esta manhã que o indicador coincidente da actividade económica desceu em Julho 0,3%, a confirmar os outros sinais.

01/06/2015

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio a resvalar para o princípio do fim (4)

Outros princípios: (1), (2), (3)

Este é o quarto post de uma série que se segue a uma outra série de 31 posts «O princípio do princípio», o último dos quais em Fevereiro do ano passado, salientando os sinais positivos da economia em resposta às medidas que o governo PSD-CDS foi forçado a tomar pelo Memorando de Entendimento. A insuficiência das reformas, o gradual esgotamento do fraco ímpeto reformista do governo, o fim do PAEF e a aproximação das eleições e do seu apelo à demagogia e irresponsabilidade começaram entretanto a comprometer os progressos penosamente conseguidos.

Agora, a 4 meses das eleições, confirmam-se os efeitos negativos da involução iniciada com o final do PAEF, por agora ainda parcialmente compensados com uma dinâmica resultante de nos 3 primeiros anos, como já aqui escrevi, o governo ter diminuído o intervencionismo na economia, deixado de fazer o papel dos empresários, de pretender saber o que era bom para a economia, de extorquir recursos para o celebrado investimento público e se ter limitado a extorquir cada vez mais impostos para pagar a máquina extorsionária.

Involução? E, no entanto, o crescimento de 0,6% no 2.º trimestre de 2014 subiu para 1,5% do 1.º trimestre deste ano. Pois subiu, mas a cavalo do consumo privado que cresceu 2,5% em relação ao período homólogo de 2014. E se a formação bruta de capital fixo aumentou 8,5% foi a cavalo da construção – mudam-se os tempos, permanecem as vontades.

Involução? E, no entanto, no que respeita ao comércio internacional, quando comparamos o 1.º trimestre deste ano com o 1.º trimestre de 2014 constatamos que o défice melhorou de -2.630 para -1.969 milhões e as importações diminuíram 1,4%. É verdade. Porém, quando eliminamos o efeito da redução dos preços das importações de petróleo (as importações de combustíveis diminuíram 30,1%) constatamos que as restantes importações aumentaram 4,7% e não por causa dos bens de investimento que apenas aumentaram 3,3%. Foi à custa do aumento das importações de automóveis (39,6%) e de bens de consumo duradouros (7,3%). Não fosse a redução do preço do petróleo e o défice ficaria praticamente na mesma. É só esperar pelo aumento já em curso dos preços do petróleo.

Se em cima disto encavalitarmos os estímulos ao consumo do PS (cujo efeito marginal será como sempre foi o aumento das importações), não é difícil antecipar em 2 ou 3 anos o regresso da troika. Ou menos tempo se, como é provável, a bancarrota anunciada de Grécia se consumar e os mercados escaldados aumentarem os yields da dívida pública para os níveis de há 3 anos, ou seja dos actuais 2,5% para OT a 10 anos (subiu 1% em relação aos mínimos de Março) para os 12% de há 3 anos.

22/01/2015

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio a resvalar para o princípio do fim (3)

Outros princípios: (1), (2)

Repetindo-me: durante mais de dois anos publiquei a série de 31 posts «O princípio do princípio», o último dos quais em Fevereiro passado, salientando os sinais positivos da economia em resposta às medidas que o governo PSD-CDS foi forçado a tomar pelo Memorando de Entendimento. A insuficiência das reformas, o gradual esgotamento do fraco ímpeto reformista do governo, o fim do PAEF e a aproximação das eleições e do seu apelo à demagogia e irresponsabilidade começaram entretanto a comprometer alguns os progressos.

Se as reformas foram tão pífias como foi possível ter arrebitado a economia que não vive ao colo do Estado, conseguir pela primeira vez em décadas equilibrar as contas externas (saldo positivo até Outubro nas Balanças Corrente + Capital de € 3,4 mil milhões – contra 2,8 mil milhões o ano passado), ganhar a confiança dos investidores colocando a semana passada 10 mil milhões a 10 anos a uma taxa média de 2,92% e 2 mil milhões a 30 anos a uma taxa média de 4,131%, com uma procura que quase triplicou a oferta?

