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11/04/2005

SERVIÇO PÚBLICO: a coisa nunca está tão má que não possa piorar

O Gabinete de Estratégia e Estudos do ministério da Economia estimou em 14,5 mil milhões de euros o défice da balança comercial em 2004 - um aumento de 24% em relação a 2003 que atirará o défice para cima dos 10% do PIB. Como já aqui se viu, trata-se, uma vez mais, do modelo do costume, com o consumo a puxar pelas importações.

Se nas famílias que gastam mais do que ganham o final da estória costuma ser triste, nos países o final pode ser uma verdadeira tragédia.

E quando os países consomem mais do que produzem será porque consomem muito? Não necessariamente. Pode ser porque produzem pouco. E, por falar em produzir, veja-se este interessante gráfico, que mostra Portugal na pior posição do jogo da apanhada: mais atrasado do que a Coreia do Sul ou a Grécia e a atrasar-se cada vez mais em relação ao benchmarking.

(publicado por The Economist; repare-se que os indicadores estão calculados com base na paridade do poder de compra)

Mas, ao menos, as coisas estão a melhorar? Desiludam-se. Estão a piorar. Segundo um estudo da CIP citado aqui, «os custos do trabalho em Portugal continuam a crescer acima da média europeia». Ao coro podemos acrescentar a OCDE (citada aqui), que estima que «em oito anos, o número de horas trabalhadas em Portugal caiu 6,0%».

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