Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

30/06/2005

DIÁRIO DE BORDO: sou inimputável, mas tenho um amigo em Belém

O meu banco informou-me que tenho pré-aprovado um crédito, que nunca pedi, de 15.000 euros para gastar nas férias.

Nunca tinha usado, mas há sempre uma primeira vez. As feromonas com que o capital financeiro impregnou a carta tornaram o empréstimo irresistível.

Razão tinha o senhor presidente da República quando largou o pau em cima dos fariseus banqueiros. Quando os sicofantas me enviarem o aviso para amortizar a guita vou mandá-lo para Belém.

SERVIÇO PÚBLICO: Luís XVI, um líder europeu avant la lettre

The Economist, provavelmente a melhor revista no mundo da economia, finanças, etc., recordou aqui que Luís XVI escreveu «Rien» no seu blogue em 14 de Julho de 1789, dia da tomada da Bastilha pelos sans-cullotes, e primeira manifestação visível do jacobinismo como doutrina totalitária e prática terrorista.

Muito apropriadamente, o Economist criou um prémio a que deu o nome de Luís XVI «para ser atribuído ao líder europeu mais fora da realidade». O primeiro vencedor foi justamente o presidente do Conselho Europeu ainda em exercício Jean-Claude Juncker.

[Fica aqui lavrado o protesto impertinente pelo roubo criativo virtual e antecipado de uma ideia que haveria de sair do meu bestunto, só não se sabia quando. Teria sido um belo prémio a juntar aos bourbons e aos outros, para premiar na Avaliação Contínua o lunatismo.]

Esta é parte divertida da coisa. A parte menos divertida é o profundo descrédito de Juncker e de muitos outros líderes europeus pela recusa de enfrentar a realidade. Descrédito que, na pior hipótese, poderá conduzir ao colapso das instituições europeias e, na melhor, retira legitimidade a essas instituições convertendo as decisões do conselho ou da comissão europeia em meros delírios que os governos nacionais ignorarão com o aplauso dos respectivos eleitores. O Pacto de Estabilidade e Crescimento dá-nos o primeiro exemplo.

Luís XVI antes de perder a cabeça

CORRECÇÃO: o blogue de Luís XVI, à época chamado diário, estava offline.

29/06/2005

CASE STUDY: formação pós-graduada a la bolognesi (epílogo)

Em jeito de fecho deste inventário (ver episódios 1, 2 e 3) do que de melhor se faz em matéria de Formação pós-graduada no nosso país, aqui fica uma proposta patriótica à consideração do senhor presidente da República, inspirada no spam que o Impertinências em boa hora recebeu durante a preparação deste post e que aqui se transcreve.

«A Genuine College Degree in 2 weeks!
Have you ever thought that the only thing stopping you from a great job and better pay was a few letters behind your name?

Well now you can get them!
BA BSc MA MSc MBA PhD

Within 2 weeks!
No Study Required!
100% Verifiable!

These are real, genuine degrees that include Bachelors, Masters and Doctorate degrees. They are verifiable and student records and transcripts are also available.

This little known secret has been kept quiet for years. The opportunity exists due to a legal loophole allowing some established colleges to award degrees at their discretion.

With all of the attention that this news has been generating, I wouldn’t be surprised to see this loophole closed very soon.

Order yours today!
Just call the number below.
You’ll thank me later…
+1-206-984-0021»


Como já adivinharam a proposta é genialmente simples. É um plano em duas fases. Na primeira fase suprimem-se todas as pós-graduações substituindo-as por certificados MA, MSc, MBA, e PhD, conforme o que for aplicável, encomendados através do telefone +1-206-984-0021. Numa segunda fase, faz-se o mesmo com as graduações substituindo-as por certificados BA e BSc, obtidos da mesma forma.

(I’ll be back soon)

28/06/2005

BLOGARIDADES: ainda as fraldas

Dou-me conta pelos ecos nos blogues que frequento que voam fraldas pelo ar no infantário dos barnabés.

Noutros tempos teria havido traições, denúncias, auto-críticas, julgamentos sumários, ostracismo, gulags, talvez fuzilamentos e fotografias refeitas. Hoje só há arrufos, acusações e dissidências, mas os mecanismos mentais são essencialmente os mesmos.

CASE STUDY: formação pós-graduada a la bolognesi (3)

Depois do ISCTE e de outras escolas, trata-se agora das melhores «propostas» de universidades privadas.

Universidade Internacional

Turismo sustentável
Duração: 166 Horas
Propinas: 3.100,00 (2 Prestações)
Aplicabilidade:
Utilíssimo para os proprietários de estabelecimentos de turismo de habitação subsidiados pelo Fundo de Turismo que têm os seus estabelecimentos sempre ocupados com a família e os amigos.

Universidade Lusíada
Desta prestigiada escola seleccionei dois refrescantes cursos.

Construção sustentável
Duração: 2 Semestres
Propinas: 2.500,00 (2 Prestações)
Aplicabilidade:
Curso obrigatório para qualquer empreiteiro, engenheiro civil, mestre de obras, pedreiro, e outras profissões que contribuem para o colapso das construções.

Lean Thinking
Duração: 1 Ano Lectivo
Propinas: 1.800,00 (2 Prestações)
Aplicabilidade:
Aconselhável para aspirantes a intelectuais com verbo fácil e pensamento difícil.


Universidade Lusófona

Gestão de Eventos
Licenciada Paula Bobone
Duração: 1 Ano Lectivo
Aplicabilidade:
O facto deste curso ser ministrado pela doutora Paula Bobone torna-o uma referência para quem queira organizar eventos, duma simples festa de aniversário a uma orgíaca despedida de solteiro.


Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti

Metodologias da Aprendizagem da Língua Portuguesa como segunda língua
Duração: 2 Semestres
Aplicabilidade:
Pode ser considerado um sucedâneo curto do curso da Universidade Nova de Lisboa com um nome parecido.

Instituto Superior de Administração e Gestão

Gestão para instituições sem fins lucrativos
Duração: 237 Horas
Aplicabilidade:
É uma boa notícia saber-se que existe mais um curso (o outro é da o Escola de Gestão do ISCTE ) dedicado aos gestores de empresas públicas.

(continua)

27/06/2005

DIÁRIO DE BORDO: fraldas mentais

«Os Jovens do Bloco, movimento juvenil associado ao Bloco de Esquerda (BE), ensinam "técnicas de desobediência civil", num ‘workshop’, no âmbito de um acampamento que decorre entre 27 a 31 de Julho em S. Gião, na Serra da Estrela.» (Correio da Manhã, via Marretas)

A esquerda, sobretudo a esquerdalhada, é psicologicamente uma infância retardada. São uns gajos que nunca cresceram nem crescerão, impregnados pelo princípio freudiano do prazer, fixados na fase do não, incapazes de assumir deveres e responsabilidades. São uns gajos que nunca largaram as fraldas mentais.


A chupeta do Anacleto é um micro

BREIQUINGUE NIUZ: uma janela de oportunidade

É difícil compreender a falta de compaixão, para não dizer a sanha, com que os ianques tratam os seus capitalistas transviados. Já aqui tratei deste tema e faço-o uma vez mais.

