Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

03/08/2021

Como tentar cumprir o plano de vacinação, apesar de tudo? Resposta: um dia de cada vez (60)

Mantém-se válido o que escrevi a semana passada, confirmando-se a queda significativa do ritmo de vacinação desde o dia 7 de Julho com a descida da média de 150 mil doses na primeira semana de Julho para 80 mil na última semana.  Uma vez mais, a informação no site da DGS falhou em relação ao último sábado (os dois últimos valores no gráfico correspondem à média do total de doses administradas no fim de semana).

Continua uma certa ambiguidade quando ao stock de vacinas para explicar a quebra do ritmo de vacinação (ver aqui explicações contraditórias). Na verdade, como escrevi em vários posts anteriores, a quebra do ritmo era perfeitamente previsível devido às férias das milícias do Almirante e dos "utentes",

Continua por cumprir o objectivo 
No início de Agosto a percentagem de totalmente vacinados é a seguinte (fonte ECDC):
96,7% dos +80
98,5% dos 70-79
91,3% dos 60-69 anos.

É possível que este objectivo nunca a venha a ser cumprido, quer pela recusa de algumas pessoas quer pela dificuldade de "catar" os idosos em locais remotos.  No entanto, para o escalão 60-69 anos a segunda razão é mais difícil de aceitar.

02/08/2021

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (96) - Em tempo de vírus (LXXIII)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

A história repete-se. No cavaquismo o FSE, no costismo e as verbas da bazuca para qualificação

Nos anos oitenta do século passado, em pleno cavaquismo, o país foi inundado com os dinheiros do Fundo Social Europeu para formação e qualificação profissional que financiaram milhares de cursos, seminários e eventos vários, na sua grande maioria completamente inúteis, organizados por centenas de empresas que surgiram como cogumelos e fizeram a fortuna dos seus sócios.

Nos anos vinte do presente século, o Plano de Recuperação e Resiliência, petit nom bazuca, entornará com o mesmo propósito 5,5 mil milhões de euros em cima da mesma gente e presumivelmente com os mesmos resultados.

Torturar os números até que eles confessam

Com base no estudo encomendado à ENSE (Entidade Nacional para o Setor Energético) o Dr. Fernandes decretou uma intervenção nas margens de comercialização dos combustíveis. Os cálculos do economista João Duque comparando a composição dos preços em 2-1-2019 e em 30-06-2021 mostram que nesse período os pesos dos impostos e das margens no preço da gasolina variaram +10% e -2% e no gasóleo +14% e -13%, respectivamente, ou seja exactamente o contrário do que o ministro disse.  Não espanta, por isso, que os impostos expliquem uma diferença de 19 cêntimos no preço do gasóleo comparado com Espanha.

Boa Nova

A boa notícia, como titula um jornal, é a «Economia portuguesa dispara 15,5% no segundo trimestre. É a maior subida desde 1996». A má notícia é que se trata do crescimento homólogo e a comparação faz-se com o mesmo trimestre do ano passado que teve uma queda de -16,5%, ou seja o disparo do PIB colocou-o 1% abaixo do 2.º trimestre de 2019.

01/08/2021

Otelo, um actor medíocre que representou um herói e encarnou um vilão, por esta ordem (continuação)

Escrevi há dias que muita da prosa sobre Otelo Saraiva de Carvalho a pretexto da sua morte tem motivação ideológica, reflectindo quase sempre e sobretudo os amores ou os ódios em relação a um personagem contraditório. E quanto ao contraditório divirjo totalmente de Rui Ramos que vê Otelo como uma criatura unidimensional em que «tudo nele faz sentido», quando, a meu ver, nada nele faz sentido a não ser a sede de protagonismo e uma certa megalomania. 

Dei como exemplo de objectividade o artigo de José Miguel Júdice no Expresso e acrescento outro, ainda mais factual, de Nuno Gonçalo Poças no Observador focando um outro aspecto praticamente omitido pela legião de comentadores, a saber: a cumplicidade das elites intelectuais «num país estruturalmente endogâmico» e a sua tentativa de branqueamento das actividades criminosas de Otelo que acabou por ter sucesso alguns anos depois com a amnistia.

31/07/2021

SERVIÇO PÚBLICO: Menos máscaras, menos confinamento e mais ventilação (2)

No post anterior citei um artigo da Economist fazendo o ponto de situação sobre o estado do conhecimento dos mecanismos de transmissão da pandemia, o papel dos aerossóis e a consequente importância da ventilação.

