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15/09/2017

NÓS VISTOS POR ELES: A Europa do Jean-Claude

Jean-Claude Juncker, o presidente da Comissão Europeia, no discurso onde anunciou a sua visão para a União Europeia disse enigmaticamente:
«Não se iludam, a Europa estende-se de Vigo a Varna. De Espanha à Bulgária»
Sendo certo que para dar uma imagem da amplitude da UE seria muito mais adequado dizer que a Europa se estende de Portugal à Estónia ou de Lisboa a Talin (uma diagonal perfeita que atravessa o centro do território da UE), o que quereria ele significar com essa imagem geográfica?

Uma explicação simples partiria do facto de ser voz corrente em Bruxelas e noutras capitais que Jean-Claude tem um «increasingly erratic behavior», não consegue ler os relatórios dos assessores nem conter a verborreia (nós também estamos bem servidos nesta matéria) e que esse comportamento se pode dever ao «cognac for breakfast». Mais do que simples, esta explicação é simplista, também porque, mesmo etilizado, um Jean-Claude, primeiro-ministro luxemburguês durante oito anos, dificilmente se esqueceria de um país cujos nacionais e seus descendentes representam 1/6 dos residentes no Luxemburgo e constituem a maior comunidade estrangeira.

A explicação de Rui Ramos constitui um bom ponto de partida para compreender o aparente lapso de Juncker e assenta em duas premissas: (1) Portugal não conta na relação de forças com o grande urso russo, outra vez com ambições de grande potência e uma ameaça sentida pela Alemanha e todos os antigos países comunistas; (2) Com todos os membros da UE na Zona Euro, como defendeu Juncker, a presença dos relapsos financeiros do Sul seria uma borbulha no rabo da União. Conclusão: «uma Europa sem Portugal é perfeitamente imaginável.»

O que é menos imaginável é a viabilidade política de uma União Europeia saída da cabeça de um eurocrata, sem nações, comandada por um «directório franco-alemão (mais alemão do que francês)», como refere RR, e administrada por legiões de apparatchiks bruxelenses.

1 comentário:

Anónimo disse...

Ó carago! O que é que tem "matar o bicho" de manhã ?
Que o homem há anos debita patetices é do conhecimento político mundial.
Por cá temos, pelos menos, iguais, senão piores. Até fazem poemas.
Rui Ramos parecia ir no 'bom caminho' mas, depois, arrependeu-se.