Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

02/09/2017

ESTADO DE SÍTIO: Habituem-se (11)

Outros Habituem-se

Mais uma sondagem e mais do mesmo. As intenções de voto no PS, embora caindo ligeiramente nos últimos 2 meses, continuam 20 pontos percentuais acima das do PSD que nos últimos 12 meses foi descendo gradualmente até aos 23% actuais. Quanto à apreciação dos líderes partidários, o desastre da gestão do combate ao incêndio fez perder a Costa menos de 3 pontos em 20 possíveis.

Clique para ampliar (fonte Negócios)
O que quer isto dizer? O mesmo que as sondagens anteriores: Costa e o PS montados numa clientela eleitoral potencial de mais 5 milhões de pensionistas e funcionários públicos (3,6 milhões) e respectivos apêndices (talvez 2 milhões) que constituem a base do partido do Estado, como lhe chamava o falecido Medina Carreira, com boa imprensa garantida pelo jornalismo de causas e contando com a passividade na pior hipótese e o apoio na melhor de comunistas e berloquistas, só serão derrotados pela realidade, como até Cavaco Silva já percebeu.

Dito de outro modo, enquanto houver dinheiro para extorquir à classe média - os ricos para geringonça - e sacar aos credores, a geringonça estará de pedra e cal. Bom, pelo menos até se desintegrar por interesses inconciliáveis dos seus componentes.

E quando acabará o dinheiro? Em condições ideais, navegando à bolina da conjuntura internacional, pode durar o suficiente para Costa ganhar um segundo mandato. Só que as fragilidades são tão grandes que se o vento muda a nau começará a meter água e em pouco tempo podemos recuar a 2011 e passar de um estado de aparente prosperidade para um estado de aparente miséria e, no final, o que conta é a aparência para um eleitorado infantilizado.

A prolongada esperança de vida de Costa dará a Passos Coelho mais um tempo (saberá ele usá-lo?) se, como é provável, os seus putativos sucessores se encolherem amedrontados por uma travessia do deserto que os transformará em cadáveres políticos adiados.

Sem comentários: