Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

01/08/2021

Otelo, um actor medíocre que representou um herói e encarnou um vilão, por esta ordem (continuação)

Escrevi há dias que muita da prosa sobre Otelo Saraiva de Carvalho a pretexto da sua morte tem motivação ideológica, reflectindo quase sempre e sobretudo os amores ou os ódios em relação a um personagem contraditório. E quanto ao contraditório divirjo totalmente de Rui Ramos que vê Otelo como uma criatura unidimensional em que «tudo nele faz sentido», quando, a meu ver, nada nele faz sentido a não ser a sede de protagonismo e uma certa megalomania. 

Dei como exemplo de objectividade o artigo de José Miguel Júdice no Expresso e acrescento outro, ainda mais factual, de Nuno Gonçalo Poças no Observador focando um outro aspecto praticamente omitido pela legião de comentadores, a saber: a cumplicidade das elites intelectuais «num país estruturalmente endogâmico» e a sua tentativa de branqueamento das actividades criminosas de Otelo que acabou por ter sucesso alguns anos depois com a amnistia.