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28/04/2005

CASE STUDY: se carecesse de demonstração

Se carecesse de demonstração que não adianta torrar dinheiro para salvar empregos em empresas inviáveis, dinheiro melhor gasto em negócios viáveis, ficaria demonstrado com o caso MG Rover.

Há cinco anos, o governo britânico enterrou na MG Rover, em cima de milhões de libras que governos anteriores já haviam enterrado, mais 427 milhões num empréstimo sem juros que fez ao grupo Phoenix para tomar conta do moribundo que havia sido abandonado pela BMW. O grupo Phoenix, para além de abichar os 427 milhões de libras, não tinha a mais pequena ideia do que fazer com MG Rover.

Nessa altura o governo britânico, apavorado com as manifs para «defender os postos de trabalhos», preteriu uma outra proposta do grupo Alchemy que tinha uma ideia para o futuro da MG Rover e se comprometia a viabilizar parte do negócio, salvando 1/5 dos postos de trabalho e pagando 50 mil libras a cada um dos despedidos.

Cinco anos depois, o problema submerso debaixo dos milhões de libras emergiu num estado ainda pior e sem qualquer saída à vista. Ou melhor com a saída que à distância de 2 semanas das eleições se prevê que o governo britânico venha a adoptar: pagar 6,5 milhões de libras de salários por semana para o pessoal da MG Rover ficar sossegado.

Enquanto isso, projectos e planos do Rover 25 e do Rover 75 e equipamentos para a produção de outros modelos foram vendidos. Adivinhem a quem? Aos chineses, pois claro. Para continuar a produção nas fábricas ineficientes e inviáveis da MG Rover? Não queriam mais nada? Em Xangai, se não se importam.

«It is too big to be small and too small to be big»
Professor Peter Cook, Nottingham Business School.

(Mais pormenores aqui e aqui, ou ainda aqui)

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