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17/02/2026

Crónica da passagem de um governo (37b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 37a)

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

Seria estúpido atribuir ao governo do Dr. Montenegro responsabilidades pelo essencial dos problemas do SNS, como têm feito, explícita ou implicitamente, a oposição e a comentadoria afecta. O governo é apenas responsável pela falta de medidas ou por medidas erradas para resolver esses problemas, o que não é pouco.

Um indício dessa falta ou inadequação de medidas são os montantes crescentes da despesa com a saúde, sempre insuficientemente financiadas, como revela um balanço provisório de 2025 da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) que, apesar de um aumento dos “rendimentos operacionais”, ou seja verbas atribuídas pelo OE 2025 aos hospitais, mostra prejuízos de 2,7 mil milhões com vários indicadores a continuarem negativos, como um decréscimo das intervenções cirúrgicas, do número de partos e das urgências e de um aumento das listas de espera de consultas e cirurgias, não obstante o aumento do número de médicos e enfermeiros (fonte: relatório Desempenho do SNS Dezembro 2025).

Quem também se queixa por o número de doentes transferidos para o sector privado terem vindo a diminuir, apesar das listas de espera estarem a aumentar, é a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP), cujo presidente afirma que «as listas de espera são tidas como um instrumento de remuneração dos profissionais do SNS», o que parece ser verdade.

O Dr. Montenegro deveria agradecer ao Dr. Carneiro

Sob a pressão interna da coligação de viúvos do Eng. Sócrates e do Dr. Costa com o berloquismo e o geringoncismo socialistas, o Dr. Carneiro faz apelos ao recém-eleito PR (o Tozé, odiado por essa coligação) para empurrar o Dr. Montenegro a negociar com o PS. Empurrão que, se for atendido, sugere que o Tozé não tem afinal as qualidades de independência que o cargo requer e, se não for, sugere que o Dr. Carneiro é um líder fraco expondo-o à coligação.

Para resolver uma oferta insuficiente aumenta-se a procura

A Mouse School of Economics, cujas recomendações inspiraram a governação socialista, foi substituída pela São Caetano School of Economics cujos ensinamentos nos dizem que para responder uma oferta insuficiente se deve aumentar a procura. E foi inspirado nesses ensinamentos que o governo lançou o Programa Crédito Habitação Jovem do qual resultou um considerável aumento dos empréstimos para compra de habitação pelo escalão etário 18 e 35 anos que no ano passado representaram 60% dos 39,3 mil milhões de novos empréstimos com as previsíveis consequências no nível de preços.

Canários na mina de carvão

Mais alguns pios dos canários: se por um lado o emprego aumentou o ano passado (ver A economia do pastel de nata tem o melhor desempenho este ano), por outro, a produtividade do trabalho estima-se que terá diminuído o ano passado 1,3%, as exportações de bens aumentaram 0,5% e as importações subiram 4%, de onde o défice da balança comercial aumentou 3,8 mil milhões.
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BlogoEscola. Princípio de Peter vs. Efeito de Halo

[Esta nova secção propõe-se mitigar o risco de infecção das mentes dos visitantes deste blog pelo vírus da tendência para o bitaite de alguns comentários.]

O efeito de halo no domínio da psicologia, que citei no post anterior, foi enunciado em 1920 pelo psicólogo Edward Lee Thorndike para designar o viés cognitivo que leva as pessoas a projectar uma imagem de outra pessoa baseada nas percepções das suas performances num domínio para outros domínios. Por exemplo, concluir-se que a Dr.ª Maria Lúcia Amaral sendo uma jurista emérita deveria ser uma ministra competente.

Diferentemente, o princípio de Peter no domínio da gestão foi enunciado cinco décadas depois em 1969 por Laurence J. Peter e formalizou a observação de que os empregados são promovidos na hierarquia de uma organização com base no seu sucesso em cargos anteriores até atingirem um nível de incompetência. Por exemplo, um excelente escriturário do MAI ser sucessivamente promovido até director dos Serviços de Gestão Orçamental e Financeira do MAI.

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