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16/10/2009

Estado empreendedor – (15) a estrada para a bancarrota - 2.ª parte

Depois de se ficar a saber que a Estradas de Portugal aumentou o seu endividamento em 80% para 1,3 mil milhões de euros, a central de manipulação anunciou que, «apesar disso», os lucros em 2008 alcançaram 53,3 milhões.

Esquecendo por momentos que o passivo da EP equivale a 25 anos dos lucros de 2008, o que é o lucro da EP? Melhor, pode falar-se em lucro no caso duma empresa cujos proveitos são em grande parte resultantes de uma «Contribuição de serviço rodoviário» (Lei n.º 55/2007 de 31 de Agosto) fixada pelo governo e completamente arbitrária? Pode falar-se em lucro quando o governo faz reverter para a EP as portagens das SCUTS que os respectivos concessionários deveriam receber e, não as recebendo, vão continuar a ser-lhes pagas as compensações previstas nos contratos de concessão?

Toda esta engenharia mediática deveria ser um insulto à inteligência dos jornalistas económicos. Será um insulto ou apenas mais um manipulado que é preciso fazer seguir o seu curso? É certamente um insulto, se não à inteligência dos sujeitos passivos, pelo menos à sua bolsa.

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