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08/01/2006

O IMPERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: Contributos para a Teoria Geral do Prego (5)

APS prossegue incansavelmente a sua tese. Só é possível saber-se que começou aqui. Não é possível prever quando terminará. Se terminar - APS cultiva a obra inacabada. Ou mesmo nunca começada, como é o caso dos «Navios de Agamenon», romance que tem projectado escrever, desde o fim das guerras púnicas, sobre o rei de Micenas, marido de Clitemnestra e cunhado de Helena (a de Tróia).

(continuação de (1),(2),(3) e (4))


2 - Teoria do prego

O conjunto de teorias, nas quais se inclui a teoria do prego, são teorias minimalistas sobre o conteúdo do terceiro problema: já que temos de fazer alguma coisa optamos por um projecto que seja o mais simples possível e dure tanto quanto possível, idealmente todo o tempo de uma vida, de modo que nem sequer se realize, o que constitui o objectivo da correspondente meta teoria

Já se disse que do ponto de vista ético são tão válidas as teorias maximalistas como as minimalistas e resulta difícil aplicar na escolha de uma ou de outra, qualquer critério que não o da arbitrariedade é insuficiente.

Tenho uma carteira de exemplos de projectos candidatos ao respectivo desenvolvimento teórico, mas que sofrem de algum dos males ou bens atrás definidos. No meu entender os projectos não devem facilitar a vida do pretendente ao seu desenvolvimento proporcionando-lhe razões fortes para desistir, como seja ser muito difícil ou demorar muito tempo. Isto é, devem ter um Bem ou um Mal compatível com a sua finalidade que é a de encher todo o tempo de uma vida. Exemplos:

- desenhar e construir o modelo operacional, à escala, de uma locomotiva a vapor conhecida como Big Boy, coisa altamente complicada e complexa. Quem o tentasse realizar encontraria boas razões para o não terminar ou até simplesmente iniciar Isto é, o projecto, como se vê, sofre do Bem de Albert. Ocupar-se com um modelo não operacional desescalado cairíamos num projecto com uma dose já razoável de Bem Melhor de APS;

- construir uma teoria geral da confusão que cubra toda a área da vida humana que não está racionalizada, quer porque tal nunca se tentou quer porque disso não é susceptível. O objectivo de uma teoria deste jaez, tal como a imagino, não seria a de racionalizar o que quer que fosse, mas, simplesmente, garantir que o que estava confuso assim continuaria e muito do que não estava, passaria a estar. O Bem aplicável a este projecto é também o de Albert, claramente;

- criar uma teoria da procura em que quando o preço varia num sentido a quantidade procurada varia em qualquer sentido. Como se pode calcular trata-se de uma tarefa altamente complicada e nada fácil. O risco deste projecto sofrer do mal de Frege é óbvio;

- projectar e construir uma bóia fixa para produção de energia eléctrica a partir das ondas com base na técnica da oscilação de uma coluna de água. O Mal que afecta este projecto é o de Frege, pois é trabalho já feito por outros;

- a teoria do parafuso já é um projecto mais acomodável pois, e se sofrer de alguma coisa, o que lhe é mais aplicável é o Bem Melhor de APS ainda que, podendo o parafuso ficar mal aparafusado ou ocorrer qualquer outro azar, erro ou omissão, possa ser afectado pelo Mal Pior de APS. É claro que dado o enormíssimo leque de opções que se levanta no desenvolvimento dum projecto desta natureza o nível quantitativo e qualitativo de desculpas admissíveis para o pretendente é ainda muito elevado para atrair a atenção da maioria dos potenciais interessados;

- a teoria do prego não sendo um projecto perfeito é todavia aquele que mais livre de bens e males encontrei, minimizando drasticamente o número e a qualidade das desculpas para o não desenvolver.

De modo arbitrário, o que acontecerá mais frequentemente do que seria desejável, escolhi desenvolver a teoria geral do prego e sinto que não tenho o conforto de uma decisão lógica ao fazer esta opção, que nem sequer é fundada na escolha do mais fácil, pois um qualquer projecto sujeito ao risco do Bem Melhor de APS é de mais difícil execução do que um sujeito só ao Bem de Albert (afirmação que, todavia, não se encontra ainda demonstrada).

Suponho que se vê aqui com total exemplaridade a dificuldade da auto-referência na programação do cérebro do homem.


(continua)

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