Apesar de tudo eles ainda acreditam em nós (Fonte: Bloomberg)
A resposta é: porque o governo diminuiu o seu intervencionismo na economia, deixou de querer fazer o papel dos empresários, de pretender saber o que era bom para a economia, de extorquir recursos para o celebrado investimento público e limitou-se à extorquir cada vez mais impostos para pagar a máquina extorsionária.

11/02/2012

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio

Há décadas que a nossa balança de transacções correntes é fortemente deficitária e essa é a razão do nosso endividamento para com o exterior. E a balança de transacções correntes é fortemente deficitária porque a balança comercial é ainda mais deficitária. Somos como aquelas famílias que ganham 100 e gastam 110.

Não há a menor possibilidade de reduzir o nosso gigantesco endividamento ao exterior, equivalente a 2,5 vezes o PIB, sem melhorar as contas externas. E não há nenhuma possibilidade de crescer sem investir e para investir é preciso poupar, isto é consumir menos, ou seria preciso endividarmo-nos mais - se houvesse quem nos emprestasse. Tudo o resto é conversa de ignorantes ou de demagogos.

Para reduzir os défices do comércio externo é preciso exportar mais ou/e importar menos. Se exportar mais depende essencialmente dos outros e precisa de (muito) tempo, importar menos depende essencialmente de nós e produz efeitos a curto prazo. É também por isso que não há volta a dar à austeridade, seja lá o que isso for mas, sempre significando reduzir o consumo.

Já começam a ser visíveis alguns dos efeitos da austeridade nas contas externas. Vejam-se os resultados preliminares do 4.º trimestre de 2011 publicados pelo INE e a melhoria significativa da taxa de cobertura.

É muito cedo para deitar foguetes e estes resultados podem degradar-se em poucos meses. Abusando das palavras de Churchill, depois da primeira vitória dos Aliados: não é o fim, nem o princípio do fim, nem mesmo o fim do princípio, talvez seja o princípio do princípio.

12/07/2012

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio (6)

[Continuação de (1), (2), (3), (4) e (5)]

A nossa dívida externa líquida ultrapassa os 250% do PIB, é praticamente igual à da Grécia e a maior dos últimos 120 anos, com a preciosa ajuda de praticamente todos os governos democráticos, com destaque para os 2 governos Sócrates. Chegámos aqui percorrendo um caminho de décadas com défices do comércio externo quase nunca inferiores a 5% do PIB e por vezes ultrapassando os 10%. Durante todos estes anos, poucas foram as almas, e já nem falo dos 200 palhaços que têm lugar cativo na televisão, que apontaram o dedo ao desfecho inelutável do resultado de colecionar défices.

Por devoção à verdade, diga-se que apesar de a «pesada herança fascista» nos ter deixado umas contas públicas de boa saúde e umas reservas de ouro e divisas que nos permitiram pagar as importações durante a baderna do PREC, tal deveu-se essencialmente às remessas dos milhões de emigrantes portugueses. De facto, a nossa balança de bens e serviços tem sido desde 1943 sistematicamente deficitária.

31/08/2014

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio a resvalar para o princípio do fim (2)

Repetindo-me: durante mais de dois anos publiquei a série de 31 posts «O princípio do princípio», o último dos quais em Fevereiro passado, salientando os sinais positivos da economia em resposta às medidas que o governo PSD-CDS foi forçado a tomar pelo Memorando de Entendimento. A insuficiência das reformas, o gradual esgotamento do fraco ímpeto reformista do governo, o fim do PAEF e a aproximação das eleições e do seu apelo à demagogia e irresponsabilidade estão a comprometer os progressos feitos.

O orçamento rectificativo veio confirmar os sinais de fumo que aqui mencionei. Apesar da redução dos efectivos na administração pública, as despesas com o pessoal resvalaram em cerca de 1,5 mil milhões dos quais menos de 1/3 se justificam pelo chumbo do Tribunal Constitucional. Não é grave é gravíssimo e revela uma estória mal contada. O défice só não dispara porque a já pesadíssima carga fiscal aumenta 1,2 mil milhões o que reduz a consolidação fiscal a uma mera operação de extorsão fiscal.

Em conclusão, se este é um governo liberal, quando chegar o governo socialista pode logo convocar uma assembleia de credores. Se nem sob a pressão da intervenção externa o país foi capaz de se reformar, devemos suspeitar que o país é irreformável.