Foi agora a vez de Rigas pai e Rigas filho serem punidos com 15 e 20 anos de prisão, respectivamente, por fraudes contabilísticas e fiscais que conduziram à falência da Adelphia Communications.

Também Dennis Kozlowski da Tyco International foi julgado culpado e arrisca uma pesada pena de prisão.

Eis que se abre uma janela de oportunidade para a nossa economia. Exortemos pois os mal-amados capitalistas ianques a acorrerem a este nosso paraíso dos capitalistas, onde, em trinta anos e passados os excessos do PREC, só o doutor João Cebola sofreu moderados rigores penais. Portugal será para eles um aconchegante porto de refúgio que os abrigará de tudo, salvo duma enorme inveja.

26/06/2005

SERVIÇO PÚBLICO: a «revolução cultural» da magistratura

O doutor António Cluny, presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, ameaça que vai convocar uma conferência de imprensa para expor o desperdício de dinheiros públicos. Desperdício de dinheiros com a ineficiência da máquina emperrada da justiça? Ora essa, o doutor Cluny não trata desses assuntos. Ele está preocupado com os institutos públicos e, registe-se, sobretudo com os vencimentos dos seus presidentes e directores que ganham mais do que os magistrados.

Porquê a súbita preocupação dos magistrados pela palha ruminada pela vaca marsupial pública? Trata-se apenas de uma arma de arremesso que faz companhia à greve de zelo. Perdão? Greve de quê? «Revolução cultural», rectifica o doutor Cluny.

Revolução quê? Decomposição do desmesurado, mas fraco, estado napoleónico-estalinista.

25/06/2005

DIÁRIO DE BORDO: se isto não é discriminação, o que é a discriminação?

Agora que toda a gente perdeu a vergonha, venceu o preconceito e vive em união de facto, eles querem imitar os caretas e casar-se. Se isto não é discriminação, o que é a discriminação?

Vamos já criar um «gabinete contra a discriminação» e uma «agência pela diversidade».

24/06/2005

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: finalmente têm o que pediram

Secção Insultos à inteligência

O engenheiro Sócrates quer reduzir de 1.327 para 450 (*) o número de professores-sindicalistas sustentados pela vaca marsupial pública.

E o que diz a Fenprof? Que é um ataque aos direitos adquiridos? Que é um ataque às conquistas de Abril? Que é uma medida neo-liberal?

Nada disso. «É uma medida positiva. Desde 1995 que a Fenprof propõe a redução de agentes sindicais», diz pela boca do sindicalista-professor Augusto Pascoal. A coisa só não se fez porque os governos anteriores insistiam em manter os 1.327, deduz-se.

Cinco ignóbeis e outros tantos bourbons para a Fenprof porque há um limite para tudo na vida - até para a mentira.

(*) Repare-se como o governo olha para a coisa sindical: em vez de dizer aos sindicatos que podem ter os sindicalistas que quiserem desde que os paguem, faz contas de cabeça para chegar a um número «razoável».

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: a diferença entre um estadista e um político

Secção Assaults of thoughts
«If Europe defaulted to Euro scepticism, or if European nations faced with this immense challenge, decide to huddle together, hoping we can avoid globalisation, shrink away from confronting the changes around us, take refuge in the present policies of Europe as if by constantly repeating them, we would by the very act of repetition make them more relevant, then we risk failure. Failure on a grand, strategic, scale. This is not a time to accuse those who want Europe to change of betraying Europe. It is a time to recognise that only by change will Europe recover its strength, its relevance, its idealism and therefore its support amongst the people.
And as ever the people are ahead of the politicians. We always think as a political class that people, unconcerned with the daily obsession of politics, may not understand it, may not see its subtleties and its complexities. But, ultimately, people always see politics more clearly than us. Precisely because they are not daily obsessed with it.»

«There are two possible explanations. One is that people studied the Constitution and disagreed with its precise articles. I doubt that was the basis of the majority 'no'. This was not an issue of bad drafting or specific textual disagreement.
The other explanation is that the Constitution became merely the vehicle for the people to register a wider and deeper discontent with the state of affairs in Europe. I believe this to be the correct analysis.»

«So, that is the context. What would a different policy agenda for Europe look like?
First, it would modernise our social model. Again some have suggested I want to abandon Europe's social model. But tell me: what type of social model is it that has 20m unemployed in Europe, productivity rates falling behind those of the USA; that is allowing more science graduates to be produced by India than by Europe; and that, on any relative index of a modern economy - skills, R&D, patents, IT, is going down not up. India will expand its biotechnology sector fivefold in the next five years. China has trebled its spending on R&D in the last five.»
(ver aqui o texto completo do discurso de Tony Blair ontem no parlamento Europeu),

Cinco afonsos para Tony Blair. É preciso explicar porquê?

CASE STUDY: formação pós-graduada a la bolognesi (2)

Ontem tratei das propostas do ISCTE. Hoje é a vez das propostas de várias outras universidades de norte a sul.

Universidade de Aveiro

Gestão Curricular
Duração: 4 Semestres
Propinas: 3.750,00 (4 Prestações)
Aplicabilidade:
Recomendado para utentes da vaca marsupial pública, isto é candidatos a emprego na função pública ou funcionários públicos, que pretendam uma gestão eficaz da sua carreira. Também muito aconselhável para as juventudes partidárias.

Universidade do Minho

Biologia do Estresse em Plantas
Duração: 2 Semestres
Propinas: 1.375,00 (3 Prestações)
Aplicabilidade:
Sugerido para assistentes sociais especializados no apoio psicológico a funcionários públicos em risco de AVC.


Universidade Nova de Lisboa

Ensino do Português como língua segunda
Duração: 4 Semestres
Propinas: 2.500,00
Aplicabilidade:
Não fosse o número limitado de inscrições previsto, poderia recomendar-se este curso aos muitos professores que serão necessários para ensinar a língua portuguesa a todos portugueses que concluíram o secundário nos últimos 20 anos com nota inferior a 19.


Instituto Superior de Agronomia

Ecologia e utilização das plantas ornamentais
Duração: 30 Horas
Propinas: 1.115.00
Aplicabilidade:
Muito adequado para a reciclagem dos jovens agricultores depois da reforma da PAC, na hipótese das ideias de Mr. Blair vencerem e os carcanhóis da PAC se destinaram a criar emprego em vez de alimentarem as vacas de M. Chirac.


Universidade Autónoma de Lisboa Luís de Camões

Aconselhamento Pastoral
Duração: 1 Ano Lectivo
Propinas: 2.800,00
Aplicabilidade:
Aqui está outra pós-graduação incontornável para as juventudes e quadros partidários.

Controlo do estresse em situações-limite
Duração: 1 Ano Lectivo
Propinas: 2.800,00
Aplicabilidade:
Um curso obrigatório destinado aos funcionários públicos em risco de AVC.

Estudos da Paz e da Guerra
Duração: 2 Anos
Propinas: 3.600,00 (2 Prestações)
Aplicabilidade:
Trata-se de mais um curso incontornável para militares dos 3 ramos das forças armadas, sapadores bombeiros, funcionários da defesa civil do território e muitos outros profissionais que se ocupam da paz sem descurar a guerra.

