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20/09/2021

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (103) - Em tempo de vírus (LXXX)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

O papel do Estado sucial no ensino, como no resto, é fazer pior e mais caro

O ministro da Educação, provavelmente o mais incompetente ministro da Educação desde Dona Maria II (ou da Instrução, como se chamou o ministério no passado, quando a educação estava a cargo das famílias), proclamou ufano que desde 2015 o custo por aluno aumentou mais de 30% de 4.700 para 6.200 euros, num período em que o número de alunos no ensino público diminuiu de 853 mil para 804 mil. Note-se que o ministério do Dr. Brandão Rodrigues gasta por aluno mais 30% do que a média das propinas das cinco melhores escolas privadas, propinas que variam entre 2.580 e 5.725 euros. (fonte)

E se hoje o Dr. Brandão Rodrigues se orgulha de gastar 6.200 euros por aluno, se o deixaram lá ficar dentro de cinco anos gastará mais 30%. Para o ajudar, o Sindicato de Todos os Professores (STOP) já convocou uma greve para o início do ano lectivo por melhores condições de trabalho e contra a precariedade numa profissão que tem emprego para toda a vida.

Ineficiente, sempre. Ineficaz quando possível

Foram precisos 4 anos para serem concluídas as obras da estação do metropolitano Roma-Areeiro.

O tempo de espera para renovação do cartão de cidadão ultrapassa 3 meses, as filas nas Lojas do Cidadão tem centenas de pessoas e um súbdito do Estado sucial espera 11 (onze) horas para ser atendido. O que deve fazer a ministra da Modernização do Estado? Ainda bem que perguntam. Segundo um sindicalista «A senhora ministra começou aos berros contra os funcionários, porque havia filas, porque um senhor estava à espera há 11 horas para ser atendido...", há milhares de cidadãos que estão "há meses à espera de serem atendidos", dada a falta de meios e de recursos humanos.» Falta de recursos humanos? Só se os 72 mil funcionários públicos acrescentados pelos governos do Dr. Costa não forem humanos, forem zombies (enfim, nunca se sabe).

Não sabendo gerir o Estado sucial, o governo do Dr. Costa quer ajudar a gestão das empresas privadas

Por exemplo, proibindo o outsourcing após despedimentos colectivos, o que pode ter como consequência o despedimento dos trabalhadores que restam após o despedimento colectivo. Por exemplo, prorrogando os subsídios de desemprego o que está a ter como consequência a recusa de milhares de trabalhadores serem contratados por empresas que os pretendem recrutar. Por exemplo, inventando tais desincentivos à criação de emprego e ao fomento da economia paralela que há 40 mil trabalhadores familiares que trabalham sem salário declarado.

Não tendo que gerir a oferta de habitação, nem sabendo como, o governo do Dr. Costa quer gastar o dinheiro dos contribuintes europeus

Depois do fiasco dos resultados do concurso entre os dois candidatos ao lugar do Dr. Costa para lançarem programas de renda acessível, num país que tem 735 mil fogos vagos, o governo pretende torrar 1.200 milhões do PRR para tornar disponíveis 26 mil casas a serem construídas, vendidas ou arrendadas «a custos controlados», o que no socialês significa a custos desconhecidos.

Boa Nova

À cautela, pelo sim, pelo não, para ajudar as autárquicas a correrem bem, o governo anuncia, entre outras Boas Novas, a alteração dos escalões de IRS, insinuando nas meninges dos patetas uma redução da carga fiscal e o acesso à reforma antecipada de 6,7 mil deficientes com um pensão média de 687 euros e um custo orçamental de 147 milhões de euros por ano (se fizerem as contas, verificarão que nada disto bate certo, o que só espanta quem ainda não tenha percebido como funciona a aritmética socialista).

O socialismo coloca Portugal na linha da frente rodoviária

Já se sabia que somos o país da UE com a segunda melhor infraestrutura rodoviária e ficou agora a saber-se que somos o quarto com a melhor cobertura por carregadores eléctricos. Infelizmente tudo isto não parece ter qualquer efeito visível no aproveitamento da grana dos contribuintes europeus para o progresso do país.

A difícil convivência do socialismo com a aritmética

O Dr. Leão garantiu há duas semanas que o governo já teria gasto até então com pandemia 30 mil milhões de euros. O Conselho das Finanças Públicas, no relatório Perspetivas Económicas e Orçamentais 2021-2025 estimou o impacto líquido total dessas medidas em 4,2% do PIB em 2020 e 2021 o que em contas redondas (PIB de 2020 = 202,4 mil milhões e crescimento de 5% em 2021) dá 17 mil milhões. Que diabo, mesmo assumindo critérios diferentes, uma diferença de 1 para 1,8 é demasiado até para socialistas.

Estarão os empresários a saltar do colo do governo do Dr. Costa?

Onde é que já se viu empresários mal-agradecidos dizerem ao governo que «Portugal caminha lamentavelmente para a cauda da Europa em termos de crescimento económico»?

Um governo que vigia cidadãos e "integra" terroristas

Se por um lado o governo do Dr. Costa vigia "negacionistas", uns patetas que preferem morrer com Covid a serem vacinados, que insultaram a segunda figura do Estado sucial - para quem não se lembre uma personagem que se estava «cagando para o segredo de justiça» -, por outro, acolhe terroristas encartados do Daesh a quem dá emprego num restaurante onde outras figuras do Estado sucial levam diplomatas vão almoçar.

«Estamos preparados»

Ultrapassando o recorde de Janeiro, em Julho ficaram por atender quinto das chamadas para o SNS24.

L’État c’est nous

A presidente do Conselho de Finanças Públicas disse à Comissão de Orçamento e Finanças do parlamento que é ilegal não ter sido aprovado o decreto-lei de execução orçamental para 2021. A Dr.ª Nazaré da Costa Cabral ainda não percebeu que só é ilegal é o que o governo considera ilegal.

Já virámos a página da austeridade

O Dr. Leão, sucessor do Dr. Centeno, ultrapassou o sucedido e só "descativou" até 9% das despesas "cativadas".

Para que serve a ERC? pergunta o jornalista

O jornalista José António Cerejo. a quem um autarca de Aguiar da Beira recusou responder sobre negócios da Câmara, pergunta «Para que serve a ERC? E o Estatuto do Jornalista?» Só pode ser uma pergunta retórica cuja resposta o jornalista conhece perfeitamente e é dada pela Carta de direitos Fundamentais na Era digital que atribui à ERC o poder de Comissão Pós-Censura para apreciar queixas contra entidades que pratiquem a «desinformação», definida como «toda a narrativa comprovadamente falsa ou enganadora», falsidade que a ERC determinará com base na verdade oficial.

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