Pela primeira vez na imprensa generalista portuguesa, li há dias um artigo do médico e professor da Universidade do Porto João Carlos Winck no Observador sobre o mesmo tema onde concluiu que «é mais importante ventilar do que desinfetar!» 

30/07/2021

Dúvidas (315) - Quais os fundamentos do movimento anti-vacinas?

Não tem sentido discutir racionalmente razões religiosas ou fundadas em quaisquer outros princípios morais para recusar uma vacina. Pelo contrário a recusa baseada em razões médicas e científicas tem de ser fundamentada em factos e numa análise racional desses factos, do mesmo modo que a defesa da administração de uma vacina.

Passemos em revista alguns factos conhecidos recentes em relação às vacinas Covid-19 em três países europeus:



29/07/2021

Otelo, um actor medíocre que representou um herói e encarnou um vilão, por esta ordem

Quase tudo o que se tem escrito sobre Otelo Saraiva de Carvalho a pretexto da sua morte é muito motivado ideologicamente e, tratando-se de uma personagem profundamente contraditória, o que se escreve reflecte quase sempre e sobretudo os amores ou os ódios.

O único escrito mais objectivo que li foi o de José Miguel Júdice no Expresso citado a seguir que é bastante factual, com excepção do último parágrafo em que Júdice não resiste à tentação de fazer um julgamento, concluindo que «não foi um herói nem foi um vilão». Juízo errado, a meu ver, porque ele foi um "herói" (enfim, tanto quanto é possível a uma criatura ser herói no Portugal dos Pequeninos sob a tutela do Estado Novo) e foi um vilão, por esta ordem. A ordem neste caso é tudo porque ao terminar a sua vida pública como moralmente responsável por uma dezena e meia de assassinatos cruéis, e sobretudo gratuitos e estúpidos, ficou um vilão para a história. Por várias razões e uma definitiva: se ele teria sido facilmente substituído no seu papel de "herói" por um dos vários protagonistas militares (desde logo Ramalho Eanes), o seu papel como símbolo e inspiração do gangue de assassinos das FP25 foi insubstituível.         

«OTELO: UM ATOR NA REVOLUÇÃO

A morte de Otelo já foi tratada por muitos, mas creio que não tocaram no essencial: mais do que liderar a operação militar que nos deu a liberdade e liderar os que se não importava que destruíssem a liberdade à bomba, Otelo era e sempre foi um ator.

Como escreveu ontem no Público o seu biógrafo, Paulo Moura, “Otelo sempre gostou dos aplausos. Quando era miúdo, queria ser actor, não militar. Adorava falar, ser ouvido, rodear-se de pessoas, de “amigos”. Era amigo de toda a gente”.

Otelo era, sempre foi, um ator, realmente. Isso na Guiné era útil para a estratégia de promoção de Spínola junto dos “media” nacionais e internacionais.

Antes dizem-me que foi graduado da Mocidade Portuguesa, mas nasceu para a política como spinolista e aderiu ao MFA com teatralidade. Mais corajoso ou mais atrevido do que muitos (se não todos…), teve a energia da determinação e estou convicto que sem ele (e sem Spínola) o 25 de abril podia ter soçobrado. Um grande papel é irresistível para um ator.

Mas, de imediato, o seu lado teatral veio ao de cima, como resultado da popularidade (quão diferente era Salgueiro Maia…).

28/07/2021

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (42) - Os feitos na vacinação segundo o semanário de reverência


Os delírios patrióticos do semanário de reverência:

Expresso 27-07

Os factos segundo o COVID-19 Vaccine Tracker do European Centre for Disease Prevention and Control:

Vem a propósito citar outra vez Eduardo Lourenço, muito venerado equivocadamente pelas nossas elites que não perceberam o que ele pensava delas:
«Os Portugueses vivem em permanente representação, tão obsessivo é neles o sentimento de fragilidade íntima inconsciente e a correspondente vontade de a compensar com o desejo de fazer boa figura, a título pessoal ou colectivo. A reserva e a modéstia que parecem constituir a nossa segunda natureza escondem na maioria de nós uma vontade de exibição que toca as raias da paranoia, exibição trágica, não aquela desinibida que é característica de sociedades em que o abismo entre o que se é e o que se deve parecer não atinge o grau patológico que existe entre nós».

