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04/08/2012

Espanha - défice de jeito e superavit de bazófia

À primeira vista não haveria muitas razões para esperar a escalada nos últimos meses dos yields da dívida espanhola. Afinal o défice de 9% seguiu-se a vários anos de superavit, a dívida pública pouco ultrapassa os 70% (a portuguesa já passou 110%) e a dívida externa líquida é inferior a 100% (a portuguesa já passou os 250%).

Fonte: Bloomberg

Só à primeira vista, porque lá estava a descapitalização dos bancos a requerer 100 mil milhões, lá vieram à superfície as dívidas das 17 regiões autónomas, cada uma delas uma Madeira potencial presidida por um Bokassa, com as suas dívidas e as suas falências anunciadas. Sem esquecer as pantagruélicas necessidades de financiamento do serviço do stock de dívida e dos défices seguintes – cerca de 385 mil milhões até ao final de 2014. E tudo se complica com o BCE a recusar a compra de dívida de países que não pediram ajuda, como é o caso de Espanha cujo governo ainda está na fase da negação.

Ainda assim, julgo que a punição que os especuladores estão aplicar à Espanha (uma tirada para impressionar a esquerdalhada), comparativamente com Portugal, só pode compreender-se por eles terem no lugar de uma dupla Passos Coelho-Gaspar uma dupla Rajoy-Guindos (Reuters dixit), com défice de jeito para lidar com a crise e superavit de bazófia.

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