Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

31/05/2013

ESTADO DE SÍTIO: Uma república das bananas a que só falta um coronel

«O provedor de Justiça afirma (em entrevista à Antena 1) que poderia haver um refrescamento da situação política se houvesse eleições legislativas antecipadas no mesmo dia das autárquicas. Alfredo José de Sousa considera que, se não for dessa forma, só haverá eleições depois de junho de 2014

Face a este coro de gente falsamente democrática, para quem as eleições apenas servem para legitimar as suas escolhas, espera-se que o governo, se não consegue tirar o Estado do atoleiro em que a governação socialista o deixou, capturado pelos donos da III República, ao menos preste um serviço à democracia cumprindo o mandato até ao fim.

Parece-me difícil restaurar o sentido de decência naquela companhia…


Ontem na Aula Magna, no comício da Frente Popular, Mário Soares decretou que o governo «não deve ser considera legítimo», considerando as manifestações que envolveram, com boa vontade, um ou dois por cento dos portugueses, e por ter ignorado a Constituição.

30/05/2013

Um dia como os outros na vida do estado sucial (9)

Regedor da freguesia de Carnide ocupa estação dos CTT e consegue compromisso da administração de manter aberta a estação.

A deputada europeia Ana Gomes queixou-se em Dezembro ao Gabinete da Luta Antifraude da União Europeia (OLAF) sobre a empresa Tecnoforma e a ONG Centro Português para a Cooperação, ajudada a criar por Passos Coelho em 1996, por «por má utilização de fundos comunitários» durante o mandato de Miguel Relvas como SEC da Administração Local, isto é 6 anos depois. Obedientemente, o jornalismo de causas titula «União Europeia investiga negócios de Relvas e Passos». Não se conhece qualquer queixa da deputada sobre qualquer outra das inúmeras suspeitas de má utilização de fundos comunitários, nacionais, regionais e locais.

@RTISTA CONVIDADO: «O que tu quiseres» (16)

Efabulações já publicadas: (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (13), (14) e (15)

«O que tu quiseres», uma colecção de 24 efabulações. O estendal onde a artista pendura algumas das suas coisas pode ser visto AQUI.

Triciclos Maravilhosos
(Continua)

29/05/2013

SERVIÇO PÚBLICO: A banca alemã já viu piores (e melhores) dias

Segundo o BaFin, o regulador bancário alemão, citado pelo Financial Times os bancos alemães, incluindo o Deutsche e o Commerzbank, reduziram no final do ano passado o défice de capital para cumprir as regras do Basileia III de 32 mil milhões para 14 mil milhões, vendendo activos, recalculando o risco de outros e, numa escala mais reduzida, aumentando o capital.

Os 14 mil milhões são ainda muitos milhões e reflectem uma situação da qual a banca alemã não se pode orgulhar, mas devemos colocar em perspectiva este défice de capital. Será preciso lembrar aos militantes da baixaria anti-germânica que a banca portuguesa teve que reforçar entre 2011 e Junho de 2012 o capital Core Tier 1 em mais de 5 mil milhões (de 28,7 para 33,9) e para tal tiveram que ser injectados nos 4 maiores bancos mais de 7 mil milhões, dos quais apenas 1,3 mil milhões foram dos accionistas e o restante foi dinheiro do Estado ou do Fundo de Recapitalização? (Fonte: «A supervisão do sistema bancário português: evolução recente e tendências futuras», Conferência X Fórum Banca, 6-11-2012) E para os distraídos será preciso lembrar que os activos dos bancos alemães valem muitas dezenas de vezes os activos dos bancos portugueses?

Nem todos os obamas de Obama fazem felizes os obamófilos: episódio (62) – Obama vs Bush - uma diferença retórica?

Mr Obama has occasionally resorted to a tactic favoured by his predecessor, George W. Bush, that enraged the left and earned criticism from Mr Obama himself when he was running for president: the signing statement, a sort of declaration of principles issued when a president signs a bill into law. Although these have been around since the early 19th century, Mr Bush used them like a line-item veto, identifying portions of laws he did not intend to enforce. Mr Obama has done the same, albeit far less often, arguing that Congress has no right to tell him what to do with the prisoners America is holding at Guantánamo Bay in Cuba, for instance.


28/05/2013

Chávez & Chávez, Sucessores (8) – Depois de ter chegado ao traseiro do povo, a revolução chávista chega à missa

Primeiro foi o traseiro do povo a quem a revolução chávista proporcionou 50 milhões de rolos de papel higiénico, em falta presumivelmente devido às manobras do imperialismo ianque. Agora falta, entre muitos outros produtos, o vinho para as missas.

Aonde é que já vimos isto? Em todo o lado onde uma clique, em nome do socialismo, com a ajuda de empresas nacionalizadas, da economia planificada, da luta contra os especuladores e dos racionamentos, esvazia as prateleiras.

É a grande oportunidade para Paulo Portas ressuscitar a sua encarnação de Paulinho das Feiras e partir para a Venezuela vender géneros de primeira necessidade, habitualmente disponíveis nas nossas feiras, em vez de navios asfalteiros que, dado o passado recente dos Estaleiros de Viana, ninguém sabe se serão construídos e, se forem, se serão aprovados e, se forem aprovados, se serão pagos.

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (5) – viagem ao interior das meninges de um crítico de cinema

A propósito do filme apresentado em Cannes «The Touch of Sin» do realizador Jia Zhang-ke, um crítico de cinema da Actual do Expresso, escreve que «o cineasta chinês … possui … um olhar amplo nas suas radiografias ao globo. Uma vez mais, pergunta-se o que está a acontecer às pessoas na China desde a viragem do país ao capitalismo selvagem e qual é o preço a pagar por esta nova forma de vida.»

Não sei se o realizador ou o crítico possuem um olhar amplo nas suas radiografias ao globo. Se possuíssem já se teriam perguntado o que aconteceu aos chineses no passado com a ditadura comunista de Mao Ze-dong e o seu cortejo de milhões de mortos (só em resultado do Grande Salto em Frente, 20 milhões morreram de fome, em 1958-60). E também não seria difícil saber o que aconteceu desde a viragem do país ao capitalismo selvagem: centenas de milhões de chineses saíram da pobreza mais absoluta e um realizador underground como Jia Zhang-ke, que teria sido internado num campo de reeducação antes da viragem ao capitalismo selvagem, conseguiu a partir de 2004 realizar vários filmes com o selo estatal.

A atracção fatal entre a banca do regime e o poder (11) – Tudo em família

[Mais atracções fatais: pesquisa Google]

Outro exemplo do conúbio entre os Espíritos da banca do regime e o poder socialista, neste caso o poder local socialista na Câmara de Lisboa: num contrato de cessão de créditos da EPUL (para injectar liquidez neste elefante branco) a Câmara exigiria o visto prévio do Tribunal de Contas se o contrato fosse com o Santander (as cessões de crédito estão dispensadas segundo o TC), mas dispensá-lo-ia se o contrato fosse com o BES.

O Público recordou a propósito que Ricardo Salgado, o presidente do BES, e Manuel Salgado são primos, mas isso pode ser só coincidência. Deram-se conta de almas gritando a sua indignação e rasgando as vestes? Não? Eu também não.

[Lido no Com jornalismo assim, quem precisa de censura?...]

@RTISTA CONVIDADO: «O que tu quiseres» (15)

Efabulações já publicadas: (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (13) e (14)

«O que tu quiseres», uma colecção de 24 efabulações. O estendal onde a artista pendura algumas das suas coisas pode ser visto AQUI.

Passeios Nocturnos
(Continua)

27/05/2013

Pro memória (115) – Mandem as contas para Paris

Mandem as contas das perdas dos swaps especulativos de taxa de juro, quase todos negociados durante os governos de José Sócrates, perdas que, mesmo depois de renegociadas, ficarão em pelo menos mil milhões. E mandem as que todas as semanas surgem dos buracos do queijo gruyère que foi a governação socialista - umas miudezas de dezenas ou centenas de milhares ou de um milhão, como é caso do contrato com a Critical Software.

Contratada em 2010 por ajuste directo para desenvolver a aplicação Citius Plus para suportar o novo Código do Processo Civil, a Critical Software não cumpriu os requisitos técnicos e funcionais definidos e o ministério da Justiça renegociou o contrato e aceitou pagar 500 mil por uma aplicação que, pelos vistos, só está instalada num pequeno número de tribunais e em breve será substituída.

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio (17)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (12), (13), (14), (15) e (16)

O PIB caiu 3,9% em termos homólogos no 1.º trimestre (INE). É uma má notícia? É. A população empregada teve no mesmo período uma redução homóloga de 4,9% (INE). É uma má notícia? É. E as duas más notícias em conjunto são ainda piores? Não necessariamente, porque indiciam que são os postos de trabalho menos produtivos que se estão a perder. E sendo a baixa produtividade o maior handicap de longo prazo da economia portuguesa, alguém conhece algum caso em que a produtividade aumentou mantendo os mesmos postos de trabalho?

26/05/2013

De boas intenções está o inferno cheio (14) - O mais curto período de graça desde dona Maria II

Poiares Maduro ainda leva pouco mais do que um mês no governo e entrou já decididamente no período de desgraça, depois da primeira reunião da Concertação Social em que «saiu a meio do encontro e criticou os parceiros sociais por falta de preparação. Patrões e sindicatos não gostaram e estão a preparar uma resposta em conjunto.» (Expresso)

Muito provavelmente, Poiares Maduro tem toda a razão ao criticar a falta de preparação daquele pessoal que enxameia a Concertação Social. Estarão preparados mas para outras coisas e certamente não estão interessados em concertar-se. O próprio Poiares Maduro também estará preparadíssimo noutros domínios mas não para lidar com aquela gente e infelizmente as competências não se transferem de uns domínios para outros.

É mais um exemplo de os políticos amadores não substituírem os bons políticos profissionais. Quanto muito substituem os maus políticos profissionais. Aguardemos para ver se Poiares Maduro terá tempo e talento para fazer o seu caminho e se tornar um político capaz ou se envereda pelo caminho do Álvaro do ministério da Economia e começa a aviar anúncios de medidas raramente concretizadas, desbarata o reduzido crédito de que dispõe e, na ânsia de ser aceite por empresários manhosos e pelas suas corporações de pedintes, fica mais papista do que o papa.

25/05/2013

ESTADO DE SÍTIO: Conselho de Estado, uma espécie de Conselho da Revolução

A última reunião do Conselho de Estado parece ter sido uma sessão pública de um micro-parlamento e foi relatada pelos jornais com grande soma de pormenores como se a sala estivesse cheia de jornalistas ou pejada de escutas. As minúcias mais interessantes em minha opinião são as relativas à intervenção do presidente do Tribunal Constitucional.

Joaquim Sousa Ribeiro, o presidente do Tribunal Constitucional, é uma alma encalhada nas contestações académicas coimbrãs de 1969 e foi nomeado pelo parlamento para o TC por proposta do seu amigo Alberto Martins – o estudante que interpelou a múmia presidencial do salazarismo, futuro fundador do MES, um clube de diletantes e bem-pensantes que se achavam acima do PS, onde acabaram por desaguar muitos deles em sucessivas levas, a primeira delas liderada por um futuro secretário-geral e presidente da República - Jorge Sampaio. Segundo o jornal SOL, «surpreendeu os restantes conselheiros com uma intervenção de cariz marcadamente ideológico e de crítica ao governo em funções – num tom de combate político». Possivelmente olhou, não sem um módico de razão, para Cavaco Silva como uma espécie de almirante Américo Tomaz do século XXI a ocupar sem legitimidade um lugar que por direito pertenceria a um ungido pela esquerda.

Ficou patente para quem tivesse dúvidas que o Conselho de Estado e a Constituição que o criou são garantes da perpetuidade de uma concepção de estado saída do PREC, ela própria um resíduo da mancebia espúria entre uma democracia de tipo ocidental e um estado do tipo soviético.

@RTISTA CONVIDADO: «O que tu quiseres» (14)

Efabulações já publicadas: (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (13)

«O que tu quiseres», uma colecção de 24 efabulações. O estendal onde a artista pendura algumas das suas coisas pode ser visto AQUI.

Pássaros que Fogem da Gaiola
(Continua)

24/05/2013

Um dia como os outros na vida do estado sucial (8)

De vez em quando, eles esquecem o aborto grátis pelo SNS, os casamentos e adopções homossexuais e as outras causas fracturantes, e, picados pela livre iniciativa, saem distraidamente da clandestinidade e revelam a que vêm: «a ideologia capitalista, e as práticas materiais que estão na sua base, precisam de ser desafiadas e destruídas, não importa a forma em que se apresentem

Outros, recordam os seus tempos longínquos de revolta estudantil, lideram novas revoltas e protestam «com alguma fúria» contra o seu sucessor e preconizam a dissolução do parlamento, solução já testada quando abriu caminho ao governo de José Sócrates.

23/05/2013

@RTISTA CONVIDADO: «O que tu quiseres» (13)

Efabulações já publicadas: (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10) e (11)

«O que tu quiseres», uma colecção de 24 efabulações. O estendal onde a artista pendura algumas das suas coisas pode ser visto AQUI.


