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05/04/2005

DIÁRIO DE BORDO: reflexões vagabundas dum bloguenauta anónimo

Por vezes interrogo-me como é possível ser bloguenauta, manter uma produção regular (mais ou menos) original, a alguém que não seja rico, desempregado, estudante, professor com horário zero, funcionário do ministério da agricultura, ou, como é o meu caso, profissional liberal semi-aposentado.

É uma trabalheira. Duas horas pela manhã para ler umas dezenas de posts dos indispensáveis, cheirar uns quantos links, ler alguns jornais do dia, criar o pique suficiente para vencer a preguiça de escrever, depois do jantar ou, se o pique é muito forte, e os deveres profissionais se podem adiar por mais uma hora, escrever a quente ainda nessa manhã.

Se fosse adepto dos subsídios, defenderia que o governo deveria recuperar as verbas com que subsidia os filmes com menos de 100.000 espectadores, que foram todos em 2004, e pagar um euro por visita/dia aos bloguenautas.

O bloguenauta mais anónimo (quase) pode aspirar a rivalizar com as luminárias da política ou dos média. Mas é claro que, tal como no caso do e-business em que quem já tinha um negócio bricks & mortars dispõe à partida duma vantagem competitiva decisiva, também quem já tinha um negócio como comentador político ou como intelectual dispõe da vantagem da notoriedade.

É também claro que existem barreiras à entrada, apesar de mais ténues do que no caso de outros negócios - quem chegou primeiro fidelizou os seus clientes e dispõe duma reserva de mercado. Finalmente, é óbvio que há estratégicas de marketing que podem e são usadas para potenciar as visitas - por exemplo o linking recíproco a que chamei, na paródia, o retro-link. Nem mesmo a blogosfera é um mercado perfeito.

[reflexões vagabundas que, por falta de espaço, não couberam no «Liberal-pragmático» na Secção Política no Ciberespaço de O Comércio do Porto de 1 de Abril]

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