11/11/2019

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (5)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Geringonça suprimida. Viva a passarola

«Onde está o celebrado território programático da convergência histórica das esquerdas?» perguntou-se Sérgio Sousa Pinto, respondendo: «A 'geringonça' apareceu para suprimir uma ilegitimidade. Suprimida a ilegitimidade, supriu-se a 'geringonça'».

Web Summit - as dormidas já ninguém nos tira

Por muito que as trombetas da imprensa amiga soprem (quase todos os jornais com excepção do SOL se auto-excitaram com a coisa), o certo é que é essencialmente um evento turístico que dá muito jeito para fazer entrar uns cobres e, vá lá, um palco para as nossas elites merdosas exibirem o seu provincianismo cosmopolita convencidas da sua notoriedade global. Vem a propósito dizer que os mídia internacionais, com poucas e secundárias excepções se borrifaram para o evento: sem querer fazer passar um indicador como facto estabelecido, o certo é que a pesquisa no Google «web summit lisbon site:.com» na secção notícias no último mês mostra 152 referências.

E, claro, também dá jeito para o Paddy facturar uns euros na venda das camisolas fabricadas pela empresa da sua mulher. Sendo inquestionável que faz entrar uns cobres a estimativa entre os 111 e os 176 milhões é pura fantasia porque, em vez de medir o impacto marginal das estadias dos participantes que representam cerca de 70% das receitas, medem o valor bruto, como se sem Web Summit, os hotéis, os restaurantes e os transportes ficassem vazios.

O PS como barriga de aluguer de causas fracturantes

Para além dos múltiplos efeitos habituais nocivos da governação socialista, em consequência da dependência de Costa do suporte do BE a identidade do género e as outras obsessões do berloquismo entraram pela porta da frente na agenda do governo anterior. Suprimida a geringonça, essas causas começaram a entrar pela porta dos fundos, como a eutanásia que não fazia parte do programa do governo e agora vai ser objecto de uma iniciativa legislativa do grupo parlamentar do PS, segundo o Expresso.

06/02/2014

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio (30)

Outros princípios do princípio

Notícias positivas do Portugal Que Trabalha (PQT):


Afinal, apesar da brilhante previsão «próxima dos 6%» do secretário nacional do PS Dr. Brilhante Dias, o défice do OE deve ficar ao redor dos 5,2% em contabilidade nacional ou 4,7% para efeito do cumprimento do PAEF. A Segurança Social que, para os mais distraídos, recordo se mantém insustentável a longo prazo, apresentou um excedente de 400 milhões muito acima dos 57 milhões estimados em Outubro que ajudou à festa.

E uma das melhores notícias quanto à contínua melhoria das contas externas é que parece dever-se mais a factores estruturais do que à contracção de procura que segundo o BCE representará apenas 1/5 da melhoria da balança de transacções correntes (ver este post de Pedro Romano - via Insurgente).

Segundo dos dados de ontem do destaque do INE, o desemprego continuou a diminuir e no final do 4.º trimestre de 2013 desceu 0,3% para 15,3%. Diferentemente da lengalenga do jornalismo de causas e da esquerdalhada, que só descobriram que o desemprego crescia depois do engenheiro Sócrates ter ido para Paris, e agora minimizam os ganhos como se devessem à emigração, os dados do INE mostram que a população desempregada diminuiu 10,5% no último ano e a população empregada aumentou 0,7% (cerca de 30 mil no mesmo período). É pouco? Pois é, mas para igualar os dislates dessa rapaziada eu poderia dizer (se fosse tão burro ou desonesto quanto eles) que a explicação é o regresso de emigrantes…

Entretanto, e não obstante o clima de instabilidade nos mercados, resultante da incerteza quanto aos países emergentes (onde se destacam os ruídos das rachas dos edifícios em construção do socialismo tropical: Brasil, Argentina e Venezuela), os yields da dívida pública portuguesa mantém a tendência de melhoria.

Dívida pública portuguesa a 10 anos - pay attention: o eixo das ordenadas começa em 5%  (Fonte: Bloomberg)

Notícias deprimentes do Portugal Que Se Queixa (PQSQ):


Não é que seja em si deprimente, mas não é de bom augúrio saber que o fluxo de depósitos bancários em Novembro foi o mais baixo desde Fevereiro de 2006. Estará o PQSQ no intervalo das queixas e manifs a preparar-se para mais uma demonstração do paradigma que postula que puxar pelo consumo não garantindo o crescimento da economia pelo menos assegura o crescimento da dívida?