Pássaros a Preto e Branco
(Continua)

Colectânea de equívocos à volta da troika (1)

Poderiam escrever-se livros sobre as confusões que os jornalistas e os portugueses em geral vêm fazendo à volta dessa entidade mítica chamada troika. Vejamos duas das últimas.

A jornalista Helena Garrido escreveu: «(por) zero virgula três por cento do produto interno bruto… a troika lançou Portugal numa crise política que pode acabar na antecipação das eleições». Ora a mim parece-me a crise política não se deve aos «zero virgula três por cento do produto interno bruto» mas antes à duplicidade do Dr. Paulo Portas, que quer estar no governo como se estivesse na oposição, e ao Dr. Passos Coelho a quem falta areia nas mãos para agarrar a cauda fugidia do primeiro.

A Eurosondagem divulgou um estudo de opinião de onde concluiu que 41,5% dos portugueses defendem a denúncia do memorando e 41% a sua renegociação. Ora acontece que o memorando já foi renegociado 7 vezes, uma vez em cada uma das avaliações, e a sua denúncia deveria ser acompanhada pela devolução dos mais de 70 mil milhões de euros do PAEF, o que daria a módica quantia de mas de 7 mil euros a cada português. De onde me parece aceitável concluir que 82,5% dos portugueses defendem que não deveríamos pagar uma parte ou a totalidade do dinheiro que nos tem permitido não morrer de fome desde Junho de 2011.

Se o estudo de opinião perguntasse porquê se deve denunciar ou renegociar, isto é não pagar, a resposta seria obviamente porque não somos responsáveis. E perguntando-se os culpados, certamente lá viriam com vários x por cento somando 100 por cento: o neoliberalismo, a crise financeira, as agências de rating, dona Merkel, a troika, e até, aposto a minha parte dos 7 mil euros, uma percentagem significativa para Vítor Gaspar.

22/05/2013

ESTADO DE SÍTIO: Crisis? What crisis? (6)

«A Força Aérea Portuguesa vai utilizar este ano na época de incêndios o C-295M, avião especializado em ações de vigilância e reconhecimento, com tecnologia que permite monitorizar os incêndios.» O C-295M pode transportar 70 passageiros, tem peso bruto de 20 toneladas e 4 tripulantes.

Num país falido, com uma Força Aérea que é mais uma fraqueza terrestre, como é que esta gente vai usar um avião que custa uma grande fortuna (22 milhões de dólares) e uma pequena fortuna para manter no ar, quando por uma fracção evanescente poderia comprar drones de detecção de incêndios florestais ou adaptar os drones da empresa portuguesa Tekever ou, na dúvida, comprava ao maior exportador de drones? Deve ser para dar emprego aos 4 tripulantes e mais umas dúzias de suplentes, mecânicos e administrativos. Ou então será porque tendo já gasto o dinheiro para comprar o C-285, a Força Aérea foi vítima do efeito Lockheed Tristar que se pode descrever em linguagem popular assim: como já desperdiçaste dinheiro, continua a desperdiçar para justificar o desperdiçado.

ESTADO DE SÍTIO: Crisis? What crisis? (5)

«A venda de smartphones nas cadeias de grande distribuição cresceu 46,4% em Portugal em 2012... e 20,1% nos acessórios para telemóveis ou tablets» (Expresso)

E não, não se trata de telemóveis baratinhos, dos que os velhinhos compram para falarem com os filhos que não lhes ligam peva. São smartphones que custam em média mais de uma semana de salário mínimo. E não, não temos pouco telemóveis. Temos uma taxa de penetração de 159,3 por 100 habitantes, uma das mais elevadas da Europa.

E por falar em aumento das vendas de automóveis, confirma-se que «Portugal foi em termos relativos um dos países que mais comprou carros de gama alta na União Europeia, durante o ano passado

No Prós e Contras: Over it 1 – Under it 0 (parte II)

Continuação da parte I.

Uma avaliação da prestação da doutora em História Política e Institucional pelo amigo A.B.
(publicada sem autorização)

Tive ocasião de ver grande parte do programa. A gaja doutora da Universidade Nova (e não do ISCTE tanto quanto sei), a Raquel Varela, não acertou numa. Eu, que ao início até achava que ela podia ter outros atributos com algum valor acrescentado, acabei por ficar convencido que não é utilizável nem reciclável em nenhuma circunstância...

Enviesada, agressiva, estúpida, de curta visão, manipuladora, sem vergonha, são algumas das características que encontrei nela. Estou a ser gentil.

Não sei se viram a parte em que ela não percebe como é possível um banco ser privado. «O controle das grandes empresas tem que ser colectivo». Colectivo? O que é isso do colectivo?

«O dinheiro de estado tem que ser investido prioritariamente em cultura, ciência, saúde e educação porque é isto que faz avançar o país». Dois problemas: o dinheiro de que ela fala é o dinheiro não dos impostos mas sim da apropriação por parte da colectividade, diz ela, dos meios de produção. Até os termos utilizados dão arrepios. Vêm da parte mais negra do século passado. Já vimos onde isso vai dar em inúmeras experiências catastróficas que só trouxeram, sem exagero nas palavras, miséria e tragédia. O outro problema é que ela mistura algumas coisas certas (por exemplo investir em educação) com outras totalmente erradas: investir em cultura traz avanços? Está maluca ou quê? Mais depressa traz avanços o investimento na guerra, se quisermos ser cínicos mas verdadeiros.

«Somos credores do estado social. Nós entregamos em impostos e contribuições o suficiente para garantir todas as nossas funções sociais». Onde vive esta senhora? Será que não percebe que estamos completamente falidos?

21/05/2013

TRIVIALIDADES: Os manifestantes estiveram à altura do manifesto

Tarde da segunda-feira. No Conselho de Estado, convocado há 2 semanas pelo comentador Marques Mendes, os conselheiros partilham os seus sábios conselhos. Cá fora uma multidão, composta por «algumas dezenas de manifestantes», manifestava-se. Pouco depois, já era uma «centena de pessoas», incluindo uma «senhora descalça, com a bandeira de Portugal». Os jornalistas recolhiam comovidos os testemunhos. Pelo menos uma manifestante achava que «este governo tem de sair» - nada disse sobre o que governos anteriores fizeram para ela achar ter este governo de sair.

No Prós e Contras: Over it 1 – Under it 0

O Portugal com iniciativa empresarial foi representado por Martim Neves, um jovem de 16 anos que lançou o seu próprio negócio com a marca «Over it»; a representação do Portugal parasitário dependente do Estado Social, esteve a cargo de uma doutora em História Política e Institucional do ISCTE que prefere o desemprego aos empregos com salários baixos criados por novos negócios como o do Martim.


