Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

02/01/2006

BLOGARIDADES: talvez eu seja fanático

«1) Ou bem que queremos uma Administração Pública qualificada, rejuvenescida e capaz, ou bem que deterioramos 8% em 5 anos o seu nível remuneratório, afastando todo e qualquer ser minimamente competente para o sector privado;

2) Ou bem que defendemos que aumentos e produtividade devem andar de mão dada, ou bem que denunciamos que a actual realidade é injusta porque os funcionários públicos não tiveram uma queda de produtividade de 8% e, portanto, não faz sentido que percam essa remuneração. Mais, essa perda de remuneração é um incentivo claro a uma diminuição da produtividade
.» (do post Nada de fanatismos do Grande Loja)

1) Ou bem que a verdade é outra:

a. A verdade é que chegámos ao ponto a que chegámos em 2003, com as remunerações dos funcionários públicos a aumentarem acima do sector privado durante 25 anos;

b. A verdade é que, além disso, os funcionários públicos desfrutavam (e desfrutam) de condições de reforma (idade mínima e tempo de serviço) e de base de cálculo da pensão (durante muitos anos 100% e só recentemente 90% do último salário), que não se podem comparar às do sector privado;

c. A verdade é que, em cima disso, os funcionários públicos gozam de garantias de emprego fora do alcance dos trabalhadores que estão no mercado de trabalho;

d. A verdade que, apesar dessas condições absolutamente melhores, a função pública está mais perto duma mediocracia (benevolência minha, restos do espirito natalício) do que duma meritocracia.

2) Ou bem que a coisa se passa doutra maneira:

a. A verdade é que em lado nenhum os aumentos e a produtividade andam de mãos dadas, nem no sector privado;

b. A verdade é que, para a maioria dos «serviços» produzidos pelo estado napoleónica-estalinista, nem sequer se pode falar em produtividade, porque esses «serviços» não têm um preço de mercado;

c. A verdade é que o que se passa nalguns departamentos (escolas, finanças e outros) é que a perda de remuneração parece ter induzido um aumento de eficiência e de eficácia (talvez apenas temporariamente e devido a alguma insegurança, sentida pela primeira vez, os funcionários começaram a dar alguma corda aos sapatos) .

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