(continua)

23/06/2005

CASE STUDY: formação pós-graduada a la bolognesi (1)

«"Não acredito que seja possível avançarmos em Portugal sem nos pormos em causa", afirmou Jorge Sampaio... Para o Presidente da República, é necessário apurar o que é que as universidades andam a fazer.» (escreveu o Público umas semanas atrás)

Aqui estou eu a juntar a minha modesta voz à do doutor Sampaio, mostrando ao mundo lá fora que há pelo menos dois portugueses que acham que não avançaremos «sem nos pormos em causa», ou, dito de outro modo, sem deixarmos de ser portugueses.

Já que estou com a mão na massa, aproveito para responder ao apelo do senhor presidente da República no que respeita a saber o que «as universidades andam a fazer». Por falta de tempo e de ciência, circunscrevo à «Formação pós-graduada» a resposta ao apelo presidencial.

Os muitos anos que decorreram desde a minha passagem por uma dessas universidades, aconselharam-me a socorrer-me do inventário que o Expresso publicou em 30-04-2005 num dos incontáveis cadernos a que foi dado o nome de «Formação pós-graduada».

O imenso caderno, que conta com 1.500 «propostas», foi passado a pente fino pelo Impertinências para escolher as melhores dessas propostas. Foi uma tarefa difícil, de que me desembaracei só agora. Aqui estou, pois, para vos apresentar o primeiro capítulo de la crème de la crème da produção das nossas luminárias universitárias, devidamente comentado e com sugestões que espero sejam úteis.


ISCTE
Desta insigne escola o Impertinências seleccionou 3 estimulantes propostas.

Construção de Materiais Didácticos para a Internet
Duração: 1 Ano
Propinas: 1.350,00 (3 Prestações)
Aplicabilidade:
É um curso promissor, especialmente vocacionado para os professores de educação sexual ilustrarem on line a mente dos jovens com a «evidência científica, que é a de que o sexo e o prazer não se esgotam na reprodução»

Gestão da Diversidade e Comunidades de Prática
Duração: 2 Semestres
Aplicabilidade:
Especialmente indicado para a polícia de choque lidar com os participantes do arrastão de Carcavelos.

Introdução à utilização do Látex
Duração: 30 Horas
Propinas: 300,00
Aplicabilidade:
Um curso indispensável para profissionais do sexo e, em geral, praticantes das modalidades de sexo vagabundo.

(continua)

22/06/2005

LA DONNA E UN ANIMALE STRAVAGANTE: óbvio ululante

Se a diferença orgástica talvez ainda se justificasse explicar para os mais distraídos, ou ignorantes, será preciso explicar porquê as ferramentas do canalizador polaco suscitam um entusiasmo diferente nas MENINAS?

E, já agora, será precisar explicar porquê os franceses ficaram aterrorizados com a invasão anunciada dos canalizadores polacos? Enfim, nem todos os franceses.

LA DONNA E UN ANIMALE STRAVAGANTE: a diferença orgástica

Para quem sempre acreditou (fé renovada todos os dias, passe o exagero) que mulheres e homens são tão diferentes como a noite e o dia, o sol e a lua ou Marte e Vénus (esta não vale) e que essa diferença deve não só ser aceite naturalmente como festejada (viva a diferença!). Agora perdi-me. Ah, estava eu a dizer que, para quem sempre acreditou nessa diferença, saber que a ciência confirmou a experiência concluindo que também os orgasmos são muito diferentes, não é surpresa nenhuma. Ou pensam que o Impertinências é um desses metrossexuais que passam a vida a olhar-se ao espelho e a untar-se de cremes? Não senhor(a). O Impertinências não só olha para as gajas, como as observa e convive com elas, excepto, claro, bujarronas feministas, sapatões e o resto da tropa dos LBGTs.

É por isso que os as conclusões do estudo do doutor Holstege foram lidas pelo Impertinências com um puf enfadado: olhá novidade.
(via Grande Loja do Queijo Limiano)

PROFECIA:
Espera-se ansiosamente a reacção indignada das legiões censórias do politicamente correcto, reacção que, até certo ponto, deve ser desculpada por resultar de falta da experiência orgástica.

21/06/2005

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: uma singularidade cada vez mais plural

Secção Com a verdade me enganas

O Jaquinzinhos conta aqui a estória cada vez menos original do homem que tem duas opiniões: a opinião antes de ir para o governo e a opinião quando lá está.

Ao contrário do que possam imaginar, não estou a falar do professor Freitas do Amaral, nem do seu recente e inesperado penchant por Condy, a ajudante do Hitler ianque. Falo, fala o Jaquinzinhos, do professor Campos e Cunha a respeito dos malefícios da excessiva regulamentação do mercado de trabalho, nomeadamente do salário mínimo.

Ao professor Campos e Cunha, um outro visconde colado ao meio, atribuo 3 urracas, pela suspeita volubilidade.

SERVIÇO PÚBLICO: eu sabia que mais tarde ou mais cedo alguém iria explicar

Para dar um ar erudito aos devaneios, o Impertinências tem citado os estudos do antropólogo Geert Hofstede inúmeras vezes, desde o passado longínquo até ao passado recente.

Hofstede foi citado quase sempre a propósito da combinação perversa de colectivismo, feminilidade, aversão ao risco e distância hierárquica que caracterizam a cultura dominante na sociedade portuguesa e, possivelmente, estão na génese do capitalismo luso, timorato e dependente, e de várias de outras malformações, como a mediocridade das nossas elites ou o rastejar mendicante da nossa intelectualidade.

Nunca me dei ao trabalho de explicar o modelo de Hofstede e o mais longe que fui, ficou-se pela superfície. Eu sabia que isto estava escrito em qualquer sítio (*), e mais tarde ou mais cedo alguém (o doutor João Gata da Universidade de Aveiro) haveria de o publicar nalgum sítio (pág. 55 do Semanário Económico de 17-06).

(*) Antecipando-me à reclamação dos direitos de autor, é melhor confessar já que o sítio onde isto costuma estar escrito é o sítio bomba inteligente,.

20/06/2005

SERVIÇO PÚBLICO: porque será?

«Israelitas e palestinianos acordaram destruição dos colonatos em Gaza» (Público)

Porque será que o conflito israelo-palestiniano só começou a caminhar para uma solução pacífica e negociada depois da morte de Arafat?

SERVIÇO PÚBLICO: a ciência e a tecnologia são mais ameaçadoras do que as T-shirts

Os nossos empresários, governantes, líderes partidários, comentadores, analistas e, em geral, quase todas as luminárias que discorrem sobre a ameaça chinesa, apavoram-se com o dumping social e com os baixos salários, esquecendo, convenientemente, o que os portugueses andaram durante décadas a fazer com a Europa.

Não é todos os dias que alguém escreve sobre o lado menos visível da questão, que é se os chineses nos dão 10 a 0 nos baixos salários da mão de obra pouco qualificada, já nos dão 3 a 0 nos técnicos qualificados e nos trabalhadores científicos, e, dentro de alguns anos, vão dar-nos 10 a 0 - numa altura em que já só nos darão 3 a 0 nos baixos salários.

