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23/10/2009

DIÁRIO DE BORDO: estórias do outro mundo

Já tive ocasião de contar o privilégio de ter conhecido pessoalmente Alf, aka Gordon Shumway, no verão de 2002, durante as suas férias com os Tanners na Quinta da Balaia, onde comeu todos os gatos das redondezas, apesar dos seus 245 anos - quando aterrou na casa dos Tanners já tinha uns bons 229 anos.

Uma vez ou outra, Alf telefona-me, via Skype, para confirmar ou saber pormenores de acontecimentos em Portugal que esporadicamente os noticiários de Melmac relatam pela rama. Voltou a telefonar ontem e não foi a propósito do caso Freeport – em tempos já me explicou que os casos de corrupção em Portugal não constituem notícia, segundo o critério jornalístico da Holomac (assim se chama a TV por holograma de Melmac). Foi a propósito das declarações dum tal Murteira Nabo que, segundo a Holomac, seria uma personagem estranha desdobrada em diferentes personas e falando por todas eles num intervalo de poucas horas.

Uma vez falou ao mesmo tempo em nome do governo e de presidente de uma «companhia de petróleos» (palavras do Alf), afirmando «o Governo jamais permitirá que a Galp seja controlada por interesses estrangeiros».

Outra vez, em nome do «capitão dos economistas», foi assim que Alf se lhe referiu, certamente lembrado dos seus tempos de capitão da equipa Bouillabaisseball, manifestando-se «satisfeito» com o novo governo. «Afinal o homem está ou não no governo?», perguntou Alf. Expliquei-lhe que já tinha sido secretário de estado e até ministro, episodicamente, quando em trânsito para a presidência da companhia dos telefones de onde tinha saído para bastonário dos economistas. «Bastonário dos economistas? Mas esses gagos jogam basebol?» perguntou. Não respondi, já sem pachorra. E que mais? perguntei.

«OK. Não percebo, mas adiante. Se ele não faz parte do governo como é "quer juntar ministérios da Economia e Finanças" Isso é ele a falar, disse-lhe. O papel do bastonário é falar, expliquei. O homem também fala noutras qualidades, como administrador do BES ou curador da Fundação Oriente ou presidente da Câmara Luso-Chinesa. «Uau, gemeu Alf, é essa coisa de Macau? Tem a ver com o caso do fax do Melão?», questionou excitado, recordando os ecos que ainda ouviu quanto esteve em Portugal. É Melância, mas para o caso não interessa. Tenho uma chamada no telemóvel, vou ter que desligar, ensaiei.

Não desistindo (Alf nunca desiste), «OK, só mais uma coisa». Explicou durante uma longa meia hora o resultado catastrófico da criação dum ministério da Economia em Melmac. Tão desastroso, que o desastre só foi maior quando juntaram o ministério da Economia com o das Finanças. Agradeci, mandei abraços e fui ver o Gato Fedorento a esmiuçar Dupont e Dupond.

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