Deprimente por antecipação será a reacção dos comentadores ressabiados a partir de Setembro quando a nova metodologia SEC 2010 do Eurostat para cálculo do PIB irá aumentá-lo entre 1 a 2% - continuando a economia na mesma, já se vê. Vai ser o maior concurso de despautérios da década com os ressabiados a tentarem demonstrar que o eventual crescimento (em qualquer caso, certamente muito modesto) se deverá em exclusivo à alteração metodológica .

29/10/2013

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio (23)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (12), (13), (14), (15), (16), (17), (18), (19), (20), (21) e (22)

Ponto de situação dos dois Portugais.

Portugal Que Trabalha (PQT)

O indicador de actividade económica do INE aumentou em Agosto pela primeira vez em dois anos. O mesmo aconteceu ao indicador quantitativo do consumo privado que teve o primeiro crescimento homólogo desde Fevereiro de 2011.

26/06/2017

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (89)

Outras avarias da geringonça.

Para refrescar as memórias apagadas pelo jornalismo de causas, convirá recordar que o Lacerda Machado, amigo que Costa encarregou de negociar a reversão da reprivatização e de seguida nomeou administrador da TAP, é o mesmo Lacerda Machado administrador da Geocapital (com os dinheiros de Stanley Ho) que detinha 65% da VEM (Varig Engenharia e Manutenção) em parceria com a TAP que detinha 35%, parceria negociada em 2005 com o governo Sócrates. E era o mesmo Lacerda Machado que quando se comprovou que a VEM era um negócio falhado usou uma cláusula do contrato que ele tinha empandeirado ao governo para forçar a TAP a comprar em 2007 os 65% da Geocapital ficando a TAP desde então a suportar os prejuízos  (ver aqui um resumo). E é o mesmo Lacerda Machado que fez parte da equipa que Costa como ministro da Administração Interna nomeou para renegociar o contrato do SIRESP, sistema que tem uma história de falhanços, o último dos quais no incêndio de Pedrógão Grande (ver aqui um resumo e ver aqui a história). E foi o mesmo Lacerda Machado que o mesmo Costa encarregou de negociar os helicópteros Kamov para combate aos incêndios florestais, frequentemente inaptos para voar, que segundo as contas do Expresso até Abril do ano passado tinham custado 348 milhões de euros ou 35 mil euros por hora de voo.

10/01/2014

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio (29)

Outros princípios do princípio

Notícias positivas do Portugal Que Trabalha (PQT):


O índice de volume de negócios na indústria cresceu 3,5% em Novembro e as exportações aumentaram 7,2% e as importações aumentaram 3,2% relativamente ao ano anterior, pelo que o saldo o défice da balança comercial continua a reduzir-se.

A taxa de desemprego, a descer desde Março, atingiu em Novembro 15,5%, o valor mais baixo dos últimos 18 meses. O número de desempregados caiu 91 mil em relação ao mesmo mês de 2012 e o desemprego dos menores de 25 anos desceu 1,9%. Entretanto, a central sindical do PCP continua a atribuir a queda do desemprego à sazonalidade - este gráfico de André Azevedo Alves mostra bem como a queda é tão sazonal quanto o camarada Arménio é um adepto da democracia representativa.

Não admira pois que os mercados, isto é os credores que nos emprestam o dinheiro, voltem a olhar para o risco da dívida soberana portuguesa com melhores olhos. Os yields depois de terem descido até quase ao nível da dívida espanhola antes da demissão irrevogável de Portas estão a aproximar-se de novo.

Dívida pública portuguesa e espanhola
Fonte: Bloomberg
Também não admira que ontem fossem colocados 3,25 mil milhões de OT a 5 anos a uma taxa de juro média ao redor dos 4,6%, com uma procura quase 4 vezes superior por parte de centenas de investidores incluindo investidores de longo prazo como seguradoras e fundos de pensões. Com esta emissão as necessidades de financiamento em 2014 do monstro ficarão praticamente cobertas.

Entretanto os dados do comércio a retalho em Novembro mostram que Portugal foi o país em que o consumo mais cresceu – 3,1% contra 1,4% da Euro Zona. Isso pode ser sinal de que os animal spirits do consumo se estão a excitar outra vez, mas só significa crescimento para quem acredita que a economia cresce sem investimento.

