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30/08/2005

SERVIÇO PÚBLICO: um inesperado exercício de lucidez política

«Esta ala esquerda chega sempre ao encontro da História com dez anos de atraso. Repare que algumas das medidas que agora estão a ser tomadas, por exemplo em relação à função pública, já deviam ter sido tomadas há dez ou quinze anos. O pior que se pode fazer não é retirar regalias, é criar expectativas às pessoas e deixar que elas programem a sua vida com base numa situação que é insustentável a médio prazo. Eu dizia isto no tempo do Guterres e respondiam-me que eu queria retirar direitos adquiridos. Agora, em nome do Estado Social, já se pode. Prepararmo-nos para a globalização implica que o Estado Social seja todo revisto de alto a baixo. E quando o social está em crise, temos que voltar ao individual, temos que olhar os cidadãos como consumidores, a pagar muitos dos serviços que o Estado lhes presta, e em compensação o Estado baixa os impostos.
...
Quem faz a maior contestação às mudanças que estamos a fazer - e são só mudanças no campo da logística, da intendência - são os sindicatos e os sectores ligados ao PC e ao BE. E eu estou convencido de que este país só tem sucesso quando o PC e o BE criticarem com razão. Porque, por enquanto, têm criticado sem razão. Ora, se o Presidente da República é eleito por uma aliança destas, vai levar a que a Presidência, com o aumento da crise, volte ao tempo do eanismo e desagúem em Belém todos os lobis de pressão sobre o Governo.
»

(excertos da entrevista do deputado socialista Ricardo Gonçalves ao Diário de Notícias de 29-08, um exercício de inesperada lucidez política rara no grupo parlamentar do PS, rara, aliás, em qualquer grupo parlamentar)

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