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06/04/2005

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: o fascismo do PC

Secção George Orwell
(uma secção onde se homenageia George Orwell, que terá dito que há ideias e opiniões tão obviamente idiotas que é preciso ser-se um intelectual para se acreditar nelas, como se conta no Glossário)

A estória já tem barbas - a especialidade do Impertinências não são breaking news. Em 14 de Janeiro, Lawrence Summers, presidente da Harvard University, e, entre muitos outros postos, antigo secretário do Tesouro do presidente Clinton, proferiu este discurso na Conference on Diversifying the Science & Engineering Workforce do National Bureau of Economic Research. Nesse discurso Summers explicou que não era um especialista mas via 3 razões possíveis para haver menos mulheres nas áreas de matemáticas e ciências. A discriminação e pressões sociais a que são sujeitas as mulheres; as tremendas exigências de disponibilidade que tornam menos atractivas estas carreiras para elas e, last but not least, a maior variabilidade das atitudes, face à ciência, nos homens do que nas mulheres.

Com aquela última, que considerou ser a possível causa mais relevante, Summers queria apenas dizer, como resulta claro no discurso, que, segundo a sua experiência nesta matéria, os piores homens tendem a ser piores do que as piores mulheres e os melhores tendem a ser melhores do que as melhores mulheres, sem prejuízo de, em média, os desempenhos não serem muito diferentes.

As reacções do bando do PC (politicamente correcto) não se fizeram esperar e dois meses depois a Faculdade de «Arts and Sciences» de Harvard aprovou por 218 votos contra 185, uma moção de desconfiança ao presidente da universidade, tendo ainda aprovado uma crítica ao seu estilo de gestão por 253 votos contra 137. Fora de Harvard, as reacções do bando exigindo a sua demissão foram igualmente histéricas - por exemplo esta da National Organization for Women.

Pode-se concordar ou discordar de qualquer dos argumentos, sendo certo que os duas primeiras alegadas causas parecem mais ou menos óbvias a quem tenha um módico de experiência de vida, e a terceira só será possível de confirmar ou refutar com base em dados objectivos. No final, é apenas uma questão que pode e deve ser tratada com neutralidade científica - uma abordagem impossível para quem na, linha do estalinismo, acredita que a ciência é uma arma na luta ideológica.

Tal como o terror do fundamentalismo islâmico não se combate de joelhos pedindo desculpas e misericórdia, numa escala bastante mais ridícula, também não se combate o fundamentalismo histérico do PC pedindo desculpas e protestando arrependimento, que é o que Summers parece inclinado a fazer.

Tal como no combate ao fundamentalismo islâmico, as mulheres também são essenciais no combate ao sexismo ao contrário que contamina os homens e as mulheres militantes do PC.

Cinco ignóbeis para o bando do PC que desta vez se superou. Por se ter excedido, leva apenas 3 bourbons dos cinco possíveis.

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