Notícias deprimentes do Portugal Que Se Queixa (PQSQ):


Desta vez parece haver menos notícias deprimentes e até há uma positiva: o governo, em vez de torrar os 1,1 mil milhões da venda da ANA em mais despesa, vai utilizá-los para amortizar dívida pública (quase mil milhões) e o restante para a Parpública amortizar dívida das EP.

27/05/2013

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio (17)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (12), (13), (14), (15) e (16)

O PIB caiu 3,9% em termos homólogos no 1.º trimestre (INE). É uma má notícia? É. A população empregada teve no mesmo período uma redução homóloga de 4,9% (INE). É uma má notícia? É. E as duas más notícias em conjunto são ainda piores? Não necessariamente, porque indiciam que são os postos de trabalho menos produtivos que se estão a perder. E sendo a baixa produtividade o maior handicap de longo prazo da economia portuguesa, alguém conhece algum caso em que a produtividade aumentou mantendo os mesmos postos de trabalho?

08/10/2013

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio (22)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (12), (13), (14), (15), (16), (17), (18), (19), (20) e (21)

Como habitualmente, vamos distinguir os dois Portugais que coexistem no mesmo Portugal.


03/06/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (190)

Outras avarias da geringonça e do país.

Finalmente, veio a ser pública a quarta carta que o ex-ministro das Finanças Campos e Cunha escreveu a José Sócrates explicando as razões porque pedia a demissão, razões que são um libelo à governação socialista e, por inerência, à dúzia de acólitos do animal feroz que ainda por aí circulam. A começar pelo actual primeiro-ministro Costa (o "merdas sem tomates", segundo Sócrates), Santos Silva (actual ministro dos Negócios Estrangeiros), Vieira da Silva, homem para toda a obra, a continuar com Freitas do Amaral, um socialista frustrado, e muitos outros, e a terminar com Teixeira dos Santos, o sucessor de Campos e Cunha que foi apanhado em mais uma mentira ao fazer um depoimento a limpar a folha do chefe, assumindo a responsabilidade por nomear Vara contra a vontade do chefe, uma semana antes de ser pública a carta de Campos e Cunha esclarecendo que a razão principal para se demitir foi a pressão de Sócrates para que nomeasse Vara. É o esgoto socialista em todo o esplendor.

O cobrador do fraque do Estado Sucial

A estória das operações stop do fisco sob ameaça de penhora dos veículos já foi aqui contada. Resta acrescentar que eram do conhecimento da DG das Finanças em Lisboa e estavam a ser preparadas acções de rua para penhorar activos financeiros e que vai (ou iria?) ser lançada «uma megaoperação de fiscalização a casamentos e festivais de música».

O Estado Sucial ocupado pela geringonça que nos assalta na rua para extorquir impostos, que nos quer impor uma dieta e controlar os nossos hábitos e gostos, é o mesmo Estado Sucial que não sabe o paradeiro de 170 obras de arte à sua guarda, incluindo quadros de Vieira da Silva e Júlio Pomar, José de Guimarães, Malangatana e muitos outros.

17/02/2014

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio (31)

Outros princípios do princípio

Segundo o INE, o crescimento do PIB no 4.º trimestre foi 0,5% superior às estimativas e como o PIB do 3.º trimestre foi revisto em alta (+0,1%) o crescimento em cadeia terá sido de 0,3% nesse trimestre - o terceiro consecutivo de crescimento.

O crescimento homólogo no 4.º trimestre foi de 1,6%, também acima das estimativas, e representa o primeiro crescimento homólogo desde o final de 2010.

A yield das OT a 10 anos continuou a descer, estando agora em 4,98%.

Pela primeira vez em 4 anos o número de famílias com créditos em incumprimento diminuiu (menos 16.862 famílias do que em 2012).

Segundo o Eurostat, a produção industrial apresentou em Dezembro um crescimento homólogo de 7,1%, o maior na União Europeia.

Não embandeiremos em arco porque está quase tudo por fazer na Administração pública, não há dinheiro para investir e sem investimento nacional não há crescimento – a não ser que haja investimento estrangeiro e para isso são precisas condições de competitividade e credibilidade. Apesar disso, que diabo, a coisa não parece ser a espiral recessiva inventada por aquelas criaturas que andaram 10 anos sem verem a espiral de endividamento.