27/07/2021

Como tentar cumprir o plano de vacinação, apesar de tudo? Resposta: um dia de cada vez (59) - Ó Sr. Almirante acabe lá com a treta da falta de vacinas


Continua a queda significativa desde o dia 7 de Julho do ritmo de vacinação. A média de 150 mil doses registada na primeira semana de Julho desceu para 77 mil na última semana. Não foi dada nenhuma explicação oficial, insinuando-se uma vez ou outra que o problema seria a falta de vacinas quando, na verdade, o último relatório disponível do dia 18-07 mostrava um stock superior a 900 mil doses. Outras vezes reconheceu-se que afinal não havia capacidade para vacinar mais pessoas.

Continua por cumprir o objectivo
No início da quarta semana de Julho a percentagem de totalmente vacinados é a seguinte (fonte ECDC):
96,2% dos +80
96,4% dos 70-79
87.3% dos 60-69 anos.

Foi adoptado mais um objectivo 

Dependendo do que seja quase toda e de qual seja a população elegível (continua a ser discutido) com apenas 4,6 milhões totalmente vacinados parece um objectivo algo irrealista.
ECDC

Continua a celebração patriótica dos feitos em matéria de vacinação, sem que se percebam as razões para celebrar já que, como se vê no quadro acima, mesmo na EEA , que não é um bom exemplo comparado com o Reino Unido e os EUA, Portugal está em 11.º com 58,4% da vacinação completa do que a ECDC considera a população elegível, o que confirma a dificuldade de atingir o último objectivo acrescentado à lista. 

26/07/2021

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (95) - Em tempo de vírus (LXXII)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

A família socialista é muito unida

Tomaram posse a semana passada no Conselho Nacional para a Ética das Ciências da Vida o Dr. Boaventura Sousa Santos - uma personagem que pontifica na universidade de Coimbra sobre «crises e alternativas» a quem Maria Filomena Mónica chamou com propriedade «Bourdieu de província» - e o seu filho Dr. João Ramalho Sousa Santos, nomeados, respectivamente, pelo governo e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, o governo por interposto ministério da Ciência.

Também a Dr.ª Catarina Vaz Pinto, esposa do Eng. Guterres, vereadora da câmara de Lisboa, presidida pelo Dr. Medina, afilhado político do Dr. Costa, que havia sido nomeada em 2017 para a direcção do Museu Berardo pelo então ministro da Cultura e amigo do Dr. Costa, viu recentemente o seu mandato renovado.

Há quem considere haver conflito de interesses nestas nomeações mas, como é sabido, no Estado sucial não há conflito de interesse. Há interesses em conflito.

Desta vez o queijo limiano é um pelouro para o Dr. Tavares

No século passado um deputado independente pelo CDS vendeu o seu voto para aprovar o orçamento do Dr. Guterres em troca do reconhecimento da marca «Queijo Limiano» da sua terra, Ponte de Lima. O Dr. Rui Tavares, «uma mistura entre um teólogo da libertação e Eduardo Prado Coelho», fez um acordo com o Dr. Medina desistindo da candidatura pelo Livre em troca de ficar com o pelouro da Cultura, Conhecimento, Ciência e Direitos Humanos.

O Dr. Pedro Nuno não consegue acertar comboios e maquinistas

Ainda não tinha secado a tinta do anúncio do «dia histórico para a ferrovia nacional» com os seus 117 comboios e da «auto-estrada ferroviária» entre Lisboa e Porto, e ficou a saber-se que CP estava a suprimir comboios por falta de maquinistas.

Take Another Plan. O Dr. Pedro Nuno quer pôr as perninhas dos alemães da Lufthansa a tremer

O Dr. Pedro Nuno, que nos seus tempos de agitador de congressos punha a perninhas dos banqueiros alemães a tremer ameaçando-os «não pagamos», pretende agora ajudar a desbloquear o plano de reestruturação em Bruxelas oferecendo à Lufthansa uma participação na TAP. É uma espécie de confirmação da lei empírica que o radicalismo com o tempo se converte em oportunismo.