O professor Vítor Gonçalves do ISEG na sua coluna «Capital Permanente» do caderno de Economia do Expresso mostra-nos o outro lado da questão chinesa. Alguns dados: entre 1998 e 2003 triplicou o investimento em P&D; entre 1981 e 2003 a publicação de artigos chineses nas revistas científicas internacionais aumentou 13 vezes o seu peso relativo; em 2001 os chineses representavam 30% dos doutoramentos de estrangeiros em engenharia e ciência no EU.De que serve calafetar as fronteiras às T-shirts chinesas?

19/06/2005

TRIVIALIDADES: pensamentos partilhados

O inefável professor Carrilho saiu por momentos do seu Olimpo familiar e concedeu uns minutos do seu tempo e a luz da sua presença a uma jornalista do Expresso.

Alguns pensamentos polvilhados na sua notável entrevista:
«os jornalistas são débeis mentais e não se interessam pelo essencial. Pobre país que tem uma classe jornalística assim.» - três grandes verdades, sendo que o essencial neste caso são os 38.760 caracteres de pensamentos que o inefável dedica à cidade de Lisboa;
«o meu projecto para Lisboa pode ajudar o país a sair da crise» - um exemplo de underacting típico da humildade intelectual do filósofo;
«passei o mês de Maio a trabalhar com 500 (quinhentos) dos mais reputados técnicos que temos» - um exemplo de como trabalho árduo pode fazer milagres.

18/06/2005

SERVIÇO PÚBLICO: o rigor centesimal tem 6 dígitos

Porque se consideram entre nós gargantuélicos os défices gémeos dos EU (orçamento e balança comercial), que rondam perigosamente os 10%, mas, salvo o bando liberal, ninguém parece verdadeiramente preocupado com os nossos mais de 16% (mais de 6% no orçamento e mais de 10% na balança comercial)?

Talvez a razão seja a mesma de poucos acharem estranho que o rigor centesimal dos exercícios prospectivos as if do doutor Victor Constâncio lhe rendam quase o dobro (273 mil) do que rende o elaborado mumble jumble do seu homólogo Alan Greenspan, presidente da Reserva Federal americana, que não amealha mais do que uns míseros 146 mil euros por ano. (ver O Independente de ontem)

Homólogo é uma maneira simpática para o doutor Constâncio de dizer que a responsabilidade mais pesada do banco central (fixação das taxas de juro - o preço do dinheiro) foi no caso português transferida para o Banco Central Europeu com a adopção do euro.

17/06/2005

BLOGARIDADES: ainda as lágrimas de crocodilo

A propósito das lágrimas de crocodilo.

Num regresso meteórico à Bloguilha o Homem a Dias dispara dois posts antológicos sobre os factos que rodearam os feitos do general Vasco Gonçalves e do doutor Álvaro Cunhal.

Também Vasco Pulido Valente, citado por O Insurgente, escreve um artigo de opinião sobre o culto post mortem do doutor Cunhal, notável de lucidez, a começar pelo título - «Portugal não se respeita».

O IMPERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: mudam-se os tempos mudam-se as vontades

A correspondência do Impertinências está irremediavelmente atrasada. Ainda não atingiu os 1,4 milhões de processos pendentes dos tribunais portugueses (diz a Ordem dos Advogados), mas para lá caminha.

A propósito dum centro de reeducação de menores onde 50 funcionários tomam conta de 9 jovens, o meu amigo JARF enviou-me no mesmo dia do post um email relatando as suas experiências de reeducação quando jovem e presumível delinquente, coisa que, eu que o conheço, para ser franco, não me deixou surpreendido.

«Conheci bem uma dessas instituições, o Reformatório Feminino de Lisboa, mais tarde Instituto de Reeducação de S. Domingos de Benfica ao tempo de Marcello Caetano.
Adolescentes sem estrutura familiar, semi abandonados e que incorriam em pequenos delitos de rua, e se não havia avós responsáveis eram aí colocadas pelos tribunais de menores até à maioridade (tipicamente o pai deixava o salário na taberna, e mãe andava na vida).

O Reformatório tinha 4 ou 5 empregadas de secretaria, 4 preceptoras, 4 auxiliares e 4 vigilantes ( os nomes são os autênticos da época), 1 cozinheira e 1 motorista, 1 jardineiro e 1 hortelão. Mais a directora. Médico e padre etc. em outsourcing. E albergava um número variável de jovens entre 60 e 110. O rácio de empregados por instruendo neste tipo de instituições deteriorou-se bué nos últimos 40 anos. Tão só 15 ou 16 vezes.

Mas há mais: as internas confeccionavam a maior parte da roupa que vestiam, e a horta provia ao sustento em legumes, galináceos, etc. com a ajuda de uma brigada de internos de outra instituição dependente do Ministério da Justiça, a vizinha cadeia de Monsanto. E havia disciplina, e todas saíam com pelo menos a 4º.Classe (situo-me nos anos 40, 50, 60).

Após concluir a licenciatura em Direito em 1933, a minha mãe concorreu através de anúncio de jornal, ao lugar de sub directora e ficou. Passou a directora 5 anos depois, e exerceu aí a sua actividade profissional até se reformar aos 65 anos com 42 de função pública. Tinha direito a casa, dentro das instalações, um palácio do Sec. 18 construído por um rico comerciante huguenote, Gerard de Visme, mais tarde confiscado pela República às dominicanas. Não creio que tivesse muito que fazer, para além de umas conversa e relatórios para o director geral, por isso teve oito filhos.

Quem me conhece não ficará surpreendido quando digo que nasci num reformatório, e colaboraram na minha educação alguns cadastrados, inclusive assassinos.»

16/06/2005

BREIQUINGUE NIUZ: a superioridade moral da esquerda

Se a compra de favores pela direita se chama corrupção, como se chama a compra de favores pela esquerda? Mensalão.

Foi assim que o criativo linguajar brasuca baptizou o pagamento mensal de 30 mil reais aos deputados do PP e do PL para votarem no Congresso as propostas do governo de Lula. Com uma quantia destas (equivalente a 9 mil euros) é possível comprar uma fazendinha no Brasil.

O cambalacho foi agora melhor desvendado com as declarações do deputado Roberto Jefferson do PTB-RJ que avisou que o melhor seria não se meterem com ele, porque «se fizerem alguma coisa comigo cai a República». (o «Estadão» conta a estória)

SERVIÇO PÚBLICO: «Si vous vous mettez au prix des Portugais, on vous reprend»

Enquanto o Partido Comunista Chinês (ou seja os 3 poderes: executivo, legislativo e judicial, e ainda a nomenclatura) faz dumping social explorando o proletariado chinês que é pago à tarifa horária média de 40 cêntimos por hora para fazer T-shirts que os capitalistas portugueses deixam de fazer, reduzindo o grau de exploração do proletariado português, as sucursais francesas dos capitalistas portugueses fazem dumping social prejudicando os capitalistas franceses (e o governo francês que também é capitalista) e, dessa maneira, reduzindo o grau de exploração do proletariado francês.

Quem não percebe nada do que se está a passar são os sindicatos e a esquerda francesa que se queixam que os nossos patrícios trabalham lá «dans des conditions apparemment illégales, et bien inférieures au droit social français». (d'après Libé)

C'est la mondialisation. Hélas!