16/12/2019

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (10)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Apreciamos a liberdade da nossa imprensa

Depois do caso do lítio que o programa "Sexta às 9" da RTP, o canal governamental, foi forçado a apresentar só depois das eleições pela directora Maria Flor Pedroso, prima do Dr. Costa (cá está, outra vez, a grande família socialista), temos o caso do Instituto Superior de Comunicação Empresarial, onde lecciona Maria Flor Pedroso, e de cuja proprietária é amiga (lá está, os amigos são uma espécie de prolongamento da família), a quem avisou e aconselhou sobre as investigações inconvenientes da jornalista Sandra Felgueiras (uma metediça, está visto).

Não fora o movimento (lá está, espontâneo) de 113 indignados jornalistas que se mobilizaram num abaixo-assinado (lá está, o abaixo-assinado como arma de luta), e a directora da RTP e prima do Dr. Costa estaria ameaçada de ser injustamente impedida de continuar a exercer o seu múnus patriótico. Logo agora, que o primo Dr. Costa destacou o antigo administrador da RTP, dono de um fornecedor de conteúdos para RTP e seu fiel amigo (lá está, os amigos são para as ocasiões) para a secretaria de Estado dos Mídia onde se prepara para lançar uma «campanha de sensibilização» para educar os jornalistas a produzirem e os leitores a consumirem informação rigorosa (lá está, a coisa já tinha sido pensada por Eric Arthur Blair quando imaginou o ministério da Verdade).

É uma vergonha pretender proibir a palavra vergonha

Talvez cumprindo a sua vocação de grande educador do povo, o Dr. Ferro Rodrigues com o seu chapéu de segunda figura do Estado Sucial admoestou e ameaçou o deputado do Chega por usar as palavras «vergonha» e «vergonhoso» demasiadas vezes a propósito da governação do Dr. Costa o que, no seu entender, significava «desprestigiar as instituições democráticas».


É muita ousadia para quem já esteve «cagando para o segredo de justiça» e pertence ao grupo parlamentar socialista cujos deputados já usaram 259 vezes a palavra vergonha só na última década.

O tiro ao Centeno tornou-se o desporto oficial

No primeiro mandato o bode expiatório foi o governo "neoliberal" papel que passados cinco anos já prescreveu. Foi preciso, portanto, encontrar um substituto. Está encontrado e, por coincidência, é o herói do primeiro mandato - o Ronaldo das Finanças. Não apenas os seus colegas de governo sopram dissidências para os jornalistas amigos como até a Dr.ª Ferreira Leite, uma antiga ministra das Finanças, classificou de «faz de conta» o orçamento e exortou os colegas do Dr. Centeno a verem-se livres dele, mostrando que não apenas faz o serviço socialista quando o PS está na oposição, como mostrou durante os 4 anos do governo do seu partido, mas igualmente quando o PS governa. O Dr. Costa deveria agradecer-lhe criando uma comissão para a Dr.ª Manuela presidir.

A coisa até já passou a fronteira e chegou a Bruxelas onde, numa reunião do Conselho Europeu com o Ronaldo presente com o chapéu da Zona Euro, este e o Dr. Costa se pegaram a propósito do orçamento europeu que o primeiro exaltou e o segundo detractou para espanto dos presentes que não estavam habituados a tal coisa. Até o circunspecto semanário de reverência dedica quase uma página ao tema.

18/02/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (175)

Outras avarias da geringonça e do país.

Dizem alguns comentadores que Costa começa a dar sinais de desorientação. Não estou certo que os seus ziguezagues signifiquem isso, podem muito bem ser apenas a consequência de Costa só ter uma política consistente - manter-se no poder. Daí não ter qualquer problema em anunciar uma barragem de medidas, leis, projectos e planos independentemente da sua exequibilidade ou mesmo da sua intenção efectiva de os executar apenas para encher o espaço mediático, à semelhança dos seus mestres Guterres e Sócrates.

Talvez seja o caso do Direito Real de Habitação Duradoura, ou para simplificar Arrendamento Vitalício, a sua última produção em matéria do arrendamento, um perfeito disparate que na sua versão mais benigna é a generalização da versão dos arrendamentos anteriores a 2003 para os inquilinos com mais de 65 anos.