Os amanhãs que cantarão do Dr. Leão

O Dr. Leão anunciou que a economia poderá crescer 9% no biénio 2021-2022 que «vai ser o período de maior crescimento do século». Esqueceu-se de mencionar que tal só será possível porque o PIB caiu -7,7% em 2020 e não reparou que no triénio 2020-2022 o vertiginoso crescimento anual será 0,2%.

25/07/2021

Os sindicatos de trabalhadores do sector privado vão deixar de ser de esquerda

«A pandemia veio acelerar um processo de transformação que está em marcha desde 2015. Quando aderimos à CEE o objectivo era o desenvolvimento e apanhar o pelotão da frente da Europa. O PS (com a ajuda do BE e do PCP) reduziu Portugal a um sítio onde se vive de ajuda externa porque Bruxelas não hesita em despejar dinheiro para cima de problemas que surgem numa fronteira pouco importante.

Com o dinheiro de Bruxelas a entrar nos cofres estatais, o PS não está minimamente preocupado com a economia privada. Quando a falência de uma empresa for socialmente custosa, o estado intervém. Veja-se o caso da TAP. Caso contrário, é deixar andar. Veja-se o caso do alojamento local. Mas as intervenções estatais não deixam de ser dolorosas por serem estatais. Implicam despedimentos e pessoas sem futuro. Pressupõem frieza e falta de diálogo, como a UGT aponta na dura carta que endereçou ao Primeiro-Ministro. Numa sociedade socialista (e esse é o tipo de sociedade que um partido socialista com o apoio de forças comunistas pretende para Portugal) os governos não dialogam nem negociam. Nessas sociedades, os governos impõem a sua vontade. Veja-se, uma vez mais, o que está a acontecer na TAP.

O último debate do Estado da Nação foi sintomático e revelador. Existem duas realidades no nosso país: a que a existe e a do PS. Só esta distinção permite compreender o entusiasmo do governo e dos deputados que o sustentam. Após uma pandemia que deixou a economia privada de rastos, nomeadamente o sector do turismo que chegou em 2018 a representar cerca de 14% do PIB, António Costa apresentou-se no Parlamento como o salvador da pátria. Não só anunciou o fim da pandemia como se mostrou inspirado para “abrir uma nova janela de esperança e aproveitar as oportunidades irrepetíveis que os próximos tempos nos trarão.” Nesse sentido, Costa e o PS contam com o famoso Plano de Recuperação e Resiliência e ainda com o novo Quadro Financeiro Plurianual da UE. O primeiro será maioritariamente canalizado para a modernização do estado; o segundo visa dotar os socialistas de meios para levarem por diante políticas públicas com objectivos eleitoralmente promissores. O êxtase não podia ser maior. O que até se percebe, pois o estado é o PS.»

Continue a ler Os sindicatos vão deixar de ser de esquerda, André Abrantes Amaral no Observador

Em minha opinião, os sindicatos dos funcionários públicos vão continuar a ser de esquerda e num Estado sucial que cresce os funcionários públicos e as suas famílias constituem o sector mais importante da freguesia eleitoral socialista-comunista-bloquista.

24/07/2021

A pandemia ameaça a democracia liberal no país onde foi inventada (3) - pela mão de políticos demagogos e oportunistas

Continuação de (1) e (2)

«Back when Boris Johnson was on a mission to stop identity cards being used in Britain, he made a very persuasive argument: if parliament allows such expensive technology to come into existence, then the government will cook up excuses to use it. They will start to ‘scarify the population’ by saying there is a threat or an emergency. If they sink millions into an ID card scheme then be in no doubt: our liberty will be threatened. The slippery slope, he said, is one that the government is sure to go down.

Boris Johnson is in danger of becoming the Prime Minister he once warned against. At first, we were told that any vaccine identity system would be used only for foreign travel. ‘I certainly am not planning to introduce any vaccine passports, and I don’t know anyone else in government who is,’ Michael Gove said in December. ‘What I don’t think we will have in this country is – as it were – vaccination passports to allow you to go to, say, the pub or something like that,’ the Prime Minister assured us in February.

Now he suddenly tells us that people visiting nightclubs or other large venues from September will, after all, be required to show proof of their vaccination status. He also did not rule out using this technology for pubs and restaurants – and no one should be surprised if the discussion then turns to shops, airports and public transport. Nor should anyone be surprised if all this is done using emergency powers, with no parliamentary vote.