15/06/2005

SERVIÇO PÚBLICO: uma boa pergunta

«um orçamento comunitário que reserva 46 por cento das suas verbas para manter uma agricultura subsidiada que ocupa 4 por cento da população europeia e que é, ao mesmo tempo, a maior máquina de destruição dos mercados agrícolas dos países mais pobres do mundo, contribuindo com enorme eficácia para que não consigam vencer a espiral da pobreza. Haverá maior irracionalidade?»
(Teresa de Sousa, no Público, via Blasfémias)

DIÁRIO DE BORDO: lágrimas de crocodilo

Não por acaso, o Impertinências não tem uma área temática chamada Obituário. Só a orgia mediática a propósito das mortes do general Vasco Gonçalves e do doutor Álvaro Cunhal me empurra para um curto e episódico comentário.

A maioria dos que agora choram lágrimas de crocodilo pelas mortes do general Vasco Gonçalves e do doutor Álvaro Cunhal chorariam de alegria, às escondidas da polícia política, se as ideias que ambos defendiam tivessem vencido no contragolpe de 25 de Novembro de 1975. E teriam vencido, se dependesse só deles, da sua obsessiva fé no comunismo e da reconhecida força de carácter de ambos. Não foi a oposição interna nem a influência do império americano que os derrotou. Foi o império soviético, para cujos interesses Angola era muito mais importante do que este país pendurado no nariz da Europa.

Tivessem as suas ideias vencido e seriam as qualidades desses dois homens, que agora se enaltecem, os atributos que mais os tornariam odiados.

14/06/2005

CASE STUDY: a vida aquém do défice (2)

Continuando a saga da alimentação da vaca marsupial pública. A redução do número de utentes da vaca é possivelmente a reforma mais dramática e assustadora que o governo tem, ou teria, de enfrentar.

A medida mais fácil é a mais cara: mandar para casa um quarto ou terço dos utentes, pagar reforma aos mais velhos e subsídio de desemprego aos mais novos, para acabar a substituí-los gradualmente nos anos seguintes por outros tantos.

A medida mais barata é a mais difícil: seguir o conselho do engenheiro José Tribolet do INESC, e gradualmente reformar ou despedir os utentes excedentários.

Mas parece haver a terceira via. A publicação recente de um estudo, que incidiu sobre 2.197 funcionários públicos britânicos e durou 20 anos, reuniu indícios que uma vida profissional monótona, sem perspectivas, com pouca exigência e pouco auto-controlo, com sujeição a uma organização estúpida e a chefes incompetentes poderá aumentar significativamente o risco de acidentes vasculares.

Se for assim, nomeia-se já uma comissão para estudar a alteração de meia dúzia de pormenores no estatuto das carreiras, na regulamentação dos concursos e dos processos de nomeação dos funcionários públicos com vista a garantir uma maior eficácia e a maximizar a taxa de AVCs. Em duas legislaturas os resultados são garantidos.

Esperando a reforma ou o AVC?

13/06/2005

TRIVIALIDADES: um peso pesado na política externa

«Estes 20 anos foram de grande crescimento, não só económico e social, mas também de aumento do peso político de Portugal no Mundo, disse Freitas do Amaral à entrada de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), no Luxemburgo». (Público)

O peso económico de Portugal está a ser alvo duma tão rigorosa dieta que ainda não sabemos se o volumoso contrapeso nos negócios estrangeiros do doutor Freitas é suficiente para o compensar.

TRIVIALIDADES: um erro de casting seguido dum erro de produção

Em tempos de vacas gordas os portugueses gostam de gajos que talvez sejam porreiros (Santana Lopes teve um erro de entrada em cena) ou pelo menos parecem porreiros (Guterres). Gajos que andem com os média ao colo, não os chateiem com más notícias, que lhes digam coisas agradáveis, que os façam sentir que tudo está bem, mesmo que, lá no fundo, saibam que algo está mal.

Em tempos de vacas magras os portugueses percebem que têm que se aguentar com um outro tipo de gajos. Gajos (que pareçam) decididos, ligeiramente distantes, tendencialmente autoritários, que pareçam saber fazer contas ou tenham um adjunto que pareça que as sabe fazer, que marquem as suas distâncias aos média. Exemplos: o Botas, o doutor Soares, o professor Cavaco Silva e o engenheiro Sócrates, que foi o melhor que o PS conseguiu arranjar para estes tempos difíceis.

É por isso que a arrogância distante e palavreado erudito do inefável professor Carrilho tem poucas hipóteses de sucesso, quer com, quer sem vídeo mostrando a família. É por isso que não se percebe a reacção indignada dos seus adversários, que deveriam estar felizes por ele ter dado mais um tiro no pé. A menos que julguem moralmente reprovável que o homem mostre a família. Não é. O que será moralmente inaceitável é que o homem, depois de ter usado a família com propósitos políticos, volte a confiscar as máquinas aos paparazzi da paróquia, ou venha a indignar-se se a política lhe entrar pelo quarto adentro.

TRIVIALIDADES: quem tramou M. Chirac?

É possível que M. Chirac partilhe com o seu travesseiro, nas noites de insónia no Eliseu, uma atractiva e oportuna teoria conspiratória que explique o fracasso da sua política comunitária pela perfídia britânica que, anunciando um referendo o obrigou a fazer o mesmo, mas com a vitória do não se dispensou de o realizar.

Durante esses delírios nocturnos, M. Chirac poderia bem lembrar-se dum episódio da série «Yes minister» de 1980 em que Sir Humphrey diz ao seu ministro
«Britain has had the same foreign-policy objective for at least the last 500 years: to create a disunited Europe. The more members it has, the more argument it can stir up, and the more futile and impotent it becomes»
(lembrado por The Economist, talvez não por acaso)

12/06/2005

O MEU LIVRO DE CABECEIRA: Rodasnepervil

O meu amigo LG reincide. O seu quinto livro «Conversas à Mesa do Café» trata de conversas imaginárias sobre coisas da vida e da morte com a mesma inocência e simplicidade dos outros quatro.

«Havia tratado pela manhã das tarefas do dia.
Rara é a vez que a minha agenda está em branco.
Ninguém tem mais afazeres do que os reformados, assim dizem os que são.
Quando no activo foi-nos negado, pela força das circunstâncias, em nos ocuparmos do que tanto gostaríamos de fazer, portanto, agora, há que aproveitar todo o tempo do mundo.
Uns prometeram a si próprios, passar ao papel tanto do que foram memorizando; outros comprometeram-se a catalogar os livros e manuscritos que foram amontoando; há aqueles que sempre pensaram ordenar os postais e fotos de viagens que foram encaixotando ao longo da vida; e ainda aqueles outros que têm todas estas e outras mais tarefas a tratar. Mas eu havia prometido ao João Rodasnepervil voltar, de quando em vez, ao café e para isso entendi logo incluir numas quantas folhas da agenda tal "afazer".
Ora, aquando da nossa última conversa apresentei o João, apenas pronunciando o seu nome e apelido
Mesmo que não vá traçar uma longa biografia do nosso amigo dos bancos da escola e da adolescência, julgo interessante que mesmo a partir do seu nome fiquemos com uma ideia do meio em que cresceu e se fez homem. Sua mãe era uma senhora ocupada na lida da casa e da Família, muito recatada e devota do cristianismo, sendo São João Baptista, aquele que fez a "ponte" entre o Antigo e o Velho Testamento, para ela, o Santo a quem, desde muito nova dirigia as suas preces, havendo-lhe prometido que João seria o nome do seu primeiro filho.
O pai era operário da construção naval, muito dado ao sindicalismo e leitor de obras que passavam às malhas da censura.
Para o pai não havia inconveniente algum que o seu primogénito tivesse o nome de João, até que, segundo ele, João, Jesus e os Apóstolos foram os primeiros homens a pôr em pratica ideias socializantes, porém, não dispensava que o nome João fosse seguido de Livre-pensador.
Aconteceu, no entanto, que Livre-pensador não era permitido (estávamos em plena Ditadura) e, assim, o pai invertendo a expressão prantou-lhe Rodasnepervil.
O João, filho de um casal com doutrinas diferentes, mas de certo modo convergentes, fez-se um Humanista com quem dá prazer manter uma boa conversa à mesa do Café.»

