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17/01/2006

SERVIÇO PÚBLICO: a cóltura não é barata

Segundo o insuspeito Expresso, e acreditando nos cálculos do insuspeito doutor Mário Vieira de Carvalho, secretário de estado da Cóltura, no teatro dona Maria II «cada espectador custou 2.500 euros», pelo menos na peça «Conferência de Imprensa» de ... guess who. Adivinharam. Harold Pinter.

Vamos dar de borla que as outras peças foram um pouco mais baratas e supor que a audiência média tenha sido de 50 espectadores (o Actual refere «31 lugares preenchidos, às vezes 48»). Como o dona Maria tem um orçamento de 5,4 milhões de euros e apresentou 188 espectáculos, em média «cada espectador custou» cerca de 600 euros.

Se o Impertinências e a patroa viajarem para Londres nos primeiros dias de Março, ainda conseguem um voo ida e volta na easyjet por 2x(22,99+43,29)=132,56 euros. Em Londres podem alojar-se durante dois dias num hotel decente em quarto duplo por 2x250 libras=730 euros e comprar dois bilhetes por 2x50,35 libras = 147 Euros no Duchess Theatre para ver o rançoso «Birthday Party» do Pinter (é uma péssima ideia, mas já que estamos a falar do dona Maria).

Chegados a este ponto, ainda só se gastaram cerca de 1.010 euros. Dos 2x600=1.200 euros, que o governo nos vai dar para irmos ao teatro, ainda sobram 190 euros, que geridos com parcimónia são suficientes para comer nos dois dias da estadia em gastropubs.

Como estamos a falar de Pinter, talvez o doutor Mário Vieira de Carvalho nos conceda a benção dos 2x2.500 = 5.000 euros que, então sim senhor, permitiriam ao casal impertinente acomodar-se e amesendar-se à altura que devem elevar-se as pessoas com Cóltura.

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