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02/05/2018

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (172) - Os novos situacionistas

«Estes fracassos e descrenças deixaram o PS no governo e, mais do que isso, no centro do regime. Mas que representa o PS? É o partido que governa o país desde 1995, excepto quando não há dinheiro. É, por isso mesmo, o partido do pessoal que domina o aparelho de Estado. E é, também por isso mesmo, o partido de José Sócrates, de Manuel Pinho, e, segundo a acusação do Ministério Público, de Ricardo Salgado, que alegadamente pagava aos dois primeiros. Coisas, entre outras, que no partido uns nem consideram “reprováveis” e outros apenas “insólitas”. Em suma, este PS não está apenas no governo, no Estado e no centro das geringonças: parece estar também para além do bem e do mal

«O regime não se importa. E o país?», Rui Ramos no Observador

«Carlos César encheu o peito para afirmar que os socialistas estão “evidentemente interessados em conhecer o que o antigo ministro Pinho tem a dizer sobre todo este caso insólito”. Mas disse mais, e é este mais que soa a inteiramente novo: segundo César, é necessário “escrutinar todas as decisões que ele pessoalmente tomou enquanto foi governante e que se possam relacionar com a situação que lhe é imputada e que ainda não desmentiu”. Meu Deus, alguém me belisque para eu ter a certeza de que estou acordado: o PS quer analisar o comportamento de um antigo ministro para verificar se as decisões que tomou enquanto governante se podem relacionar com eventuais actos de corrupção? Uau. Estou incrivelmente impressionado. Mas, esperem... por que é que o PS não utilizou exactamente o mesmo raciocínio para chamar José Sócrates ao Parlamento?»

«Está aberta a época de tiro ao Pinho», João Miguel Tavares no Público


Novos situacionistas (Glossário das Impertinências)

Durante as quase 5 décadas que durou o salazarismo, os adeptos do «Regime», também conhecido por esses adeptos e pelos seus opositores como «Situação», eram, com toda a propriedade, chamados «situacionistas». É por isso que, igualmente com toda a propriedade, Helena Matos escreveu, referindo-se aos instalados no aparelho socialista, «os contestatários dos anos 60, são agora a Situação».

É, por isso, que também no (Im)pertinências já se tinha feito equivaler, ao menos como caricatura, o Estado Social ao Estado Novo, o Partido Socialista à União Nacional, as Juventudes Socialistas à Legião, o Socras ao Botas, ficando, por agora, ainda pendente a PIDE, que durante o marcelismo foi rebaptizada de DGS (Direcção-Geral de Segurança), um nome bastante aceitável no contexto do socratismo.

1 comentário:

Anónimo disse...

Mesmo em modo caricatural, não me parece adequado fazer equivaler homens guiados pela recta intenção com crápulas sem nível nenhum.