10/06/2005

DIÁRIO DE BORDO: mais um 10 de Junho, e nada

«Ano após ano, espero ansiosamente até às vésperas do Dia da Pátria a chegada dum telefonema, duma carta, enfim, dum sinal vindo da Casa Civil da Presidência da República. E nada.

Este ano, uma vez mais, nada.

Pertenço definitivamente a uma espécie em vias de extinção - a dos portugueses que ainda não foram condecorados, e a uma outra espécie rara - a dos portugueses que perderam a esperança de ser condecorados no 10 de Junho.
»

09/06/2005

08/06/2005

BLOGARIDADES: o doutor Freitas, cujo carácter já estava moribundo, ficou agora cortado ao meio (ACTUALIZADO)

Sem recuar mais no tempo, só este ano já perpetrei uma meia dúzia de tentativas de assassinamento de carácter do doutor Freitas do Amaral. Alguns exemplos dessas tentativas (infrutíferas por falta de objecto): aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Por muito que me custe, tenho que reconhecer que nenhuma delas foi tão bem conseguida quanto O Visconde Colado ao Meio da Joana. Só à primeira vista isso pode surpreender: quem deixa Babilónia de tanga e é mulher para estas montarias, é certamente capaz de torrar a reputação de qualquer doutor Freitas.

ADITAMENTO:

A respeito de mais esta cambalhota do doutor Freitas, vale a pena ler o que escreveu Sérgio Figueiredo no «Este ministro não é viável».

Depois não digam que o Impertinências não tinha avisado oportunamente:
«Tal como no passado traiu o doutor Soares, aliando-se com ele para chegar ao governo e dele saindo para o fazer cair, o professor Freitas irá trair no futuro o engenheiro Sócrates, mesmo que este aceite pagar o preço de o deixar preparar um futuro radioso à medida da sua vaidade. Está na sua natureza.»

SERVIÇO PÚBLICO: pregar aos peixinhos

Faz pelo menos 10 anos que a reengenharia dos processos de negócio (business processes reengineering - BPR) é utilizada correntemente no redesenho de empresas, departamentos governamentais e em outras organizações. Para arrumar de vez o assunto, basta dizer que é actualmente uma metodologia adoptada para as certificações em qualidade segundo os standards ISO. Centenas de empresas portuguesas já foram certificadas com base abordagem dos processos de negócio.

Basicamente a BPR utiliza o conceito de processo de negócio como um conjunto coerente e sequencial de actividades que recebe inputs (produtos, recursos, etc.) e tem um output que é um input para outro processo (por exemplo um raio X da radiologia para a cirurgia) ou um produto (por exemplo um acto médico prestado a um «cliente» dum hospital público). É uma ferramenta de gestão tão poderosa que, por ter sido usada no downsizing de muitas empresas, ficou com má reputação nos sindicatos. Apesar disso, toda a gente já devia ter percebido que a BPR é como a cirurgia - pode ser usada para salvar uma perna, ou uma vida, ou para a amputar.

Por isso, quando uma luminária como o engenheiro José Tribolet do INESC nos vem dizer que «a auditoria aos serviços de dois ministérios a cada três meses, anunciada no mês passado pelo primeiro-ministro, não vai resolver os problemas de sobreposição de funções da Administração Pública, nem dar respostas sobre a sua organização, só vai "perpetuar as quintas" que já existem» (Público) e sugerir que seja adoptada a BPR para atacar a paralisia do estado napoleónico-estalinista deveria ser recebido com um puf, olhá novidade.

Em vez disso, é recebido com um silêncio embaraçado (O que é que o gajo quer dizer com aquilo. Até parece que é parvo.), na melhor hipótese. Na pior dizem que o gajo é neo-liberal e arrumam o assunto em duas penadas.

Enquanto isso, o «monstro», como lhe chama um dos seus pais, engorda e o país definha.

07/06/2005

SERVIÇO PÚBLICO: vítima do choque tecnológico

Um amigo enviou-me esta mensagem que sem sucesso tentou deixar no site do Governo Civil de Lisboa:
«Na senda da (tentativa de) melhoria da produtividade não posso deixar de vos relatar algo de absolutamente insólito que me aconteceu há minutos.

Uma vez que tive que tratar da emissão dos passaportes dos meus filhos, visitei o v/ site (GCL), tendo encontrado as boas indicações para adiantar trabalho, pelo que preenchi dois requerimentos no dito cujo. Até aqui, os meus parabéns.

De seguida, desloquei-me às v/ instalações na Rua Capelo e depois de esperar 85 minutos pela minha vez (foram atendidas 14 pessoas, por 2 funcionários, o que dá 12 minutos por atendimento/pessoa) fui surpreendido com a informação de que aqueles impressos tinham que ser destruídos e substituídos pelos tradicionais !... pelo facto de terem sido obtidos na net. Por acaso o outro funcionário verificou que um deles até já estava assinado e, então, quase por especial favor, recebeu os tais impressos.

Terão ligado o complicómetro ? ou será simples incompetência do serviço ? ou até do funcionário ?

Espero, sinceramente, que o tempo que estou a despender neste serviço que vos presto, sirva para a melhoria da tal eficiência que todos nós pretendemos.

Cumprimentos»

SERVIÇO PÚBLICO: a visão do estradista

Para o estradista o sucesso deve ser combatido a todo o custo.

TRIVIALIDADES: há sexo para além da reprodução

É preciso levantar as nossas vozes contra a repressão sexual que oprime a sociedade portuguesa.

Se fosse necessário dar exemplos da repressão, bastaria falar na TV, nos seus apenas 3 ou 4 canais eróticos, da quase ausência de programas de sexo nos canais generalistas, para além do de Herman Sic, e de alguns, infelizmente poucos, reality shows, sem esquecer claro o programa do professor Marcelo, ao qual, uma vez mais, falta o sexo ao vivo.

Se isso não fosse suficiente, poderia lembrar a quase inexistência nas bancas de jornais de revista sobre o sexo.

Se esses exemplos não chegam, acrescente-se o alarido que homofóbicos e reaças fizeram à volta dumas inocentes «linhas orientadoras da Educação Sexual em Meio Escolar».

