Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

11/09/2017

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (100)

Outras avarias da geringonça.

«Governo nunca foi tão impopular» titula preocupado o semanário de reverência. Exagero, não é caso para preocupações. Afinal, depois de 20 meses de austeridade heterodoxa e de escândalos vários (colapso da resposta aos incêndios, roubo das armas de Tancos, etc.) o governo continua com um saldo positivo de 2,1% e o PS com 40,3% de intenções de voto.

O que é negativo é o saldo até Julho entre a receita de 8,9 mil milhões e a despesa de 9,38 mil milhões da Segurança Social. Também este saldo negativo não é preocupante porque, como diz o ministério respectivo, «em 2017, os sinais de curto prazo continuam positivos» e, segundo a doutrina da Mouse School of Business, no sistema de pensões o que importa é o curto prazo.

Afinal a notícia que citei a semana passada da diminuição em Julho do indicador de confiança dos consumidores e clima económico era manifestamente exagerada. Segundo o "Estudo Global de Confiança dos Consumidores", o índice de confiança dos portugueses subiu 17 pontos face ao período homólogo e só 49% deles pensam que o país ainda está em recessão, contra 59% dos europeus. Pudera!, os outros europeus não dispõem dos afectos de Marcelo e do optimismo de Costa.

E não é caso é para menos. «Todos os funcionários públicos com pontos para progredir vão ver direitos reconhecidos em Janeiro» e se nem todos são funcionários públicos com pontos isso não é manifestamente culpa da geringonça mas do governo neoliberal que agravou o problema reduzindo o número de funcionários públicos, contrastando com o governo de Costa que colocou mais 6.500 professores nas escolas em cima do aumento de mais de 8 mil até 30 de Junho.

Dirão os cépticos que a vaca marsupial pública não consegue acolher mais utentes. É um argumento reaccionário. Sigam-se os sábios conselhos do camarada Jerónimo e crie-se um adicional à derrama, taxe-se o grande capital que ainda resiste e tribute-se «devidamente os elevados rendimentos» e acolham-se as exigências dos sindicatos da função pública e aumentem-se os utentes de 2,5%.

Ao mesmo tempo que acolhe os utentes da vaca, Costa não descura a economia porque infelizmente é preciso pagar a palha. Uma das medidas recentes é a transformação de uma coisa conhecida como «banco de fomento», que se pensava destinada a financiar as empresas viáveis, em um «hospital de empresas», uma espécie de IPO para tratar os moribundos que enxameiam as carteiras de crédito malparado da banca que somam 30 mil milhões. Pelos vistos, a comissão executiva do dito banco de fomento ainda não percebeu o interesse patriótico da coisa e demitiram-se mais dois membros, restando apenas um.

É claro que há sempre detractores a dizer que as preocupações de Costa com a economia só lhe podem fazer mal, à economia entenda-se. E apontam o défice crescente da balança comercial que em, Julho subiu para mais de mil milhões de euros. Ou apontam o crescimento do PIB de 0,3% no 2.º trimestre que foi o menor da Zona Euro, contrapondo os exemplos de países que, apesar de não terem Costa, cresceram nesse trimestre 1,7% (Suécia) ou 1,6% (Roménia) ou 2,5% República Checa. Ou ainda, põem em causa a redução do desemprego e o aumento dos activos porque, dizem, os novos empregos têm uma produtividade baixa o que reduz ainda mais a produtividade média nacional quando comparada com a europeia.

Defendem até, esses cépticos, que o «maior crescimento do século» se deve em boa parte ao turismo graças ao Estado Islâmico e ao crescimento das importações de bens e serviços portugueses pela Espanha, França, Alemanha e Reino Unido que representaram mais de metade do total das exportações portuguesas em 2016.

E, em vez de verem a coisa pelo lado patriótico de impedir a compra pela estranja do que resta das nossas mansões de família, criticam a falta de resposta do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras aos pedidos de vistos Gold que, alegam, está a prejudicar a entrada de grana para comprar imóveis.

E existem ainda instituições dominadas pelos cépticos, como a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) que estimou o défice em contabilidade nacional do primeiro semestre em 2,5%, um ponto percentual acima do objectivo do governo para 2017, mesmo sem o impacto da recapitalização da Caixa.

Parece estar em marcha uma coligação da oposição acolitada com comunistas e bloquistas contra as cativações que alguns insistem em ser uma medida de austeridade quando todos deveriam saber que o ministro da Economia já informou o jornal El País que «Liberamos a la economía del corsé de la austeridad».

Se há sindicatos bons, que convocam greves justas com reivindicações justas, ainda que não totalmente atendíveis de imediato, também há sindicatos maus com «um comportamento errático, irregular e violador do estado de Direito assumido por um conjunto de atores que, violando sistematicamente todos os princípios da ética, da deontologia e da lei procuram criar agitação num quadro em que a maioria dos profissionais de enfermagem não se revê». E nesses casos o governo não cede e move-lhes uma guerra.

Acusam o governo de andar a encanar a perna a rã com os inquéritos ao desastre da resposta  ao incêndio de Pedrógrão Grande para adiar as conclusões para depois das eleições autárquicas. Pura mentira. O governo anda ocupado em preparar o início das negociações do quadro comunitário Portugal 2030 ainda antes das eleições autárquicas, como nos informa o Expresso, único jornal que teve acesso a tão importante notícia. Deveria ser obrigatório ler o semanário de reverência para ter acesso a estas informações e, já agora, ajudar a pagar o calote da Impresa.

1 comentário:

Unknown disse...

Não consigo comunicar com o v sistema não se vê o que se escreve pô!