No British government has ever tried to force vaccines on the population. The issue has been dealt with in the past as it ought to be dealt with now: through persuasion, and relying on herd immunity to protect the few who cannot be persuaded.

Before becoming Prime Minister, Johnson was the most eloquent and passionate defender of basic liberal values. It would be tragic if the principles he espoused, which led this country to elect him as Prime Minister, turned out to be part of a false prospectus.»


23/07/2021

A pandemia ameaça a democracia liberal no país onde foi inventada (2)

Continuação daqui.
Some Britons crave permanent pandemic lockdown

Após um ano e meio de pandemia, numa sociedade com profundas tradições liberais como a britânica a maioria dos cidadãos aceita pesadas limitações à liberdade durante um período de tempo indeterminado («até que a covid-10 esteja globalmente controlada»). E, pior do que tudo, uma parte significativa dos britânicos aceitam essas limitações permanentemente. 

Imagine-se o que estarão dispostos a aceitar os cidadãos de uma sociedade sem essas tradições, como a sociedade portuguesa que viveu durante quase 50 anos acomodada num Estado Novo com drásticas limitações das liberdades.

21/07/2021

SERVIÇO PÚBLICO: Menos máscaras, menos confinamento e mais ventilação

«Superspreading is loosely defined as being when a single person infects many others in a short space of time. More than 2,000 cases of it have now been recorded—in places as varied as slaughterhouses, megachurches, fitness centres and nightclubs—and many scientists argue that it is the main means by which covid-19 is transmitted.

In cracking the puzzle of superspreading, researchers have had to re-evaluate their understanding of sars-cov-2’s transmission. Most documented superspreadings have happened indoors and involved large groups gathered in poorly ventilated spaces. That points to sars-cov-2 being a virus which travels easily through the air, in contradistinction to the early belief that short-range encounters and infected surfaces were the main risks. This, in turn, suggests that paying attention to the need for good ventilation will be important in managing the next phase of the pandemic, as people return to mixing with each other inside homes, offices, gyms, restaurants and other enclosed spaces. (...)


But the widespread assertion, still stubbornly promulgated by the who, that droplets above five microns in diameter do not stay airborne, but rather settle close to their source, is a dodgy foundation on which to build public-health advice. According to Dr Jimenez, physicists have shown that any particle less than 100 microns across can become airborne in the right circumstances. All of this matters because hand-washing and social distancing, though they remain important, are not enough to stop an airborne virus spreading, especially indoors. Masks will help, by slowing down and partially filtering an infectious person’s exhalations. But to keep offices, schools, hospitals, care homes and so on safe also requires improvements in their ventilation.


(...) All sorts of symptoms, from headaches, fatigue and shortness of breath to skin-irritation, dizziness and nausea, are linked to poor ventilation. It has also been connected with more absences from work and lower productivity.

The ventilation measures needed to deal with all this are not difficult, but existing regulations and design standards often have different objectives—particularly, these days, conserving heat and thus reducing energy consumption. That often means recirculating air, rather than exchanging it with fresh air from the outside world. (An exception is passenger aircraft, which refresh cabin air frequently.)

In situations where it is not possible to reduce health risks by ventilation alone—for example, places like nightclubs, where there are lots of people crowded together, or gyms, where they are breathing heavily—air filtration could easily be incorporated into ventilation systems. Air could also be disinfected, using germicidal ultraviolet lamps placed within air-conditioning systems or near ceilings in rooms.»

Improving ventilation will help curb SARS-CoV-2

20/07/2021

Como tentar cumprir o plano de vacinação, apesar de tudo? Resposta: um dia de cada vez (58) - As velas não estão enfunadas

Sem que tenha sido dada nenhuma explicação oficial, desde o dia 7 de Julho o ritmo de vacinação sofreu uma queda substancial. O número médio de doses administradas desde os finais de Junho até então atingiu 166 mil e a partir dessa data caiu para menos de metade.

Não obstante essa queda a generalidade dos objectivos parece ainda atingível e, nesta altura, o falhanço mais notório é o do objectivo seguinte: 
No início da terceira semana de Julho a percentagem de totalmente vacinados é a seguinte (fonte ECDC):

95,4% dos +80
92,1% dos 70-79
80,1% dos 60-69 anos. 

 

ECDC

Não obstante a 10.ª posição de Portugal na EU27 no que respeita ao rácio de pelo menos uma dose administrada aos adultos (18+) se poder considerar aceitável, está muito longe de justificar a euforia da imprensa do regime. 