Não admira, pois, que os nossos jovens vivam sufocados pela ignorância e esmagados pela censura moralista das mentes esclerosadas de pais e professores. Tementes de fruírem os seus corpinhos, esmagados pelo remorso duma simples pívia depois da ginástica ou dum inocente e apressado fellatio entre duas aulas.

Remorso porque, dizem-lhes, essas práticas não ajudam à reprodução. Muitos deles, aliás, nem sequer ainda sabem que há sexo para além da reprodução, como diria o doutor Sampaio (não o doutor Jorge, mas o irmão dele).

É neste contexto opressivo que as palavras corajosas da escritora Inês Pedrosa na sua «Crónica Feminina» na Única do Expresso ganham sentido:
«É importante que se ensine nas aulas de Biologia como funciona o aparelho reprodutor do homem e da mulher, explicando outra evidência científica, que é a de que o sexo e o prazer não se esgotam na reprodução

06/06/2005

BREIQUINGUE NIUZ: mais vale nunca do que tarde

O que terá levado o engenheiro Sócrates a anunciar, no estádio dos lampiões, que «os funcionários públicos e os titulares dos cargos políticos vão deixar de poder acumular vencimentos e pensões de reforma na íntegra»? (Público)

Só agora, três meses depois? Não cheira um bocado a cedência à gritaria nos média (e na Bloguilha)? Não faz lembrar o consolado do engenheiro Guterres?

A acumulação é ilegal? Não parece. É eticamente reprovável? Depende dos pontos de vista, mas porque precisou o primeiro-ministro de 3 meses para concluir isso?

Na minha modesta opinião, o que está em causa não é essencialmente uma questão ética, mas uma questão política. O governo, ou uma qualquer luminária assessora, tinha obrigação de saber que tomou posse no país mais colectivista e num dos países mais femininos da Europa. Um país onde a pertença a um grupo (família, classe social, partido, clube) é mais importante do que o indivíduo, e um país onde o ciúme, a inveja, o gosto pelo desgraçadinho, o ódio ao bem sucedido, são os paradigmas nacionais.

É por isso que, não em nome duma discutível ética, mas em nome do mais elementar pragmatismo e eficácia políticas, os ministros em causa deviam ter deixado cair as «pensões» ou os vencimentos de ministro. Não o fizeram na altura própria e isso forneceu o combustível para a fornalha onde os lóbis os tentam torrar, apesar modéstia das medidas de contenção da dieta da vaca marsupial pública.

Tenho dúvidas que consigam recuperar das dentadas cruzadas dos lóbis e da esquerdalhada?

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: doutor Coelho, estradista

Secção Musgo Viscoso
Na fase de apodrecimento final do consolado do engenheiro Guterres, o doutor Mário Soares, do alto da sua autoridade de fundador, disse que «ao PS fará bem uma cura de oposição ... para livrar-se de um certo oportunismo interesseiro e negocista que o atacou, como musgo viscoso». Como se viu agora estava enganado. Será preciso muito mais do que uma cura de oposição.

Talvez o mais proeminente dos protagonistas do musgo viscoso seja o doutor Jorge Coelho, cujo preenchido curriculum vitae foi evocado pelo Independente de 6ª feira passada. CV que vale, como prémio de carreira, 3 bem merecidos ignóbeis.

Mas a maior homenagem ao doutor Coelho é o título de estradista atribuído pela primeira vez aqui no Impertinências.

Estradista
Um político que substitui visão política, capacidade de liderança e outros atributos geralmente associados a um estadista, pela quilometragem nas campanhas eleitorais em que participa e pelo pastoreio das ovelhas do partido.

05/06/2005

TRIVIALIDADES: um governo reformista

Quem disse que este governo não é um governo de reformas? Pois se já são conhecidos 3 ministros com pendor reformista. Ele é o professor Campos e Cunha, com uma reforma de 6 anos como vice-governador do BdeP. Ele é o incontornável professor Freitas com uma reforma in extremis como deputado. Ele é o engenheiro Mário Lino que tem, não uma, mas duas reformas, pelo que em vez do epíteto episódico de renovador, no seu período de dúvida sobre a bondade do comunismo, melhor lhe cairia o de reformador.

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: El Nadal

Secção Res ipsa loquitor


Tierra batida

5 afonsos para o jovem Rafa pelas ganas e por tudo o resto.


4 afonsos para Mariano Puerta, o argentino voador.

03/06/2005

DIÁRIO DE BORDO: fulminante


(O ténis português nunca produziu um tenista assim. Quando percebermos porquê, perceberemos o que temos que mudar para sair da fossa de Mindanao do culto da mediocridade. No ténis e no resto.)

SERVIÇO PÚBLICO: ora aqui está uma ideia interessante

«Roberto Maroni, considera que a Itália deveria equacionar o abandono temporário do euro e a adopção da dupla circulação com a lira italiana.» (Público)

Se a nossa moeda fosse o escudo, já teríamos feito 1 ou 2 desvalorizações, os salários teriam tido uma redução em termos de poder de compra, a nossa competitividade não estaria tão afectada, o consumo privado não teria aumentado o que aumentou, as nossas exportações teriam crescido, as nossas importações teriam diminuído, o saldo da balança de transacções correntes não estaria onde está. O défice do OE, esse, estaria onde está ou seria ainda mais negativo. A não ser que.

A resultante seria provavelmente uma pressão económica, financeira e social muito mais forte no sentido da urgência das reformas.

(A fortaleza Europa mostra sinais de colapso. O falhado processo da aprovação do TCE, ou o busto de Napoleão, parece ser o bater de asas da borboleta em Pequim que vai desencadear um furacão nas Caraíbas.)

CASE STUDY: advirto que o governo faz mal à saúde da economia

Agora que o governo implora à comissão Europeia protecção contra o perigo do leste e o perigo amarelo, depois dos seus antecessores se terem apavorado com a ameaça castelhana, talvez valha a pena lembrar os malefícios da interferência do governo na economia e os benefícios da sua ausência, deixando a concorrência estimular a eficiência das empresas cronicamente anémica.

Um dos sectores que mais evoluiu, depois de mais de 10 anos abafado debaixo das asas do estado napoleónico-estalinista, foi a banca, particularmente a banca de retalho, que o estudo «Making Portugal competitive» da McKensey estima ter reduzido entre 1998 e 2001 o gap de produtividade com a Europa de 43% para 11%.

Lembrei-me disto ao ver este gráfico que nos coloca num lugar inabitual nas comparações internacionais e nos dá um exemplo de falta de resignação com a mediocridade.

02/06/2005

DIÁRIO DE BORDO: o busto de Napoleão

Por mais que me esforce ainda não percebi em que medida a diferença entre o status quo actual e o que supostamente resultaria da Constituição Europeia justifica o alarido geral, a infelicidade dos adeptos do sim e a felicidade dos adeptos do não.

Nem mesmo percebi porque os adeptos do sim conseguem partilhar razões comuns com os adeptos do não.

Nem sequer percebi de que estão à espera os adeptos do não para proporem a extinção da UE, ou pelo menos a sua redução a uma zona de comércio livre. Aí está uma via que, por mim, podemos falar mais seriamente.

