Imaginemos que o papa Francisco e Lula da Silva assistissem a uma tentativa de estupro e comentassem em uníssono que ela era uma galdéria vaidosa, estava mesmo a pedi-las, provocara o estuprador e queria mesmo ser estuprada, que os amigos dela ao tentarem protegê-la estavam também eles a provocar o estuprador, que ela não deveria ter-lhe dado um pontapé nos tomates, porque o estuprador até não era má pessoa e bem poderia ter tido sexo consentido com ele.
Difícil de acreditar? Pois foi mais ou menos isso que as duas personalidades disseram mutatis mutandis a respeito da brutal agressão de Putin à Ucrânia.
«O Papa Francisco disse que o "latido da OTAN na porta da Rússia" poderia ter levado à invasão da Ucrânia e que não sabia se outros países deveriam fornecer mais armas à Ucrânia. (...) Ele descreveu a atitude da Rússia em relação à Ucrânia como "uma raiva que não sei se foi provocada, mas talvez facilitada" pela presença em países próximos da Organização do Tratado do Atlântico Norte.» (entrevista ao Corriere Della Sera citada pelo Wall Street Journal)
(Zelensky) quis a guerra. Se ele [não] quisesse a guerra, ele teria negociado um pouco mais. É assim. (...) As pessoas estão estimulando o ódio contra o Putin. Isso não vai resolver! É preciso estimular um acordo. Mas há um estímulo [ao confronto]! Você fica estimulando o cara [Zelensky] e ele fica se achando o máximo. Ele fica se achando o rei da cocada, quando na verdade deveriam ter tido conversa mais séria com ele: ‘Ô, cara, você é um bom artista, você é um bom comediante, mas não vamos fazer uma guerra para você aparecer’. E dizer para o Putin: ‘Ô, Putin, você tem muita arma, mas não precisa utilizar arma contra a Ucrânia. Vamos conversar!’ (Entrevista de Lula da Silva à edição brasileira da Time)