19/07/2021

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (94) - Em tempo de vírus (LXXI)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Take Another Plan. «Está no terreno» disse o Dr. Pedro Nuno

Não, o Dr. Pedro Nuno não se referia à frota da TAP que essa, sim, está no terreno há um ano e meio. Referia-se ao plano de reestruturação que segundo ele estará aprovado «a breve prazo». Dependendo do que ele quer significar com breve pode ser que sim, ou que não, visto que a CE «vai avançar para investigação aprofundada do plano.

L’État c’est nous

A Dr.ª Ana Paula Vitorino, ex-ministra e actual deputada e cônjuge do ministro Dr. Cabrita, foi considerada suficientemente independente e competente para ser nomeada presidente da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes e como fez parte da comissão parlamentar que lhe fez a audição para nomeação tentou corrigir o relatório da comissão. O descaramento desta gente não tem limites.

Depois do acidente a 200km/h do esposo da Dr.ª Vitorino, também o ministro do Ambiente foi detectado a essa velocidade na A2 e a 160km/h numa estrada nacional. A impunidade desta gente não tem limites.

O estado do Estado sucial administrado pelos socialistas

Cinquenta e um técnicos qualificados recrutados em 2019 e em Abril deste ano colocados na PlanAPP, cuja missão é apoiar a definição de políticas públicas, continuam engavetados à espera.

As obras no Hospital Militar de Belém orçamentadas em 750 mil euros "derraparam" mais de quatro vezes para para 3,2 milhões, e como se fosse pouco, em plena pandemia, foi desactivada a infraestrutura para o tratamento de doenças infecciosas. A coisa é tão escandalosamente incompetente (e talvez corrupta) que motivou uma tomada de posição pública de um grupo de pessoas, médicos e militares, encabeçados pelo general Eanes.

Quando se pensava que já tinha sido atingido o limite...

O Banco de Fomento foi várias vezes anunciado para as «próximas semanas», sucedendo a um banco de fomento que fora privatizado por um governo PS, tinha ressuscitado há três anos e segundo o mesmo ministro já estava criado em Janeiro do ano passado. Afinal não estava e o governo teve de alterar o estatuto do gestor público para colocar os membros da grande família socialista, na circunstância nove administradores e vinte e quatro directores, entre eles, como presidente, o Dr. Vítor Fernandes uma criatura com um vasto currículo que inclui a pertença com o Dr. Santos Ferreira e o Dr. Vara à administração da Caixa que emprestou dinheiro ao Sr. Berardo para comprar uma participação no BCP, para cuja administração o trio foi transladado pelo governo do Eng. Sócrates, e, por último, incluiu também uma relação íntima com o Sr. Vieira do presidente do Benfica. Melhor é impossível.

18/07/2021

DIÁRIO DE BORDO: Elegeram-no? Então aguentem outros cinco anos de TV Marcelo (2) - Não tem emenda

Então aguentem outros cinco anos, uma espécie de sequência indesejada da série Outras preces (não escutadas)

«O comentador Marcelo Rebelo de Sousa não perdeu tempo, pegou no telefone e ligou para uma televisão (no caso a SIC Notícias) a proclamar a derrota jurídica do constitucionalista Marcelo Rebelo de Sousa para reclamar a vitória política do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa no caso da declaração de inconstitucionalidade da lei da Assembleia da República da iniciativa do PSD e aprovada em chamada ‘coligação negativa’ pela Oposição com os votos contra do partido do Governo sobre medidas de proteção social em plena pandemia.

Parece inverosímil, mas é verdade. Na quarta-feira à noite, mal foi anunciada a decisão do Tribunal Constitucional que deu razão a três das cinco dúvidas de constitucionalidade suscitadas pelo Governo em relação à dita lei obviamente violadora da Lei Travão que proíbe a AR de impor ao Governo leis que determinem o aumento da despesa ou a diminuição da receita previstos na lei do Orçamento do Estado, Marcelo pegou no telefone e ligou para aquele canal de televisão, que estava a dar a reação do Governo pela voz do secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Tiago Antunes.