Aos 5m 20s Martim Neves com uma frase arruma a quinquilharia retórica da doutora em História Política e Institucional.

[Via Blasfémias]

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Quotidiano de desleixo, incompetência e negligência (3)

Outros quotidianos: (1), (2).

Buraco municipal em curso
Cerca das 8 horas da manhã, à hora em que deveriam começar a trabalhar, uma brigada de funcionários da câmara de Oeiras deve ter-se encontrado na tasca nas proximidades do parque de viaturas para tomar sossegadamente o mata-bicho. Talvez cerca das 9 horas, partiram em direcção à praia de Santo Amaro para aparafusar um chuveiro de praia numa base de betão previamente lá colocada e ligar à canalização que também já lá se encontrava. Coisa pouca que ocuparia com boa vontade 2 operários e um olheiro, transportados numa viatura.

Ocuparia, mas graças à reforma autárquica, eram 5 operários e 3 motoristas em três viaturas que cerca das 9:30 já tinham encontrado o tubo de PVC para fazerem a ligação do chuveiro. Para terem a certeza, deram-lha uma boa pazada, fazendo um furo por onde saíram uns metros cúbicos de água, enquanto todos galhofavam animadamente em volta do buraco. Ao fim de uns minutos, um deles, descansadamente, foi fechar a torneira de segurança. E lá continuaram com todo o ripanço a fazer horas para com antecedência necessária se porem a caminho do almoço, de onde sairão 2 ou 3 horas depois para mais uma nova jornada de luta.

@RTISTA CONVIDADO: «O que tu quiseres» (11)

Efabulações já publicadas: (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9) e (10)

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Monstros Voadores
(Continua)

20/05/2013

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: A via socialista para a viabilização de empresas

Uma das propostas mirabolantes de António José Seguro apresentada no congresso de Santa Maria de Feira para salvar empresas viáveis «sem que o Estado meta lá um cêntimo» consiste em transformar em capital as dívidas fiscais, à Segurança Social e aos bancos.

E como se faria essa milagrosa transformação de vários passivos em capital sem gastar um cêntimo? Perceberá AJS que isso equivaleria a um perdão de dívidas que, sendo passivos de uma empresa, são activos do Estado ou dos bancos que se perderiam com a «transformação»? E que diferença faria isso no que respeita à liquidez das empresas, cujo aumento é um dos propósitos da proposta mirabolante, se não entrasse «um cêntimo» na empresa? AJS não explica – ele nunca deve ter olhado para um balanço e começo a suspeitar que foi para não enfrentar essas matérias áridas que desistiu do curso de Organização e Gestão de Empresas do ISCTE e passou para o de Relações Internacionais, na UAL onde deve ter aprendido a lidar com o pensamento mágico.

É claro que esses milagres só na cabeça de gente que se e quando chegar ao governo vai retomar o caminho para a insolvência momentaneamente interrompido. Só as dívidas fiscais, segundo a estimativa do governo, são 6,3 mil milhões e a isso haveria de acrescentar-se as dívidas à Segurança Social (mais uns milhares de milhões) e à banca (idem).

Tudo por junto, salvar empresas viáveis «sem que o Estado gaste um cêntimo» custaria possivelmente umas dezenas de milhares de milhões e, talvez pior do que tudo isso, colocaria essas empresas sob a tutela do acionista mais incompetente que o sector empresarial português algum dia viu: o Estado Socialista.

Pro memoria (114) – Portas, o político (mais) fingidor

Talvez por coincidência, na véspera do Expresso publicar uma colectânea de citações de Paulo Portas na sua encarnação de jornalista («a mim basta-me ser jornalista … não tenho a menor intenção de me submeter a votos»), eurocéptico, «liberal», «conservador», «anarquista de direita», entre outras caracterizações que se autoatribuiu, era divulgada uma sondagem da Aximage que o considera o melhor ministro.

Se a sondagem diz muito do que pensa a maioria do eleitorado e ajuda a perceber como foi possível durante 3 décadas ter votado e tolerado sem um protesto (salvo as brigadas comunistas e berloquistas) quase duas dezenas de governos que foram arruinando o país, a colectânea diz imenso sobre Paulo Portas, o político das mil-caras que finge ter princípios e só tem fins. Talvez a melhor caracterização do próprio Portas seja a que ele próprio fez algo injustamente sobre Francisco Lucas Pires e é citada na colectânea. Mutatis mutandis:
«Ex-fascista e neodemocrata, ex-direitista e neossituacionista, ex-conservador e neoprogressista, ex-liberal e neossocial, ex-nacionalista e neoeuropeísta, ex-coimbrão e neobruxelense, ex-federalista e neoantifederalista, ex-CDS, ex-AD, ex-independente e neo-PSD, ex-pirista e pós-cavaquista»

ESTADO DE SÍTIO: Crisis? What crisis? (4)

«Segundo dados da Associação de Construtores Europeus de Automóveis (ACEA) divulgados hoje, as vendas em Portugal cresceram 0,9% nos primeiros quatro meses do ano contra as quedas de 44,4% do Chipre, 13,3% da Irlanda e 9,8% da Grécia. A Espanha, que não está formalmente em resgate, também viu as vendas de carros caírem 6,7%.» (Oje)

E não, não temos o parque automóvel mais pequeno da Europa. Temos um dos maiores por mil habitantes – o terceiro ou quarto. Resta acrescentar que são os automóveis da gama alta que mais aumentaram as vendas.

19/05/2013

SERVIÇO PÚBLICO: Uma pedagogia que competiria ao governo ser capaz de fazer

A raiz da austeridade

«Que mal fiz eu para me cair em cima esta austeridade? Por que sobem tanto os meus impostos e me cortam cada vez mais benefícios sociais?

Há muitos portugueses a fazerem estas perguntas. Não compreendem o motivo da austeridade, o que torna ainda mais doloroso suportá-la. O Governo foi parco em pedagogia e a maior parte dos 'media' é mais sensacionalista do que pedagógica.


@RTISTA CONVIDADO: «O que tu quiseres» (10)

Efabulações já publicadas: (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8) e (9)

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Monstros Que Gostam De Flores
(Continua)

18/05/2013

ARTIGO DEFUNTO: Espero bem que os eurodeputados repudiem o modelo socrático-teixeirense

Confesso ter ficado ainda mais preocupado do que quando escrevi este post ao ler uma meia dúzia de artigos com títulos do tipo «Eurodeputados querem proteger depósitos acima de 100 mil euros». E porquê? Ora, porque bem poderia ser que os eurodeputados pretendessem serem os contribuintes a pagar a falência dos bancos, segundo o modelo socrático-teixeirense, pagamento que no caso do BPN vai ser maior do que o défice das contas públicas. Fiquei tão preocupado que quase me dispus a ler um documento de 60 páginas em europês intragável, baptizado «Banking Union: The Single Resolution Mechanism - Monetary Dialogue, 18 February 2013, Compilation of Notes».

