Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

05/10/2009

CASE STUDY: os suspeitos do costume parecem estar inocentes

Como todos se lembram, a volatilidade dos preços do petróleo tem sido atribuída aos especuladores, essa classe de renegados capitalistas que fazem arfar de ódio o senhor Jerónimo de Sousa, espumar de raiva o professor Louçã e não deixam de excitar o engenheiro Sócrates que vê neles mais uns putativos bodes expiatórios dos desaires da política económica do seu governo. Para sermos rigorosos, esses renegados excitam todos os políticos, incluindo Paulo Portas, Ferreira Leite e, claro, Cavaco Silva, esse político entre parêntesis.

Já em 2008 um relatório da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) punha em causa o papel dos especuladores no aumento dos preços do ano anterior. O mês passado a CFTC publicou, pela primeira vez, dados desagregados por tipo de operador revelando que os especuladores (essencialmente swap dealers e money managers), ao contrário do que se esperaria, tinham maiores volumes de posições longas do que de posições curtas. Ao contrário, os produtores e os utilizadores, tinham uma situação inversa, mostrando um comportamento mais especulativo do que os especuladores.

Podemos concluir, com a Economist, que os culpados de facto da volatilidade dos preços do petróleo não devem ser procurados entre os especuladores que, proporcionando liquidez aos mercados reduzem a volatilidade, mas em algo mais familiar: oferta, procura e instabilidade global.

Sem comentários: