Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

16/07/2017

ARTIGO DEFUNTO: Jornalismo de "referência" é o jornalismo de causas adoptado pelo jornal que se diz de referência (3)

Continuação de (1) e (2).

Deve haver um móbil para o Expresso gastar papel a inventar sucessores para Passos Coelho. Rui Rio, Relvas e vários outros já foram promovidos e quaisquer criaturas, a maioria ressabiada, que o jornalista de serviço veja como um inimigo de Passos Coelho na sombra tem assegurado tempo de antena no semanário de reverência, como Ferreira Leite, Sarmento Rodrigues e outros (ver a este propósito o artigo de Sebastião Bugalho no SOL aqui citado).

A coisa, de tão denunciada, é de uma bacoquice atroz. O último exemplo de promovido a sucessor ou a apoiante do sucessor é Luís Montenegro, a quem o Expresso concede uma entrevista de uma página em formato broadsheet broadshit. Por muito que Montenegro garanta que apoia Passos Coelho por «convicção, por entender que é o mais bem posicionado para ganhar pela terceira vez as legislativas e o mais bem preparado para ser PM».

Será verdade? Não necessariamente, mas, não sendo, seria estúpido Montenegro dizê-lo dessa forma clara e definitiva e ele não parece ser estúpido e sempre poderia manifestar um apoio vago utilizando uma fórmula ambígua. O que levará então o mesmo jornalista do semanário de reverência que entrevista Montenegro escrever na página seguinte «líder parlamentar passa o cargo ao braço-direito e posiciona-se para o pós-Passos»?

Só pode ser porque a criatura dispõe de uma invejável capacidade de ler mentes, porque a frase seguinte plena de insinuações é «Rio diz que PSD está "pior"», o que sugere que um jornalista que não entrevistou Rui Rio e sabe que ele acha que está "pior", também é capaz de entrevistar Montenegro e concluir que pensa o contrário do que diz, concordando com Rio, e por isso se posiciona para o pós-Passos.

Como, em minha opinião, Passos Coelho foi um primeiro-ministro que não mostrou estar à altura das reformas indispensáveis que o seu governo deveria ter adoptado e não adoptou e como presidente do PSD não está a mostrar estar à altura de liderar a oposição à geringonça, estas manobras dos spin doctors de trazer por casa que elegem Passos Coelho como o inimigo principal a abater para dar lugar a um qualquer Rio. levam-me a pôr em dúvida  a bondade da minha opinião. Afinal, quem sabe?, talvez Passos Coelho seja o líder menos mau possível para a oposição.

1 comentário:

Pedro Ferreira disse...

Claro que Passos é a alternativa que temos à mão, já que não surge um movimento à Macron. Tenho de acreditar que Passos vai corrigir os erros que fez, começando por reduzir as redundâncias no Estado Monstro e esbanjador de recursos, que se auto-consome e depois deixa roubar os paióis e não consegue evacuar aldeias e cortar estradas. Penso que a oposição devia fazer uma coligação e apresentar já um plano de governação, com dois vectores: reduzir a despesa do Estado e descer impostos no mesmo valor, deixando aos portugueses o resto. É evidente que a justiça tem de ser célere, a legislação reduzida,e uma auditoria a todos os institutos, fundações, observatórios, IPSS, o MP tem de entrar em todo o lado, o parelho de Estado foi assaltado por muitos corruptos.