Chávez & Chávez, Sucessores (7) – A revolução chávista chegou ao traseiro do povo

«A revolução trará ao país o equivalente a 50 milhões de rolos de papel higiénico, para que nosso povo se tranquilize e não se deixe manipular pela campanha mediática que fala em escassez».
«Alejandro Fleming, ministro do Comércio da Venezuela, informando que o governo decidiu importar 50 milhões de rolos de papel higiênico não por haver escassez do produto, mas porque a demanda aumentou depois que a imprensa decidiu mostrar tudo o que Hugo Chávez fez e Nicolás Maduro anda fazendo com o país.» (Revista Veja)

17/05/2013

SERVIÇO PÚBLICO: Pobres e mal pagos (2)

Se já estávamos mal, pior ficámos.


Fonte: European Payment Index 2012, intrum justitia
Clique para ampliar

@RTISTA CONVIDADO: «O que tu quiseres» (9)

Efabulações já publicadas: (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7) e (8)

«O que tu quiseres», uma colecção de 24 efabulações. O estendal onde a artista pendura algumas das suas coisas pode ser visto AQUI.

Monstros Que Comem Flores
(Continua)

16/05/2013

Desta vez não foi diferente

Fonte: TSF
Rebeldes sem causa mostram a sua falta de educação e convicções democráticas impedindo Vítor Gaspar de apresentar «Desta vez é diferente: Oito séculos de loucura financeira», ontem no El Corte Inglés. São rebeldes do grupo «Que se lixe a troika», protestando com atraso por nos terem sido emprestados de favor 80 mil milhões de euros a taxas de juros de favor, sem os quais os rebeldes teriam tido de ir cavar batatas para o interior para não passarem fome.

Lost in translation (176) – Caminhar para o abismo é a nossa especialidade, queria o camarada significar

«Como está à vista, ..., este é um caminho para o abismo económico, para o retrocesso económico e para a hipoteca do futuro do país como nação desenvolvida e soberana» disse o camarada Jorge Cordeiro, dirigente do PCP, com a autoridade imanente aos comunistas pelas suas performances domésticas e nos paraísos socialistas da URSS e restantes países do Comecon e, ainda hoje, em Cuba e Coreia do Norte.

15/05/2013

TRIVIALIDADES: A cada um segundo as suas posses, a Nossa Senhora de Fátima está do nosso lado e a fé é que nos salva

«Passos e Sócrates regressaram de Paris no mesmo avião mas em classes diferentes.» PPC em económica e JS em executiva. (Negócios)

«Eu penso [no fim da sétima avaliação] como uma inspiração - como já a minha mulher disse várias vezes - da nossa Senhora de Fátima, do 13 de maio"» suspirou Cavaco Silva, segundo o Expresso.

Enquanto isso, o ex-ministro das Finanças Silva Lopes, hipoteticamente inspirado por N. Senhora, acha muito bem o corte nas pensões porque «não há outro remédio» e «a geração grisalha não pode estar a asfixiar a geração nova da maneira como tem feito até aqui.» Mais um para juntar à lista dos inimigos do povo.

Aditivos:

Possivelmente também inspirado em N. Senhora, Vítor Gaspar, o abençoado, para uns, e amaldiçoado, para outros, ministro das Finanças, garantiu que «relativamente à questão muito importante dos depósitos bancários, foi absolutamente claro que a garantia de depósitos abaixo dos 100 mil euros é sacrossanta, reforçando que a expressão que foi usada e repetida é sacrossanta.» Deve ser matéria de fé, porque se o sistema bancário se desmorona, com a dívida pública nas alturas em que se encontra, e sempre a crescer, só mesmo N. Senhora poderia compensar com indulgências as largas dezenas de milhões de euros aos depositantes.

Se para uns é matéria de fé, o caso das capacidades preditivas dos economistas tele-evangélicos da Louçã School of Economics que antecipam que a Holanda se afundará colapsando o euro, é mais matéria leiga, talvez inspirada pelo oráculo de Delfos. Que outra fonte poderia ser a de quem não conseguiu antecipar a falência do Estado português e a atribuiu às mesmas causas do sindicato dos motoristas de táxis: capitalismo de casino, agências de rating, Alemanha, troika e, mais recentemente, àquele último senhor das garantias sacrossantas?

Mitos (110) - O sofrimento dos jovens

No Expresso de sábado passado, escrevia-se a propósito do desemprego: «os jovens é que sofrem mais» por terem uma taxa de desemprego superior a 40%. O jornalista que escreveu essa asserção piedosa deve saber coisas que eu não sei. Vejamos alguns números.

@RTISTA CONVIDADO: «O que tu quiseres» (8)

Efabulações já publicadas: (1), (2), (3), (4), (5), (6) e (7)

«O que tu quiseres», uma colecção de 24 efabulações. O estendal onde a artista pendura algumas das suas coisas pode ser visto AQUI.


Luas Dorminhocas
(Continua)

14/05/2013

Nem todos os obamas de Obama fazem felizes os obamófilos: episódio (61) – Um executivo bushista?

O fisco americano (IRS) está a ser investigado pelo Departamento de Justiça e pelo FBI por suspeita de discriminação abusiva e intimidação de grupos conservadores (Tea Party e outros). Está também em curso uma outra investigação por apreensão ilegal por investigadores federais de gravações de telefonemas de jornalistas da Associated Press.

Quem diria que este é um executivo de Santo Obama. Mais parece um executivo bushista, segundo a narrativa obamófila.

Actualização 1:
Entretanto, Steven Miller, o chefe do IRS, foi forçado a demitir-se por ter tido conhecimento de discriminação de grupos conservadores como o Tea Party que requereram isenção de impostos, em que podem ter estado envolvidos dezenas de funcionários do IRS. Se estes rigores estivessem em vigor por cá durante os anos dos governos de Cavaco Silva, teria havido uma purga na Direcção Geral de Finanças pelos seus rigores selectivos em relação aos desalinhados, segundo constava.

