Num país fortemente endividado (a nona maior dívida pública mundial) e, em consequência, cronicamente descapitalizado, ter uma taxa de poupança das famílias muito baixa é evidentemente um desastre. Quando essa taxa de poupança se aproxima do zero, como aconteceu no quarto trimestre do ano passado, isso é uma catástrofe.
| Jornal Eco |
Como dar esta notícia catastrófica a leitores sofrendo de iliteracia financeira crónica? Pode-se fazer como o Jornal Eco com um título objectivo «Taxa de poupança das famílias cai para mínimo histórico de 0,24%» e um texto explicativo igualmente objectivo. Ou pode fazer-se como o Público, o Avante da Sonae, que em vez de ir à fonte Eurostat, como o Eco, cita o serviço da Lusa, a Tass Lusitana, e publica um texto onde não há uma única referência a Portugal, com o título «Taxa de poupança das famílias na zona euro recua pelo sexto trimestre consecutivo», como se, em vez de uma catástrofe doméstica, se tratasse apenas de uma queda da poupança na Zona Euro, que ainda assim teve uma taxa de 13,2%.