Matuto, matuto, e chego sempre ao busto de Napoleão. Será que tenho que contar aqui o raio da anedota?

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: o mundo não é perfeito

Secção Sol na eira e chuva no nabal

Como é possível que os contribuintes deste país se resignem a aceitar passivamente ser depenados pelo monstro (d'après M. Cavaco) / estado social (d'après M. Sócrates) / Moloch (d'après Mme Joana) / estado napoleónico-estalinista (d'après M. Câmara)?

Como é possível que, em cima disso, 75% deles se declarem prontos a encorajar o governo a torrar mais uns milhares de milhões de euros no TGV para umas dezenas de milhar (entre eles muitos espanhóis) chegarem meia hora mais cedo às reuniões no Porto/Lisboa ou 2 horas mais cedo às reuniões em Madrid/Lisboa?

Como é possível que, não contentes com isso, 42% dos portugueses ainda vão mais longe e se declarem prontos a deixar o governo torrar mais outros milhares de milhões de euros no aeroporto da Ota para uns poucos milhões de aborígenes e uns vários milhões de turistas chegarem mais tarde aos seus destinos?

E, no final, como é ainda possível encontrar 42% a concordarem que o governo torre ainda outras centenas de milhões de euros numa nova travessia do Tejo para mais umas dezenas de milhar queimarem mais uns litros de gasolina todos os dias?
(ver Barómetro DN/TSF/Marktest aqui)

Será Portugal «um país de incorrigíveis patetas»? Só se estivessem «dispostos a financiá-lo do próprio bolso». Não estão.

Nada mais falso, portanto. A maioria dos portugueses adapta-se com inteligência aos sinais que recebe. Uma boa parte poderá, talvez, ser distraída e separar mentalmente o fraco calor emitido pela vaca marsupial pública dos gargantuélicos fardos de palha com que o estado social a alimenta. Mas vejamos a coisa mais de perto.

Quais são os impostos que preocupam mesmo os portugueses? O IRC? Deus nos livre. Isso é coisa dos capitalistas. O IVA? Nem por isso. Para a maioria o IVA é uma componente inseparável do preço que pagam pelas mercearias, ou pelos electrodomésticos, ou pela pizza engolida ao balcão do snack bar, ou pelo almocinho com a famelga ao domingo.

O IRS? Até o funcionário público mais estúpido percebe que é um pequeno sacrifício a que se sujeita para que os tansos lhe paguem o ordenado. O pensionista também não precisa de grandes explicações. Com estas duas categorias de cidadãos arrumamos metade dos contribuintes. Na outra metade é bom não esquecer que os super-tansos que tinham em 2003 rendimentos brutos acima de 50.000 euros são apenas 8,8% mas pagam 53,9% do IRS (ver aqui). Dos restantes 91,2%, porque se deveriam preocupar os que não são funcionários públicos ou pensionistas?

(Em intenção dos adoradores de Paretto: 20,3% dos agregados familiares tiveram em 2003 rendimentos brutos acima de 32.500 euros e pagaram 74,2% do IRS.)

Em resumo, fora do grupóide de super-tansos, como aqueles das contas da Joana, as únicas preocupações fiscais que afligem os cidadãos são os impostos sobre os combustíveis e, para os agarrados pela nicotina, o imposto sobre o tabaco. E daí? Quem é que não percebe que o mundo não é perfeito e o estado social vale bem estes pequenos sacrifícios?

Feitas as contas, há prémios para todos. Chateaubriands para o grupóide de super-tansos que ainda por cá se encontram (como o Sócio Gerente, à espera de se mudar para Vigo) que serão trocados por afonsos tão cedo emigrem (taxa de câmbio: 1 chateaubriand = 0,5 afonsos). Bourbons para os funcionários públicos. Urracas para os pensionistas. Ignóbeis> para os administradores da máquina de extorsão.

Já me esquecia: pilatos para os restantes.

01/06/2005

CASE STUDY: a vida aquém do défice (1)

O Impertinências inicia aqui uma nova série de posts dedicada à alimentação da vaca marsupial pública pelo seu tratador, o estado napoleónico-estalinista, ou seja aquilo que o professor Cavaco ajudou a criar e a que chama «monstro», o mesmo que o engenheiro Sócrates acha que não deve acabar e a que chama «estado social».

«As Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) vão ser reforçadas com mais 120 a 130 técnicos permanentes» a adicionar aos «261 técnicos, mas a grande maioria são funcionários das entidades representadas nas comissões, cumprindo apenas algumas horas por semana nestas estruturas.» (Público)
Custo: 2 a 3 milhões de euros por ano.
Benefício: intangível.

«Jardim recebe reforma de 4124 euros da Caixa Geral de Aposentações. ... Quando deixar o governo a que preside há 27 anos (tem) direito a uma subvenção vitalícia ... à razão de quatro por cento do vencimento-base, por ano de exercício, até o limite de 80 por cento ... acumulável com a pensão de aposentação ou de reforma, com sujeição ao limite estabelecido para a remuneração-base do cargo de ministro.» (Público).
Custo: uma insignificância.
Benefício: enorme, se o Bokassa das Ilhas for dar banho à minhoca para a ilha de Porto Santo.

SERVIÇO PÚBLICO: «fiquei aterrado», disse ele

Por vezes, eu próprio tenho dúvidas sobre a sanidade da minha aversão ao estado napoleónico-estalinista. Admito-o. Mas a dúvida é passageira. A coisa nunca é tão má à primeira vista que não possa ainda piorar à segunda.

Como agora com as «linhas orientadoras da Educação Sexual em Meio Escolar» contra as quais tentei convocar uma insurreição, sem sucesso.

Sem sucesso, por várias razões: o fim do Ramadão de 11 anos dos lampiões, que tornou inúteis para qualquer propósito sério 6 milhões de portugueses, pelo menos até ao final da próxima época; o desgosto inconsolável dos dragões; a depressão acomodada dos lagartos; a alegria dos sadinos que já não molhavam a sopa há décadas; o fim de semana prolongado - uma espécie de Xanax para esquecer o fim da prosperidade anunciado pelo engenheiro Sócrates.

Já depois de constatar o falhanço da convocação, li na página 6 do primeiro dos inúmeros cadernos do Expresso uma «carta aberta aos pais portugueses» (*) de William Coulson, um emplastro arrependido que participou na fabricação da técnica da «clarificação de valores» com que um equipa de lunáticos do politicamente correcto avant la lettre arruinou a saúde mental de centenas de jovens e adultos.

Segundo o próprio Coulson nos informa, «em novembro de 2004 estive em Portugal a estudar os materiais de educação sexual enviados para as escolas em 2000. Fiquei aterrado. Talvez não haja em todo o mundo um currículo mais influenciado pelas ideias que eu e Carl Rogers testámos nos anos 60

Se ele ficou aterrado, como devemos ficar nós?

ESCLARECIMENTO
Apesar do tom apologético e de pouca seriedade científica da carta de William Coulson, o relato das experiências mengelianas em que participou é suficientemente preocupante para se ficar arrepiado ao pensar no que seria esse modelo aplicado pelos nossos analfabetos doutores mengeles nas escolas desse país.

(*) Link não disponível; ver outra referência aqui