Actualização 2:
Como seria de esperar Santo Obama negou que tivesse conhecimento, mas o certo é que «U.S. Treasury Department’s inspector-general told senior Treasury officials in June, 2012, that he was investigating allegations that the Internal Revenue Service had targeted conservative groups, disclosing for the first time on Friday that Obama administration officials were aware of the matter during the presidential campaign year.» (The Globe and Mail)

ESTÓRIAS E MORAIS: Para ser o principal não é preciso ser o maior

Estória

«A posição do Governo (sobre a “TSU dos pensionistas”) desde o princípio tem sido a mesma, conforme foi dito quer pelo senhor primeiro-ministro, quer pelo líder do principal partido da oposição e que faz parte da coligação do Governo, o dr. Paulo Portas, nas comunicações que fizeram já há uns dez dias», disse distraidamente Marques Guedes, o ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, atribuindo erradamente ao CDS o atributo de «principal».

Moral

Com a verdade me enganas.

Pro memoria (113) – A multiplicação dos custos das PPP

Para se ter uma ideia das consequências da criminosa gestão socrática das infraestruturas rodoviárias usando as parcerias público-privadas como instrumento de desorçamentação à custa do adiamento dos custos e do consequente empolamento da dívida, veja-se o resultado da negociação deste governo com os concessionários.

13/05/2013

Dúvidas (16) – A economia paralela só prejudica o Estado?

«A ideia que um país perde com a economia paralela é profundamente errada. Portugal, definido como o conjunto dos portugueses, não perde nada com a economia paralela. Um dos actores da economia portuguesa, o estado, perdeu.


SERVIÇO PÚBLICO: Efeito Gaspar



«O tempo político de Vítor Gaspar terminou» como decretou Carlos Abreu Amorim, vice-presidente do grupo parlamentar do PSD?

@RTISTA CONVIDADO: «O que tu quiseres» (7)

Efabulações já publicadas: (1), (2), (3), (4), (5) e (6)

«O que tu quiseres», uma colecção de 24 efabulações. O estendal onde a artista pendura algumas das suas coisas pode ser visto AQUI.

Flores Voadoras
(Continua)

12/05/2013

Um governo à deriva (13) - Uma coligação destas dispensa a oposição (II)

Uma espécie de 2.º acto desta peça.

Esperava-se que o guião que há 3 meses Paulo Portas se prontificou a preparar para a reforma do Estado viesse um dia, mais tarde ou mais cedo, a ficar pronto. Ficámos agora a saber, segundo o Expresso, ter o «guião» sido transmutado em «argumentário político que dê sentido ao emagrecimento» e, de acordo com o ditado que o jornalista de causas escreveu, não será um programa de cortes é para «garantir que, apesar das restrições orçamentais, é possível ter um Estado eficiente sem perder equidade». Onde é que é já ouvi isto? Em vários sítios, várias vezes e há muitos anos.

BREIQUINGUE NIUZ: Acabou o período de graça do Papa Francisco?

«Numa mensagem aos fiéis na Praça de São Pedro, o Papa Francisco apelou a que o ser humano seja respeitado desde o primeiro momento da sua existência através da "garantia da proteção jurídica do embrião"».

Lá se vai a benevolência da esquerdalhada e parece comprometida a esperança politicamente correcta de o Papa encarnar a teologia da libertação, aceitar a ordenação de gays e pôr fim ao celibato dos sacerdotes.

11/05/2013

ARTIGO DEFUNTO / ESTADO DE SÍTIO: Na cabeça desta gente é tudo Estado e são tudo taxas

Se um marciano, ou a maioria dos portugueses, lesse o que escrevem os mídia sobre quem suporta o risco de falência de um banco nunca perceberia que há basicamente dois modelos:
  • A solução «natural» consistindo em os accionistas suportarem as perdas do banco, sendo o remanescente suportado pelos credores juniores (sem garantia) e seniores (com garantia) e os depositantes (que na verdade são em substância credores sem garantia) – exemplo: os bancos cipriotas na crise recente;
  • A solução de socialização dos prejuízos que consiste em os contribuintes sem qualquer relação com o banco falido suportarem todas ou a maior parte das perdas através da injecção de capital feita pelo Estado em nome da salvação do sistema financeiro – exemplo: a solução socrática para o BPN em que a conta dos contribuintes já ultrapassa 7 mil milhões de euros.

10/05/2013

Lost in translation (175) – Quem não tem cão, caça com gato

A propósito do ex-patrão de Passos Coelho ter dito ontem numa entrevista à Antena 1 que «falta consistência política» a Passos Coelho, no que parece ter razão, vários jornais recordaram algo mais importante dito por Ângelo Correia há 6 meses e que nós aqui no (Im)pertinências também vimos dizendo há mais tempo por outras palavras:

«O Governo está fragilizado, quer o PSD quer o CDS, por uma razão que é básica. É que todo o discurso do PSD e do CDS antes das eleições é outro completamente diferente do feito depois das eleições. Em política, o que está em causa nesta mudança de discurso dos líderes de um e outro partido é falta de estudo e preparação suficiente para serem líderes nacionais

Nessa altura, Ângelo Correia concluiu: «este não é um mau Governo, é o Governo possível». Subscreveria essa avaliação com uma (aparentemente) ligeira alteração: «este não é um bom Governo, é o Governo menos mau possível».

CASE STUDY: Finalmente uma política de «crescimento»

Trata-se da proposta «crescimentista» (via Blasfémias) mais inovadora até agora apresentada para ultrapassar a crise. Esqueçam mais tempo e/ou mais dinheiro, esqueçam o fim da austeridade, esqueçam o ultimato à troika, a Bruxelas e a Berlim. Esqueçam as políticas de crescimento financiadas com dinheiro que não existe. Esqueçam tudo isso.

@RTISTA CONVIDADO: «O que tu quiseres» (6)

Efabulações já publicadas: (1), (2), (3), (4) e (5)

«O que tu quiseres», uma colecção de 24 efabulações. O estendal onde a artista pendura algumas das suas coisas pode ser visto AQUI.

Enormes flocos de neve
(Continua)

09/05/2013

SERVIÇO PÚBLICO: A raiz dos nossos problemas…

… não está naquelas fantasiosas construções que as nossas luminárias criam nas suas prodigiosas meninges pairando higienicamente acima do mundo real. A raiz dos nossos problemas está na nossa cultura, uma forma simplificada para designar o sistema de valores, crenças e costumes destilada ao longo de séculos e que impregna o nosso quotidiano, com ajuda das nossas elites merdosas, sempre a puxarem o lustro à falta de diligência e de iniciativa, ao conformismo, ao culto da mediocridade e aversão à excelência e ao risco, que fazem as nossas misérias.

Quotidiano aqui bem sumarizado pelo «Com jornalismo assim, quem precisa de censura?...». São os polícias a trabalharem 1,5 h por dia, o rácio de professores/aluno a subir, as obras municipais com meia dúzia de olheiros por cada um que trabalha, o n.º de funcionários municipais que cresce nos concelhos em que a população decresce, os 30 cirurgiões de um hospital que não operam.