O telefonema presidencial – tal como já acontecera noutras ocasiões igualmente inusitadas – apanhou de surpresa o pivô de serviço, que não disfarçou a satisfação com que recebeu aquela chamada. Afinal, e como podia ler-se em rodapé, tinha um ‘furo jornalístico’: «Marcelo R. de Sousa reage em direto na SIC Notícias».

A palhaçada de S. Ex.ª relatada por Mário Ramires no Nascer do Sol

O Teste da Jangada como processo de detectar um esquerdalho

«Regressando a Cuba, salvo seja, a brutal hipocrisia da esquerda não sobrevive ao Teste da Jangada. Não é um teste complicado. De um lado, temos um país de onde as pessoas fogem em condições pavorosas da prisão provável e da indigência garantida. Do outro, temos um país que os recebe e lhes permite prosperar de acordo com o seu empenho, a sua habilidade ou a sua sorte. Adivinhem qual o país que a esquerda adora e qual o que a esquerda abomina (para os idiotas terminais, esclareço que o ponto de origem é Havana é o ponto de chegada é Miami – apesar das bazófias, nem idiotas terminais fariam o percurso inverso). O teste não termina aqui. Visto que falamos de refugiados, infelizes ao Deus dará que no “contexto” correcto encheriam as manchetes com sentimentalismo, é de presumir que a esquerda demonstre ao menos um vestígio de apreço pela sociedade que os acolhe e, por coerência, condene a sociedade que os afugentou. Nada disso. A esquerda detesta com indisfarçado vigor os cubanos da Flórida, na medida em que a liberdade de que beneficiam na América torna mais evidente a falta de liberdade em Cuba. Nas Caraíbas e em toda a parte, o pobre deixa de ser útil para a esquerda quando deixa de ser pobre. O Teste da Jangada não se limita a revelar hipocrisia: revela os abismos de selvajaria a que a humanidade pode descer.»

O esquerdismo é um crime de ódio, Alberto Gonçalves no Observador

Dependendo das característicos geográficas do Paraíso Socialista em causa, o Teste da Jangada pode ser substituído pelo Teste do Muro ou pelo Teste da Fronteira.

17/07/2021

QUEM SÓ TEM UM MARTELO VÊ TODOS OS PROBLEMAS COMO PREGOS: O alívio quantitativo aliviará? (70) O clube dos incréus reforçou-se (XXIII)

Outras marteladas e O clube dos incréus reforçou-se.

Recapitulando:

O intervencionismo do BCE, que copiou com atraso a Fed e o BoE, adoptando o alívio quantitativo e as taxas de juro negativas ou nulas, desde o «whatever it takes» do Super Mario de Julho de 2012, é parecido como terapêutica com a sangria dos pacientes praticada pela medicina medieval para tratar qualquer doença, incluindo a anemia.

As raras vozes dissonantes (temos citado algumas delas) não têm chegado para perturbar e muito menos abafar os salmos cantados pelo coro imenso dos prosélitos louvando a bondade das políticas de injecção de dinheiro e de juros artificialmente baixos dos bancos centrais.

Desta vez foi a Comissão dos Assuntos Económicos da Câmara dos Lordes que questionou o BoE sobre as suas políticas de alívio quantitativo e pela boca do seu presidente Lord Forsyth acusou o banco central de não conseguir justificar a necessidade dessas políticas e «ter-se tornado viciado» na injecção de dinheiro na economia através da compra de activos.

Com uma frase lapidar, Lord Forsyth disse por outras palavras o que Abrahan Maslow disse há cinco décadas ("I suppose it is tempting, if the only tool you have is a hammer, to treat everything as if it were a nail) e que serve de epígrafe a esta série de posts:
«It’s like playing a round of golf with only one club. They reach for it whatever the economic problem.»

16/07/2021

Dúvidas (314) - Estará a democracia americana avariada?


A história mostra que uma democracia liberal para funcionar precisa de um centro político, isto é que uma parte significativa do eleitorado partilhe crenças, valores e ideias compatíveis, ainda que diferentes, e a mais importante dessas crenças é que a democracia funciona ou, dito de uma maneira simplista e tautológica, a democracia liberal para funcionar exige que a maioria acredite que funciona. Não é isso que está a acontecer na democracia americana onde quatro em cada dez eleitores não confiam na contagem dos votos, um quarto do eleitorado acredita que o seu voto não tem influência e cerca de um terço considera o actual presidente ilegítimo e que o outro candidato venceu as eleições.