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10/04/2005

TRIVIALIDADES: o período de graça não é de borla

Desfrutando ainda do seu período de graça, talvez prolongado pela contenção verbal, que na melhor hipótese significa prudência e na pior significa que não tem nada para dizer, o engenheiro Sócrates começa a ver esgotar-se o suplemento de boa vontade que se segue aos completos descalabros, como aquele que assolou o santanismo no governo. Mas beneficia, ainda durante algum tempo mais, da crença do pior do que era, não poderá ser. Crença regularmente desmentida pelos factos.

Foi a vez dos empresários, representados pela CIP, começarem a provar a receita que o governo lhes tem reservada. Segundo o Expresso, a delegação da CIP «ficou muito desagradada com a atitude altiva e professoral de José Sócrates» que, segundo o mesmo semanário, foi classificada como «um sermão com missa cantada».

Numa economia em que os empresários estão tão carentes do colo estatal como os trabalhadores, as queixas, se sussuradas no recato dos gabinetes, significariam muito pouco. Trombeteadas para a primeira página do suplemento de economia do jornal que mais se empenhou na campanha pró-Sócrates querem dizer bastante.

Contudo, não deveria surpreender ninguém a pesporrência e a atitude ligeiramente agoniada perante os «privados», aquele departamento da economia com que o Moloch (copyrigth Semiramis) tem que conviver.

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