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04/05/2018

O polvo socialista é mimético: depois do "rigor" orçamental, a "rectidão" ética

Thaumoctopus mimicus, o polvo indonésio que pode fingir 15 espécies diferentes 

Costa e o seu PS prometeram virar a página da austeridade orçamental de Vítor Gaspar/Maria Luís Albuquerque e ficaram na mesma página mudando-lhe o número com o Ronaldo das Finanças. Com igual facilidade, depois de mais de uma década a assobiarem para o lado a respeito das inúmeras trapalhadas de José Sócrates e de três anos e meio a meterem a cabeça na areia, os mais prudentes, ou mesmo a sair em defesa da criatura, os menos prudentes ou com menos vergonha, a respeito da Operação Marquês, Costa e o seu PS deixaram-se de fazer de mortos e multiplicaram-se em vergonhosas e tardias declarações de vergonha e juramentos de rectidão ética.

Tudo começou quando o caso Manuel Pinho saltou para as primeiras páginas. O porta-voz do PS, o mesmo Galamba que foi agente duplo de Sócrates e Costa, confessa agora que «obviamente que é algo que envergonha qualquer socialista». O presidente do PS, o mesmo César que recebe em duplicado as viagens que não paga e providencia tenças para a família, diz que «a vergonha até é maior porque era primeiro-ministro».

O maior descaramento foi, como seria de esperar, daquele a quem Sócrates chamava o «merdas do Costa que não tem tomates» que, resguardado pela distância que vai do Largo do Rato a Toronto (começa a ser um hábito o homem refugiar-se no estrangeiro quando as coisas se incendeiam, seja a floresta, seja o partido), faz uma dupla como no totobola e declara: «se essas ilegalidades se vierem a confirmar, serão certamente uma desonra para a nossa democracia. Mas se não se vierem a confirmar é a demonstração que o nosso sistema de justiça funciona».

Em conclusão, o polvo socialista tão depressa se veste com as cores da "austeridade" de Passos Coelho/Vítor Gaspar, como adopta as manchas da "ética" de Rui Rio/Elina Fraga. E não, isto não é um acidente. É um expediente perfeitamente deliberado dentro da estratégia de sobrevivência do costismo. Graças à memória curta e à infantilização do eleitorado é possível que continue a ter sucesso - pelo menos enquanto houver dinheiro.

2 comentários:

Anónimo disse...

Talvez o sr pinto de sousa comece a usar mais o trombone; parece que já começou com as primeiras semifusas e colcheias.
Ele e o sr banqueiro farão um dueto que vale por uma orquestra.

Anónimo disse...

António Costa sobre Pinto de Sousa et all (Mai/2018): "Se essas ilegalidades se vierem a confirmar, serão certamente uma desonra para a nossa democracia. Mas se não se vierem a confirmar é a demonstração que o nosso sistema de justiça funciona”.
Após o «Mas» é a frase assassina do pinto e da justiça..