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23/09/2017

NÓS VISTOS POR ELES: Se queremos perceber para onde vamos é melhor ler a imprensa estrangeira

Durante a semana, três artigos da imprensa financeira internacional foram várias vezes citados pelas câmaras de eco da geringonça como fazendo referências laudatórias aos feitos do governo de Costa a propósito do upgrade da notação da S&P.

Marcus Ashworth da Bloomberg, num artigo com um título («Portugal Is Investment Grade in Name Only») que é um bom resumo, explica que se mantém a «carga insustentável da dívida» principal razão do downgrade de há cinco anos, e que a melhoria dos yields das obrigações «é muito mais devida à sua relativa escassez, do que de qualquer transformação económica súbita». E insinua aquilo que muita gente sabe, mas poucos comentam publicamente: o rating da DBRS, uma agência que «não tem a mesma relevância para os investidores» do que as três maiores, existiu para o BCE poder aplicar o seu programa de alívio quantitativo a Portugal.

Mehreen Khan do FT no artigo «Portugal’s comeback is the eurozone’s socialist success story», cujas partes mais apetitosas foram abundantemente citadas, atribui o sucesso da recuperação principalmente «às perspectivas brilhantes da eurozona e da economia global» e aos «frutos das reformas dolorosas do mercado de trabalho do governo anterior de centro-direita». E conclui que a maior lição que os outros partidos socialistas europeus podem tirar do PS é «Timing is everything».

Tony Barber, o editor para Europa do FT, no artigo com o título igualmente significativo «Portugal reforms not gone far enough to ensure financial solidity», lembra que os enormes desafios que Portugal de enfrentar com «um governo socialista minoritário, apoiado no Parlamento pela extrema esquerda» e acrescenta que para os empresários portugueses «o governo está mais inclinado a satisfazer as medidas de luta contra a austeridade do que a reformas destinadas a melhorar a eficiência do sector público e a incentivar o investimento. A questão é se os problemas de Portugal tornarão inevitável um segundo resgate».

A partir dos trechos citados nos jornais domésticos e dos comentários dos opinion dealers alguém poderia entender o que de facto escreveu esta gente?

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