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29/01/2006

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: graxa pública, repugnância privada

Alguns detractores habituais do Impertinências indignaram-se com o tom (insultuoso, segundo um deles) com que este vosso criado abordou esta nova área temática.

Acontece que o Impertinências não é sócio de nenhuma das corporações que constituem as elites deste país, que geralmente praticam, com agonia mal disfarçada, a graxa pública às supostas qualidades do povo, ao mesmo tempo que nutrem em privado a maior repugnância pelos usos, costumes e valores da turba. Com a mesma duplicidade com que cantam as virtudes das escolas públicas, enquanto matriculam os seus rebentos no Colégio Alemão, no Liceu Francês ou equivalente.(*) Ou, ainda, como exaltam os atributos do Serviço Nacional de Saúde, ao mesmo tempo que tratam das suas maleitas na Cruz Vermelha, no Cuf Descobertas ou equivalente.(*)

Nomeadamente o Impertinências não sente nenhuma obrigação de dar graxa à turba. Pelo contrário, o Impertinências esmera-se em dar paulada na cabeça da turba, tal como se esmerava a fazer o mesmo no toutiço dos filhos para lhes incutir um módico de boas maneiras, ciência e diligência para fazerem pela vida. Esmero que, em ambos os casos, tem (quase) as mesmas razões, diga-se.

(*) E, podendo, fazem eles muito bem. Mas fazem mal em insultar a inteligência da turba.

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