Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

27/08/2020

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Boris Johnson,

Secção Entradas de leão e saídas de sendeiro / Secção Still crazy after all these years



Não é que fosse razoável esperar muito de Boris Johnson, mas, ainda assim, está a falhar mais do que as piores previsões em três frentes críticas. No Brexit perdeu-se o norte e ninguém sabe como e quando vai estar fechado o processo. A resposta à pandemia foi até agora um desastre, com a terceira taxa de óbitos a seguir à Bélgica e à Espanha, apesar de ter uma taxa de infectados inferior à portuguesa. O impacto na economia também foi mais elevado do que qualquer dos países da EU, excepto a Espanha.

Como se não fosse o suficiente, fabricou uma lista de 36 candidatos à câmara dos Lordes que incluiu: um oligarca russo dono de vários jornais na GB e filho de um agente da KGB; um jogador de críquete envelhecido e irascível que apoiava o Brexit; um ex-activista do Partido Comunista Revolucionário e apologista do IRA que também apoiou o Brexit; o próprio irmão do primeiro ministro; e diversos doadores do partido Conservador, e ainda "bag-carriers and hangers-on".

Leva quatro bourbons por não ter esquecido nada e ter aprendido pouco e cinco chateaubriands por confundir agitação com governação e imaginar-se Winston Churchill a comandar a batalha de Inglaterra.

Aditamento a propósito deste simpático comentário:

Sim, mais na Inglaterra do que no resto no Reino Unido, historicamente sabe-se de política. Infelizmente essa política nem sempre é bem servida pelos políticos britânicos e parece-me claríssimo que, se Boris Johnson não é o Winston Churchill que ele pensa ser, também está muito longe de ser a Margaret Thatcher que o Reino Unido precisaria que ele fosse.