Desde há uns quatro anos venho registando ironicamente na série portugueses no topo do mundo algumas patetices do jornalismo de causas e da comentadoria do regime produzidas para compensar o sentimento de inferioridade que coloca os portugueses «em permanente representação, tão obsessivo é neles o sentimento de fragilidade íntima inconsciente e a correspondente vontade de a compensar com o desejo de fazer boa figura, a título pessoal ou colectivo», como justamente escreveu Eduardo Lourenço.
Desta vez cito a Petição à Assembleia da República para alívio fiscal da classe média e é a sério que estamos no topo do mundo.«Se forem incluídos na análise os impostos sobre o rendimento, contribuições para a segurança social do trabalhador e da empresa, bem como os impostos sobre o consumo, a taxa marginal (a mais elevada) sobre o rendimento em Portugal atinge 72%. É a 4ª mais elevada do Mundo, após Suécia, Eslovénia e Bélgica, que chegam a 76% e 73% (dados de 2019 da Tax Foundation).»