Enquanto isso, o jornalismo de causas escamoteia e distorce descaradamente a realidade e manipula as mentes.

ESTADO DE SÍTIO: A grande reforma do ministério da Economia seria a sua extinção

Depois de quase 2 anos, de umas tímidas reformas e do procrastinar das mais importantes, o ministro da Economia (um ministério sem propósito num Estado liberal) anunciou ontem no parlamento que tinha decidido que «as empresas públicas e os institutos e os organismos da órbita do Ministério da Economia irão deixar de ter carros e motoristas para todos os vogais e presidentes das administrações». Não se sabe se esta formulação irá abranger pelo menos 1 pessoa em cada uma dessas instituições ou todas. É «para inglês ver».

Que conclusão? Só me ocorre concluir que a demagogia dos políticos profissionais só é ultrapassada pela demagogia dos políticos amadores.

Bons exemplos (59) – Se eles conseguirem engavetar os burlesconi deles, nós deveríamos conseguir engavetar os nossos…

«O tribunal de recurso de Milão confirmou hoje uma pena de prisão de um ano e proibição de exercício de qualquer atividade pública contra o ex-chefe de governo italiano Silvio Berlusconi, condenado por fraude fiscal no caso Mediaset.»  (Expresso)

08/05/2013

A FAO ensandeceu ou sou eu que estou a ver mal?

Segundo a televisão do Estado cubano, via a agência de notícias do Estado português citada pelo DN, José Graziano da Silva, director-geral da FAO, reconheceu em carta a Fidel Castro o cumprimento em Cuba da meta da reunião anual da FAO em 1996 em Roma para reduzir a metade o número de pessoas desnutridas até ao final de 2015.

Ora, considerando que a família Castro e o PCC ocupam o poder em Cuba há 54 anos, não haveria mais razão para a FAO responsabilizar a clique castrista e, quem sabe?, o comunismo tropical, pela subnutrição dos cubanos durantes todos estes anos?

@RTISTA CONVIDADO: «O que tu quiseres» (5)

Efabulações já publicadas: (1), (2), (3) e (4)

«O que tu quiseres», uma colecção de 24 efabulações. O estendal onde a artista pendura algumas das suas coisas pode ser visto AQUI.


Castelos assombrados
(Continua)

07/05/2013

BREIQUINGUE NIUZ: Talvez os mercados acreditem mais em Portugal do que os portugueses… ou talvez não

Para um país que está ligado ao ventilador da troika há quase dois anos, o sucesso do leilão desta manhã de OT a 10 anos com um yield ponderado abaixo de 5,7% e uma procura mais de 3 vezes superior aos 3 mil milhões colocados, com uma parte significativa de ordens do estrangeiro, tem de considerar-se um passo positivo, a confirmar o que costumo escrever nestas ocasiões: os portugueses andam tão ocupados a queixar-se, indignar-se, revoltar-se e a tentar chutar para o lado e para a frente a factura da festa que acreditam menos nos resultados das políticas de consolidação do que os credores que arriscaram e arriscam o seu dinheiro torrado na festa.

Evidentemente, positivo é o crescendo de credibilidade face aos credores e negativo é o facto de serem mais 3 mil milhões a somar aos mais de 200 mil milhões do stock de dívida pública, mas para os países ligados ao ventilador não há positivo sem negativo, porque não há (ainda?) capacidade de usar a nova dívida para amortizar a dívida antiga.

Mutatis mutandis, os dois parágrafos anteriores foram escritos há 3 meses e meio depois do leilão de OT a 5 anos em Janeiro. Seria um momento de satisfação, não fora este voto de confiança dos investidores, sobretudo baseado na imagem de credibilidade que, reconheça-se, a equipa de Vítor Gaspar tem construído, ser diminuído pela persistente procrastinação do governo em adoptar as reformas indispensáveis, até ao ponto em que legitimamente se tem de duvidar da sua capacidade para a partir de agora as implementar.

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Um país infantilizado

O bebé-adulto

“Porque acontecerão numa sala com meninos que nunca viram”. “Porque terão de ir a uma escola que não é a sua”. “Porque lhes pedem que declarem que não têm consigo telemóvel”. “Porque os professores encarregados de os vigiar não serão os seus”.

"Porque estarão nervosos"... Estes são alguns dos argumentos usados para criticar os exames do ensino básico que agora começam. A estes argumentos há sempre quem junte o facto de no Estado Novo se terem realizado exames neste nível de ensino, o que para algumas almas desprovidas de melhor opinião é q.b. para a condenação aos infernos dos ditos exames ou de qualquer coisa sobre a qual caia esse terrível anátema do "durante o Estado Novo". (Aguardo ansiosamente pelo dia em descubram que durante o Estado Novo se respirava!)


Lost in translation (174) – No pain, no gain

O porta-voz da CE disse ontem que «estão a trabalhar intensamente» no fecho da 7.ª revisão da troika que se arrasta há semanas, para o Eurogrupo e o Econfin abrirem os cordões à bolsa e pagarem a nova tranche. Em português corrente isto significa: tratem de adoptar as medidas de corte das despesas porque sem isso não damos mais para esse peditório.

Nada que não se resolva com mais umas manifestações e com a lista de António José Seguro das medidas que a troika, a Alemanha, a Óropa e os mercados devem tomar para resolver estes nossos problemas. Se mesmo assim a coisa não se consertar, em desespero de causa, pergunte-se ao Dr. Pacheco Pereira o que fazer para sair da encrenca.

ESTADO DE SÍTIO: Too little, too late

Manchado pelo pecado original de ter oferecido facilidades na campanha eleitoral quando devia ter anunciado dificuldades, depois de torrar ingloriamente quase dois anos, com uns 6 meses, estimo eu, de período de graça onde não fez uma reforma de fundo, o governo entrou definitivamente no período de desgraça por voltas de Setembro do ano passado, como aqui registei.

Escrevi que o governo se arrastaria até às eleições autárquicas e hoje admito que talvez se possa arrastar até às eleições legislativas. Se for assim, é mais uma razão para não dar nada pelo exercício seguinte que possivelmente nunca passará do Excel e do PowerPoint. E, se começar a passar, não passará o governo. Sem apoio popular, devorado pela oposição e pelas corporações de interesses, bramando cada vez que perceberem o que lhes custará cada célula do Excel, não irá longe.


Fonte: Dinheiro Vivo
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06/05/2013

Um governo à deriva (12) - Uma coligação destas dispensa a oposição

Confesso ainda antes de me condenarem pela falta de pachorra. Não vi, senão durante pouquíssimos minutos, a comunicação de Passos Coelho nem a performance de Portas. Simplesmente não se aguentam aqueles discursos, tons e body language. Aquela conversa de mestre-escola de PPC e aquele tom de chico-esperto de PP a fazer dos portugueses burros, estando no governo como se estivesse na oposição, sempre à procura da pose adequada para debitar demagogia e facturar popularidade.