29/11/2021

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (113) - A Passarola Afundada (V)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Os amanhãs que cantam do Dr. Costa

O resultado das eleições de sábado do PSD é uma demonstração que o Dr. Costa não brinca em serviço quando está em causa a sua cabeça. Apostou todas as fichas, colocou a máquina mediática ao serviço da continuidade do Dr. Rio e ganhou. Tem agora a garantia que, mesmo sem uma maioria provavelmente fora do seu alcance, desembaraçado dos restos do naufrágio da geringonça, terá condições para navegar à bolina do PS-D no novo mandato e desembarcar a tempo das eleições presidenciais de 2026. Melhor é impossível.

Mais uma factura atrasada da geringonça

O desmantelamento da PPP do Hospital de Braga, por razões ideológicas para pacificar o berloquismo do BE, o pedronunismo do PS e os encalhados do PCP, traduziu-se num agravamento de 60 milhões (39%) dos custos e provavelmente terá como consequência uma redução da qualidade dos serviços.

«Em defesa do SNS, sempre»

Como habitualmente, mais demissões nos hospitais. Desta foram os chefes da urgência cirúrgica do Hospital de Santa Maria. Desde o fim da proibição de saída do SNS em Maio, despediram-se mais de 400 médicos.

Confrontada com o colapso, a ministra do SNS chuta para o lado e insinua que o problema está na falta de «resiliência» dos profissionais, o que até poderá ser um dos problemas, mas não certamente o principal. Perante a revolta corporativa, picada por S. Ex.ª, que não perde uma oportunidade para garantir que os portugueses são os melhores dos melhores, a ministra pediu desculpa duas vezes.

Take Another Plan

Em resposta aos voos da TAP para a Madeira que custam em média uns mil euros, a Ryanair oferece 350 mil lugares em 10 rotas para a Madeira em 2022, empurrando a TAP para o terceiro lugar na região atrás das duas low cost.

Temos assim a garantia de continuidade dos prejuízos da TAP, que até Setembro atingiram 628 milhões, e de que o Dr. Pedro Nuno continuará a extorquir-nos injecções de fundos à pala da sua candidatura a cacique do PS.

O Big Brother apoderou-se do Banco de Portugal

A partir de 1 de Março todos os empréstimos contratualizados de qualquer montante e envolvendo quaisquer entidades, particulares (incluindo entre familiares) ou empresas, terão de ser comunicados ao BdP que criará uma base de dados. O pretexto: «prevenção e combate à atividade financeira não autorizada e proteção dos consumidores».

09/03/2017

SERVIÇO PÚBLICO: «Agora é fácil, não é?»

«Não é a primeira vez que escrevo sobre este assunto. E a julgar pelo número de heróis anti-Salgado que surgem hoje publicamente é muito provável que não seja a última.

Quando o Banco de Portugal (BdP) iniciou o seu processo de investigação ao Banco Espírito Santo não tinha os elementos legais para derrubar Ricardo Salgado, por muitas que fossem as suspeitas ou até evidencias de que as coisas estavam muito piores do que se imaginava. Mas o grande obstáculo à atuação do Banco de Portugal era muito mais do que legal. Era uma parede construída pelo poder do então Dono Disto Tudo.

Hoje é fácil atacar Ricardo Salgado. Na altura não só era difícil poucos ousavam criticar publicamente o GES. E não estou só a falar dos líderes de opinião que se mantiveram fiéis a Salgado quase até ao fim, como foi o caso de Marcelo Rebelo de Sousa. Mas também de muitos banqueiros que, à semelhança de outros casos como  o do BPN, se mantiveram calados até o escândalo rebentar.

Não eram só algumas pessoas. Era toda uma economia assente nos braços fortes do Grupo Espírito Santo e da sua capacidade de Influência. Com destaque para o poder político dos partidos do centro.

21/09/2012

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio (10)

[Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8) e (9)]

Bloomberg
Economist


Também nos mercados de capitais tem sido o princípio do princípio, como se vê nos dois diagramas. Porém, nada está garantido e uma combinação do inevitável ajustamento dos mercados ao excesso de expectativas quanto ao ESM, ao OMT e aos discursos de Draghi, a nível europeu, por um lado, e ao neo-PREC e à deriva do governo, a nível doméstico, por outro, pode empurrar-nos de volta à estaca zero.