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21/08/2012

CASE STUDY: Nem tudo está mal no desemprego (e no emprego)

Segundo dados do INE (Destaque de 14-08), no 2.º trimestre o desemprego na população activa com o ensino básico aumentou, na população com o secundário diminuiu e nos licenciados também e mais acentuadamente. O que significa isto?


E o que significam as diferenças das taxas de desemprego por nível de escolaridade: 15,9%, 16,8% e 10,2%, respectivamente no ensino básico, secundário e superior? Sobretudo o que significa a maior incidência de desemprego precisamente no nível de escolaridade secundário em que Portugal está muito abaixo dos países da OCDE? Não seria de esperar uma taxa de desemprego relativamente mais elevada no nível básico de escolaridade, até porque cerca de 260 mil indivíduos entre os 15 e os 64 anos (Pordata População residente 2011) considerados no ensino básico não têm nenhuma escolaridade?

Quaisquer que sejam as respostas para explicar o comportamento do desemprego, a verdade é que nos últimos 12 meses o emprego diminuiu na população com menor escolaridade mas aumentou nos restantes níveis: em termos homólogos, o emprego diminui 248,1 mil indivíduos com o ensino básico (incluindo indivíduos sem escolaridade) e aumentou 43,3 mil nos níveis secundário e superior. E a verdade é também o número de activos e o número de empregados ter aumentado, ainda que ligeiramente, no último trimestre, o que significa que o aumento do desemprego resulta de haver mais indivíduos à procura de emprego.

Em conclusão, está a destruir-se emprego indiferenciado e criar-se algum emprego diferenciado e há mais gente a querer trabalhar.

1 comentário:

Anónimo disse...

É só um trimestre, com eventuais efeitos sazonais

Um pouco cedo para tirar concluões.

JEM