Se o caso de PPC é um caso cada vez mais claro de não estar à altura do enorme desafio que tem para enfrentar, o caso de PP é o caso de um político inconfiável que já defendeu tudo e o seu contrário, sem uma visão para o país para além das suas ambições e do seu ego híper-expandido, que já foi eurocéptico e eurófilo, Paulinho das feiras e frequentador de salões, conservador e liberal, que já intrigou tudo quanto havia para intrigar, sempre a contar os votos dos velhinhos e das velhinhas, dos reformados e da lavoura e a piscar o olho àquele trupe do jornalismo de causas e sem causas, com poucos princípios e muitos fins.

Terão estes dois e a esta gente que os rodeia consciência do buraco sem fundo onde o país se encontra, enquanto eles assobiam para o lado, incapazes de conduzir o país a começar a sair dele? E não me digam que a oposição não apresenta alternativas, que fogem aos compromissos, que não em conta o interesse do país et patiti et patata. Pois claro que fazem isso tudo. E é por isso que são oposição, ou, melhor, parece ser isso que os portugueses esperam de uma oposição.

@RTISTA CONVIDADO: «O que tu quiseres» (4)

Efabulações já publicadas: (1), (2) e (3)

«O que tu quiseres», uma colecção de 24 efabulações. O estendal onde a artista pendura algumas das suas coisas pode ser visto AQUI.

Borboletas mágicas
(Continua)

05/05/2013

BREIQUINGUE NIUZ: O comentador Marques Mendes anuncia convocação do Conselho de Estado

Alguém poderia ter a gentileza de me explicar a que título uma criatura com 55 anos que leva trinta e tantos anos de política, foi secretário de Estado e ministro de quatro governos, foi deputado em seis legislaturas, foi líder do partido que está no governo e, por incrível que pareça, é membro do Conselho de Estado, anunciou ontem, durante as suas larachas na SIC, «em 1.ª mão», que o PR vai convocar esse órgão - em 2.ª mão, naturalmente.

Nem todos os obamas de Obama fazem felizes os obamófilos: episódio (60) – Os guantanameros (III)

Actualização de (I) e (II).

«Barack Obama, prometeu “redobrar” os seus esforços para convencer o Congresso a aceitar o encerramento do campo de detenção militar de Guantánamo, onde mais de uma centena de prisioneiros se encontra em greve da fome.» (Público)

E eu a pensar que Guantanamo estava encerrado desde há 4 anos. Terá Santo Obama sido convertido ao bushismo?

04/05/2013

@RTISTA CONVIDADO: «O que tu quiseres» (3)

Efabulações já publicadas: (1), (2)

«O que tu quiseres», uma colecção de 24 efabulações. O estendal onde a artista pendura algumas das suas coisas pode ser visto AQUI.


Árvores com folhas de oiro
(Continua)

03/05/2013

SERVIÇO PÚBLICO: O que se está a passar debaixo do nevoeiro estatístico e mediático?

Em meados do mês passado o indicador avançado da OCDE antecipou uma provável recuperação da actividade económica em Portugal nos próximos meses.

Já no final de Abril, os dados do Eurostat mostram que o desemprego em Portugal não aumentou em Março, o que neste contexto até é uma boa notícia.

O INE estimou um aumento homólogo de 0,8% no índice de produção industrial em Março o que poderia ser uma boa notícia se não resultasse exclusivamente do aumento de 4,5% do índice do agrupamento de energia.

Esta manhã, ficámos a saber que os yields das OT portuguesas nos prazos de 2, 5 e 10 anos desceram ao nível de Outubro de 2010. Os mercados lá saberão porquê.

É claro que, segundo uma das leis de Murphy mais conhecidas, as coisas nunca estão tão más que não possam piorar. Mas a verdade é que no estado que a governação socialista deixou o país, é quase um milagre, dada a incapacidade demonstrada pelo governo PSD-CDS de adoptar as reformas indispensáveis, que uma parte do país ainda resista – aquela parte que não está dependente do Estado.

Mitos (109) – Um mito desfeito e outro criado

No dia 1 de Maio, o governo, pela boca de Passos Coelho, desfez um mito e a oposição, pela boca de António José Seguro, criou outro.

Passos Coelho com 2 anos de atraso referiu-se ao mito dos juros usurários, que aqui no (Im)pertinências já estamos cansados de desmitificar, lembrando que as taxas de juro dos empréstimos da troika são as mais baixas de sempre, apesar, lembro eu, de o risco da nossa dívida ser o mais alto de sempre, e, dando uma indirecta para a esquerdalhada em geral, com os conhecidos problemas de tabuada, acrescentou que «não é preciso, portanto, dominar grande aritmética para perceber que o problema não está na taxa de juro, mas na dívida que é grande». Em desespero de causa, e por última vez, aqui vão uma vez mais os juros usurários da troika (as maturidades são antes da extensão recentemente acordada):

02/05/2013

Títulos inspirados (16) - E o primo do Gaspar?

«Ex-colega do avô de Vítor Gaspar esteve na manif da UGT», titulou o ionline. Merece o grande prémio da irrelevância. Melhor título só mesmo «Primo do Gaspar esteve na manif da CGTP».

Bons exemplos (58) – Veja sem cerimónias

Quantos jornais portugueses teriam coragem de publicar uma reportagem denunciando o alegado esquema de corrupção alegadamente montado por uma alegada amante de um dos nossos alegados Lulas com o seu alegado directo envolvimento? Só se fosse um alegado jornal.

@RTISTA CONVIDADO: «O que tu quiseres» (2)

Efabulações já publicadas: (1)

«O que tu quiseres», uma colecção de 24 efabulações. O estendal onde a artista pendura algumas das suas coisas pode ser visto AQUI.

Árvores coloridas

(Continua)

01/05/2013

Chávez & Chávez, Sucessores (6) – Não se percebe por que ficou o coronel tanto tempo no frigorífico. O sucessor estava perfeitamente habilitado

A magríssima e duvidosa vitória do sucessor Nicolas Maduro no dia 14 de Abril («dia da ressurreição», como lhe chamou Maduro) não o impediu de continuar o estilo e a substância da governação despótica do «Cristo da América enviado por Deus que deu a sua vida por cada um de nós», do «São Hugo de 23 de Janeiro», como está inscrito num santuário em frente do museu militar (ou aqui nesta «capela») que foi o QG do golpe militar de 23 de Janeiro de 1992. (Fonte: Economist)